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sábado, 17 de abril de 2021

Comida, carros e gajas

- Eh pá, vocês só falam de comida!... - estão sempre a acusar-nos, a nós, aos do Norte. E sem razão. Na verdade, nós, os do Norte, somos tão capazes de manter conversas interessantes e profundas sobre gajas e carros como o resto dos portugueses.

P.S. - Publicado originalmente no dia 10 de Abril de 2013. O icónico Ford Mustang foi apresentado pela primeira vez em público no dia 17 de Abril de 1964, durante a Feira Mundial de Nova Iorque.

domingo, 7 de julho de 2013

O desnorte do ACP

Foto Hernâni Von Doellinger

Quando, há três meses, o regresso do Rali de Portugal ao Norte do País surgiu hipótese de repente, eu escrevi aqui sobre o assunto. Entre outras considerações, avisei que podia ser só tesão do mijo, na ressaca do monumental sucesso do WRC Fafe Rally Sprint, e que ainda estávamos muito naquela zona nevoenta e arenosa do diz-se que, fala-se que, consta que. Os políticos gostam, mas é preciso ter cuidado com os supores. Pulga atrás da orelha até faz bem, nas cuecas é que não. Portanto, recomendei: "nestas coisas não faz mal nenhum ser como São Tomé, que era desconfiado e mesmo assim foi para o Céu". Ver para crer.
Ora bem. Agora que o nevoeiro se desfaz devagarinho e começa a ver-se alguma coisa, o rali não está cá. Desnorteou rumo aos Algarves outra vez. Ficou a areia nos olhos, e já não é mau como recordação. E ficam os moinhos de vento, para batalhas de enganar.

Na zona de comentários ao meu texto cheio de ses, um amigo perguntou-me se eu achava "mesmo" que o rali (o rali a sério) voltava para a minha terra, Fafe. Respondi-lhe e está lá: "O que eu acho mesmo? Acho que estamos em ano de eleições autárquicas. Acho que o presidente do ACP não é pessoa de confiança. Acho que o rali está em leilão. É o que eu acho."
Foi no dia 13 de Abril de 2013. Conclusão: às vezes, muitíssimo raramentissimamente, dá-me para isto: acerto.

(Ler mais em Rali de Portugal: o regresso do filho pródigo)

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Comida, carros e gajas

                                                                                     Foto Hernâni Von Doellinger

- Eh pá, vocês só falam de comida! - estão sempre a dizer-nos, aos do Norte. E sem razão. Na verdade, nós, os do Norte, somos tão capazes de manter conversas interessantes e profundas sobre gajas e carros como o resto dos portugueses.

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Rali de Portugal: o regresso do filho pródigo

Fala-se de que o Rali de Portugal vai regressar ao Norte do País, de onde nunca deveria ter saído. Fala-se. Já se falava no ano passado e nestas coisas não faz mal nenhum ser como São Tomé, que era desconfiado e mesmo assim foi para o Céu. Mas vamos supor que sim, que isto não é só tesão à pala do enorme êxito do WRC Fafe Rally Sprint de anteontem. Duas edições, dois sucessos retumbantes - é preciso que se note. Vamos então supor que é a sério (à séria, se lido em Lisboa).
Diz-se que pode ser já para o ano. O Rali de Portugal com centro de operações e sessão-espectáculo no Porto e disputado a doer nas míticas classificativas das zonas de Fafe e Arganil. E porquê este regresso às origens? Porque, resumindo, parece que a FIA descobriu que afinal ter espectadores também dá jeito. No ano passado, a antiga piloto Michèle Mouton esteve no show da Lameirinha, na qualidade de manager do Mundial de Ralis, e ficou varada com a moldura humana que encontrou. Este ano, o próprio Jean Todt, presidente do organismo que tutela o desporto automóvel, fez questão de vir a Fafe ver para crer. Foi recebido em apoteose pela multidão e ficou encantado e convencido - rezam as crónicas.
Visivelmente entusiasmado com a paixão do povo do Norte pelos ralis, Todt terá levado que contar - decerto umas caixas do melhor verde da região e a marmita cheia de bolinhos de bacalhau e vitela assada como não há, mas sobretudo levou esta ideia, que fez muito bem em deixar também por cá: "Fafe é um bom exemplo do que devem ser os ralis".
Pois é. Mas isso já se sabia, há que anos. E que o público dos ralis é cá em cima. De Fafe e de todo o Norte, litoral e interior, da irmã Galiza e doutros sítios da Espanha mais próxima. Então porque é que levaram o Rali de Portugal ao engano para o Algarve? E porque é que Pedro Almeida, director da prova, ainda no ano passado invocava "todo um conjunto de condições imposto pela FIA [...] e questões técnicas relacionadas com o próprio campeonato" para classificar como improvável o retorno ao passado que agora se anuncia? O que é que mudou? Quem é que mudou de opinião? No fundo, quem foi que tirou o rali ao povo: a FIA ou... o ACP?
Mas pronto, o bom filho a casa torna, faça-se a festa. Hoje não tenho a menor dúvida de que o Rali de Portugal regressa ao Norte por causa de Fafe. Fafe que persistiu e investiu. Cerca de 200 mil euros, só para a edição deste ano do Rally Sprint, de acordo com José Ribeiro, presidente da autarquia. Não percebo de dinheiro, não sei se é muito ou se é pouco, mas devo admitir que julgava que fosse mais. Fafe fez bem.
Consta, portanto, que o Rali de Portugal será devolvido ao povo e ao Norte já em 2014. Consta que irá ao Porto e andará por Arganil. Se for verdade, agradeçam a Fafe.

(Ler mais em O desnorte do ACP)

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Um título assim um bocadinho para o incendiário

Os incêndios de Verão. "Área ardida este ano é oito vezes maior do que a de Lisboa", diz o título do Público. Título gaiteiro, malandro, na linha do aggionarmento 24horístico da chamada imprensa portuguesa em geral e do jornal de Belmiro de Azevedo também. Lisboa a arder, estão a ver? Não uma, mas oito vezes. É uma ideia. Os Super Dragões apoiam: há cânticos, bandeiras, cachecóis e isqueiros no ar. Bora lá botar lume...
Antigamente isto não era assim. Nas notícias, a "dimensão" dos incêndios media-se em campos de futebol. Mas, pensando melhor, se calhar já era a mesma merda.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Galiza de ida e volta

Foto ORLANDO VON DOELLINGER

Fui despedir-me da Galiza. Não sei quando lá torno, não sei se lá tornarei. Não há dinheiro, não há vícios, e a Galiza era um dos meus mais queridos vícios. Estou, na verdade, a pôr em ordem a minha ausência de futuro. Ando a despedir-me de todos os meus sítios. Comecei por cortar no supérfluo, nos prazeres da vida, mas dei comigo já a roer as unhas ao essencial, a questionar a própria subsistência. O mais certo é nunca mais pôr os pés fora de casa, para poupar as solas dos sapatos. Resta-me a varanda e a vista para o mar, se me puser de lado, e a companhia da gaivota cagona. O CRF vai ser substituído por água da torneira com duas gotas de tintura de iodo, em balão previamente aquecido ao sol, e o cachimbo passará ser a fumado com barbas de milho.
Almoço, às terças, quintas, sábados e domingos; jantar, às segundas, quartas e sextas. Entre mim e a minha mulher, quem almoçar não janta no dia seguinte e quem jantar não almoça no dia seguinte. Ementa única para almoço e jantar: meia malga de caldo de couves sem azeite e um papo-seco seco. Quem comer o caldo de couves sem azeite deixa o papo-seco seco para o outro, que fica automaticamente sem direito a caldo. Parece complicado, mas não é. É tudo uma questão de confiança, como explicou o primeiro-ministro na sua mensagem de Natal. Creio que a coisa vai funcionar, assim nos deixem morrer em paz.
Portanto fui despedir-me da minha Galiza. E sabem que mais? Paguei portagens. Paga-se portagens nas auto-estradas da Galiza e os portugueses também. Sempre pagaram. Não há excepções nem ofertas. Mas os meus irmãos galegos são uns pândegos e resolveram embirrar com as nossas ex-SCUT que nos entram a nós, portugueses, pelos bolsos dentro depois de nos terem sido prometidas e entregues como "sem custo para os utilizadores".
Primeiro foi Xóan Vasquez Mao, secretário-geral do Eixo Atlântico, a desafiar todos os espanhóis a passarem pelas nossas ex-SCUT sem pagarem portagens e sem medo de multas, dando a entender que tinha garantida a cumplicidade do Governo português. Agora são vários hotéis de Vigo a oferecerem aos clientes portugueses o valor das portagens na A28 nos programas especiais de passagem de ano para contrariar a quebra de negócio já sentida no Natal. E sugerem à hotelaria do Norte de Portugal que faça o mesmo com os seus clientes galegos.
Vamos lá ver em que param as modas. Já que ninguém nos dá nada do lado de cá, até pode ser que, por tabela, ainda acabemos por ganhar alguma coisa com os do lado de lá.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Da micose aos cogumelos

Uma pequena tabuleta em tabopan, com seta a indicar caminho, chamou-me a atenção numa das saídas de Paredes de Coura. Dizia: "Congresso Micológico". A minha primeira reacção foi de... comichão. "Raisparta, que malucos é que estarão por aí reunidos a discutir a problemática da micose?", pensei eu, esfregando-me o mais que podia no assento do carro. Micológico! A ver se me passava a coceira, pus-me a imaginar que, às tantas, era mas é um convívio internacional de saguis ou o encontro anual dos Pequenos e Médios Vigaristas do Norte e Centro de Portugal (PMVNCP). Passou. Mas não acertei. Quando cheguei a casa é que vi que afinal a micologia diz respeito aos cogumelos. Uma coisa tão simples e que me teria evitado os vermelhões que se me estendem ainda hoje pelo corpo todo, se tivesse ligado logo a perguntar ao meu amigo Nestes, que sabe tudo destas coisas e que se calhar até estava lá.
Portanto, cogumelos! Foi de cogumelos que se falou nas III Jornadas Micológicas do Corno de Bico, que se realizaram, no passado fim-de-semana, na belíssima Paisagem Protegida do Corno de Bico, em Paredes de Coura. O evento, que reuniu especialistas, investigadores e produtores, visava, entre outros objectivos elencados pelos organizadores, "demonstrar o potencial dos cogumelos como vector de desenvolvimento das regiões e economias de montanha", nomeadamente "em termos gastronómicos". Quer-se dizer: ainda por cima, o assunto interessava-me.