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segunda-feira, 30 de março de 2026

Proibições que são convites

Foto Hernâni Von Doellinger

Embora já andassem de Mercedes e/ou BMW, aqui há uns anos os senhores empreiteiros viam-se à rasca para perceberem onde podiam despejar o lixo que faziam nas demolições ou esburacamentos de início de obra. Não havia sítios de lei, largavam-no onde calhava, à noite, e fugiam. Atentas à insustentável situação e superpreocupadas com a defesa do ambiente e o bem-estar das populações, as autarquias portuguesas correram a criar uma rede de locais apropriados para o efeito nos montes à roda das vilas e cidades, de norte a sul do País. Em cada um desses locais jeitosos, os nossos preclaros autarcas mandaram colocar uma placa que avisava mais ou menos assim: "Proibido lançar entulho neste local - Coima até duzentos contos". E, pronto, os senhores empreiteiros ficaram a saber que era ali mesmo que podiam deitar o lixo.

O que é porreiro, porque, como se sabe, os senhores empreiteiros são muito amigos das autarquias e as autarquias são muito amigas dos senhores empreiteiros, e assim é que está bem, porque, já dizia o inventor das orgias, com respeito da palavra, isto temos de ser uns para os outros.

Agora. Os meus amigos que batem umas cartas ali em baixo, naquela cantinho abrigado à beira-mar, têm uma preocupação naftalínica que eu compreendo. Arriscar bisca com cheiro a mijo deve ser uma merda. Por isso puseram um letreiro novo, melhoramento infelizmente sem inauguração pela senhora presidenta da Câmara de Matosinhos, mas "sinalética" em material nobre, upgrade como manda a sapatilha, passando do cartão canelado para a esferovite, e com uma mensagem indubitavelmente mais assertiva e acutilante. E no entanto, como na história dos senhores empreiteiros, "Atenção - Não urinar neste local - Obrigado", se formos a ver, só quer dizer, pelo contrário, WC...

P.S. - Hoje é Dia Internacional do Resíduo Zero.

sábado, 14 de março de 2026

Ordem unida

A incontinência urinária, tomai bem sentido, não é uma cortesia militar!

P.S. - Hoje é Dia da Incontinência Urinária.

Mijado mas com aprumo

Era um bêbedo que realmente sabia estar. Cada vez que se urinava pernas abaixo, ele dizia, sem perder a compostura: - Rebentaram-me as águas. Levem-me à maternidade, por favor!

P.S. - Hoje é Dia da Incontinência Urinária.

segunda-feira, 9 de setembro de 2024

Águas mil

Era um bêbedo que realmente sabia estar. Cada vez que se urinava pernas abaixo, ele dizia, sem perder a compostura: - Rebentaram-me as águas. Levem-me à maternidade, por favor!

segunda-feira, 18 de dezembro de 2023

É preciso saber estar

Era um bêbedo que realmente sabia estar. Cada vez que se urinava pernas abaixo, ele dizia, sem entrar em pânico: - Rebentaram-me as águas. Levem-me à maternidade, por favor!

E agora falando a sério. Hoje é Dia de Nossa Senhora do Ó, um dia que causa grande inveja em todo o restante abecedário e sobremaneira entre as vogais.

quarta-feira, 10 de agosto de 2022

Águas mil

Era um alcoólico que realmente sabia estar. Cada vez que se urinava pernas abaixo, ele dizia, sem entrar em pânico: - Rebentaram-me as águas. Levem-me à maternidade, por favor!

quarta-feira, 10 de março de 2021

Doente, graças a Deus

O meu sogro foi sempre um homem muito poupado. Não foi ele o inventor da reciclagem nem sequer sabe o que a palavra quer dizer, mas desde que sei dele que o vejo a dar uma segunda, uma terceira e até uma quarta oportunidade às coisas, às ferramentas, às alfaias, aos arames, às folhetas, aos ferrenchos, aos monos enjeitados, aos tijolos, aos paralelipípedos, aos nadas com que ia topando na rua. Levava-os para casa, adoptava-os. Os anexos da casa do meu sogro são hoje em dia um perigoso ferro-velho, ou, como eu costumo dizer sem abrir a boca, uma lixeira que ainda me há-de enterrar em merda até às orelhas. Mas adiante.
Volta não volta, quando despejo para um garrafão de plástico o saquinho colector da urina do meu sogro, ele, num raro instante de lucidez, pergunta-me com todo o interesse, e é das poucas vezes em que abre a boca para falar: - Ó Hernâni, o que é que você faz agora a isso, para que é que serve?
E ora bem: eu não posso mentir ao meu sogro, não lhe vou dizer que a sua própria urina vai servir para medicamento, para detergente, para fertilizante agrícola ou para combustível, essas tangas todas das notícias. Muito menos lhe posso revelar que desperdiço a urina pela sanita abaixo. Digo-lhe, portanto, a verdade. Puxo-o para cima, para que não embarre com os pés no fundo da cama, espreito-lhe a fralda a ver se é preciso, viro-o com cuidado, ajeito-lhe o tubo da algália, o pijama e as almofadas, aconchego-o sem apertar, dou-lhe um abraço apertado, recebo um sorriso infantil, e conto-lhe toda a verdade, a verdade nua e crua: - A sua urina, Sr. Carvalho, olhe bem para esta cor, olhe-me que categoria, a sua urina segue daqui directamente para engarrafar na cooperativa, e pode crer que é o melhor espadal que anda aí no mercado, a cinco euros e noventa e nove em promoção. A sua doença foi a nossa sorte. É só lucro, Sr. Carvalho, estamos ricos...

sábado, 16 de julho de 2011

Negro

Entreguei a urina para análise. O técnico, sem sequer olhar para mim, automaticamente, perguntou:
- Está fresca? Trouxe do frigorífico?
E eu fui franco:
- Não. Fiz há pouco, ainda vem quentinha.
- É pena...
Com gestos elegantes, competentes, o técnico pegou no boião e verteu o seu conteúdo num balão de pé alto, com o cuidado milimétrico de deixar o copo um pouco abaixo de meio cheio. E disse, ainda sem me pôr os olhos:
- Espere aí um bocadinho, que já leva os resultados.
E eu esperei, todo contente com a novidade.
Delicadamente, o técnico pegou no copo pela base, afastando-o de si com todo o respeito, e começou a girá-lo vagarosamente, olhando a bom olhar o seu conteúdo, no contraste com a parede branca. E tomou notas. Colocou o copo sobre a mesa e rodou-o em pequenos círculos, primeiro devagar, depois acelerando, para finalmente o levar ao nariz, uma vez, duas vezes. Inalou, compenetradíssimo, e tomou notas. Sorveu uma pequena quantidade de líquido, mantendo-o na boca sem engolir, apreciou-o por momentos com todo o profissionalismo e finalmente cuspiu-o. E compilou as notas:
- Muito bem. Ora, portanto, cor amarela palha, aspecto límpido, reacção a 6,0 e densidade a 1,013. Proteínas, glicose, corpos cetónicos, pigmentos biliares, nitritos e sangue não detectáveis. Urobilinogénico a 0,2 e atenção a esses leucócitos! Estão de 10 a 25, vá ver isso! Células epiteliais e eritrócitos, 0 a 2.
E eu, à rasca:
- Está no gozo, não está?...
- Não. É a sério! - respondeu-me o técnico, fitando-me enfim olhos nos olhos e passando a explicar:
- Então você não me conhece? Nunca me viu na televisão? Eu sou, era, um famoso provador de vinhos, mas a empresa mandou-me embora ao fim de 25 anos de trabalho, para meter lá um recém-licenciado, a 500 euros/mês e recibo verde. Aqui no laboratório, os aparelhos de análises à urina deram o peido mestre, com sua licença, dizem que também não há dinheiro para mais, respondi ao anúncio e, olhe, é a vida, juntou-se a fome com a vontade de comer...
- De comer? Mas também faz análises a fezes?...