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quinta-feira, 20 de junho de 2024

Foge, Isaltino, foge!

A questão é: Isaltino foge ou não foge? Eu acho que foge e tomara que fuja. Só se for parvo é que Isaltino não foge. E Isaltino é muitas coisas (que, apesar de provadas em tribunal, eu não vou dizer), mas parvo é que não é. Antes pelo contrário. Para mim, Isaltino é um pirata, o pirata Isaltino que abocanhou quanto pôde enquanto pôde e agora tem um tesouro escondido num país que ninguém sabe, como, por exemplo, a Suíça. E pirata que se preze não se entrega. Vai mas é gozar a massa.
Se Isaltino fosse para a cadeia, cadeia a sério, os outros piratas todos iam fazer pouco dele, sobretudo dois: o pirata Alberto João e o pirata Vale e Azevedo, cada qual na sua ilha de piratas privativa. Gargalhariam, no intervalo de mais uma caneca de rum, bebida por videoconferência: este gajo é mesmo parvo! Mas, repito, Isaltino não é parvo, é Morais.
Nos filmes americanos, mesmo antes do The End, gosto de ver os malandros diplomados, piratas de todos os feitios, já livres de perigo e refastelados ao sol, lambuzando-se com lagostas e gajas boas numa praia tropical mais conhecida do que os tremoços, mas que a justiça portuguesa, por não ter GPS, nunca sabe onde é que é. E penso: quem me dera ser pirata...
É o que eu estimo, do fundo do coração, ao nosso Isaltino, que não é menos do que os outros piratas só por ser um pirata português. Palavras para quê? Vai, Isaltino, vai, e não olhes para trás! Vai pela sombra e encontra a tua ilha ao sol. E deixa um milhãozito na conta deste teu sincero admirador, que não te faz diferença nenhuma e ficas aqui com um sobrinho para toda a vida.

P.S. - Não vos deixeis enganar. Este texto escrevi-o aqui no dia 13 de Outubro de 2011, já Isaltino e a Justiça brincavam às escondidas, muito entretidinhos, e a história continua. É, pelos vistos, uma história interminável...

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Manda-me copos, que eu gosto


"Homem embriagado atirou copo a João Jardim", informa o Jornal de Notícias. O presidenta da república da Madeira mandou vir "mais um, mas cheio", e pagou "uma rodada para toda a gente".

sexta-feira, 18 de maio de 2012

À beira do naufrágio

Foto Hernâni Von Doellinger

Uma reportagem da Revista do Expresso, a sair amanhã, diz que há cada vez mais "pobreza, vergonha e medo" na ilha de Alberto João. A Madeira está "à beira do naufrágio", mas quer afundar-se com grande classe.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Outra vez a mijar fora do penico

José Pedro Pereira, líder da JSD na Madeira e adepto da independência do arquipélago de Alberto João, defendeu ontem que "certos ministros do senhor Passo Coelho deviam ser investigados". E deviam. O jovem deputado regional social-democrata protestava assim contra o "folclore" das buscas efectuadas pelo DCIAP em departamentos do Governo do Funchal. Permito-me recordar, no entanto, que este é o rapaz que mijou num carro da Polícia, na madrugada de 23 de Julho do ano passado, junto a um estabelecimento de diversão nocturna no Molhe da Pontinha.

terça-feira, 27 de março de 2012

Querem é sexo

Sou muito procurado por causa de sexo. É verdade: centenas de visitantes do Tarrenego! entram aqui pela primeira vez porque pesquisam na Net palavras-chave tão atesoadas e cheias de segundas intenções como "belas e perigosas", "foder no parque", "mamas", "amantes", "portuguesas malucas", "portuguesas perigosas", "comendo a tia safadinha" (palavra de honra!), "putas", "prostitutas" ou "padres de Viana do Castelo". Depois levam com um balde de água fria no focinho, vão-se abaixo e se calhar nunca mais voltam. Compreendo-os.
Há outros leitores, igualmente solitários e amantes dos trabalhos manuais, porém de hábitos um pouco mais arejados e produtivos (a jardinagem ou a culinária, por exemplo), que contactam comigo através de senhas como "Alberto João", "o seringador", "arroz de polvo carolino ou agulha", "esquerda caviar", "onde comer sardinhas", "Anthony Bourdain", "ah faneca!" e "moelas de coelho". Sobretudo "moelas de coelho". Percebo também que fiquem desconsolados com o que tenho para lhes dar e não posso levar a mal o raspanete que achem por bem (no caso dos fiscais de serviço do Bloco de Esquerda), embora lamente que me virem as costas de vez. Já agora: para o polvo, arroz carolino. E é claro que os coelhos não têm moelas, mas o meu amigo Peixoto, em Fafe, cozinha-as muito bem.
Quase que só sobram então os americanos, os russos e os alemães, que são sempre os primeiros a chegar e, honra lhes seja!, não me largam. E é muito fácil mantê-los interessados. Basta-me meter um texto qualquer com uma ou mais destas inocentes palavras: "terrorismo", "EUA", "Putin", "Bush", "Obama", "Saddam Hussein", "Al-Qaeda", "Merkel", "Papa", "armas" ou "bomba", e meia dúzia de segundos depois já cá estão eles a bater-me à porta. É automático.
O que eles querem sei eu. No fundo, anda tudo ao mesmo: querem sexo, como os das "mamas" e das "prostitutas". Querem ver se me fodem, com licença da palavra. Mas também vêm ao engano.

(E depois há os casos que podem ser sérios. Como ontem, quando alguém caiu no Tarrenego! com a conjugação de palavras-chave "quero denunciar o meu pai que me maltrata". Peço desculpa pela pista falsa e espero sinceramente que quem estava aflito, se assim era, tenha encontrado a ajuda de que precisava.)

domingo, 26 de fevereiro de 2012

É preciso ter lata 4

Alberto João, o gastador-mor da Madeira, diz que Portugal (suponho que se referia à "República") se calhar necessita de pedir mais ajuda financeira e precisa de medidas que coloquem a economia a crescer. Fala quem sabe. Quem sabe que aos domingos, enquanto não começa a bola, a rapaziada dos jornais mete tudo o que mexe. Nem que seja minhoca.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

O valor da palavra

"Catástrofe na Madeira hoje seria bem pior", titula o semanário Expresso, assinalando o segundo aniversário do temporal que, no dia 20 de Fevereiro de 2010, provocou 43 mortos, seis desaparecidos e 1.200 desalojados na ilha de Alberto João. Pois. Se fosse hoje, teria sido... uma catástrofe.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Os Alemães não têm emenda

Primeiro foi a chanceler alemã, Angela Merkel, que na terça-feira deu a Madeira como um mau exemplo da aplicação dos fundos estruturais europeus, que serviram para construir "muitos túneis e auto-estradas bonitas", mas não contribuíram "para que haja mais competitividade". Agora é o presidente do Parlamento Europeu, o também alemão Martin Schulz, que critica o facto de Passos Coelho andar a pedir investimentos angolanos, considerando que, assim, "o futuro de Portugal é o declínio".
Ora bem: eu também tenho as minhas reservas acerca da "obra feita" na Madeira, mas sou português, embora continental, e escrevo um blogue que não se leva a sério. E, é verdade, o dinheiro angolano a mim também não me cheira nada bem. Mas isso é um problema meu. Nosso. Neste assunto, como noutros, parto de uma posição muito conservadora, que é basicamente aquela de eu estar à vontade para criticar um tio por ele ser um grande aldrabão, mas não admitir a ninguém de fora da família que me venha dizer que esse mesmo tio é um pequeno mentiroso.
Alberto João Jardim é uma nódoa? É. Pedro Passos Coelho é um desastre? De facto. Mas estas, como muito bem diria o filósofo e treinador de futebol Jorge Jesus, são questões "do forno interno" português. Problemas em que nós próprios nos metemos e que temos de ser nós também a resolver. Quem está de fora, racha canhotos! E os Alemães ainda estão de fora, apesar da sua histórica tendência para meterem o nariz e o resto onde não são chamados.
Merkel e Schulz decerto não concertaram uma ofensiva germânica contra Portugal. Isto foram acasos por acaso coincidentes, não são prolegómenos da invasão. De resto, a invasão propriamente dita era capaz de parecer um exagero, nos tempos que correm. Já não me admirava nada que, antes pelo contrário, os Alemães estivessem apenas a ganhar lanço para nos atirarem carroça fora.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Obrigado, Alberto João

O Alberto João vai dar tolerância de ponto aos madeirenses na terça-feira de Carnaval. O Governo Regional justifica a decisão com o "impacto da quadra na economia da Região Autónoma" e a "contribuição que a população dá para o seu alto nível". Para além disso, Jardim morre se não for ao desfile, e assim já ninguém o acusa de faltar ao emprego.
Parece impossível, mas sou capaz de estar de acordo com o folião-mor das ilhas. Inclino-me a admitir que a Madeira faz muito bem em manter o "feriado" de Carnaval. Para além disso, esta decisão contra as ordens de Pedro Passos Coelho é também uma oportuna demonstração do que Jardim costuma fazer com as recomendações e as contas mandadas pela República: corta-as ao meio, enfia-as num prego e transforma-as em papel selado.
Na Câmara de Vila Real já se faz o mesmo. E, por esse País fora, muitas outras autarquias, que não querem publicidade, acabam de aderir a este velho processo de reciclagem salvo do esquecimento pelo poupado Alberto João, como no dia 21 se verá. É mais uma que temos para lhe agradecer.

sábado, 28 de janeiro de 2012

Umbiguíssimos

Bem encaminhado que está o lançamento planetário do tricô nacional, tenho mais uma para sugerir ao Álvaro da Economia e dos pastéis de nata. E esta é mesmo de génio, não desfazendo: cotonetes! Cotonetes made in Portugal, feitos com palitos usados mas muito bem lavados em duas ou três águas (como sempre, convém que uma delas seja das Pedras) e finalmente aconchegados nas respectivas extremidades com fiapos da lã sobrante dos camisolões, coturnos e cachecóis que vamos franchisar e internacionalizar (para Angola, sobretudo e em força).
Se os restos da lã não chegarem, e pode acontecer, tenho tudo previsto. Recorreremos, nesse caso, a uma matéria-prima alternativa, mas igualmente reciclada, sem custos acrescidos e à unha de semear - o cotão do umbigo. E só lhes digo: há por aí uns umbigos que são umas minas! Aquilo a que os especialistas chamam umbiguíssimos, tipo Cavaco Silva, José Sócrates, Eduardo Catroga, Jorge Jesus, Alberto João Jardim, Miguel Relvas, José Mourinho, Braga de Macedo, Fernando Nobre, Pedro Boucherie Mendes e outros tantos de que agora não me lembro, e que vão dar pano para mangas.
Quanto aos cotonetes propriamente ditos, eles serão, para além de factor de lucro imediato e directo para o País e Madeira, uma alavanca fundamental para uma outra indústria que lhe ficará a jusante e que é, naturalmente, o negócio das velas de cera.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Abençoados pela poncha

O título do jornal é: "Passos e Jardim chegam a acordo". Amém! Na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, todos os dias das vidas deles. Amém! Mas, digo eu, isto é um casal moderno, foi só para não darem o desgosto à família, e vai durar muito pouco. Hipócritas! Um e outro sabem que não foram feitos um para o outro. Ainda por cima são primos, só pode dar estupidez. No dia, breve, em que separarem os trapinhos, lá continuaremos nós, os filhos irreconhecidos, a pagar as contas de uns pais (um país!) que também não conhecemos de lado nenhum.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Lisboa, não tomes juízo!

Depois do chantagista-mor, a vez do chega-me-isso de serviço. Nas vésperas da mais que provável assinatura do programa de assistência financeira à Madeira, prevista para a próxima segunda-feira, um tal Gabriel Drumond, ex-deputado e dirigente do PSD regional, saiu a terreiro para ameaçar que ou Lisboa "toma juízo ou temos de ir para a independência". Drumond, que por acaso também é o presidente da FAMA, associação independentista de que Alberto João Jardim é sócio n.º 1, acusa o Governo da República de se ter tornado num "bando de malfeitores, a começar pelo primeiro-ministro e ministro das Finanças, que tem um padrinho que é o Presidente da República".
Pois faço votos para que Lisboa não tome juízo. E se Drumond e Jardim têm mesmo "de ir para a independência", que vão pela sombra.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Jardim, o inexequível

De "calças na mão" e a necessitar de dinheiro fresco "como de pão para a boca", Alberto João Jardim ameaça não assinar o plano de assistência financeira da Madeira se, na sua douta opinião, ele for "inexequível". "O resultado disto, se não assinar agora, é uma crise política", explicou o chantagista do Funchal, advertindo que não vai "demitir-se para fazer a vontade aos senhores de Lisboa, porque já lá foi o tempo em que Lisboa escolhia o governador da Madeira".
Claro que isto é só paleio. É o agarrem-me-senão-parto-tudo do costume. A inexequibilidade, de resto, é um conceito muito relativo e dado às mais cómodas interpretações. Às vezes basta desencravar um pentelho, na catroguiana expressão, para que tudo se componha. O próprio Jardim também é democraticamente inexequível, como todos sabem e alguns têm vergonha de dizer, e no entanto está lá no poleiro desde o século passado. Quer-se dizer: é só paleio, mas tem rendido.
Havia de ter piada se desta vez, pelo menos uma vez em trinta e tal anos, os senhores de Lisboa o deixassem arriar completamente as calças e depois... agissem em conformidade.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

E quem se lixa é o mexilhão

As farmácias vão deixar de dispensar medicamentos a crédito à população da Madeira já a partir de quinta-feira, porque o Governo regional não cumpre, desde Novembro, o plano de pagamentos acordado com a Associação Nacional das Farmácias. Segundo a ANF, a dívida ascende aos 77 milhões de euros e diz respeito a comparticipações desde 2009.
Eis mais um edificante episódio da "obra feita" por Alberto João Jardim em prol do seu povo. Mas afinal o homem não paga a ninguém? E é inimputável?

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Acho bem

Com o esforço e o patriotismo que infelizmente não lhe são reconhecidos, Alberto João Jardim lá conseguiu enfim elevar a dívida pública da Madeira ao invejado patamar dos seis mil milhões de euros. Acho bem! Na minha modesta opinião, não há nada que se compare com um número redondo, a não ser outro número redondo, e mais redondo se for possível, como, por exemplo, oito mil milhões de euros. Mas há que ter fé, ainda faltam 25 dias até ao final do ano. Entretanto, o feito já alcançado pelo Alberto João devia ser celebrado com fogo-de-artifício. Ai já está previsto!? Óptimo. Acho muito bem.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Foge, Isaltino, foge!

A questão é: Isaltino foge ou não foge? Eu acho que foge e tomara que fuja. Só se for parvo é que Isaltino não foge. E Isaltino é muitas coisas (que, apesar de provadas em tribunal, eu não vou dizer), mas parvo é que não é. Antes pelo contrário. Para mim, Isaltino é um pirata, o pirata Isaltino que abocanhou quanto pôde enquanto pôde e agora tem um tesouro escondido num país que ninguém sabe, como, por exemplo, a Suíça. E pirata que se preze não se entrega. Vai mas é gozar a massa.
Se Isaltino fosse para a cadeia, cadeia a sério, os outros piratas todos iam fazer pouco dele, sobretudo dois: o pirata Alberto João e o pirata Vale e Azevedo, cada qual na sua ilha de piratas privativa. Gargalhariam, no intervalo de mais uma caneca de rum, bebida por videoconferência: este gajo é mesmo parvo! Mas, repito, Isaltino não é parvo, é Morais.
Nos filmes americanos, mesmo antes do The End, gosto de ver os malandros diplomados, piratas de todos os feitios, já livres de perigo e refastelados ao sol, lambuzando-se com lagostas e gajas boas numa praia tropical mais conhecida do que os tremoços, mas que a justiça portuguesa, por não ter GPS, nunca sabe onde é que é. E penso: quem me dera ser pirata...
É o que eu estimo, do fundo do coração, ao nosso Isaltino, que não é menos do que os outros piratas só por ser um pirata português. Palavras para quê? Vai, Isaltino, vai, e não olhes para trás! Vai pela sombra e encontra a tua ilha ao sol. E deixa um milhãozito na conta deste teu sincero admirador, que não te faz diferença nenhuma e ficas aqui com um sobrinho para toda a vida.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Eu tenho obra

Dei finalmente uso ao terrenito de onze hectares que tinha comprado há coisa de três anos ali para os lados de Caminha, entre o mar e a serra. Comprado é uma forma de dizer, porque não o paguei. Não tenho dinheiro! Construí uma mansão apalaçada, com 16 quartos e sete salões, 19 casas de banho, todas com jacuzzi e paparazzi, três cozinhas, biblioteca transformada em garrafeira, ginásio, discoteca, bar de alterne, capela e kartódromo interiores, garagem para 53 automóveis, todos meus, 14 motos, todas minhas, um sidecar, meu, dois autocarros, meus, e uma retroescavadora, minha, três campos de ténis, dois campos de milho, quatro piscinas, um rio que mandei fazer de propósito e uma ligação privada à auto-estrada por túnel de 14 quilómetros em via dupla. A propriedadezinha, a que dei o nome de Quinta da Poncha, ficou-me por uma pipa de massa. A minha sorte é que mandei as contas dos arquitectos, engenheiros e empreiteiros para o tecto. Com um ordenado de mil euros por mês, eu não ganho para isto!
Chamo-lhe Quinta da Poncha para a distinguir da Primeira da Poncha, que construí em São João da Pesqueira, da Segunda da Poncha, que tenho na Manta Rota, da Terceira da Poncha, na zona do Estoril, e da Quarta da Poncha, em Ferreira do Alentejo. Todas mansões apalaçadas, envolvidas por estradas, viadutos e aquedutos navegáveis que eu mandei fazer, mas não gastei nem um cêntimo. Sou um teso! Se preciso de tudo isto?, perguntarão. Tenho uma família muito grande, e se disserem que sou só eu, a minha mulher e o nosso filho, eu nego! E se me acusarem de estar a esconder a Sexta da Poncha e a Sétima da Poncha, implantadas respectivamente na Madeira e na República Centro-Africana, eu digo que é calúnia.
Calúnia e inveja. Inveja e calúnia. Podem chamar-me manobrista financeiro, aldrabão, caloteiro, irresponsável, desgovernado, vigarista, criminoso. À vontade! A minha resposta é:
- Sim. E depois? Mas tenho obra!

sábado, 1 de outubro de 2011

O buraco

Afinal são só 6.328 milhões de euros. E estava eu preocupado! Pode ainda ser mais, é verdade, mas, se for, não será muito mais, a não ser que seja. O vagaroso ministro das Finanças, Vítor Gaspar, anunciou ontem que a dívida da Madeira conta com mais 465 milhões de euros do que o Governo regional tinha admitido na sua última "confissão", vale, no seu total, 123 por cento do PIB da região e corresponde a 927 por cento das receitas fiscais e a 600 por cento da receita efectiva em 2010. Muito gostava eu de saber como é que alguém consegue gastar seis vezes o que recebe sem ir bater com os costados no xelindró. Dava-me jeito!
O Alberto João é que tem razão. Rima e é verdade. Andavam os "vigaristas" continentais - na oportuna expressão do presidente da república das bananas da Madeira - a dizer que aquilo era um buraco sem fundo, e afinal não é. São só 6.328 milhões de euros.
Umas horas antes (para que se perceba, em tempo de eleições regionais, que o cu não tem nada a ver com as calças), o secretário de Estado do Orçamento, Luís Morais Sarmento, já tinha avisado que o "desvio" verificado no défice do primeiro semestre deste ano vai obrigar o Governo da República a sufocar-nos com mais medidas de austeridade ainda antes do Natal.
Também está bem. O que interessa é que o buraco da Madeira é só de 6.328 milhões de euros. Esta noite vou dormir mais descansado. E vou pôr o despertador para me acordar às 7h30 do dia 1 de Outubro de 2021.

sábado, 17 de setembro de 2011

Em balão previamente aquecido


Aviso: o que se segue é um texto de merda.

Moro mesmo em frente ao mar, se me puser de lado na varanda. E é na varanda que, depois de um jantar mais coisa e tal como o de ontem, eu gosto de fumar a minha cachimbada e beber um fundinho de CRF em balão previamente aquecido. "Em balão previamente aquecido". Não sei quem foi o génio que inventou a frase e o conceito, mas, já repararam?, sabe quase tão bem dizê-lo como bebê-lo.
E balão, para mim, é mesmo balão. Não um balãozinho ou um balo. É balão, bojudo e de boca larga, tipo Alberto João Jardim. O conteúdo até poderá ser pouco, e é, um dedo apenas e medido pela minha mulher, mas o continente quero-o pela medida grande.
Moro em frente ao mar, dizia eu, e tenho uma vizinha que dá de comer às gaivotas. A sério, dá de comer aos gatos e às gaivotas. E as gaivotas, que vêm ao cheiro, não me largam a varanda. De dia e de noite. Todos os dias e todas as noites. Creio que ainda ninguém explicou a estas gajas que só me deveriam bater à porta em caso de tempestade marítima.
Ora, a gaivota é um bicho que, como a maioria dos portugueses, come qualquer merda e anda quase sempre de soltura. Resultado: quando abre a cloaca, e aquilo é um porto franco, só de saída, chovem cagadas de alto lá com elas. Quem tinha capacete, tinha; quem não tinha, que tivesse. Isto é ciência.
Portanto, moro praticamente em frente ao mar e estava na varanda à conversa com o CRF em balão previamente aquecido, deitando um olho, de quando em vez, ao Gil Vicente-Olhanense, e isto é que eu ainda não tinha dito. Foi num desses momentos, no exacto momento em que eu disponibilizei o meu olho esquerdo para mais um fora-de-jogo mal assinalado, ainda por cima, que a puta da gaivota do costume - já te conheço a fronha, ó cagona - resolveu aliviar lastro, com uma pontaria tamanha que me acertou em cheio no indefeso balão de boca larga.
Antes de ficar realmente fodido, pensei: isto é uma metáfora do pobre país que somos, todos nos cagam em cima, até as gaivotas, e pela boca morre o peixe. Bebi um golo e não era metáfora nenhuma, era mesmo merda. Para a próxima vou beber o CRF num balãozinho, de boquinha apertadinha. Com menos merda, e previamente aquecido, não há-de saber tão mal.