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domingo, 29 de dezembro de 2024

Família, era antigamente

Os Antigos sabiam tudo. No tempo deles é que era. Havia respeito, havia educação, bondade, sabedoria, paz, saúde, velhice e emprego para todos. Havia Portugal.
Os Antigos sabiam de laranjas - de manhã ouro, à tarde prata e à noite mata. Sabiam do tempo - em Abril, águas mil. Sabiam de horas e alturas - deitar cedo e cedo erguer dá saúde e faz crescer. Sabiam de curas e maleitas - o vinagre e o limão meio cirurgião são. Sabiam de tubérculos e famulagem - não comas caldo de nabos nem o dês aos teus criados. Sabiam de presigos e segurança pública - sardinha sem pão é comer de ladrão. Sabiam de magustos e viagras - a castanha excita o coito e alimenta muito. Sabiam de proporções - bom comer: três vezes beber. Sabiam de criação e divindades - ao menino e ao borracho põe Deus a mão por baixo. Sabiam de prestidigitação e utopias - mais vale um pássaro na mão do que dois a voar. Sabiam saltar a cerca - a galinha da vizinha é sempre melhor que a minha. E sabiam guardar um segredo - o corno é o último a saber.
Os Antigos morriam muito, mas morriam muito velhinhos, isto é, por volta dos cinquenta, sessenta anos.
Os Antigos não andavam por aí aos tiros. Andavam às pauladas, às facadas, às sacholadas - e aos tiros.
Os Antigos não matavam por dá cá aquele palha. Matavam por causa da água - e geralmente por causa do vinho.
Os Antigos não emprenhavam raparigas solteiras a torto e a direito. Os filhos de pai incógnito eram realmente mais que as mães, mas eram milagres.
Os Antigos não toleravam e até perseguiam os maricas, isto é, os paneleiros, porém consideravam razoável que o senhor padre fosse ao pito às moças da paróquia e brincasse com as pilinhas dos meninos da catequese.
Os Antigos achavam que melhor que um Salazar só dois Salazares. Melhor ainda, um Salazar em cada esquina. Entre Salazar e Fátima, é que os Antigos não sabiam bem...
Os Antigos sabiam como fazer homens. Pegavam nos rapazes e mandavam-nos para a tropa, se possível para a guerra.
Os Antigos eram puros. Não gostavam de pretos. Nem de monhés. Nem de ciganos. Nem de imigrantes. Nem dos outros em geral. E iam muito à missa e à sagrada comunhão.
Os Antigos inventaram Deus, Pátria e Família.
Os Antigos faziam muitos filhos. E batiam-lhes. E também batiam nas mulheres. Os Antigos gostavam muito de bater. Batiam porque tinham razão, batiam para ter razão. Batiam por vontade de Deus. Os Antigos davam pão e também educação. A educação dos Antigos.
Os Antigos sabiam o lugar da mulher. Em casa. Na cozinha. A fazer croché. E se saíam à rua, era marido à frente e mulher um passo atrás, como Nosso Senhor ensinou e está na Bíblia.
Os Antigos respeitavam as esposas. Por isso iam às putas.
Os Antigos andam por aí. E estamos outra vez no tempo deles. Houve outro dia em Lisboa uma reunião de Antigos. Falou Pedro Passos Coelho.

P.S. - Escrevi e publiquei este texto, sem a referência a Passos Coelho, no dia 14 de Novembro de 2022. Como se comprova, já desde o texto anterior, são realmente inúmeras as vantagens dos Antigos, da família dita tradicional, da educação como deve ser, enfim, dos bons velhos tempos. Hoje, curiosamente, é Dia da Sagrada Família.

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Esperem pela pancada

Portugal tem uma taxa de desemprego oficial na ordem dos 17 por cento. Os portugueses realmente desempregados são muitos, muitos mais por cento. Mas. Diz um estudo: 65 por cento dos, vá lá, 83 por cento dos portugueses que oficialmente têm emprego estão enfadados com o trabalho. Dizem-se insatisfeitos, manifestam-se desmotivados e desligados da empresa que lhes paga, ou nem sempre. Uma chatice, uma tragédia.
As percentagens são uma armadilha. E os "estudos" são uma treta. Foram sempre uma treta desde a invenção da roda e agora que já há parafusos são também um perigo. Porém. Este "estudo" em particular, valendo zero, põe-nos lamentavelmente as partes ao léu: em tempos socialmente cataclísmicos, dias sem-vergonha em que nem os velhos nem as viúvas se salvam, há gente da nossa que não sabe dar o valor ao que ainda tem - e já nem peço o respeito por quem não tem nada.
O indesculpável Pedro Passos Coelho está a tratar do assunto destes portugueses desconsolados com o emprego. Mais dia menos dia eles estarão também no olho da rua e, finalmente, felizes da vida. É o que não lhes desejo.

Diz que está a dar futebol da televisão. A Selecção. "Tivemos" 63,3 por cento de posse de bola. Estatristicamente.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Atenção a estes dois jovens turcos!

Há aí dois rapazes que estão a aparecer agora e que eu trago debaixo de olho. O alegado primeiro-ministro de Portugal também já os sinalizou, detectando-lhes logo o defeito essencial: aparecem muito. E ninguém sabe de onde é que eles apareceram! São atrevidos, são oferecidos, são penetras. Metem-se em casamentos e baptizados sem serem convidados, vão aos concursos de talentos da televisão, colam-se atrás dos repórteres da Sport TV à porta dos estádios e sobretudo - atenção, muita atenção! - têm a mania de "assumir protagonismo em datas especiais". Gostam de dar nas vistas.
Pedro Passos Coelho, recatado porém histórico estadista, com mais calo no cu do que o falecido macaco do Palácio de Cristal, emérito punheteiro, é que lhes vai fazer a folha. Os casamentos e baptizados não perdem pela demora, acabam em Portugal antes do Verão, só falta a nota de encomenda da troika, e é mais uma despesa que se desarrisca. A Sport TV passa a fazer reportagens sem som nem imagem, mas aqui com a desculpa do pedido de milhares de assinantes, entre os quais eu me incluo. E quanto aos feriados, que são "datas especiais" da pior espécie e os dias em que os dois jovens emplastros mais gostam de atacar, o assunto há que tempos que está a ser tratado. Quatro sabe-se que vão ao ar, se Deus quiser, e os outros, assim sozinhos, estão prontos a desistir.
Cá entre nós, convenhamos: o alegado primeiro-ministro de Portugal tem razão. Vamos lá pensar como deve ser, agora que passam dois minutos da meia-noite e tornámos à normalidade do 24 de Abril: mas há algum motivo para mantermos, por exemplo, um abcesso como o 25 de Abril no calendário nacional? Ainda por cima, só por causa de um Real Madrid-Bayern de Munique?

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Marcelo manda Passos Coelho fechar a matraca

Marcelo Rebelo de Sousa está preocupado com Pedro Passos Coelho. O Professor acha que o alegado primeiro-ministro fala demais. E que quem muito fala pouco acerta. E que cada vez que o rapaz do Ângelo Correia abre a boca ou entra mosca ou sai asneira. E que mais vale calado do que ser contraditado.
Marcelo sabe do que fala: de falar demais. E diz que Passos "não pode" andar por aí a bitaitar "de manhã, à tarde e à noite". Mas, ó valha-me Deus!, então o que é que o Pedro vai fazer durante o horário de serviço? Croché? Afinal de contas, quem governa Portugal é a troika, não é?

sexta-feira, 13 de abril de 2012

O que é verdade ao domingo pode não ser à sexta

Domingo, 25 de Maio de 2008 - Pedro Passos Coelho, candidato à liderança do PSD, apela ao Governo de José Sócrates para que desça urgentemente o imposto sobre os combustíveis, a fim de evitar um "colapso económico".
Sexta-feira, 13 de Abril de 2012 - Pedro Passos Coelho, alegado primeiro-ministro, garante que o Governo não irá interferir no preço dos combustíveis, justificando que o contrário criaria "défices tarifários" que teriam de ser compensados com os impostos dos contribuintes.