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terça-feira, 18 de julho de 2023

O fafense João Ubaldo Ribeiro, talvez

João Ubaldo Ribeiro morreu no dia 18 de Julho de 2014, aos 73 anos. Nasceu na Baía, mas optou-se carioca. Autor de "Sargento Getúlio", "Viva o Povo Brasileiro", "O Sorriso do Lagarto" e "A Casa dos Budas Ditosos", entre outros tantos títulos igualmente notáveis, venceu o Prémio Camões 2008. O seu avô paterno era natural de Fafe, e Ubaldo considerava-se dos nossos. É, para todos os efeitos, um fafense excelentíssimo. "[Fafe] é efectivamente minha terra, pois terra dos meus ancestrais paternos, [uma terra] da qual, de certa forma, nunca saí", afirmou um dia o famoso escritor brasileiro. E eu, à pala, enchi-me de orgulho, esbordei de vaidade.
A esse respeito. Em 2008, no foguetório pós-Prémio Camões, a Câmara de Fafe, então presidida por José Ribeiro, prometeu "futuramente" uma rua ao nome de João Ubaldo Ribeiro e ao próprio, que teve a amabilidade de agradecer antecipadamente o rapapé a haver. Sinceramente, não sei se a autarquia fafense já cumpriu a promessa, passados apenas estes quinze anos, e nove anos após a morte de Ubaldo, hoje cumpridos. Isto é, eu procurei a rua e não a encontrei. Procurei rua, avenida, praça, praceta, alameda, travessa, viela, bairro, urbanização, rotunda, campo, jardim e até sala e auditório, mas nada! Melhor dizendo, encontrei realmente a Rua João Ubaldo Ribeiro, mas em Aracaju, no Brasil, que não me dá jeito nenhum. Estarei a procurar mal? Alguém me pode ajudar?
E entretanto aqui deixo este mimo do nosso João Ubaldo Ribeiro, tirado com todo o respeito de "Viva o Povo Brasileiro":

Quando os padres chegaram, declarou-se grande surto de milagres, portentos e ressurreições. Construíram a capela, fizeram a consagração e, no dia seguinte, o chão se abriu para engolir, um por um, todos os que consideraram aquela edificação uma atividade absurda e se recusaram a trabalhar nela. Levantaram as imagens nos altares e por muito tempo ninguém mais morria definitivamente, inclusive os velhos cansados e interessados em se finar logo de uma vez, até que todos começaram a protestar e já ninguém no Reino prestava atenção às cartas e crônicas em que os padres narravam os prodígios operados e testemunhados.
Deitava-se um velho morto ao pé da imagem e, depois de ela suar, sangrar ou demonstrar esforço igualmente estrênuo, o defunto, para grande aborrecimento seu e da família, principiava por ficar inquieto e terminava por voltar para casa vivo outra vez, muitíssimo desapontado. Assim, não se pode alegar que os padres só obtiveram êxitos, mas conseguiram bastante de útil e proveitoso, apesar de tudo isso haver piorado os sofrimentos da cabeça do caboco Capiroba.
De manhã, assim que o sol raiava, punham as mulheres em fila para que fossem à doutrina. Depois da doutrina das mulheres, que então eram arrebanhadas para aprender a tecer e fiar para fazer os panos com que agora enrolavam os corpos, seguia-se a doutrina dos homens, sabendo-se que mulheres e homens precisam de doutrinas diferentes. Na doutrina da manhã, contavam-se histórias loucas, envolvendo pessoas mortas de nomes exóticos.

domingo, 7 de julho de 2013

O desnorte do ACP

Foto Hernâni Von Doellinger

Quando, há três meses, o regresso do Rali de Portugal ao Norte do País surgiu hipótese de repente, eu escrevi aqui sobre o assunto. Entre outras considerações, avisei que podia ser só tesão do mijo, na ressaca do monumental sucesso do WRC Fafe Rally Sprint, e que ainda estávamos muito naquela zona nevoenta e arenosa do diz-se que, fala-se que, consta que. Os políticos gostam, mas é preciso ter cuidado com os supores. Pulga atrás da orelha até faz bem, nas cuecas é que não. Portanto, recomendei: "nestas coisas não faz mal nenhum ser como São Tomé, que era desconfiado e mesmo assim foi para o Céu". Ver para crer.
Ora bem. Agora que o nevoeiro se desfaz devagarinho e começa a ver-se alguma coisa, o rali não está cá. Desnorteou rumo aos Algarves outra vez. Ficou a areia nos olhos, e já não é mau como recordação. E ficam os moinhos de vento, para batalhas de enganar.

Na zona de comentários ao meu texto cheio de ses, um amigo perguntou-me se eu achava "mesmo" que o rali (o rali a sério) voltava para a minha terra, Fafe. Respondi-lhe e está lá: "O que eu acho mesmo? Acho que estamos em ano de eleições autárquicas. Acho que o presidente do ACP não é pessoa de confiança. Acho que o rali está em leilão. É o que eu acho."
Foi no dia 13 de Abril de 2013. Conclusão: às vezes, muitíssimo raramentissimamente, dá-me para isto: acerto.

(Ler mais em Rali de Portugal: o regresso do filho pródigo)

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Os senhores doutores presidentes

Para mal dos nossos pecados, temos o Cavaco Silva, o Passos Coelho e a Assunção Esteves. Temos o Ramalho Eanes, o Soares e o Sampaio. O Vítor Gaspar, o Portas, o Aguiar-Branco, o Miguel Macedo, a Paula Teixeira da Cruz, o Marques Guedes, o Poiares Maduro, o Álvaro, a Cristas, o Paulo Macedo, o Crato e o Mota Soares. Temos o Seguro, o Sócrates, o Jerónimo, o Louçã, o Rebelo de Sousa, o Marques Mendes e a Manuela Ferreira Leite. Pessoas.
Depois, nas câmaras municipais, temos, por exemplo, o Dr. Guilherme Pinto e o Dr. José Ribeiro. Doutores. Sempre quis saber a especialidade clínica dos presidentes assim ou, vá lá, pelo menos o assunto da tese de doutoramento: e não sei.

(Escrito a partir do desabafo de uma certa e determinada pessoa. Obrigado.)

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Rali de Portugal: o regresso do filho pródigo

Fala-se de que o Rali de Portugal vai regressar ao Norte do País, de onde nunca deveria ter saído. Fala-se. Já se falava no ano passado e nestas coisas não faz mal nenhum ser como São Tomé, que era desconfiado e mesmo assim foi para o Céu. Mas vamos supor que sim, que isto não é só tesão à pala do enorme êxito do WRC Fafe Rally Sprint de anteontem. Duas edições, dois sucessos retumbantes - é preciso que se note. Vamos então supor que é a sério (à séria, se lido em Lisboa).
Diz-se que pode ser já para o ano. O Rali de Portugal com centro de operações e sessão-espectáculo no Porto e disputado a doer nas míticas classificativas das zonas de Fafe e Arganil. E porquê este regresso às origens? Porque, resumindo, parece que a FIA descobriu que afinal ter espectadores também dá jeito. No ano passado, a antiga piloto Michèle Mouton esteve no show da Lameirinha, na qualidade de manager do Mundial de Ralis, e ficou varada com a moldura humana que encontrou. Este ano, o próprio Jean Todt, presidente do organismo que tutela o desporto automóvel, fez questão de vir a Fafe ver para crer. Foi recebido em apoteose pela multidão e ficou encantado e convencido - rezam as crónicas.
Visivelmente entusiasmado com a paixão do povo do Norte pelos ralis, Todt terá levado que contar - decerto umas caixas do melhor verde da região e a marmita cheia de bolinhos de bacalhau e vitela assada como não há, mas sobretudo levou esta ideia, que fez muito bem em deixar também por cá: "Fafe é um bom exemplo do que devem ser os ralis".
Pois é. Mas isso já se sabia, há que anos. E que o público dos ralis é cá em cima. De Fafe e de todo o Norte, litoral e interior, da irmã Galiza e doutros sítios da Espanha mais próxima. Então porque é que levaram o Rali de Portugal ao engano para o Algarve? E porque é que Pedro Almeida, director da prova, ainda no ano passado invocava "todo um conjunto de condições imposto pela FIA [...] e questões técnicas relacionadas com o próprio campeonato" para classificar como improvável o retorno ao passado que agora se anuncia? O que é que mudou? Quem é que mudou de opinião? No fundo, quem foi que tirou o rali ao povo: a FIA ou... o ACP?
Mas pronto, o bom filho a casa torna, faça-se a festa. Hoje não tenho a menor dúvida de que o Rali de Portugal regressa ao Norte por causa de Fafe. Fafe que persistiu e investiu. Cerca de 200 mil euros, só para a edição deste ano do Rally Sprint, de acordo com José Ribeiro, presidente da autarquia. Não percebo de dinheiro, não sei se é muito ou se é pouco, mas devo admitir que julgava que fosse mais. Fafe fez bem.
Consta, portanto, que o Rali de Portugal será devolvido ao povo e ao Norte já em 2014. Consta que irá ao Porto e andará por Arganil. Se for verdade, agradeçam a Fafe.

(Ler mais em O desnorte do ACP)

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Afinal havia outro

Foto MÉDIFAFE

O médico Raul Cunha é o candidato do PS à Câmara de Fafe nas eleições autárquicas do próximo ano. A informação acaba de sair no blogue Jornal de Fafe. Portanto, nem Laurentino nem Antero - assim decidiu Salomão. Quero dizer: José Ribeiro.
Quanto ao Dr. Raul propriamente dito, caso vá mesmo com isto para a frente, não lhe faria mal nenhum se começasse por passar pelo fotógrafo.

sexta-feira, 30 de março de 2012

Cuidado com os estampanços!

O WRC Fafe Rally Sprint do passado fim-de-semana foi uma festa, um sucesso aplaudido e reconhecido por quase todos: pelo povo dos ralis, pelos pilotos (os pilotos portugueses, entendamo-nos), pela GNR, que não sei de que cataclismo estava à espera e fez questão de elogiar publicamente "o comportamento e a conduta ordeira" do público, e pela organização nacional. Tudo terá corrido tão bem que houve logo quem sonhasse com o regresso do Mundial a sério (à séria, se lido em Lisboa) ao Norte do País.
Pedro Almeida, director do Rali de Portugal, veio ontem deitar água na fervura deste entusiasmo ingénuo e bem intencionado. Como não tinha um caneco à mão, esvaziou uma piscina inteira em cima das cabeças daquelas boas almas, evocando "todo um conjunto de condições imposto pela FIA [...] e questões técnicas relacionadas com o próprio campeonato" para justificar o que era mais do que sabido: "Se o rali pode voltar ao Norte? Direi que não é impossível, mas não é provável". Estão a perceber a semântica?
Pedro Almeida é mal agradecido? Não. Fez até questão de encomiar a Câmara Municipal de Fafe, que, disse ele, "apoiou de forma incondicional" e tornou possível o espectáculo da Lameirinha. E aqui é que eu fico de pé atrás. Atenção: sou pelo Rali, tenho entranhadas razões para ser pelo Rali, mas quando ouço ou leio que uma autarquia, nos dias de hoje, "apoiou de forma incondicional" uma corrida de automóveis que deve ter custado mais de quinze contos, só consigo pensar na factura...