(Do meu blogue Mistérios de Fafe. Hoje é Dia Internacional da Lama.)
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segunda-feira, 29 de junho de 2026
quarta-feira, 17 de junho de 2026
sábado, 25 de abril de 2026
O bom do 25 de Abril
O bom do 25 de Abril é que calhou no dia certo. Imaginem que tinha sido a 24...
terça-feira, 21 de abril de 2026
Entre piçada e pissada, que escolha quem puder
A palavra apareceu-me à esquina pela pena do cronista Ferreira Fernandes, que eu tando respeito e admiro, embora lastime que ele tenha amouchado perante o, por assim dizer, novo acordo ortográfico. A palavra é "pissada". Andei à procura dela e não a vi em sítio de respeito, em local de idoneidade gramatical que me obrigasse a pensar: sim, "pissada" é mesmo assim. Mas, pronto, que seja "pissada", porque, na verdade, encontrei duas ou três "pissas" em dicionários alternativos. Eu, pela parte que me toca, continuarei a piçar com toda a potência, sem medo de que me achem malcriado ou tarado da cedilha. Piçarei, aliás, até que a vós vos doa. Dar uma piçada, levar uma piçada, deixemo-nos de hipocrisias, bem sabemos de onde é que a coisa vem. De resto, confundir "pissada" com piçada pode, consoante as circunstâncias, ser até caso de extrema gravidez.
Este textinho escrevi-o aqui em Setembro de 2015, título incluído. Onze anos passados, quase, o jornal Público acaba de revelar-me a existência de um podcast que se chama "Livros da Piça", e antes assim, porque, lá está, "Livros da Pissa" não me pareceria tão bem.
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sábado, 11 de abril de 2026
O homem de licra e o boião perdido
| Foto Hernâni Von Doellinger |
Da frente para trás
Ao contrário de todos os outros atletas, ele gostava de correr da frente para trás. Tácticas. Provocava muita confusão e inúmeros acidentes, realmente, mas cada um é que sabe da sua vida.
O homenzarrão de calções de licra pelo joelho passou por mim no Parque da Cidade, junto à Torre do Relógio, e naquele exacto momento, mais minuto menos minuto, despencou-se-lhe do extraordinário cinto multifunções um dos frasquinhos de plástico. Caiu aos meus pés, como se fosse um dádiva e só me arranjou problemas. Eu, que me pelo por ajudar, gritei "Olhe, caiu-lhe um boião!", vergando-me para apanhar a garrafinha e levá-la ao dono, e bem me custou, que já não estou em idade para semelhantes acrobacias. O superatleta, talvez apenas cinco metros à minha frente, ouviu-me, sempre correndo, virou levemente a cabeça e sobretudo o braço direito num gesto redondo e grande, creio que metendo-nos no mesmo saco a mim e ao vasilhame perdido, para tonitruar, macho a cem por cento, desportista até mais não:
- Que se foda!...
E lá foi para casa, naquela roupinha de bailarina, coçando sobremaneira as partes, coisa de homens, cheio de pressa para bater o seu próprio "recor". Era dia de tripas e talvez vitela assada, perceba-se por isso a urgência.
(Do meu blogue Mistérios de Fafe)
segunda-feira, 30 de março de 2026
Proibições que são convites
| Foto Hernâni Von Doellinger |
Embora já andassem de Mercedes e/ou BMW, aqui há uns anos os senhores empreiteiros viam-se à rasca para perceberem onde podiam despejar o lixo que faziam nas demolições ou esburacamentos de início de obra. Não havia sítios de lei, largavam-no onde calhava, à noite, e fugiam. Atentas à insustentável situação e superpreocupadas com a defesa do ambiente e o bem-estar das populações, as autarquias portuguesas correram a criar uma rede de locais apropriados para o efeito nos montes à roda das vilas e cidades, de norte a sul do País. Em cada um desses locais jeitosos, os nossos preclaros autarcas mandaram colocar uma placa que avisava mais ou menos assim: "Proibido lançar entulho neste local - Coima até duzentos contos". E, pronto, os senhores empreiteiros ficaram a saber que era ali mesmo que podiam deitar o lixo.
O que é porreiro, porque, como se sabe, os senhores empreiteiros são muito amigos das autarquias e as autarquias são muito amigas dos senhores empreiteiros, e assim é que está bem, porque, já dizia o inventor das orgias, com respeito da palavra, isto temos de ser uns para os outros.
Agora. Os meus amigos que batem umas cartas ali em baixo, naquela cantinho abrigado à beira-mar, têm uma preocupação naftalínica que eu compreendo. Arriscar bisca com cheiro a mijo deve ser uma merda. Por isso puseram um letreiro novo, melhoramento infelizmente sem inauguração pela senhora presidenta da Câmara de Matosinhos, mas "sinalética" em material nobre, upgrade como manda a sapatilha, passando do cartão canelado para a esferovite, e com uma mensagem indubitavelmente mais assertiva e acutilante. E no entanto, como na história dos senhores empreiteiros, "Atenção - Não urinar neste local - Obrigado", se formos a ver, só quer dizer, pelo contrário, WC...
Agora. Os meus amigos que batem umas cartas ali em baixo, naquela cantinho abrigado à beira-mar, têm uma preocupação naftalínica que eu compreendo. Arriscar bisca com cheiro a mijo deve ser uma merda. Por isso puseram um letreiro novo, melhoramento infelizmente sem inauguração pela senhora presidenta da Câmara de Matosinhos, mas "sinalética" em material nobre, upgrade como manda a sapatilha, passando do cartão canelado para a esferovite, e com uma mensagem indubitavelmente mais assertiva e acutilante. E no entanto, como na história dos senhores empreiteiros, "Atenção - Não urinar neste local - Obrigado", se formos a ver, só quer dizer, pelo contrário, WC...
P.S. - Hoje é Dia Internacional do Resíduo Zero.
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domingo, 29 de março de 2026
quarta-feira, 25 de março de 2026
O bom ladrão
A dúvida dos conspiradoresOs conspiradores tinham apenas uma dúvida: para que dia marcar o 25 de Abril.
Fafe, algures pelos finais da década de sessenta do século passado. Na sala de aula da agora desaparecida Escola da Feira Velha, no meio da parede, por cima do quadro negro, um Cristo crucificado. Carmona à direita da cruz, Salazar ironicamente à esquerda. Eu, que naquela altura já tinha umas luzes bíblicas, nunca percebi qual destes dois era o bom ladrão...
(Do meu blogue Mistérios de Fafe. Publicado originalmente no dia 26 de Julho de 2018. No dia 25 de Março de 1928 o general Óscar Carmona foi eleito presidente da República. Era candidato único. A oposição estava proibida. Curiosamente, o dia 25 de Março é dedicado pela Igreja Católica a São Dimas, o bom ladrão.)
segunda-feira, 23 de março de 2026
O contador de anedotas
Macaquinhos no sótãoEle tinha macaquinhos no sótão. Denunciado pela vizinha bisbilhoteira, foi detido e investigado. Os animais, após vistoria veterinária, seguiram para o jardim zoológico. Ele, para o manicómio.
Analfabeto de nascença, utilizava a técnica estatística do Miguel Cantoneiro, ecumenicamente adaptada. O nosso extraordinário Miguel, fardado e de pistolo à cinta, anotava o trânsito com uma rodinha, um círculo pequeno, para cada carro ligeiro que passava na estrada nacional, e uma rodela, um círculo grande, para cada camião, não sei como era para as furgonetas e motorizadas, já não me lembro, mas devia haver uma escala qualquer, círculos intermédios, uma tabuada de rodinhas, rodas e rodelas que topava a tudo e batia sempre certo. Uma espécie de Excel mais de vinte anos antes de ser inventado. No Largo, o guardador de saídas, por seu turno, botava uma cruzinha pequenina para os fregueses pobres e desiludidos como ele, uma cruzinha maior para os menos mal da vida e um cruzeiro para a dúzia e meia de cagões locais. Como costumava dizer, cada um tinha a sua cruz. E era eficaz o processo. À noite, em casa, depois da sopa e antes da reza do terço, solitária e apressada, fazia a soma das cruzes, por escalões, comparava com os dias anteriores, os períodos homólogos, as contas todas certinhas, noves fora nada, particularizava as variáveis, indexava à inflação, descontava o algoritmo e arquivava tudo no saco de serapilheira debaixo da cama. Aos domingos de manhã, em vez de ir à missa, fazia uma pequena fogueira e queimava a papelada enquanto assobiava vigorosamente o hino de Fafe, "Fafe querido", mas de trás para a frente. Chamavam-lhe o Toma-Conta, o Vigilante. Talvez vigilante da natureza. Da natureza humana. Chamavam-lhe também outros nomes. Diziam que ele tinha um parafuso a menos, que era doudo, para o que lhe havia de dar, ser contador de pessoas. Ele dizia, porém, que era contador de anedotas...
domingo, 8 de março de 2026
domingo, 1 de março de 2026
O homenageado
Fizeram-lhe rasgados elogios. O homenageado não gostou. Apanhou humildemente os papelinhos desirmanados, reorganizou-os com fita-cola e foi para casa...
P.S. - Hoje é Dia Mundial do Elogio.
terça-feira, 17 de fevereiro de 2026
domingo, 15 de fevereiro de 2026
E hoje é o quê?...
Ontem foi o Dia dos Namorados. E hoje? Com a velocidade a que os tempos correm e mudam as vontades, nunca sei como é que se diz: se hoje é o ex-Dia dos Namorados ou o Dia dos ex-Namorados.
P.S. - Para que conste, hoje é Dia Internacional da Criança com Cancro.
P.S. - Para que conste, hoje é Dia Internacional da Criança com Cancro.
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quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026
Fazendo pela vida
O médico deu-lhe dois anos. Ele pediu seis. O médico contrapôs três e que não podia dar mais. Ele exigiu cinco, senão nada feito. O médico disse quatro e não se fala mais nisso. Ele, negócio fechado.
P.S. - Hoje é Dia Mundial do Doente. E Dia Europeu do 112.
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domingo, 8 de fevereiro de 2026
O casal Carter e o Casal Garcia
Homem de famílias
O casamento, para ele, era tudo. Aliás, tinha dois. Ao mesmo tempo.
Os americanos têm muito orgulho no casal Carter, Jimmy e Rosalynn, que estiveram casados durante 77 anos. Jimmy Carter e Rosalynn Smith Carter protagonizaram o matrimónio mais duradouro de toda a história presidencial dos Estados Unidos. E os americanos estão todos contentes, porque acham sempre que são os maiores. Os americanos nunca vieram a Fafe, ao Peludo, no tempo do Sr. Avelino, o nosso "Hoss". Eles não sabem que, em Portugal, temos o Casal Garcia, since 1939, é só fazer as contas, já lá vão 87 anos...
(Do meu blogue Mistérios de Fafe. Hoje é Dia Mundial do Casamento.)
terça-feira, 23 de dezembro de 2025
Natal é como o homem quiser
Olhei para o céu, estava estrelado. Mandei para trás. Eu tinha pedido escalfado.
sábado, 20 de dezembro de 2025
Uns para os outros
José deu uma facada a António. António deu um tiro a José. É. Temos de ser uns para os outros.
P.S. - Hoje é Dia Internacional da Solidariedade Humana.
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domingo, 7 de dezembro de 2025
Timor à vista
A menina dos altifalantes avisa-me, numa voz metálica e sincopada, de
andróide: "Próxima paragem, Timor." Sobressalto-me, de repente o coração
enche-se-me de egrégios avós, de coragem que nunca tive, às armas às
armas, digo, maubere people, canto, emociono-me de mim, Ai Timor,
os olhos afogados em lágrimas, olho pela vigia, o mar calmo e eu
agoniado, faço as últimas orações, seja o que Deus quiser, dou o peito
às balas... e dou também fé que estou no 500, o autocarro da STCP que
faz a ligação entre o Mercado de Matosinhos e a portuense Praça da
Liberdade pela marginal, viceversando. Para quem vai, Timor fica entre as paragens do
Castelo do Queijo e do Homem do Leme, Avenida Montevideu, Foz, e antes
assim.
P.S. - Hoje é Dia de Timor-Leste.
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sábado, 22 de novembro de 2025
Ora bolas
Mandaram-no dar a volta ao bilhar grande e ele foi. "Bati o recorde?", perguntou no final.
P.S. - Hoje é Dia de Dar Uma Volta.
sábado, 29 de março de 2025
À hora ou há ora?
À hora ou há ora? - perguntou o gramático, manhoso, como se os agás e os acentos, agudos ou graves, fossem visíveis nas conversas. - Há ora - respondeu o discípulo, mais convencido era impossível. - Há ora?!... - exaltou-se o gramático - Há ora?!?!... - ameaçou o gramático, entremeando os pontos de interrogação e de espantação, e insistindo perdigotamente nas velhas reticências. - Há ora, mestre - perseverou o discípulo, humilde porém seguro. - Há ora, mas e além disso...
P.S. - Logo à noite muda a hora.
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