O confinamento imposto pela pandemia fez dele um verdadeiro especialista em atum, preparando-o para toda a espécie de apagões. Bom Petisco à segunda, Ramirez à terça, Tenório à quarta, Minerva à quinta, Pitéu à sexta e Inês ao sábado. Ao domingo, sardinha em tomate, evidentemente.
P.S. - Hoje é Dia Mundial do Atum.
Tarrenego!
sábado, 2 de maio de 2026
É preciso ter lata
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O feitiço contra o feiticeiro
Quando o Feitiço se virou contra o Feiticeiro, o Feiticeiro resmungou: - Mal agradecido...
P.S. - Hoje é Dia Internacional de Harry Potter.
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sexta-feira, 1 de maio de 2026
Tocavam os sinos da torre da igreja
| Foto Hernâni Von Doellinger |
Naquele tempo, Fafe dispunha de dois razoáveis tocadores de sinos: o Zé Sacristão, na Igreja Nova, e o Mudo, na Igreja Matriz. Ambos autodidactas, biscateiros, rabugentos, mas artistas de mão cheia. O Sr. José era sacristão, como o próprio nome indica, e importante autoridade eclesiástica local, logo a seguir ao Sr. Arcipreste e à Irmã do Sr. Arcipreste, só depois é que vinham os outros padres e a comissão fabriqueira. Para além disso, era também muito amigo e principal vítima das anedotas e partidas do meu avô da Bomba e do Sr. Ferreira do Hospital, que lhe davam cabo da cabeça por uma questão de princípio. O Mudo era engraxador e sportinguista de alto gabarito, irredutível fiscal antiborlas e segurança atrás das balizas, primeiro no Campo da Granja e depois no Estádio, hoje, com a mania dos eufemismos sem sentido, chamar-lhe-iam steward e talvez Infonador ou Insonoro. Mantinha ponto no cruzamento da Rua Montenegro com a Rua António Cândido, do lado do Asilo, em frente ao Cândido Mota.Advérbios
Há oras felizes e aliás também.
A torre da Igreja Nova dava as horas a prestações, automaticamente, comandando a toque de caixa a vida na vila antiga. Para músicas mais elaboradas, em ocasiões especiais, os sinos eram tocados a partir da sacristia. Imediatamente após as escadas e a porta, quem entrava por fora, logo à mão esquerda, antes do armário que guardava casulas e estolas, capas e outras alfaias litúrgicas mais pesadas, havia uma espécie de cofre cravado na parede e sempre fechado à chave. O interior continha um teclado de meia dúzia de notas, eventualmente as sete básicas mais um ou outro sustenido ou bemol, não tenho a certeza, e era ali, carregando nas teclas com um pauzinho tipo régua, uma de cada vez, na ordem certa, de ouvido, como quem escreve à máquina só com um dedo, que o Sr. Zé Sacristão, ou Zé Fogata, executava as duas ou três modinhas religiosas que sabia, regra geral sem enganos de maior nem improvisações dignas de registo, naturalmente dependendo da hora a que decorria o recital. Entre o toque seco na tecla e a resposta do sino respectivo demorava sempre um bocadinho, um quase nada, mas eu, menino de ajudar à missa, percebia aquilo muito bem, era o tempo que a nota levava a chegar lá acima, porque a electricidade naquela altura não era tão rápida e instantânea como é agora a dos computadores.
Estes concertos eram dados principalmente em dias de festa religiosa, antes e no final de missa solene, nas saídas ou chegadas de compassos e procissões - e lembram-me sol, manhãs límpidas e alegres. Estavam previstos, pertenciam à liturgia oficial. Pela parte que lhe tocava, e muito, o Sr. José também aceitava encomendas particulares, para assinalar condignamente casamentos e baptizados mais faustosos, por assim dizer, mas isso já era pago por fora - se é que me faço entender.
Na Igreja Matriz, o Mudo fazia igualmente pela vida, aproveitando sobretudo os funerais. Estou em crer que o seu serviço constava na folha de pagamentos dos dois cangalheiros fafenses originais, fora as sempre bem-vindas gorjetas dadas pelos familiares do defunto, que assim cuidavam de marcar lugar no céu. Na Matriz exigia-se ao sineiro um desempenho mais atlético e menos melodioso, os sinos eram da geração anterior, tocados à mão, directamente, puxando cordas e badalos, nos velhos compassos, plangentes, com alma, do dobrar de finados. Lá em cima, na torre, ser surdo deveria revelar-se de uma extrema comodidade.
Era o que tínhamos. E dávamos-lhe muito bom uso, não é para nos gabar. Agora. Diz-se que Portugal tem desde 2005 o segundo maior carrilhão da Europa. Em Alverca, com 72 sinos, alguns dos quais pesam várias toneladas, e todos geralmente calados. É o terceiro carrilhão construído em Portugal, depois dos famosos carrilhões instalados, no século XVIII, no Convento de Mafra e na Torre dos Clérigos, no Porto. Os Carrilhões de Mafra são considerados, aliás, o maior conjunto de carrilhão fixo do mundo, com 120 sinos em duas torres. E o maior e mais pesado carrilhão itinerante do mundo é também português, o Lvsitanvs, com 63 sinos e cerca de 12 toneladas, sediado em Constância mas a poder viajar por todo o país em cima de um semi-reboque, segundo leio.
De carrilhões realmente até nem estamos mal servidos. Há quem diga que é preciso tê-los, e nós temos. E quem diz carrilhões, diz órgãos. Órgãos de tubos. Como, por exemplo, o avantajado órgão de tubos da portuense Igreja da Lapa, que é considerado "o maior órgão de tubos da Península Ibérica", e olé!, e o poderoso órgão de tubos da Basílica da Nossa Senhora do Rosário, em Fátima, que é considerado "o maior órgão de tubos de Portugal". Há qualquer coisa aqui que não bate certo, é verdade, mas eu não sei o que é. Os medidores de instrumentos não se entendem e desconhecem os contornos da geografia, mas o livro da antiga 4.ª classe, contas simples de somar e uma fita métrica bastariam para acabar de vez com a confusão, se o assunto fosse em Fafe. Isto com os órgãos para o Guinness não é questão de opinião ou desempenho. O tamanho importa, mesmo!
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A tuba no meio da turba
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quinta-feira, 30 de abril de 2026
As marchas populares
Agora, fora de brincadeiras. De entre as marchas mais populares, creio que será justo destacar a Grande Marcha, a Marcha Luminosa das Festas de Fafe, a Marcha Fúnebre, A Longa Marcha dos Grilos Canibais, a marcha lenta, a marcha-atrás ou marcha à ré, a marcha forçada, a Marcha da Fome, a marcha atlética, a Marcha Nupcial, a Marcha Turca, a marcha tudo, a Marcha dos Pinguins, a Marcha Triunfal, a Marcha do FC Porto, a Marcha do MFA, a Marcha Ingénua do Vitorino, a Marcha do Sal, a Marcha Radetzky, a marcha do orgulho gay e, evidentemente, The Stars and Stripes Forever.
P.S. - Do meu blogue Mistérios de Fafe.
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A nossa Câmara de Fafá
![]() |
| Facebook do Município de Fafe |
Há pelo menos dia e meio que Fafe é Fafá na página oficial do Município de Fafe no Facebook, isto é, no Facebook do Município de Fafá. Sem culpa nenhuma, o grande Vitorino, que vem sábado cantar a Fafe, quer-se dizer, a Fafá, fez um simpático vídeo, apenas uns segundos, a promover o espectáculo, e o Município de Fafe, aliás, Fafá, fino como uma alho, moderníssimo, cosmopolita até dizer basta, ferrou-lhe com a alegada inteligência artificial em cima, e as legendas fonéticas e automáticas, e analfabetas, deram na tristeza que aqui se apresenta e parece que só eu é que vi. Dei tempo ao tempo, porque isto são pentelhices, nada mais do que uma pequena anedota, coisas que acontecem e se remedeiam, mas não há pachorra que aguente. Atenção, repito, já lá vai dia e meio, e o fenómeno continua lá, sem uma crítica, um reparo, uma emenda, parece que ninguém lê o Facebook da Câmara de Fafe, mesmo ninguém, nem sequer os que lá escrevem, começo a ficar envergonhado comigo mesmo por ir lá espreitar os títulos de vez em quando.
(Do meu blogue Fafismos)
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Aqui jazz, ali blues
A diferença entre uma colcheia e uma colmeia está na medida. Isto é: uma colmeia corresponde exactamente a uma semicolcheia. E deve servir-se de preferência numa seminfusa. Bem fresca...
P.S. - Hoje é Dia Internacional do Jazz.
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