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quinta-feira, 28 de maio de 2026

Uma palavra à esquina

Leporídeos
- Colhões ou coelhões?
- Testículos.
- E era preciso ser malcriado?...

A palavra apareceu-me à esquina pela pena do cronista Ferreira Fernandes, que eu tando respeito e admiro, embora lastime que ele tenha amouchado perante o, por assim dizer, novo acordo ortográfico - mas nem é aqui o caso. A palavra é "pissada" e foi há coisa de onze anos. Fiquei surpreendido, não a conhecia com aquele aspecto. Mas, escrita por quem foi, tive de a levar a sério (à séria, se lido em Lisboa). Andei então à procura dela e não a vi em sítio de respeito, em local de idoneidade gramatical que me obrigasse a pensar: sim, "pissada" é mesmo assim. Mas, pronto, que seja "pissada", porque, na verdade, encontrei duas ou três "pissas" em dicionários alternativos. Eu, porém, não vou por aí. Pela parte que me toca, continuarei a piçar com toda a potência, sem medo de que me achem malcriado ou tarado da cedilha. Piçarei, aliás, até que a vós vos doa. Dar uma piçada, levar uma piçada, deixemo-nos de hipocrisias, bem sabemos de onde é que a coisa vem. De resto, confundir "pissada" com piçada pode, consoante as circunstâncias, ser até caso de extrema gravidez.

Agora, soube outro dia pelo jornal Público que existe por aí um podcast suponho que de cultura e comédia que se chama "Livros da Piça". Olha, pensei eu, antes assim, porque, lá está, voltando à minha, "Livros da Pissa" não me pareceria tão bem.

(Do meu blogue Mistérios de Fafe)

Também acontece aos melhores

Os favoritos
E diz o comentador, no final do jogo do campeonato inglês: "Vitória mais que justa da equipa que não reunia qualquer tipo de favoritismo". Sim, é verdade, ele há favoritismos das mais variadas espécies. Mas quase nunca reúnem.

Abril passava para Maio no ano de 2012. O FC Porto sagrou-se campeão nacional. O grande jornalista Ferreira Fernandes escrevia então no DN. E escreveu. Eu, armado em carapau de corrida, "respondi-lhe" no meu blogue Tarrenego!, metendo-lhe o título acima e a foto de uma caixa de Kompensam-S, medicamento indicado para o alívio dos sintomas de azia, enfartamento e acumulação de gases. O textinho era assim:
"Ferreira Fernandes é um dos mais brilhantes cronistas do jornalismo português. E é o meu preferido. Todos os dias procuro o cantinho que lhe dão no Diário de Notícias e todos os dias me delicio e aprendo alguma coisa com ele. Ferreira Fernandes é informado, é culto, é estiloso, é escorreito, é claro, é corajoso, é honesto, é sensato, é sucinto, é simples, é assertivo. E também é benfiquista.
Ferreira Fernandes escreve de tudo, não por armanço idiota, mas porque verdadeiramente sabe de quase tudo. Escreve, por exemplo, de futebol, sem que lhe caiam as medalhas ao chão, e continua a ser um prazer lê-lo. O Barcelona e o Real Madrid, Messi e Cristiano Ronaldo, Guardiola e Mourinho devem-lhe, se calhar, os mais perfeitos textos que sobre eles foram escritos a nível mundial.
Ferreira Fernandes tornou ao tema do pontapé na bola na edição de ontem do DN, mas inesperadamente com uma cirúrgica preocupação doméstica. Na noite em que Rio Ave e Benfica entregaram ao FC Porto mais um título de campeão que, desta vez, parece que mais ninguém queria, o meu cronista favorito esqueceu-se do facto e resolveu escrever sobre os desarranjos intestinais do futebol português. É. Realmente, ninguém está livre."

Ferreira Fernandes, de quem sinto uma saudade imensa na chamada "imprensa nacional", mas provavelmente ele não, teve a bondade de dar-me troco, com a ironia, a sabedoria e a elegância do costume. Escreveu:
Caro Hernâni Von Doellinger,
leu mal, não quis fugir à vitória do FCP. Mais um campeonato do FCP não é notícia. Não escrevi sobre ela pela razão idêntica à dada por Liz Taylor por não ter ido ao funeral de Richard Burton: "Se eu fosse a todos enterros dos meus ex-maridos não fazia outra coisa."
Abraço, Ferreira Fernandes."

Eu, evidentemente, fiquei num sino por Ferreira Fernandes me ter lido, ainda por cima agraciando-me com um comentário, uma medalha. E rematei, dono da bola, até parecia que estava a adivinhar os festejos extraordinários deste ano:
"Muito obrigado, caro Ferreira Fernandes, pela gentileza da visita e do comentário. Que vou encaixilhar. Mas voltou a descair-lhe o pé na metáfora, meu amigo: os títulos do FC Porto não são funerais. Ou, pelo menos, não são um funeral para toda a gente. São uma festa, não viu?
Abraço,
h."

Isto é. O cronista Ferreira Fernandes, à mão, todos os dias, faz-me falta. Faz-nos falta. O País, se tivesse salvação, deveria reclamá-lo. E eu tinha alguma urgência de dizer isto outra vez.

(Publicado no meu blogue Mistérios de Fafe, na passada segunda-feira. O cronista Ferreira Fernandes "regressou" ontem ao Público. Não tendes de quê...)

terça-feira, 21 de abril de 2026

Entre piçada e pissada, que escolha quem puder

A palavra apareceu-me à esquina pela pena do cronista Ferreira Fernandes, que eu tando respeito e admiro, embora lastime que ele tenha amouchado perante o, por assim dizer, novo acordo ortográfico. A palavra é "pissada". Andei à procura dela e não a vi em sítio de respeito, em local de idoneidade gramatical que me obrigasse a pensar: sim, "pissada" é mesmo assim. Mas, pronto, que seja "pissada", porque, na verdade, encontrei duas ou três "pissas" em dicionários alternativos. Eu, pela parte que me toca, continuarei a piçar com toda a potência, sem medo de que me achem malcriado ou tarado da cedilha. Piçarei, aliás, até que a vós vos doa. Dar uma piçada, levar uma piçada, deixemo-nos de hipocrisias, bem sabemos de onde é que a coisa vem. De resto, confundir "pissada" com piçada pode, consoante as circunstâncias, ser até caso de extrema gravidez.

Este textinho escrevi-o aqui em Setembro de 2015, título incluído. Onze anos passados, quase, o jornal Público acaba de revelar-me a existência de um podcast que se chama "Livros da Piça", e antes assim, porque, lá está, "Livros da Pissa" não me pareceria tão bem.

domingo, 28 de maio de 2023

Ferreira Fernandes, a respeito do Benfica

O Benfica é campeão e é muito bem feito! A mim até me dá jeito, que não gramo o Benfica nem à lei da bala e aliás sou portista. Que sejam, pois, campeões e lampiões, a ver se aprendem! Por outro lado e para quem não sabe, e serão, há quem diga, mais de sete milhões de benfiquistas ignorantes, o nosso falecido Estádio das Antas foi inaugurado no dia 28 de Maio de 1952, uma data por acaso um bocado fascista, e faz hoje anos, mas isso não interessa, e portanto eu até tinha aqui assunto de desconversa para fazer render até ao quinto caralho, desviando as atenções do principal, mas não vou por aí. Por uma boa razão. Uma excelentíssima razão chamada Ferreira Fernandes. Eu não sei dele, do Ferreira Fernandes, e tenho muitas saudades.

Ferreira Fernandes faz-me falta. Por causa dele, escrevi aqui, armado em carapau de corrida, no dia 1 de Maio de 2012, sob o título "Também acontece aos melhores" e com a reprodução de uma caixa de Kompensam-S, medicamento indicado para o alívio dos sintomas de azia, enfartamento e acumulação de gases:

Ferreira Fernandes é um dos mais brilhantes cronistas do jornalismo português. E é o meu preferido. Todos os dias procuro o cantinho que lhe dão no Diário de Notícias e todos os dias me delicio e aprendo alguma coisa com ele. Ferreira Fernandes é informado, é culto, é estiloso, é escorreito, é claro, é corajoso, é honesto, é sensato, é sucinto, é simples, é assertivo. E também é benfiquista.
Ferreira Fernandes escreve de tudo, não por armanço idiota, mas porque verdadeiramente sabe de quase tudo. Escreve, por exemplo, de futebol, sem que lhe caiam as medalhas ao chão, e continua a ser um prazer lê-lo. O Barcelona e o Real Madrid, Messi e Cristiano Ronaldo, Guardiola e Mourinho devem-lhe se calhar os mais perfeitos textos que sobre eles foram escritos a nível mundial.
Ferreira Fernandes tornou ao tema do pontapé na bola na edição de ontem do DN, mas inesperadamente com uma cirúrgica preocupação doméstica. Na noite em que Rio Ave e Benfica entregaram ao FC Porto mais um título de campeão que, desta vez, parece que mais ninguém queria, o meu cronista favorito esqueceu-se do facto e resolveu escrever sobre os desarranjos intestinais do futebol português. É. Realmente, ninguém está livre.

Ferreira Fernandes faz-me falta. No dia 15 de Setembro de 2015 tornei a ele, aqui, por razão de força maior. E escrevi - "Entre piçada e pissada, que escolha quem puder":

A palavra apareceu-me à esquina pela pena do cronista Ferreira Fernandes, que eu tando respeito e admiro, embora lastime que ele tenha amouchado perante o, por assim dizer, novo acordo ortográfico. A palavra é "pissada". Andei à procura dela e não a vi em sítio de respeito, em local de idoneidade gramatical que me obrigasse a pensar: sim, "pissada" é mesmo assim. Mas, pronto, que seja "pissada", porque, na verdade, encontrei duas ou três "pissas" em dicionários alternativos. Eu, pela parte que me toca, continuarei a piçar com toda a potência, sem medo de que me achem malcriado ou tarado da cedilha. Piçarei, aliás, até que a vós vos doa. Dar uma piçada, levar uma piçada, deixemo-nos de hipocrisias, bem sabemos de onde é que a coisa vem. De resto, confundir "pissada" com piçada pode, consoante as circunstâncias, ser até caso de extrema gravidez.

Ferreira Fernandes faz-me falta. Fui sempre atrás dele, só não lhe pedi a camisola, mas apenas por vergonha. De resto, sujeitei-me a tudo, a quase tudo. Os jornais deixaram de ser jornais, e eu, que remédio, contentei-me com as migalhas, "Aprendi a adivinhar Ferreira Fernandes":

Os chamados jornais digitais, agora, para serem lidos, tem de se meter a moeda. Não sei achar a esse respeito. Os artigos considerados mais importantes vêm com etiqueta de "premium" e só saem à casa, se saírem, mas estão acima das minhas actuais possibilidades, e portanto não jogo. A verdade é que só me faz falta o Ferreira Fernandes, lamentavelmente pago à linha, embora director do Diário de Notícias.
O Ferreira Fernandes é o meu cronista preferido, já disse. E gosto tanto de o ler que creio que já lhe apanhei o lado para onde descai o bilhar. E então o que é que eu faço? Pego no engodo, aquele paragrafozinho inicial dado à babuge, leio-o uma, duas ou três vezes, que continua a ser de graça, e suponho o resto do texto, porque o Ferreira Fernandes, noves fora os truques comerciais, é o Ferreira Fernandes que eu sei.

E era mais ou menos isto que eu tinha para dizer. O Benfica é campeão, e estimo-lhe as melhoras. Os carros andam lá fora a apitar e suspeito que as televisões também. Chove copiosamente, o que não deixa de ter piada, mas suponho que é do tempo, e eu lembrei-me do jornalista Ferreira Fernandes. O Ferreira Fernandes faz-me muita falta.

quinta-feira, 16 de abril de 2020

Cuidado, o Ferreira Fernandes faz-me falta!

Também acontece aos melhores
Ferreira Fernandes é um dos mais brilhantes cronistas do jornalismo português. E é o meu preferido. Todos os dias procuro o cantinho que lhe dão no Diário de Notícias e todos os dias me delicio e aprendo alguma coisa com ele. Ferreira Fernandes é informado, é culto, é estiloso, é escorreito, é claro, é corajoso, é honesto, é sensato, é sucinto, é simples, é assertivo. E também é benfiquista.
Ferreira Fernandes escreve de tudo, não por armanço idiota, mas porque verdadeiramente sabe de quase tudo. Escreve, por exemplo, de futebol, sem que lhe caiam as medalhas ao chão, e continua a ser um prazer lê-lo. O Barcelona e o Real Madrid, Messi e Cristiano Ronaldo, Guardiola e Mourinho devem-lhe se calhar os mais perfeitos textos que sobre eles foram escritos a nível mundial.
Ferreira Fernandes tornou ao tema do pontapé na bola na edição de ontem do DN, mas inesperadamente com uma cirúrgica preocupação doméstica. Na noite em que Rio Ave e Benfica entregaram ao FC Porto mais um título de campeão que, desta vez, parece que mais ninguém queria, o meu cronista favorito esqueceu-se do facto e resolveu escrever sobre os desarranjos intestinais do futebol português. É. Realmente, ninguém está livre.

Entre piçada e pissada, que escolha quem puder
A palavra apareceu-me à esquina pela pena do cronista Ferreira Fernandes, que eu tando respeito e admiro, embora lastime que ele tenha amouchado perante o, por assim dizer, novo acordo ortográfico. A palavra é "pissada". Andei à procura dela e não a vi em sítio de respeito, em local de idoneidade gramatical que me obrigasse a pensar: sim, "pissada" é mesmo assim. Mas, pronto, que seja "pissada", porque, na verdade, encontrei duas ou três "pissas" em dicionários alternativos. Eu, pela parte que me toca, continuarei a piçar com toda a potência, sem medo de que me achem malcriado ou tarado da cedilha. Piçarei, aliás, até que a vós vos doa. Dar uma piçada, levar uma piçada, deixemo-nos de hipocrisias, bem sabemos de onde é que a coisa vem. De resto, confundir "pissada" com piçada pode, consoante as circunstâncias, ser até caso de extrema gravidez.

Aprendi a adivinhar Ferreira Fernandes
Os chamados jornais digitais, agora, para serem lidos, tem de se meter a moeda. Não sei achar a esse respeito. Os artigos considerados mais importantes vêm com etiqueta de "premium" e só saem à casa, se saírem, mas estão acima das minhas actuais possibilidades, e portanto não jogo. A verdade é que só me faz falta o Ferreira Fernandes, lamentavelmente pago à linha, embora director do Diário de Notícias.
O Ferreira Fernandes é o meu cronista preferido, já disse. E gosto tanto de o ler que creio que já lhe apanhei o lado para onde descai o bilhar. E então o que é que eu faço? Pego no engodo, aquele paragrafozinho inicial dado à babuge, leio-o uma, duas ou três vezes, que continua a ser de graça, e suponho o resto do texto, porque o Ferreira Fernandes, noves fora os truques comerciais, é o Ferreira Fernandes que eu sei.

P.S. - Jornais digitais eram os antigos, em papel, folheados com os dedos molhados com cuspe, ou desfolhados, como dizia e diz um certo jornalismo analfabeto que prospera.

O incrível Diário de Notícias
A Senhora Judite de Sousa deu uma entrevista à Senhora Fátima Lopes, na inauguração do programa "Conta-me como és", da TVI. O Diário de Notícias de Lisboa apresentou o seguinte título, espremendo o essencial do que a Senhora Judite de Sousa disse à Senhora Fátima Lopes: "Já passei dias sem tomar banho e já comi borrego com as mãos". O que é extraordinário! Nunca soube de ninguém que tivesse passado por tanto. Já se nota o dedo do Senhor Ferreira Fernandes...

No Diário de Notícias está tudo bêbado?
O jornal Diário de Notícias de Lisboa publica um artigo copiado do jornal New York Times da América, e publica-o em inglês. A interessante e extensa prosa, que infelizmente não sei o que quer dizer, chama-se de nome completo Spain and Portugal Play a Draw for the Ages, Starring a Player for All Time, e eu só percebi aquela parte do bítala da bateria, o Ringo Starring. Mais uma vez, já se nota o dedo do meu ídolo Ferreira Fernandes.

Desgraçadamente, o jornal Diário de Notícias de Lisboa está fechando portas, às prestações. De momento vai passar a semanário. Percebi isso numas declarações da directora executiva Catarina Carvalho em que ela parecia querer explicar que não.

P.S. - Textos publicados originalmente entre os dias 1 de Maio de 2012 e 3 de Fevereiro de 2019. Pareço bruxo! Ferreira Fernandes demitiu-se de director do DN. Aguentou apenas dois anos e faz-me lembrar uma pessoa que conheço como se me visse ao espelho. Saiu inteiro e de cara lavada, como gosta de dizer, mas durante dois anos o agora ex-director avalizou e acoitou uma gente que não respeita ninguém e que, por isso, mão merece o aval, o colo ou sequer o respeito de ninguém. Outra coisa é, Senhor Ferreira Fernandes: escreva! Continue a escrever-me, por favor.

domingo, 3 de fevereiro de 2019

Aprendi a adivinhar Ferreira Fernandes

Os chamados jornais digitais, agora, para serem lidos, tem de se meter a moeda. Não sei achar a esse respeito. Os artigos considerados mais importantes vêm com etiqueta de "premium" e só saem à casa, se saírem, mas estão acima das minhas actuais possibilidades, e portanto não jogo. A verdade é que só me faz falta o Ferreira Fernandes, lamentavelmente pago à linha, embora director do Diário de Notícias.
O Ferreira Fernandes é o meu cronista preferido, já disse. E gosto tanto de o ler que creio que já lhe apanhei o lado para onde descai o bilhar. E então o que é que eu faço? Pego no engodo, aquele paragrafozinho inicial dado à babuge, leio-o uma, duas ou três vezes, que continua a ser de graça, e suponho o resto do texto, porque o Ferreira Fernandes, noves fora os truques comerciais, é o Ferreira Fernandes que eu sei.

P.S. - Jornais digitais eram os antigos, em papel, folheados com os dedos molhados com cuspe, ou desfolhados, como dizia e diz um certo jornalismo analfabeto.

sábado, 16 de junho de 2018

No Diário de Notícias está tudo bêbado?

O jornal Diário de Notícias de Lisboa publica um artigo copiado do jornal New York Times da América, e publica-o em inglês. A interessante e extensa prosa, que infelizmente não sei o que quer dizer, chama-se de nome completo Spain and Portugal Play a Draw for the Ages, Starring a Player for All Time, e eu só percebi aquela parte do bítala da bateria, o Ringo Starring. Mais uma vez, já se nota o dedo do meu ídolo Ferreira Fernandes.

Desgraçadamente, o jornal Diário de Notícias de Lisboa está fechando portas, às prestações. De momento vai passar a semanário. Percebi isso numas declarações da directora executiva Catarina Carvalho em que ela parecia querer explicar que não.

sábado, 5 de maio de 2018

O incrível Diário de Notícias

A Senhora Judite de Sousa deu uma entrevista à Senhora Fátima Lopes, na inauguração do programa "Conta-me como és", da TVI. O Diário de Notícias de Lisboa apresentou o seguinte título, espremendo o essencial do que a Senhora Judite de Sousa disse à Senhora Fátima Lopes: "Já passei dias sem tomar banho e já comi borrego com as mãos". O que é extraordinário! Nunca soube de ninguém que tivesse passado por tanto. Já se nota o dedo do Senhor Ferreira Fernandes...

terça-feira, 1 de maio de 2012

Também acontece aos melhores


Ferreira Fernandes é um dos mais brilhantes cronistas do jornalismo português. E é o meu preferido. Todos os dias procuro o cantinho que lhe dão no Diário de Notícias e todos os dias me delicio e aprendo alguma coisa com ele. Ferreira Fernandes é informado, é culto, é estiloso, é escorreito, é claro, é corajoso, é honesto, é sensato, é sucinto, é simples, é assertivo. E também é benfiquista.
Ferreira Fernandes escreve de tudo, não por armanço idiota, mas porque verdadeiramente sabe de quase tudo. Escreve, por exemplo, de futebol, sem que lhe caiam as medalhas ao chão, e continua a ser um prazer lê-lo. O Barcelona e o Real Madrid, Messi e Cristiano Ronaldo, Guardiola e Mourinho devem-lhe se calhar os mais perfeitos textos que sobre eles foram escritos a nível mundial.
Ferreira Fernandes tornou ao tema do pontapé na bola na edição de ontem do DN, mas inesperadamente com uma cirúrgica preocupação doméstica. Na noite em que Rio Ave e Benfica entregaram ao FC Porto mais um título de campeão que, desta vez, parece que mais ninguém queria, o meu cronista favorito esqueceu-se do facto e resolveu escrever sobre os desarranjos intestinais do futebol português. É. Realmente, ninguém está livre.