Artista que é artista
Ia tocar à Casa da Música, no Porto, e destinaram-lhe a Sala Suggia. Sentiu-se desconsiderado, insultado, chamou de urgência o "manager" e mandou dizer: ou Sala Limppia ou nada...
sexta-feira, 23 de outubro de 2026
Os "aitens" da Senhora Presidenta
sexta-feira, 18 de setembro de 2026
Quando a água é uma merda
| Foto Hernâni Von Doellinger |
O estuário da ribeira da Riguinha e Carcavelos é a principal atracção turística da Praia de Matosinhos. E tem um valor ecológico incalculável. Mas não está legalmente protegido e essa omissão é um perigo, uma ameaça. Vamos admitir que, por absurdo, algum maluco episodicamente com poder se lembrava de subterrar ou desviar o curso de águas, introduzindo-o directamente no oceano, em alto mar, ou encarreirando-o, ainda antes disso, para uma ETAR: assim se destruiria um dos mais interessantes e bem frequentados gaivotais da costa portuguesa. Estais a ver o desastre?
Mais uma pergunta, já agora, e esta dirigida a quem manda, mas upa upa: para quando a criação da Reserva Natural do Gaivotal da Praia de Matosinhos? Era uma garantia, ficava o assunto resolvido.
A chamada ribeira da Riguinha - Riguinha e Carcavelos Stream, na placa propositada para camones - desce pelos intestinos da Circunvalação, chega à praia, atravessa a praia e entra no mar, à vista de toda a gente. A este santuário, estrategicamente localizado mesmo aos pés da famosa Anémona, resvés com a portuense Praia Internacional, as gaivotas acorrem aos milhares e ao cheiro. Porque a Riguinha cheira. Quase diariamente vistoriado pelos técnicos cheiradores das câmaras do Porto e Matosinhos, o estuário da Riguinha e Carcavelos parece a desembocadura de um esgoto. A Riguinha tem tudo para ser um bom esgoto, mas é uma ribeira de papel passado. Quando chove, a ribeira alimenta-se das sarjetas das ruas imundas e as gaivotas agradecem. As águas são gordurosas e amiúde recheadas, são ora pretas ora castanhas, sobretudo castanhas. E as gaivotas apreciam. E todo este património não se pode perder.
As gaivotas, que têm merda na barriga mas não na cabeça, não se acreditam que a Riguinha é uma ribeira. Acham que é um esgoto. E eu até as compreendo.
segunda-feira, 30 de março de 2026
Proibições que são convites
| Foto Hernâni Von Doellinger |
Embora já andassem de Mercedes e/ou BMW, aqui há uns anos os senhores empreiteiros viam-se à rasca para perceberem onde podiam despejar o lixo que faziam nas demolições ou esburacamentos de início de obra. Não havia sítios de lei, largavam-no onde calhava, à noite, e fugiam. Atentas à insustentável situação e superpreocupadas com a defesa do ambiente e o bem-estar das populações, as autarquias portuguesas correram a criar uma rede de locais apropriados para o efeito nos montes à roda das vilas e cidades, de norte a sul do País. Em cada um desses locais jeitosos, os nossos preclaros autarcas mandaram colocar uma placa que avisava mais ou menos assim: "Proibido lançar entulho neste local - Coima até duzentos contos". E, pronto, os senhores empreiteiros ficaram a saber que era ali mesmo que podiam deitar o lixo.
Agora. Os meus amigos que batem umas cartas ali em baixo, naquela cantinho abrigado à beira-mar, têm uma preocupação naftalínica que eu compreendo. Arriscar bisca com cheiro a mijo deve ser uma merda. Por isso puseram um letreiro novo, melhoramento infelizmente sem inauguração pela senhora presidenta da Câmara de Matosinhos, mas "sinalética" em material nobre, upgrade como manda a sapatilha, passando do cartão canelado para a esferovite, e com uma mensagem indubitavelmente mais assertiva e acutilante. E no entanto, como na história dos senhores empreiteiros, "Atenção - Não urinar neste local - Obrigado", se formos a ver, só quer dizer, pelo contrário, WC...
segunda-feira, 26 de janeiro de 2026
Matosinhos perdeu a bandeira, e depois?
| Foto Hernâni Von Doellinger |
A Praia de Matosinhos perdeu a Bandeira Azul. A Praia de Angeiras Sul também, mas a mim interessa-me mais a de Matosinhos propriamente dita, por ser aqui no meu quintal. Aviso já que não sou praieiro, não compreendo os praieiros e nunca liguei à treta da Bandeira Azul. Os praieiros também não ligam, querem lá saber. O que eles querem é água com coliformes, a pele a derreter, areia nos olhos e boladas nos tomates. E são felizes assim. Eles gostam de sofrer.
A Bandeira Azul não é importante, não faz diferença nenhuma às pessoas, podeis crer. O povo vai na mesma para a praia. Nesse aspecto, a autarquia tem razão. Matosinhos perdeu a bandeira, e depois? Ainda por cima era azul (e branca). Até eu, que sou portista, achava que aquele farrapo esvoaçante era uma espécie de provocação e até insulto aos matosinhenses em geral. Vamos mas é pôr lá a bandeira do Leixões.
quarta-feira, 24 de dezembro de 2025
sexta-feira, 14 de novembro de 2025
Banhos de acento, recomendam-se
Banho ao cão
Mandaram-no dar banho ao cão, e ele deu. Aproveitou para limpar e lubrificar as estrias, o ferrolho e o gatilho.
Cleto, que não é alto, chegou, empoleirou-se no pequeno muro do Passeio, pigarreou e disse: - Recomendo que liguem [a tal app]. Não demora mais do que dois segundos e é "gratuíto"...
"Gratuíto", valha-me Deus, foi o que o historiador disse. "Gratuíto" com acento no "í"! Havia necessidade?...
Eu, passando casualmente, arrepiaram-se-me os pêlos das pernas perante semelhante, e não resisti. Virei-me para trás e gritei: - É gratuito! Gratuito! A palavra gratuito não tem acento!...
Dois casais do grupo ouviram-me. Ficaram a rir-se de mim, do velho barbudo em calções e de mochila, que seguiu em frente e certamente é tolinho. A minha mãe continua a ter razão: estou sempre a destoar.
Agora. Gratuito é uma palavra grave e não leva acento gráfico. A sílaba tónica é constituída pelo ditongo ui. A pronúncia da palavra gratuito é, portanto, "gratúito" e não "gratuíto". Assim como se diz "fortúito" e não "fortuíto", "circúito" e não "circuíto", "intúito" e não "intuíto".
O bom Joel Cleto, que eu estimo, não está sozinho na gafe, infelizmente. Telejornais e noticiários radiofónicos abundam e redundam no erro, neste e noutros da mesma raça. A palavra rubrica, por exemplo, nunca se escreve com acento, mas lê-se sempre como palavra grave. A sílaba tónica é a penúltima, "bri". Isto é, e passo a fazer o desenho, diz-se sempre "rubríca", como se tivesse acento no i, e nunca "rúbrica", como se tivesse acento no u. Quer signifique assunto específico ou título de capítulo determinado, quer se refira a assinatura abreviada. É sempre rubrica, rubrica, rubrica. Dizendo-se sempre "rubríca", "rubríca", "rubríca".
E, já agora, é período que se diz e não "periúdo". Período, sempre, em todos os múltiplos significados da palavra, inclusive os mais íntimos. E diz-se medíocre, tal qual se escreve, e não "mediúcre". É medíocre.
O mesmo se aplica à palavra escrita "proíbido", mas ao contrário. "Proíbido" não existe, é proibido.
domingo, 9 de novembro de 2025
quarta-feira, 29 de outubro de 2025
domingo, 5 de outubro de 2025
É gratuito, Joel Cleto, gratuito!
domingo, 31 de agosto de 2025
De rapina, mas pouco
| Foto Hernâni Von Doellinger |
Saiu em todos os jornais e deu em todas as televisões. A Câmara de Matosinhos contratou duas águias para afastar as gaivotas daquele bocado de praia que vai desde a Anémona ao Paredão. Rico emprego. "Todos os dias, das 7h00 às 9h00 e, depois, das 17h00 às 21h00, até ao fim do Verão", diziam as notícias. Grande tanga!
segunda-feira, 21 de julho de 2025
quarta-feira, 16 de julho de 2025
sábado, 10 de maio de 2025
Senhor de Matosinhos 2025
domingo, 22 de dezembro de 2024
O Natal do ano que vem
| Foto Hernâni Von Doellinger |
Estou em condições de revelar em primeira mão: o Natal de 2025 vai ser assim em Fafe. Esta será a iluminação principal, na avenida da Câmara. Pelo menos se se cumprir a tradição. Porque esta é a iluminação deste ano em Matosinhos e a iluminação do Natal de Matosinhos costuma servir para Fafe no ano seguinte. Repito: se isto é importante? Não, não é. Mas chateia-me.
sábado, 21 de dezembro de 2024
Um Natal atrás do outro
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| Foto Município de Fafe |
Ponto prévio: sou de Fafe e moro em Matosinhos. E agora, a esse respeito, o seguinte: a principal iluminação do Natal deste ano em Fafe, na avenida da Câmara Municipal, é a mesma iluminação do Natal do ano passado em Matosinhos, no jardim da Câmara Municipal. Se isto é importante? Não, não é. Mas chateia-me.
| Foto Hernâni Von Doellinger |
quinta-feira, 19 de dezembro de 2024
terça-feira, 18 de junho de 2024
segunda-feira, 6 de maio de 2024
Adeus e até ao meu regresso
| Foto Hernâni Von Doellinger |
A ponte móvel de Leixões, em Matosinhos, vai fechar para obras. Isto é, vai fechar outra vez para obras. Desde que foi inaugurada, em 2007, fechar para obras é, podemos dizer assim, o estado normal da também chamada ponte móvel de Leça. Foi feita para isto, é a sua vocação. A ponte, que custou 14 milhões de euros, abriu, por assim dizer, para estar fechada, tantas as avarias que vem registando ao longo dos anos, derivado sobretudo a um arreliador problema de rótulas, doença crónica e talvez hereditária, e ninguém a leva ao ortopedista.
Desta vez, segundo anúncio em Diário da República, a ponte vai estar em obras durante pelo menos 14 meses, três dos quais, no mínimo, completamente fechada. Exactamente, 14 meses no estaleiro, se não chover, e este tempo anda deveras incerto. Devo, no entanto, declarar, em abono da verdade: a mim, que moro aqui ao lado e preciso diariamente da ponte, 14 meses nem me parece nada de mais, não me atrevo sequer a criticar. Se fossem, vamos dizer por exemplo, 14 anos, aí então, se calhar, querendo eu ser picuinhas, já poderia ter alguma razão de queixa, mas assim não. O que é que são 14 meses? Assim está tudo bem...
sexta-feira, 22 de março de 2024
O dia da árvore (vir abaixo)
| Foto Hernâni Von Doellinger |
Afinal o dia da árvore é hoje, e não foi ontem, pelo menos para o carro do vizinho que acaba de levar com uma em cima. A prevaricadora é a árvore número 12, apenas duas adiante da minha, e finalmente começo a perceber porque é que elas agora são numeradas e etiquetadas. Assunção de responsabilidade civil. Já cá estão a polícia, os bombeiros e funcionários da autarquia, a área foi devidamente selada pelas autoridades forenses, a rua está cheia de mirones, turistas, romeiros e foliões. Há teorias e palpites. Para além das tradicionais poeiras africanas, anda por aqui uma praga de joaninhas e meia árvore desabou inopinadamente numa manhã sem vento. De podre terá caído - como o PS, por assim dizer. Já ouço as motosserras oficias. A 12 vai para lenha, e é muito bem feito. Espera-se a todo o momento a chegada da senhora presidenta da Câmara, da CMTV e da CNN. Matosinhos é uma festa!


