segunda-feira, 15 de junho de 2026
Vá para dentro!
quinta-feira, 7 de maio de 2026
Segurança do computador é comigo
Os cientistas, quem os inventou?
Quem é que inventou os cientistas? Esta parece-me fácil. Os cientistas só podem ter sido inventados por cientistas. Evidentemente. Mas quem é que inventou os cientistas?
Eu levo muito a sério a segurança do computador. O meu, comprei-o há mais de 30 anos, está preso por quatro cabos de aço inoxidável 6x19, um de cada lado, profundamente cravados nas paredes de pedra maciça, e fixado à secretária com 32 parafusos classe 12.9 que me custaram os olhos da cara. Meti-lhe também dois bons calços de madeira, daqueles que estacam camiões, mais um tijolo à frente e outro atrás. De cimento, os tijolos, dentro de robustas almofadas de penas de ganso. Equipei-o com as apps universalmente consideradas essenciais ao fim em vista, isto é, capacete, botas de biqueira de aço, luvas anticorte, óculos de protecção, máscara cirúrgica, corta-unhas e colete reflector. E, pelo sim e pelo não, retirei-lhe a bateria e nunca o liguei à corrente eléctrica. Até à data, não tenho razão de queixa.
(Do meu blogue Mistérios de Fafe. Hoje é Dia Mundial da Senha.)
domingo, 3 de maio de 2026
quarta-feira, 28 de janeiro de 2026
A anedota da protecção de dados
Quando o técnico se preparava para guardar o meu telefone "antigo", perguntei-lhe, num misto de bons modos com queres-tu-ver-que-já-me-estão-a-foder:
- O senhor vai levar o telefone? Assim? Com os meus contactos? Não lhe passa pela cabeça que pode estar a violar a lei de protecção de dados?...
O homem corou. Parou, atarantado. Pensou e disse:
- Olhe que nunca ninguém me pôs esse problema. Mas, agora que penso nisso, o senhor tem toda a razão. Deixe ver... Posso é fazer-lhe reset no aparelho antes de o levar, quer?
Eu quis. E ele fez.
É assim que as coisas são. E parece que ninguém quer saber.
No dia seguinte, talvez alguém se lembre, o País acordou alvoroçado com o escândalo da "alegada" espionagem das secretas a um jornalista do Público denunciada pelo Expresso. Chamadas aos microfones, as costumeiras virgindades rasgaram as vestes de indignação, clamaram aos céus contra a gravidade da violação da lei, pediram inquéritos. Isso: seguindo a habitual cábula, sobretudo pediram inquéritos. Passos Coelho, que era então primeiro-ministro, também pediu. E a Procuradoria-Geral da República prometeu logo investigar o caso...
Palavra de honra, não percebi as razões de semelhante escarcéu. Mas quê, esta gente toda acha mesmo que os serviços secretos fazem o seu trabalho dentro da lei e que só desta vez é que mijaram fora do penico? Então não faz parte dos serviços secretos andarem por dentro dos nossos telefones e computadores em geral? Mas para que é que servem os serviços de espionagem? Não é para espiar? Estavam à espera de quê? E os jornalistas não podem ser espiados? Só podem espiar? Afinal o que é que tanto incomoda estes indignados cavalheiros: o acto de espionagem em si ou o facto de se saber dele?
São ingénuos? Não. São hipócritas.
P.S. - Publicado originalmente em Agosto de 2011. Hoje é Dia Europeu da Protecção de Dados e Dia Internacional da Privacidade de Dados. Quer-se dizer, é só rir, é só rir...
terça-feira, 30 de dezembro de 2025
Bais à passage?
A ordem dos factores
Deitou as canas e apanhou os foguetes. Agora chamam-lhe Maneta.
A passagem de ano em Fafe era bem porreira no meu tempo. As motas juntavam-se e andavam sem escape à meia-noite, no Largo, como baratas tontas, sem rei nem roque, bebia-se Magos no velho café Peludo e, regra geral, vomitava-se abundantemente. Uma coisa verdadeiramente constada, uma festa inegavelmente de arromba! Vinha povo de fora, até de Guimarães como se fossem espanhóis, a Arcada enchia-se como um ovo, por baixo e por cima, por dentro e por fora. Era o delírio! Tremens. As motas eram sobretudo Zundapp e Sachs, faziam um cagaçal desgraçado e os tombos sem capacete eram saudados como se fossem golo do Benfica! Às vezes a festa metia também ambulância, num extraordinário espectáculo de som, luz e cor. O Magos era uma merda, mas naquela altura eu não sabia, faltava-me ainda o termo de comparação. Fazia também muito frio na rua, que era onde o ano passava, um frio literalmente de rachar, e já era uma sorte do caraças chegar a casa com o nariz e as orelhas inteiras, isto para não falar de outros acessórios corporais por norma mais recatados e indispensáveis. Na manhã do dia seguinte, que só começava, a bem dizer, à noite, o ano novo metia baixa.
Portanto, ia-se ao Largo ver o fim do ano, ia-se à "passage". O ano passava em Fafe apenas uma vez por ano, como no resto do mundo, embora no resto do mundo o ano não passe sempre à mesma hora, mas, não sei porquê, em Fafe parecia que o ano passava todos os dias, isto é, todas as noites. Os de agora podeis não acreditar, mas era assim a vida na nossa terra, e, garanto-vos, era de categoria.
domingo, 30 de novembro de 2025
domingo, 27 de julho de 2025
segunda-feira, 30 de junho de 2025
Gorilas da Bruna
Bruna é uma youtuber bastante influencer. Elegante, bonita, regularmente recauchutada, famosa por ser famosa, esbanja sensualidade por tudo e por nada e enriqueceu por causa disso. Bruna mal pode sair à rua como as outras pessoas, isto é, põe um pé fora da porta a caminho da piscina por exemplo em Ibiza e multidões de adoradores caem-lhe em cima. Bruna tem milhões de seguidores. De perseguidores. Para fazer uma vida normal, viu-se até obrigada a contratar dois possantes seguranças, ou guarda-costas, à Kevin Costner, ou gorilas, como também se diz, que não a largam um segundo e vão com ela a todo o lado, inclusive à casa de banho por exemplo nas Maldivas. São conhecidos como os gorilas da Bruna.
P.S. - Hoje é Dia Mundial das Redes Sociais.
domingo, 15 de junho de 2025
Cuidado com as correntes de ar!
sexta-feira, 21 de março de 2025
quarta-feira, 26 de fevereiro de 2025
O antipasseios
| Foto Hernâni Von Doellinger |
Não sei o que lhe aconteceu em pequeno, mas este senhor já de uma certa idade tem qualquer coisa contra os passeios. Todos os passeios. Estreitos ou largos, em empedrado, cimento, betão hidráulico, aglomerado asfáltico, lajedo ou calçada portuguesa, despreza-os, evita-os, foge-lhes, como o diabo foge da cruz. Anda sempre pela estrada, sempre, e se houver carros estacionados, vai-lhes rente, lado de fora, quase pelo meio da rua. Há anos que o conheço assim, sem o conhecer de lado nenhum. Assim exactamente, ele lá terá as suas razões. Desce, parece-me, a Circunvalação, pela estrada, vira para Matosinhos na Anémona, pela estrada, e vai pela estrada à beira-mar suponho que até à lota, sempre a bom ritmo, quem mo dera a mim, fazendo decerto mais tarde o caminho inverso, obviamente pela estrada e talvez com peixe fresco.
| Foto Hernâni Von Doellinger |
sábado, 6 de julho de 2024
Eles sabem a que é que eu saibo
Eu fiz o que pude, dadas as circunstâncias: acagacei-me até mais não, a bem dizer paralisei, ainda por cima passou-me pela cabeça que de repente se desemboscassem por detrás das árvores o Porthos, o Athos e até o d'Artagnan para ajudarem o Aramis e então é que eu me borrava todo. Uma vergonha.
Portanto era nisto que nós estávamos: eu ali à rasquíssima, nem para a frente nem para trás, e o estupor do cão (eu já disse que era bem bonito por sinal?) com a dentuça cada vez mais arreganhada e mais próxima dos meus ricos calcanhares. A dona bem chamava por ele, aflita, "Aramis, anda cá, Aramis, anda cá", foi assim que eu fiquei a saber o nome do animal, mas ele deixa-te estar que eu já te atendo.
"Desculpe, ele só quer brincar", aproximou-se de mim a dona, a ver se lhe punha a mão no pêlo e é o pões. "Mas eu não, minha senhora", saiu-me numa vozinha de falsete e o coração quase que vinha atrás. Não consegui articular, mas eu tinha sérias dúvidas de que o cão estivesse informado de que só queria brincar.
Finalmente, num assomo de determinação e talvez desespero, a senhora gritou, dura, autoritária, "Aramis, anda já aqui à dona!", conferindo uma inflexão muito forte à palavra dona. E o cão acordeirou, deixou-se prender e levou um raspanete. Eu saí dali para fora logo que as minhas pernas me deixaram, dando graças a Deus por na verdade haver cães que conhecem o dono. A dona.
Agora, a minha ideia é esta: o Parque chega para todos, pessoas, cães e até outros animais mais ou menos selvagens, como, por exemplo, as bicicletas. Mas, tendo em vista uma convivência pacífica entre todas as espécies, impõe-se que alguém ande pela trela. Ou eles ou nós. A mim tanto me faz.
sábado, 20 de abril de 2024
Chamam-lhe train surfing
| Foto Hernâni Von Doellinger |
Isto, portanto, há nove anos, altura em que a coisa terá começado. Os putos chamam a isto, cá em cima, "andar à guna". Entretanto, em Abril de 2019, quatro destes gabirus, com 15 ou 16 anos, caíram à linha em Rio Tinto quando andavam nestes perigosos preparos, foram atropelados e ficaram feridos, dois deles em estado grave. E em Maio do ano anterior morrera uma rapariga de 13 anos. De acordo com os mais recentes avistamentos, a toléria continua. Os jornais e as televisões chamam a esta merda train surfing, o que lhe empresta um ar desportivo, radical, aventureiro, jovem e dinâmico, desafiante, descontraído, nome de nova modalidade olímpica. Eu chamo-lhe estupidez. Estupidez natural.
sexta-feira, 22 de março de 2024
O dia da árvore (vir abaixo)
| Foto Hernâni Von Doellinger |
Afinal o dia da árvore é hoje, e não foi ontem, pelo menos para o carro do vizinho que acaba de levar com uma em cima. A prevaricadora é a árvore número 12, apenas duas adiante da minha, e finalmente começo a perceber porque é que elas agora são numeradas e etiquetadas. Assunção de responsabilidade civil. Já cá estão a polícia, os bombeiros e funcionários da autarquia, a área foi devidamente selada pelas autoridades forenses, a rua está cheia de mirones, turistas, romeiros e foliões. Há teorias e palpites. Para além das tradicionais poeiras africanas, anda por aqui uma praga de joaninhas e meia árvore desabou inopinadamente numa manhã sem vento. De podre terá caído - como o PS, por assim dizer. Já ouço as motosserras oficias. A 12 vai para lenha, e é muito bem feito. Espera-se a todo o momento a chegada da senhora presidenta da Câmara, da CMTV e da CNN. Matosinhos é uma festa!
terça-feira, 8 de agosto de 2023
sexta-feira, 2 de junho de 2023
Uma questão de nível
quinta-feira, 28 de abril de 2022
sábado, 23 de abril de 2022
Pessoas estranhas
Dá-me para pensar cada uma...

