terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

O nosso homem no terreno

Quando ela falava do seu homem no terreno, havia logo quem imaginasse histórias de espiões, acção, aventura e romance. Mas não. Ela falava do marido e da hortazita que o desgraçado fabricava nas traseiras da casa em horário pós-laboral.

P.S. - Hoje é Dia Mundial das Leguminosas.

Regresso às raízes

Chegou aos 66 anos e nove meses, reformou-se e resolveu regressar à terra, voltar às raízes. Mandioca, cenoura, beterraba, batata-doce, inhame, gengibre, nabo, rabanete - à base disso.

P.S. Hoje é Dia Mundial das Leguminosas.

O agricultor excêntrico

Ele era um lavrador um bocadinho excêntrico. Semeava ventos e colhia tempestades. E depois vendia-as ao preço da chuva...

P.S. - Hoje é Dia Mundial das Leguminosas.

Ei boi, a lavrar!

Foto Hernâni Von Doellinger

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

Também não exagéremos!

Horas limpas
Ouça lá: quando mudar a hora, não se esqueça de a pôr para lavar.

O casal passeava o cãozinho de quarto de quilo pela manhã soalheira e ventosa do Parque da Cidade. Nisto, o fraldiqueiro, que é como as pessoas, só lhe falta falar, apertou-se-lhe a vontade e urinou com assinalável pertinácia mesmo em frente à porta principal do magnífico Pavilhão Multiusos. O pai do cão, quero dizer, o homem, olhou ao redor e resolveu dar uma lição de civilidade a quem por ali passava àquela hora de quem não tem palha no ninho. Quer-se dizer: a mim. E mandou à mulher, quero dizer, à mãe do cão: - Trazes o saquinho? Apanha o chichi!
- O chichi? - chispou a madama. - Então eu vou apanhar mijo? Com as mãos? Também não exagéremos!
E eu dei razão à senhora. Realmente, também não exagéremos..

(Do meu blogue Mistérios de Fafe)

Kãomasutra

Foto Hernâni Von Doellinger

domingo, 8 de fevereiro de 2026

Contra fatos não há argumenctos

Desorientação sexual
A verdade é só uma: ele ainda não consegue distinguir um tecto de um teto. E elas levam a mal...

Eu tenho um fato. Um. Comprei-o pronto a vestir em 1987, se não me engano, para um casamento, isso é certo, e ficava-me muito bem. O casamento para o qual eu comprei o meu fato já teve pelo menos dois divórcios, só do lado do noivo, e outras complicações. O meu fato, não. Mantém-se fiel e simples. Eu tenho um fato que é um facto à moda antiga. E nem sei se ainda me serve, sequer se estará em condições de ser vestido. Mas é o meu fato. E contra fatos não há argumenctos.

Sou esbraguilhado por opção. Ao longo de quase quarenta anos, usei o meu fato mais quatro ou cinco vezes nos casamentos de mais quatro ou cinco amigos, sobrinhos e primos, e deram também já quase todos em divórcios, num par de ocasiões solenes em Fafe, para agradar à minha mãe, que gostava de me ver todo tirone, numa excursão copofónica a Lisboa para acompanhar o Prémio Gazeta do nosso Agostinho Santos, entregue pelo Presidente Mário Soares, e numa ou duas idas à televisão para aparecer bem por dever de ofício. É, portanto, um fato praticamente novo, mas ando agora preocupado: o casaco é de trespasse. Sem chave na mão.

Para quem se interesse por estatísticas: também tenho um par de sapatos. Um. E também não sei se ainda caibo lá. De resto, é com botas e sapatilhas que me governo. E tenho quatro bonés e três mochilas.

(Do meu blogue Mistérios de Fafe. Hoje é Dia Mundial do Casamento.)