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quinta-feira, 25 de junho de 2026

quinta-feira, 4 de dezembro de 2025

Quando o homem-estátua abriu a boca

As pombinhas da catrina
As pombinhas da catrina andaram de mão em mão. Acabaram por casar, é certo, mas da fama não se livram...

Porto, vésperas de mais um Natal. Ao fim de 35 anos de inabalável serviço na ex-libríssima Praça da Liberdade, o homem-estátua chamou o fiscal da Câmara num pst! muito bem disfarçado. Veio também um polícia municipal. "Ó colegas, isto aqui já não dá nada. Até o cavalo de D. Pedro IV leva mais do que eu ao fim do dia. Estou no ir, se calhar para Fafe, vou fazer de pedregulho no Largo ou talvez de árvore. Ou então vou para a Suíça trabalhar como boneco de neve ou vaca da Milka, que estamos na época. Lembrais-vos do Dr. Miguel Relvas? Sabíeis que sempre que os portugueses emigram têm uma visão universalista que lhes traz sucesso?", disse o homem-estátua ao fiscal camarário e ao polícia municipal, por entre dentes e sem perder a pose. Era efectivamente um homem-estátua aprumado, muito profissional e filósofo amiúde. "Além disso, estou farto de que me caguem em cima", acrescentou, descendo finalmente do banco de cozinha e arrumando os tarecos e o velho reumatismo em dois sacos plásticos do Pingo Doce do tempo em que os sacos plásticos eram de borla. "As pombas?", perguntou o fiscal da Câmara, que era um bocadinho lerdo de entendimento, porém presto para as multas. "O quê?", perguntou o homem-estátua, que já nem se lembrava do que tinha acabado de dizer. "Cagam-lhe em cima, as pombas?", interveio o polícia municipal, espaçando as sílabas e restabelecendo a ordem. "Os pombos. Os do Governo, os da Assembleia, os da Justiça, os da Saúde, os da TAP, os da CP, os da EDP, os dos Correios, os da Caixa, os da Igreja, os do Espírito Santo, esses pombos todos de gravata ou cabeção mas sem anilha, esses cagões", respondeu o homem-estátua, escarafunchando os bolsos profundos à procura dos apontamentos com a lista completa, nome a nome, a começar em Aníbal e a acabar em Ventura, à procura da lista imensa e do manguito do Bordalo, que também estava para ali metido, há que tempos à espera. Tinham sido realmente muitos anos de gesto suspenso e bico calado.

(Versão revista, actualizada e aumentada, publicada no meu blogue Mistérios de Fafe)

segunda-feira, 22 de setembro de 2025

Mourinho e André Ventura

Com a vinda de José Mourinho para o Benfica, ao menos já temos quem divida com André Ventura o protagonismo e tempo de antena nas televisões.

quarta-feira, 27 de agosto de 2025

Para acabar com os mamões

É um homem que nunca reage a quente. Nem a frio. Isto é, mantém as decisões em banho-maria. Pesa os prós e os contras, mede os assim assins e pondera os vice-versas. A ele, ninguém o apanha em falso. Toda a vida andou por lá, e é ali que quer ficar. Foi comunista, militou no PS e aderiu ao PSD, passou pelo Livre e pelo Bloco de Esquerda, experimentou a Iniciativa Liberal, o ADN e o PAN, liderou uma lista de "independentes" e agora concorre pelo Chega. Para acabar com os mamões!

(Publicada originalmente no meu blogue Mistérios de Fafe)

quarta-feira, 30 de julho de 2025

A superioridade moral 2

Toda a gente sabe que a "superioridade moral" da direita é muito melhor do que a "superioridade moral" da esquerda. E vice-versa.

terça-feira, 29 de julho de 2025

terça-feira, 15 de julho de 2025

Profissão: jovem!

Juventude é, basicamente, o período que vai da infância à maturidade. É a puberdade, a adolescência. Um tempo de aprendizagem e de formação de carácter. É-se jovem, grosso modo, entre os 15 e os 24 anos. Este é o entendimento geral. As excepções são, curiosamente, as organizações "juvenis", nomeadamente as jotas partidárias, geralmente governadas por matulões e matulonas bem acima dos trinta anos e que fazem da mocidade um cómodo e lucrativo modo de vida.

P.S. - Hoje é Dia Mundial das Competências dos Jovens.

segunda-feira, 14 de julho de 2025

Contraditório

- Mas há ou não há contraditório?
- Há, sim senhor.
- Bem. É que eu acho que...
- Calou! 

P.S. - Hoje é Dia Mundial da Liberdade de Pensamento.

domingo, 16 de fevereiro de 2025

Rangel, o descompostor

Paulo Rangel, ministro dos Negócios Estrangeiros, terá dado uma descompostura "semipública" a quatro deputados do PSD, chamando-lhes "terroristas anti-Hamas". O episódio é contado pela revista Sábado, que recorda outro momento em que o governante exprimiu "desagrado de forma enfática", em Outubro do ano passado, numa cena gaga com militares, incluindo altas patentes, na base de Figo Maduro.
O ministro dos Negócios Estrangeiros é, por antonomásia e dever de ofício, o chefe da diplomacia. E o diplomata é, por definição, um homem reservado e de fino trato, um indivíduo circunspecto, grave, cortês, cauteloso, prudente, ponderado, sensato, distinto, elegante, delicado, conciliador. "Ser diplomata é discordar sem ser discordante", sentenciou um dia Millôr Fernandes.
Posto isto, tenho de partilhar o seguinte, em defesa do ministro dos Negócios Estrangeiros: eu creio que Paulo Rangel não é descompostor por opção, malícia ou ódio, sequer por delírio de poder, agora que está no Governo. É-o por feitio, está-lhe no sangue. Em boa verdade, Rangel é um descompostor que vem de longe.
Algures pelos primeiros anos deste século, outro Paulo, Paulo Portas, veio ao Salão Árabe da Bolsa do Porto, convidado para fazer uma importante conferência sobre não sei quê. E fez. Uma conferência que objectivamente não ficou para a História, uma vez que, tirante a minha memória, não encontro na internet (desculpai-me o antiguismo) um único registo a esse respeito. Mas a coisa aconteceu, porque eu estive lá. Foi à noite. E Paulo Rangel fez questão de marcar presença e dar nas vistas.
Portas foi apresentado, lá disse o que achou que tinha a dizer, terminou, ouviram-se os aplausos da ordem, educados e bem medidos, não fosse haver malévolas interpretações, e Rangel, agasalhado entre os jornalistas, sentenciou, sem que alguém lhe tivesse perguntado: - Que fraquinho! Se fosse meu aluno, dava-lhe negativa, reprovava...
Se ficou por aí? Não! Paulo Rangel, levantou-se, pegou na imprensa e foi ter com o conferencista, dando-lhe conta do seu desconsolo e das suas mais veementes discordâncias, derivado ao que acabara de sair daquele púlpito. Paulo Portas ouviu-o distraidamente e respondeu-lhe "já estou atrasado", como quem ouve e responde a um molho de palha de aço, virou costas e foi-se embora. E é assim que eu me lembro.

quarta-feira, 3 de julho de 2024

O nosso Biden

Cada um tem o Biden que merece. Os americanos andam à volta com o deles, o Joe, e o FC Porto lá conseguiu resolver-se do seu, Pinto da Costa. Portugal atura Cavaco Silva e a Selecção desfaz-se à volta de Ronaldo.

sexta-feira, 21 de junho de 2024

Isaltino dá-lhes baile

O processo de Isaltino Morais regressou ontem ao Tribunal de Oeiras e, de acordo com o jornal Público, já nada impede a juíza de decidir se manda prender o autarca, como já pediu o Ministério Público (MP) por duas vezes desde Novembro, ou se os crimes já prescreveram parcialmente, como diz o famoso e rico arguido.
O semanário Sol fez as contas no passado dia 5 de Dezembro e chegou à conclusão de que o presidente da Câmara de Oeiras vinha interpondo um recurso por mês desde que foi condenado em 2009 a sete anos de prisão pelos crimes de corrupção, fraude fiscal qualificada, branqueamento de capitais e abuso de poder - pena que foi depois corrigida para dois anos pela Relação de Lisboa, que anulou a condenação por corrupção e abuso de poder.
Entre recursos propriamente ditos, respostas a recursos do MP, respostas a respostas do MP sobre os seus próprios recursos, arguição de nulidades, pedidos de correcção de despachos e simples requerimentos ao Tribunal de Oeiras, Isaltino apresentara desde 2009 quase 30 exposições dirigidas a diferentes tribunais que apreciaram o seu processo.
Só em Novembro, após a sua prisão e imediata libertação, o autarca apresentou 14 requerimentos. E na última semana daquele mês houve dias em que os seus advogados enviaram três exposições à juíza.
Tudo isto é feito ao abrigo da lei, mas os enormes recursos financeiros do autarca é que têm alimentado este incessante processo de adiamentos em cadeia visando, em última instância, a prescrição dos crimes. Ainda segundo o Sol, Isaltino já tinha gasto, no final do ano passado, mais de 90 mil euros para tentar evitar a prisão. Fora destas contas estavam os honorários com os seus advogados, assim como o custo de um parecer de um escritório de advogados suíço. Só em taxas de justiça pelos sucessivos recursos interpostos, Isaltino já tinha despendido mais de sete mil euros.
É. A ministra Paula Teixeira da Cruz tem toda a razão. "Neste momento em Portugal há uma justiça para ricos e outra justiça para pobres". Mas chamar-lhe "justiça" parece-me um bocadinho exagerado.

P.S. - Não vos deixeis enganar. Este texto escrevi-o aqui no dia 25 de Janeiro de 2012, já Isaltino e a Justiça brincavam às escondidas, muito entretidinhos, e a história continua. É, pelos vistos, uma história interminável...

segunda-feira, 22 de janeiro de 2024

Uma questão de caracteres

Os especialistas têm toda a razão. É claro que as coisas não se resolvem em apenas 280 caracteres. É pura demagogia. Para que a vida das pessoas comece realmente a melhorar, são precisos pelo menos 23.157 caracteres

domingo, 23 de julho de 2023

De pé, ó vítimas da fome!

- De pé, ó vítimas da fome! - gritou o speaker-cantor, enquanto aquecia a plateia para o grande candidato de esquerda que vinha um bocadinho atrasado. O pavilhão estava cheio mas ninguém se levantou. Era uma fraqueza muito grande...

P.S. - "A Internacional" terá sido cantada pela primeira vez em público no dia 23 de Julho de 1888, numa reunião de vendedores de jornais na cidade francesa de Lille.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2021

quinta-feira, 22 de julho de 2021

Moinices da alta e outras efemérides

A propósito da cretinice dos secretários de Estado que foram à bola a França por conta da Galp, no Euro 2016 de tão boa memória, lembrei-me do multinacional lobista Durão Barroso. José Manuel era primeiro-ministro de Portugal, em 2002, e foi no jacto privado de Pereira Coutinho passar férias na ilha privada brasileira do recatado multimilionário português. Três anos depois, o nosso Zé Manel já tinha sido nomeado presidente da Comissão Europeia e passou férias num barco privado de um milionário grego.
Conclusões que tirei desta oportuníssima lembrança: Durão Barroso gosta de férias; Durão Barroso gosta de férias à grande e à brasileira ou à grega, pelo menos; Durão Barroso não gosta de pagar as férias à grande e à brasileira e à grega, pelo menos; Durão Barroso não paga férias desde os tempos imemoriais em que ia para a chique praia de Moledo, em Caminha, como as pessoas normais porém chiques, e se calhar nem essas pagava, porque parece que eram passadas em casa de amigos; Durão Barroso gosta de milionários e de multimilionários; Durão Barroso gosta muito de privados - aviões, ilhas, barcos e talvez bancos; por causa de Durão Barroso e de outros que querem ser durões barrosos quando forem grandes, o PSD mexe com pinças na valente cagada que os secretários de Estado do Governo PS fizeram; os invejosos do CDS esperneiam e esperneiam, mas apenas porque ninguém os convida para lado nenhum e eles também gostam de andar de cu tremido; é inacreditável que os secretários de Estado que foram à bola a França por conta da Galp ainda sejam secretários de Estado.

(O prestígio internacional de Durão Barroso não era realmente coisa de se deitar fora. Lembram-se? José Ramos-Horta (ex-presidente de Timor-Leste e co-Nobel da Paz com Dom Ximenes Belo em 1996) lançou a candidatura do nosso Zé Manel ao mesmo prémio em 2008. E deu em águas de bacalhau! Quatro anos depois, o ilustríssimo galardão foi atribuído à União Europeia. Quer-se dizer: ao Barroso só faltou um bocadinho assim...)

Fino era o Paulo Portas: para que não se lhe possa apontar nada, ele é que oferecia viagens aos seus futuros patrões. Em quatro anos, o então vice-primeiro-ministro e ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros levou a Mota-Engil seis vezes à América Latina. Hoje Portas é consultor da Mota-Engil para a... América Latina. Durão Barroso está na Goldman Sachs. Consta que é charmain...

P.S. - Publicado originalmente no dia 5 de Agosto de 2016. Com quase um ano de atraso, em Julho de 2017, os secretários de Estado que foram à bola a França por conta da Galp acabaram por demitir-se. Rocha Andrade, que nos pôs as contas em dia, se calhar faz falta. Quanto a Pereira Coutinho, que já foi o quinto mais rico de Portugal, vendeu o jacto, o helicóptero e a ilha em Angra dos Reis (trindade ostentatória que Barroso conhecia de ginjeira e de borla), perdeu e desfez-se de negócios, faliu ou insolveu-se, sobrevive, sei lá, à pala da Segurança Social e um destes dias ainda o vou descobrir por aí sem-abrigo. José Manuel Durão Barroso, esse, foi eleito presidente da Comissão Europeia no dia 22 de Julho de 2004. Faz hoje anos. E parabéns à prima!...

terça-feira, 6 de abril de 2021

O povo cheira mal. Quer-se dizer: cheira a povo.

Figurão, o governante que gabava muito o Serviço Nacional de Saúde e, mal lhe ocorria uma singela caganeira, desembestava em oficial aflição para o hospital privado. Figurinha, a autarca redundante em mui propagandeadas e frequentadas sessões de caracacá para o bem-estar físico dos seus munícipes, mas que, para si própria - mantendo uma higiénica distância do suor do povo -, não dispensa a exclusividade e chiqueza ostensiva do personal trainer.

quinta-feira, 1 de abril de 2021

Aldrabons e aldramaus

Por que razão medram tanto os aldrabões em Portugal? Por que razão vamos a votos e damos a mama aos aldrabões, de variada cor, e há mais de quarenta anos, como se por acaso acreditássemos neles - nos aldrabões? Os aldrabões que antes e/ou depois estão nos bancos, nas edepês, nas caixas, nas renes, nas cepês, nas referes, nas misericórdias, nos metros, nos centímetros, nas construtoras, nas destrutoras, nos superescritórios de advogados, nos supermercados de escravos, nas fundações, nas afundações, nas jotas, nas motas, nas assessorias, nas tias, nas televisões e nos jornais, no parlamento, na moinice enfim, e têm do povo uma vaga ideia. Por que razão?
Andava com esta dúvida fisgada nem sei há que tempos, mas ontem tive a inesperada revelação, quase sem querer, ao ouvir um minhoto retinto a falar. O homem antigo falava de não sei quem e chamava-lhe aldrabom. Aldrabom. Os minhotos de cá de baixo falamos assim (e eu até tenho uma certa vaidade na nossa maneira de falar), trocamos o ão pelo om, daí a confusom, e se calhar acreditamo-nos: ora aí está um aldra que é bom, pensamos na melhor das intenções e caímos na esparrela. Porque aí é que a porca torce o rabo: eles não são aldrabons - são aldramaus.