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sábado, 16 de maio de 2026

Mestre José Mourinho

Metodicamente, com competência, igual a si próprio, José Mourinho continua a preparar e a pretextar a sua saída do Real Madrid. Como, de resto, já fez nos outros sítios por onde passou. Começou por se queixar dos jornalistas espanhóis, que lhe quereriam fazer a folha, e agora queixa-se dos assobios dos próprios adeptos merengues, colocando-os de sobreaviso: "Pode ser que um dia eu responda e eles fiquem tristes"...
Pois é. Mourinho é um mestre. Mestre na arte de criar cenários para rupturas, como aqui escrevi a 29 de Agosto de 2011 e agora recordo:

"Uma câmara para Mourinho
José Mourinho diz que há uma campanha contra ele em Espanha. Eu não costumo ligar ao que Mourinho diz, porque ele nunca diz nada sem uma segunda intenção, não dá ponto sem nó, e eu tenho mais que fazer do que perder tempo a tentar perceber aonde é que ele quer chegar. Mas abro aqui uma excepção, porque me parece que, desta vez, o homem é capaz de ter razão.
Ontem, durante a transmissão do jogo Saragoça-Real Madrid (0-6), o treinador luso teve direito a uma câmara, em exclusivo, que lhe seguiu todos os movimentos no banco de suplentes. Uma distinção digna do imenso umbiguismo de El Especial, mas que trazia água no bico. Depois do turbulento episódio final do último Barcelona-Real Madrid, o que a realização espanhola procurava era apanhar Mourinho novamente em falso. O português estava sob vigilância.
Numa transmissão paralela à transmissão do próprio jogo (três golos de Cristiano Ronaldo), todos os gestos mais bruscos de Mourinho, os gritos, as caras feias, os protestos, os enfados, os desapontamentos, foram passados a pente fino e repassados em câmara lenta, para que Espanha e o mundo se convençam de uma vez que realmente está ali um homem mau. Sim, Mourinho é capaz de ter razão. Às tantas, eles estão a ver se o tramam. Se calhar há mesmo uma campanha contra ele em Espanha. No entanto,

convém não esquecer que José Mourinho é mestre na arte de criar cenários para rupturas. Foi assim em Portugal, foi assim em Inglaterra, foi assim em Itália. Atentemos primeiro no seu "desabafo" de ontem ao jornal espanhol El Mundo. Diz Mourinho: "Ao contrário de outros países onde treinei, aqui sinto que estão a fazer uma campanha contra mim. Um amigo chegou a dizer-me que, com as pedras que me lançam, conseguia construir um monumento".
Um monumento a Mourinho, claro. Um Mourinho com queda para retocar a história. Porque, se formos um pouco atrás, ao tempo em que ele era Il Speciale e treinava o Inter, vamos encontrá-lo, em Novembro de 2008, a dar azo ao seguinte título na imprensa italiana: "A Itália não gosta de mim". Ou, em Março de 2010, já a preparar o salto para Madrid e a afirmar: "Não gosto do futebol italiano e o futebol italiano não gosta de mim".
Pois é. Ele sabe-a mesmo toda!"

P.S. - Publicado no dia 24 de Janeiro de 2012. Mais do mesmo, portanto.

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Cristiano Ronaldo e Zlatan Ibrahimović

Cristiano Ronaldo e Zlatan Ibrahimović empataram zero-zero. De acordo com os registos oficiais da UEFA, que acabo de consultar, o Paris Saint-Germain Football Club e o Real Madrid Club de Fútbol também.

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Futebol e futebóis

                                                                                      Foto Hernâni Von Doellinger

Futebol. O Barcelona foi à Alemanha e levou uma abada, o Real Madrid também foi à Alemanha e levou outra. O fenómeno presta-se a inumeráveis considerações filosóficas, psicotácticas e tibiotársicas. Há Messi e tiki-taka, Mourinho e Cristiano Ronaldo, o último terço do terreno e o quarto segredo de Fátima. E é disto que se vai escrever e falar por estes dias, chutando para canto o essencial. O essencial é Portugal - perdoem-me a heresia. Não o Benfica e o Porto. Portugal mesmo, a vida dos portugueses do rés-do-chão. Mas quanto mais precisamos de nós, mais nos distraímos com futebóis. Ainda por cima, com os futebóis dos outros.

terça-feira, 19 de março de 2013

Professor de ginástica é que era

José Mourinho tem também isto de especial: diz as maiores barbaridades e fica bem na televisão. Em entrevista à RTP, falando do seu lado pessoal e familiar, o técnico do Real Madrid explicou que, "se não tivesse seguido o mundo do futebol", seria "professor" e "feliz". "E se calhar seria uma vida muito melhor do que aquela que acabámos por ter", precisou.
Pois se calhar. Em 2012, Mourinho foi novamente o treinador mais bem pago do mundo. Ganhou 14 milhões de euros. Uma chatice.

domingo, 27 de janeiro de 2013

Extraordinário: José Mourinho faz 50 anos! 2

- Então, o nosso Mourinho?
- Extraordinário. Cinquenta anos! Como é que ele consegue?
- É verdade. Não se fala de outra coisa...
- Pois não. E compreende-se. São cinquenta anos. Cinquenta! O homem merece.
- Claro que merece. E tu?
- Eu quê?
- Tu. Anos...
- Eu? Cinquenta e cinco.
- Cinquenta e cinco? E cinco? Mas isso ainda é mais extraordinário! Porque é que os jornais não se interessam por ti?
- Por causa da idade...

(1. "Mourinho 50 anos: meio século de glória" é, de longe, o melhor título com que a imprensa nacional presenteou, por estes dias festivos, o actual treinador do Real Madrid. Começou cedo o fenómeno: nasceu e pronto.
2. José Mourinho disse ao JN que "quanto mais velho, melhor treinador". A rapaziada dos jornais, que gosta de chutar os "velhos" para canto, riu-se um bocado com isto.)

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

O pior elogio

O Real Madrid chegou a Valência e em 45 minutos sempre a aviar, sem dar confiança ao adversário (e sem adversário), marcou um, dois, três, quatro, cinco golos. Cinco-zero ao intervalo. E veio-me à cabeça o pior elogio que se podia fazer àquele impressionante Real Madrid: parece o Barcelona.

sábado, 28 de julho de 2012

Mourinho, o fair-player

Uma equipa do Real Madrid vinha jogar à Luz. José Mourinho avisou que não trazia nenhum defesa titular, o que até ia "ser bom para o Benfica ganhar moral". E sorriu. Isto foi antes.
Depois a equipa do Real Madrid enfardou 5-2. E Mourinho disse, parece que sem se rir: "Não fiquei com impressão nenhuma do Benfica, não estava atento"; "Viemos aqui porque havia um contrato para cumprir"; "Sabíamos que se não viéssemos perdíamos dinheiro"; "Nos treinos não há derrotas pesadas"; "Dos 19 títulos que conquistei, nenhum foi na pré-época".
José Mário dos Santos Mourinho Félix disse alguma mentira? Sei lá. Mas não é uma simpatia?

terça-feira, 1 de maio de 2012

Também acontece aos melhores


Ferreira Fernandes é um dos mais brilhantes cronistas do jornalismo português. E é o meu preferido. Todos os dias procuro o cantinho que lhe dão no Diário de Notícias e todos os dias me delicio e aprendo alguma coisa com ele. Ferreira Fernandes é informado, é culto, é estiloso, é escorreito, é claro, é corajoso, é honesto, é sensato, é sucinto, é simples, é assertivo. E também é benfiquista.
Ferreira Fernandes escreve de tudo, não por armanço idiota, mas porque verdadeiramente sabe de quase tudo. Escreve, por exemplo, de futebol, sem que lhe caiam as medalhas ao chão, e continua a ser um prazer lê-lo. O Barcelona e o Real Madrid, Messi e Cristiano Ronaldo, Guardiola e Mourinho devem-lhe se calhar os mais perfeitos textos que sobre eles foram escritos a nível mundial.
Ferreira Fernandes tornou ao tema do pontapé na bola na edição de ontem do DN, mas inesperadamente com uma cirúrgica preocupação doméstica. Na noite em que Rio Ave e Benfica entregaram ao FC Porto mais um título de campeão que, desta vez, parece que mais ninguém queria, o meu cronista favorito esqueceu-se do facto e resolveu escrever sobre os desarranjos intestinais do futebol português. É. Realmente, ninguém está livre.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Atenção a estes dois jovens turcos!

Há aí dois rapazes que estão a aparecer agora e que eu trago debaixo de olho. O alegado primeiro-ministro de Portugal também já os sinalizou, detectando-lhes logo o defeito essencial: aparecem muito. E ninguém sabe de onde é que eles apareceram! São atrevidos, são oferecidos, são penetras. Metem-se em casamentos e baptizados sem serem convidados, vão aos concursos de talentos da televisão, colam-se atrás dos repórteres da Sport TV à porta dos estádios e sobretudo - atenção, muita atenção! - têm a mania de "assumir protagonismo em datas especiais". Gostam de dar nas vistas.
Pedro Passos Coelho, recatado porém histórico estadista, com mais calo no cu do que o falecido macaco do Palácio de Cristal, emérito punheteiro, é que lhes vai fazer a folha. Os casamentos e baptizados não perdem pela demora, acabam em Portugal antes do Verão, só falta a nota de encomenda da troika, e é mais uma despesa que se desarrisca. A Sport TV passa a fazer reportagens sem som nem imagem, mas aqui com a desculpa do pedido de milhares de assinantes, entre os quais eu me incluo. E quanto aos feriados, que são "datas especiais" da pior espécie e os dias em que os dois jovens emplastros mais gostam de atacar, o assunto há que tempos que está a ser tratado. Quatro sabe-se que vão ao ar, se Deus quiser, e os outros, assim sozinhos, estão prontos a desistir.
Cá entre nós, convenhamos: o alegado primeiro-ministro de Portugal tem razão. Vamos lá pensar como deve ser, agora que passam dois minutos da meia-noite e tornámos à normalidade do 24 de Abril: mas há algum motivo para mantermos, por exemplo, um abcesso como o 25 de Abril no calendário nacional? Ainda por cima, só por causa de um Real Madrid-Bayern de Munique?

domingo, 1 de abril de 2012

Conversa absolutamente improvável

A não perder, logo no Jornal da Noite da SIC, a Conversa Improvável mais improvável de todos os tempos. "Programa junta mundos da política e do futebol, [a vírgula é minha] com Marques Mendes e Rui Santos", promete a estação de Carnaxide. Um feito! Nunca tal foi visto nesta galáxia, o mundo da política a dar confiança ao mundo do futebol, ou vice-versa. Sobretudo estou em pulgas para saber o que é que o da política, o Marques Mendes, tem a dizer sobre o futebol, uma ciência que lhe é absolutamente estranha.
Marques Mendes, que foi guarda-redes, até ao juniores, da equipa da nossa terra (era razoável nos remates rasteirinhos), que foi presidente da Assembleia Geral do clube, de 1984 a 1992, que ia todos os domingos ao estádio e que uma vez até ia levando uma coça em Famalicão exactamente por causa das manigâncias da bola, acumulava ele então o cargo de secretário de Estado do primeiro-ministro Cavaco Silva. Marques Mendes, assumido e reconhecido benfiquista dos sete costados, adepto eventual do SC Braga se for contra o FC Porto, e que ainda no outro dia foi de propósito a Espanha ver o Real Madrid-Barcelona, com Marcelo Rebelo de Sousa e Eduardo Barroso, outros dois que também são de outros mundos.
Portanto: Marques Mendes e futebol são completamente improváveis. A SIC tem razão. Como sempre.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

O equívoco de Mourinho

Disse José Mourinho que, se o seu Real Madrid "jogasse noutra liga, ganharia facilmente". O azar é estar no mesmo campeonato do Barcelona. "Se tivéssemos um rival mais frágil, o nosso trabalho estaria facilitado", rematou El Especial, ao melhor estilo do Senhor de La Palice, esquecendo, no entanto, um pequeno pormenor.
Que é o seguinte: se o Real de José Mourinho jogasse noutra liga, por exemplo na liga portuguesa, já não era o todo-poderoso Real Madrid de Espanha, mas, muito provavelmente, o Real de Massamá. E, com todo o respeito, eu não creio que o Real de Massamá fosse campeão. Mesmo com Mourinho e sem o Barcelona.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Uma câmara para Mourinho

José Mourinho diz que há uma campanha contra ele em Espanha. Eu não costumo ligar ao que Mourinho diz, porque ele nunca diz nada sem uma segunda intenção, não dá ponto sem nó, e eu tenho mais que fazer do que perder tempo a tentar perceber aonde é que ele quer chegar. Mas abro aqui uma excepção, porque me parece que, desta vez, o homem é capaz de ter razão.
Ontem, durante a transmissão do jogo Saragoça-Real Madrid (0-6), o treinador luso teve direito a uma câmara, em exclusivo, que lhe seguiu todos os movimentos no banco de suplentes. Uma distinção digna do imenso umbiguismo de El Especial, mas que trazia água no bico. Depois do turbulento episódio final do último Barcelona-Real Madrid, o que a realização espanhola procurava era apanhar Mourinho novamente em falso. O português estava sob vigilância.
Numa transmissão paralela à transmissão do próprio jogo (três golos de Cristiano Ronaldo), todos os gestos mais bruscos de Mourinho, os gritos, as caras feias, os protestos, os enfados, os desapontamentos, foram passados a pente fino e repassados em câmara lenta, para que Espanha e o mundo se convençam de uma vez que realmente está ali um homem mau. Sim, Mourinho é capaz de ter razão. Às tantas, eles estão a ver se o tramam. Se calhar há mesmo uma campanha contra ele em Espanha. No entanto,

convém não esquecer que José Mourinho é mestre na arte de criar cenários para rupturas. Foi assim em Portugal, foi assim em Inglaterra, foi assim em Itália. Atentemos primeiro no seu "desabafo" de ontem ao jornal espanhol El Mundo. Diz Mourinho: "Ao contrário de outros países onde treinei, aqui sinto que estão a fazer uma campanha contra mim. Um amigo chegou a dizer-me que, com as pedras que me lançam, conseguia construir um monumento".
Um monumento a Mourinho, claro. Um Mourinho com queda para retocar a história. Porque, se formos um pouco atrás, ao tempo em que ele era Il Speciale e treinava o Inter, vamos encontrá-lo, em Novembro de 2008, a dar azo ao seguinte título na imprensa italiana: "A Itália não gosta de mim". Ou, em Março de 2010, já a preparar o salto para Madrid e a afirmar: "Não gosto do futebol italiano e o futebol italiano não gosta de mim".
Pois é. Ele sabe-a mesmo toda!

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Mourinho

O treinador do Real Madrid, José Mourinho, pedagógico como sempre, puxou a(s) orelha(s) a um dos treinadores adjuntos do Barcelona. Literalmente. Estou mortinho por ouvir e ler a catrefada de justificações, explicações e atenuantes que há-de rebentar por aí. Não do próprio Mourinho, porque esse caga de alto e não terá problema nenhum em assumir a garotice, mas dos lambe-botas do costume.