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sábado, 6 de dezembro de 2025

O papel e o papelão

O (des)interesseiro
- Eu quero é que o dinheiro se foda! - dizia. Acrescentando: - E que procrie, evidentemente...

O gestor de projectos instalou-se em Fafe, vindo ninguém sabe donde, e foi ao banco pedir um empréstimo. Quantia avultada. Pretendia construir e montar de raiz uma fábrica de cartão canelado e pós de perlimpimpim, exactamente no sítio onde fora outrora a velha Fábrica do Papelão, no rio Ferro, em Cavadas, a seguir ao extinto monte de Castelhão, entre as pontes de Ranha e de São José, investimento para cima de diversos milhões de euros e emprego garantido para cerca de 23 pessoas, talvez 24 ou 25, ainda não sabia ao certo, isto tudo, bem entendido, antes da chegada em barda das grandes superfícies, que entretanto tomaram conta do lugar. O senhor do banco pediu-lhe a identificação de gestor de projectos, e o gestor de projectos respondeu prontamente: "Não tenho. Ainda estou a começar. Este é o meu primeiro negócio, mas toco muito bem ocarina". O senhor do banco tomou devida nota e observou, arguto e rindo: "Fábrica de cartão canelado, nesta altura do ano? Vê-se logo que é golpe, vigarice das antigas". "Golpe, não, caríssimo senhor, e faça o favor de reparar que eu disse caríssimo sem saber sequer a taxa de juro que aqui se pratica. Em todo o caso, se eu fosse mesmo vigarista, e dos antigos, como vosselência fez questão de caracterizar, ter-lhe-ia indicado que precisava do dinheiro para abrir um banco e não uma fábrica", ripostou o gestor de projectos, sem se rir, e foi roubar carteiras para outro lado.

(Versão revista, actualizada e aumentada, publicada no meu blogue Mistérios de Fafe)

quinta-feira, 20 de junho de 2024

Foge, Isaltino, foge!

A questão é: Isaltino foge ou não foge? Eu acho que foge e tomara que fuja. Só se for parvo é que Isaltino não foge. E Isaltino é muitas coisas (que, apesar de provadas em tribunal, eu não vou dizer), mas parvo é que não é. Antes pelo contrário. Para mim, Isaltino é um pirata, o pirata Isaltino que abocanhou quanto pôde enquanto pôde e agora tem um tesouro escondido num país que ninguém sabe, como, por exemplo, a Suíça. E pirata que se preze não se entrega. Vai mas é gozar a massa.
Se Isaltino fosse para a cadeia, cadeia a sério, os outros piratas todos iam fazer pouco dele, sobretudo dois: o pirata Alberto João e o pirata Vale e Azevedo, cada qual na sua ilha de piratas privativa. Gargalhariam, no intervalo de mais uma caneca de rum, bebida por videoconferência: este gajo é mesmo parvo! Mas, repito, Isaltino não é parvo, é Morais.
Nos filmes americanos, mesmo antes do The End, gosto de ver os malandros diplomados, piratas de todos os feitios, já livres de perigo e refastelados ao sol, lambuzando-se com lagostas e gajas boas numa praia tropical mais conhecida do que os tremoços, mas que a justiça portuguesa, por não ter GPS, nunca sabe onde é que é. E penso: quem me dera ser pirata...
É o que eu estimo, do fundo do coração, ao nosso Isaltino, que não é menos do que os outros piratas só por ser um pirata português. Palavras para quê? Vai, Isaltino, vai, e não olhes para trás! Vai pela sombra e encontra a tua ilha ao sol. E deixa um milhãozito na conta deste teu sincero admirador, que não te faz diferença nenhuma e ficas aqui com um sobrinho para toda a vida.

P.S. - Não vos deixeis enganar. Este texto escrevi-o aqui no dia 13 de Outubro de 2011, já Isaltino e a Justiça brincavam às escondidas, muito entretidinhos, e a história continua. É, pelos vistos, uma história interminável...

segunda-feira, 14 de novembro de 2022

Transfronteiriço e com luzinhas

Vendo. Vendo centros de exposições transfronteiriços, com ou sem fronteira, com ou sem luzinhas. Versão com sirene de marcha-atrás, só por encomenda. Negócio de ocasião, financiamento garantido. Pagamento à vista, entrega a ver. Disponível em verde, castanho, azul e vermelho. Produto anunciado na TV. Limitado ao stock existente.

quinta-feira, 17 de junho de 2021

A diferença entre um vigarista e um vigarista

Faustino foi ao banco pedir um empréstimo. Quantia avultada. Pretendia construir e montar de raiz uma fábrica de papel canelado, investimento para cima de milhões de euros e emprego garantido para cerca de 23 pessoas, talvez vinte e duas e meia ou vinte e três e meia, ainda não sabia bem. O senhor do banco riu-se: "Fábrica de cartão canelado? Vê-se logo que é golpe, vigarice das antigas". "Golpe, não, caríssimo senhor, e faça o favor de reparar que eu disse caríssimo sem saber sequer a taxa de juro. Em todo o caso, se eu fosse vigarista, e dos antigos, ter-lhe-ia indicado que precisava do dinheiro para abrir um banco", ripostou Faustino, sem se rir, e foi roubar carteiras para outro lado.

P.S. - No dia 17 de Junho de 1925 foi aprovada a fundação do Banco Angola e Metrópole, de Alves dos Reis.

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Em Portugal trabalhamos com a verga

Um empresário britânico chamado James McCormick vendeu aparelhos semelhantes aos que ajudam a encontrar bolas de golfe como se fossem capazes de detectar explosivos. Os seus melhores clientes foram países como o Iraque, a Geórgia e a Bélgica. Sim, a Bélgica. McCormick tem 56 anos e é milionário. Com este negócio terá conseguido aumentar a sua fortuna em cerca de 59 milhões de euros e foi condenado por fraude.
Entre swaps e submarinos, confesso que demorei a perceber como é que Portugal não caiu nesta. Mas acabei por chegar lá: em Portugal, país de vedores, trabalhamos com a verga. E a varinha nos basta.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Da micose aos cogumelos

Uma pequena tabuleta em tabopan, com seta a indicar caminho, chamou-me a atenção numa das saídas de Paredes de Coura. Dizia: "Congresso Micológico". A minha primeira reacção foi de... comichão. "Raisparta, que malucos é que estarão por aí reunidos a discutir a problemática da micose?", pensei eu, esfregando-me o mais que podia no assento do carro. Micológico! A ver se me passava a coceira, pus-me a imaginar que, às tantas, era mas é um convívio internacional de saguis ou o encontro anual dos Pequenos e Médios Vigaristas do Norte e Centro de Portugal (PMVNCP). Passou. Mas não acertei. Quando cheguei a casa é que vi que afinal a micologia diz respeito aos cogumelos. Uma coisa tão simples e que me teria evitado os vermelhões que se me estendem ainda hoje pelo corpo todo, se tivesse ligado logo a perguntar ao meu amigo Nestes, que sabe tudo destas coisas e que se calhar até estava lá.
Portanto, cogumelos! Foi de cogumelos que se falou nas III Jornadas Micológicas do Corno de Bico, que se realizaram, no passado fim-de-semana, na belíssima Paisagem Protegida do Corno de Bico, em Paredes de Coura. O evento, que reuniu especialistas, investigadores e produtores, visava, entre outros objectivos elencados pelos organizadores, "demonstrar o potencial dos cogumelos como vector de desenvolvimento das regiões e economias de montanha", nomeadamente "em termos gastronómicos". Quer-se dizer: ainda por cima, o assunto interessava-me.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Foge, Isaltino, foge!

A questão é: Isaltino foge ou não foge? Eu acho que foge e tomara que fuja. Só se for parvo é que Isaltino não foge. E Isaltino é muitas coisas (que, apesar de provadas em tribunal, eu não vou dizer), mas parvo é que não é. Antes pelo contrário. Para mim, Isaltino é um pirata, o pirata Isaltino que abocanhou quanto pôde enquanto pôde e agora tem um tesouro escondido num país que ninguém sabe, como, por exemplo, a Suíça. E pirata que se preze não se entrega. Vai mas é gozar a massa.
Se Isaltino fosse para a cadeia, cadeia a sério, os outros piratas todos iam fazer pouco dele, sobretudo dois: o pirata Alberto João e o pirata Vale e Azevedo, cada qual na sua ilha de piratas privativa. Gargalhariam, no intervalo de mais uma caneca de rum, bebida por videoconferência: este gajo é mesmo parvo! Mas, repito, Isaltino não é parvo, é Morais.
Nos filmes americanos, mesmo antes do The End, gosto de ver os malandros diplomados, piratas de todos os feitios, já livres de perigo e refastelados ao sol, lambuzando-se com lagostas e gajas boas numa praia tropical mais conhecida do que os tremoços, mas que a justiça portuguesa, por não ter GPS, nunca sabe onde é que é. E penso: quem me dera ser pirata...
É o que eu estimo, do fundo do coração, ao nosso Isaltino, que não é menos do que os outros piratas só por ser um pirata português. Palavras para quê? Vai, Isaltino, vai, e não olhes para trás! Vai pela sombra e encontra a tua ilha ao sol. E deixa um milhãozito na conta deste teu sincero admirador, que não te faz diferença nenhuma e ficas aqui com um sobrinho para toda a vida.