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domingo, 8 de outubro de 2017
Joana Schenker, a luso-alemã que é portuguesa
Na sexta-feira, o jornal desportivo online Maisfutebol: "Joana Schenker, a luso-alemã que está a fazer história no bodyboard". Hoje, o jornal desportivo online Maisfutebol, há minutos, depois de as coisas terem corrido satisfatoriamente, e de medalha no bolso: "Portuguesa Joana Schenker é campeã mundial de bodyboard". O jornalismo é uma coisa muito bonita...
quarta-feira, 9 de julho de 2014
O Mundial tal qual ele é 15
Depois da meia-final de hoje, entre a Holanda e a Argentina, ficou absoluta e definitivamente assente que a melhor selecção do mundo é a da Alemanha. Só falta saber quem leva a taça - e isso passou a pormenor.
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O Mundial tal qual ele é 14
Brasil, 1 - Alemanha, 7. Dasse! O que vale é que eu sou alemão desde pequenino. Praticamente.
terça-feira, 17 de junho de 2014
A História repete-se mas não é gaga
Em 1940, por este 17 de Junho, a União Soviética abocanhou a Letónia, a Lituânia e a Estónia, com o acordo da velha Alemanha nazi e o assobio para o lado do resto do mundo. Faço 25 segundos de silêncio pensando na Ucrânia, na Alemanha nazi de hoje em dia, nos EUA e no resto do mundo látero-assobiador. Quem inventou que a História não se repete, só podia estar a falar das explicações para exames.
sábado, 14 de junho de 2014
O Mundial tal qual ele é 5
Última hora. A televisão alertou-me: Portugal já deixou Campinas, para defrontar a Alemanha. Fui a correr para casa, queria ver o jogo. E vi. Era o Uruguai-Costa Rica. A minha mulher explicou-me que a Selecção Nacional só joga na próxima segunda-feira. A notícia do dia era, portanto, que Portugal viajou. Também está bem. Sem o tendão rotuliano de Cristiano Ronaldo e com os jornalistas a serem despedidos às carradas, não se pode esperar muito mais.
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domingo, 15 de dezembro de 2013
Mais vale mal acompanhado
E uma vez foi de mais. Eu era puto e estava lá. Um dos jogadores, desgraçadamente em dia não e alvo único e reiterado da chacota geral, perdeu de repente as estribeiras e, varando com os olhos a plateia ali à roda, atirou, cheio de raiva e perdigotos: Ide todos para o caralho! Todos...
Mas nisto encarou o respeitável comerciante, pessoa de outra idade e estatuto, e resolveu abrir uma honrosa excepção: Todos, não. Faz favor de desculpar, senhor Serafim, não é para si - corrigiu o bilharista azarado e despeitado porém atencioso, botando giz no taco.
Sentado logo à entrada depois do degrau, no canto por baixo do velho rádio dos relatos domingueiros, Serafim d'Eiteiro disfarçou um sorriso maroto atrás do fumo do cigarro sem filtro e respondeu naquela maneira vagarenta de falar que dava ares de sabedoria - Muito obrigado pela deferência, mas aqui sozinho é que não fico. Se o amigo não leva a mal, eu também vou.
O ministro dos Negócios Estrangeiros foi à Alemanha dizer que está "muito orgulhoso" com a "postura dos portugueses" perante a crise. Um elogio que, naquela boca, é um insulto. E eu estou como o Serafim d'Eiteiro. Não quero que Paulo Portas tenha orgulho em mim. Dispenso. Não aceito a consideração de Portas. A falsa consideração de Portas, jogador da política, incomoda-me, faz-me comichão, deve ser do giz. Recuso a deferência. E, se estou lá, exijo ser imediatamente retirado da lista dos portugueses com postura deste ministro impostor.
(Texto escrito e publicado no dia 19 de Setembro de 2012, por toleima política. Tinha o título de "Desarrisquem-me da lista do Portas". Mas façam-me o favor: desleiam o último parágrafo, o Portas não merece, o Portas não interessa para nada. O senhor Serafim d' Eiteiro é que sim, merece e interessa. Por isso torno a ele. A história é verdadeira, uma de muitas do figurão. O apelido "d'Eiteiro" seria uma corruptela de "do Outeiro". Lugar do Outeiro, Antime, donde creio que era este ilustríssimo fafense. Serafim do Outeiro igual a Serafim d'Eiteiro, assim terá decidido o povo, na sua indesmentível sabedoria.)
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domingo, 4 de novembro de 2012
Elogio ao génio humano
| Foto Hernâni Von Doellinger |
Ontem estacionou-me ali em baixo o Arcadia. São 285 metros de navio para 1.948 passageiros. Os cruzeiros que me batem à porta têm-me dado que pensar, suscitam-me reflexões de pequena e média profundidade que aqui humildemente partilho com os meus queridos leitores. E ontem vieram-me à cabeça os cus. Os cus que os cruzeiros descarregam.
Cu de turista não é brincadeira, já repararam? É cu de bitola larga e se for cu americano então ocupa o mundo inteiro. Menos a Alemanha. Até parece que para se ser turista - turista encartado - é preciso ter um cu daqueles. E o cu alemão também para lá caminha, não quer ficar atrás. O que diz tudo a respeito de um cu.
Imagino que sejam muito ricos os camones com que me cruzo nas bordas do Porto de Leixões - eles a saírem todos cheios de good morning e eu, de passagem, "desculpem lá a shit de dog na sola da sandália, é good luck, com os cumprimentos do mayor". Tão turistas e tão prendados de cu, têm que ser muito ricos. Engordam e viajam porque podem. Se calhar até têm ordenados, subsídios e reformas.
Chegam e parece-me sempre um congresso de cus. Toneladas e toneladas de bagagem extra em traseiros colossais e gingões mesmo à frente do meu nariz. Confesso: é um espectáculo que não pára de maravilhar-me. Olho para os cus e olho para o barco, e só me apetece elogiar o génio humano, os avanços da ciência, os milagres da indústria, a arte e o engenho dos modernos fazedores de navios, supremos desafiadores das leis da física. Fascina-me aquilo que não consigo compreender. Para os cus e para o barco, olho e penso: com tanto badocha ali metido, como é que aquela merda se aguenta?
sábado, 11 de agosto de 2012
Christian Fischer, o milagre
sábado, 16 de junho de 2012
No caminho certo, mas para onde?
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terça-feira, 27 de março de 2012
Querem é sexo
Sou muito procurado por causa de sexo. É verdade: centenas de visitantes do Tarrenego! entram aqui pela primeira vez porque pesquisam na Net palavras-chave tão atesoadas e cheias de segundas intenções como "belas e perigosas", "foder no parque", "mamas", "amantes", "portuguesas malucas", "portuguesas perigosas", "comendo a tia safadinha" (palavra de honra!), "putas", "prostitutas" ou "padres de Viana do Castelo". Depois levam com um balde de água fria no focinho, vão-se abaixo e se calhar nunca mais voltam. Compreendo-os.
Há outros leitores, igualmente solitários e amantes dos trabalhos manuais, porém de hábitos um pouco mais arejados e produtivos (a jardinagem ou a culinária, por exemplo), que contactam comigo através de senhas como "Alberto João", "o seringador", "arroz de polvo carolino ou agulha", "esquerda caviar", "onde comer sardinhas", "Anthony Bourdain", "ah faneca!" e "moelas de coelho". Sobretudo "moelas de coelho". Percebo também que fiquem desconsolados com o que tenho para lhes dar e não posso levar a mal o raspanete que achem por bem (no caso dos fiscais de serviço do Bloco de Esquerda), embora lamente que me virem as costas de vez. Já agora: para o polvo, arroz carolino. E é claro que os coelhos não têm moelas, mas o meu amigo Peixoto, em Fafe, cozinha-as muito bem.Quase que só sobram então os americanos, os russos e os alemães, que são sempre os primeiros a chegar e, honra lhes seja!, não me largam. E é muito fácil mantê-los interessados. Basta-me meter um texto qualquer com uma ou mais destas inocentes palavras: "terrorismo", "EUA", "Putin", "Bush", "Obama", "Saddam Hussein", "Al-Qaeda", "Merkel", "Papa", "armas" ou "bomba", e meia dúzia de segundos depois já cá estão eles a bater-me à porta. É automático.
O que eles querem sei eu. No fundo, anda tudo ao mesmo: querem sexo, como os das "mamas" e das "prostitutas". Querem ver se me fodem, com licença da palavra. Mas também vêm ao engano.
(E depois há os casos que podem ser sérios. Como ontem, quando alguém caiu no Tarrenego! com a conjugação de palavras-chave "quero denunciar o meu pai que me maltrata". Peço desculpa pela pista falsa e espero sinceramente que quem estava aflito, se assim era, tenha encontrado a ajuda de que precisava.)
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sábado, 3 de março de 2012
Já começou 4
Em duas semanas morrerem mais de seis mil pessoas em Portugal. Especialistas em saúde pública dizem que é muito, que é de mais. Dizem também que a crise económica e o aumento das taxas moderadoras estão a ajudar à matança. Nas lojas do cidadão e nas repartições de Finanças, os funcionários são cada vez mais agredidos, quase diariamente, por utentes desesperados e com falta de mira. O alvo é mais acima. E os portugueses compram armas como nunca. Este é cenário.
Porém.
Como se vivesse na Alemanha e viesse à terrinha largar um bitaite de vez em quando, Pedro Passos Coelho protagonizou o número de circo impossível: desafiando a morte (dos outros) mas com um sorriso nos lábios, o alegado primeiro-ministro de Portugal conseguiu, ao mesmo tempo e sem rede, assobiar para o lado e contar uma anedota. A anedota é: isto não está assim tão mal, todos podemos ir de férias este ano da nossa desgraça se fizermos "uma boa aplicação dos recursos" que temos. Bela piada. Dos "recursos", disse ele, o novo mestre do nonsense! Fui aos bolsos, tirei o cotão que se me enfiou nas unhas e ri para não chorar.
Porém.
Como se vivesse na Alemanha e viesse à terrinha largar um bitaite de vez em quando, Pedro Passos Coelho protagonizou o número de circo impossível: desafiando a morte (dos outros) mas com um sorriso nos lábios, o alegado primeiro-ministro de Portugal conseguiu, ao mesmo tempo e sem rede, assobiar para o lado e contar uma anedota. A anedota é: isto não está assim tão mal, todos podemos ir de férias este ano da nossa desgraça se fizermos "uma boa aplicação dos recursos" que temos. Bela piada. Dos "recursos", disse ele, o novo mestre do nonsense! Fui aos bolsos, tirei o cotão que se me enfiou nas unhas e ri para não chorar.
sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012
Descubra as diferenças
O chefe de Estado alemão, Christian Wulff, vai demitir-se. O Presidente da República Portuguesa, Cavaco Silva, não. O nosso vai apenas esconder-se.
quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012
Os Alemães não têm emenda
Primeiro foi a chanceler alemã, Angela Merkel, que na terça-feira deu a Madeira como um mau exemplo da aplicação dos fundos estruturais europeus, que serviram para construir "muitos túneis e auto-estradas bonitas", mas não contribuíram "para que haja mais competitividade". Agora é o presidente do Parlamento Europeu, o também alemão Martin Schulz, que critica o facto de Passos Coelho andar a pedir investimentos angolanos, considerando que, assim, "o futuro de Portugal é o declínio".
Ora bem: eu também tenho as minhas reservas acerca da "obra feita" na Madeira, mas sou português, embora continental, e escrevo um blogue que não se leva a sério. E, é verdade, o dinheiro angolano a mim também não me cheira nada bem. Mas isso é um problema meu. Nosso. Neste assunto, como noutros, parto de uma posição muito conservadora, que é basicamente aquela de eu estar à vontade para criticar um tio por ele ser um grande aldrabão, mas não admitir a ninguém de fora da família que me venha dizer que esse mesmo tio é um pequeno mentiroso.
Alberto João Jardim é uma nódoa? É. Pedro Passos Coelho é um desastre? De facto. Mas estas, como muito bem diria o filósofo e treinador de futebol Jorge Jesus, são questões "do forno interno" português. Problemas em que nós próprios nos metemos e que temos de ser nós também a resolver. Quem está de fora, racha canhotos! E os Alemães ainda estão de fora, apesar da sua histórica tendência para meterem o nariz e o resto onde não são chamados.
Merkel e Schulz decerto não concertaram uma ofensiva germânica contra Portugal. Isto foram acasos por acaso coincidentes, não são prolegómenos da invasão. De resto, a invasão propriamente dita era capaz de parecer um exagero, nos tempos que correm. Já não me admirava nada que, antes pelo contrário, os Alemães estivessem apenas a ganhar lanço para nos atirarem carroça fora.
Ora bem: eu também tenho as minhas reservas acerca da "obra feita" na Madeira, mas sou português, embora continental, e escrevo um blogue que não se leva a sério. E, é verdade, o dinheiro angolano a mim também não me cheira nada bem. Mas isso é um problema meu. Nosso. Neste assunto, como noutros, parto de uma posição muito conservadora, que é basicamente aquela de eu estar à vontade para criticar um tio por ele ser um grande aldrabão, mas não admitir a ninguém de fora da família que me venha dizer que esse mesmo tio é um pequeno mentiroso.
Alberto João Jardim é uma nódoa? É. Pedro Passos Coelho é um desastre? De facto. Mas estas, como muito bem diria o filósofo e treinador de futebol Jorge Jesus, são questões "do forno interno" português. Problemas em que nós próprios nos metemos e que temos de ser nós também a resolver. Quem está de fora, racha canhotos! E os Alemães ainda estão de fora, apesar da sua histórica tendência para meterem o nariz e o resto onde não são chamados.
Merkel e Schulz decerto não concertaram uma ofensiva germânica contra Portugal. Isto foram acasos por acaso coincidentes, não são prolegómenos da invasão. De resto, a invasão propriamente dita era capaz de parecer um exagero, nos tempos que correm. Já não me admirava nada que, antes pelo contrário, os Alemães estivessem apenas a ganhar lanço para nos atirarem carroça fora.
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