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segunda-feira, 15 de junho de 2026

Vá para dentro!

Evite sair de casa. Feche bem, reforce e proteja janelas e portas. Fixe todos os objectos exteriores que possam ser arrastados, recolha cadeiras, mesas, toldos e guarda-sóis. Vá para dentro! Se tiver mesmo de ir à rua, mantenha a calma e abrigue-se em lugares seguros, não toque em cabos ou fios eléctricos, afaste-se de árvores, materiais suspensos com risco de queda e superfícies envidraçadas. Na estrada, limite a velocidade e redobre cuidados especialmente se conduz veículos longos ou com reboque. Não saia da viatura, feche vidros e ligue as luzes de sinalização, mantendo-se longe dos edifícios. Isso mesmo. Pode não parecer, e eu nem sei o que eles dão, mas hoje é Dia Mundial do Vento. E, num dia assim, tudo pode acontecer...

P.S. - Hoje é Dia Mundial do Vento.

quinta-feira, 7 de maio de 2026

Segurança do computador é comigo

Os cientistas, quem os inventou?
Quem é que inventou os cientistas? Esta parece-me fácil. Os cientistas só podem ter sido inventados por cientistas. Evidentemente. Mas quem é que inventou os cientistas?

Eu levo muito a sério a segurança do computador. O meu, comprei-o há mais de 30 anos, está preso por quatro cabos de aço inoxidável 6x19, um de cada lado, profundamente cravados nas paredes de pedra maciça, e fixado à secretária com 32 parafusos classe 12.9 que me custaram os olhos da cara. Meti-lhe também dois bons calços de madeira, daqueles que estacam camiões, mais um tijolo à frente e outro atrás. De cimento, os tijolos, dentro de robustas almofadas de penas de ganso. Equipei-o com as apps universalmente consideradas essenciais ao fim em vista, isto é, capacete, botas de biqueira de aço, luvas anticorte, óculos de protecção, máscara cirúrgica, corta-unhas e colete reflector. E, pelo sim e pelo não, retirei-lhe a bateria e nunca o liguei à corrente eléctrica. Até à data, não tenho razão de queixa.

(Do meu blogue Mistérios de Fafe. Hoje é Dia Mundial da Senha.)

Coffee break

Foto Hernâni Von Doellinger

quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

A anedota da protecção de dados

No tempo em que a Nos era Zon. Uma vez o meu telefone sem fios Zon Slim perdeu o pio ao fim de apenas nove meses de trabalho. Peguei no telemóvel e liguei para a operadora do telefone sem fios, que naquela altura ainda era usado de vez em quando. Menos de uma hora depois já tinha em casa um técnico. O homem da Zon detectou rapidamente a avaria (transformador pifado) e procedeu à substituição completa do material: transformador, base e telefone. Até aqui tudo bem.
Quando o técnico se preparava para guardar o meu telefone "antigo", perguntei-lhe, num misto de bons modos com queres-tu-ver-que-já-me-estão-a-foder:
- O senhor vai levar o telefone? Assim? Com os meus contactos? Não lhe passa pela cabeça que pode estar a violar a lei de protecção de dados?...
O homem corou. Parou, atarantado. Pensou e disse:
- Olhe que nunca ninguém me pôs esse problema. Mas, agora que penso nisso, o senhor tem toda a razão. Deixe ver... Posso é fazer-lhe reset no aparelho antes de o levar, quer?
Eu quis. E ele fez.
É assim que as coisas são. E parece que ninguém quer saber.

No dia seguinte, talvez alguém se lembre, o País acordou alvoroçado com o escândalo da "alegada" espionagem das secretas a um jornalista do Público denunciada pelo Expresso. Chamadas aos microfones, as costumeiras virgindades rasgaram as vestes de indignação, clamaram aos céus contra a gravidade da violação da lei, pediram inquéritos. Isso: seguindo a habitual cábula, sobretudo pediram inquéritos. Passos Coelho, que era então primeiro-ministro, também pediu. E a Procuradoria-Geral da República prometeu logo investigar o caso...
Palavra de honra, não percebi as razões de semelhante escarcéu. Mas quê, esta gente toda acha mesmo que os serviços secretos fazem o seu trabalho dentro da lei e que só desta vez é que mijaram fora do penico? Então não faz parte dos serviços secretos andarem por dentro dos nossos telefones e computadores em geral? Mas para que é que servem os serviços de espionagem? Não é para espiar? Estavam à espera de quê? E os jornalistas não podem ser espiados? Só podem espiar? Afinal o que é que tanto incomoda estes indignados cavalheiros: o acto de espionagem em si ou o facto de se saber dele?
São ingénuos? Não. São hipócritas.

P.S. - Publicado originalmente em Agosto de 2011. Hoje é Dia Europeu da Protecção de Dados e Dia Internacional da Privacidade de Dados. Quer-se dizer, é só rir, é só rir...

terça-feira, 30 de dezembro de 2025

Bais à passage?

A ordem dos factores
Deitou as canas e apanhou os foguetes. Agora chamam-lhe Maneta.

A passagem de ano em Fafe era bem porreira no meu tempo. As motas juntavam-se e andavam sem escape à meia-noite, no Largo, como baratas tontas, sem rei nem roque, bebia-se Magos no velho café Peludo e, regra geral, vomitava-se abundantemente. Uma coisa verdadeiramente constada, uma festa inegavelmente de arromba! Vinha povo de fora, até de Guimarães como se fossem espanhóis, a Arcada enchia-se como um ovo, por baixo e por cima, por dentro e por fora. Era o delírio! Tremens. As motas eram sobretudo Zundapp e Sachs, faziam um cagaçal desgraçado e os tombos sem capacete eram saudados como se fossem golo do Benfica! Às vezes a festa metia também ambulância, num extraordinário espectáculo de som, luz e cor. O Magos era uma merda, mas naquela altura eu não sabia, faltava-me ainda o termo de comparação. Fazia também muito frio na rua, que era onde o ano passava, um frio literalmente de rachar, e já era uma sorte do caraças chegar a casa com o nariz e as orelhas inteiras, isto para não falar de outros acessórios corporais por norma mais recatados e indispensáveis. Na manhã do dia seguinte, que só começava, a bem dizer, à noite, o ano novo metia baixa.
Portanto, ia-se ao Largo ver o fim do ano, ia-se à "passage". O ano passava em Fafe apenas uma vez por ano, como no resto do mundo, embora no resto do mundo o ano não passe sempre à mesma hora, mas, não sei porquê, em Fafe parecia que o ano passava todos os dias, isto é, todas as noites. Os de agora podeis não acreditar, mas era assim a vida na nossa terra, e, garanto-vos, era de categoria.

A passagem de ano em Fafe actualmente chama-se Réveillon e é um certame, porque em Fafe hoje em dia tudo é certame, até uma festa profundamente religiosa como a Senhora de Antime, e se não é certame, pelo menos é evento e de certeza é icónica, a passagem de ano, porque em Fafe agora tudo é icónico. De acordo com os anúncios, o Réveillon 2025-2026 sucede no quentinho do Pavilhão Multiusos e apresenta uma série de peripécias com nomes estrangeiros, incluindo os artistas, tem área gold, área premium, área vip e área white, que deve ser o antigo peão, e todos os utentes, talvez prevenindo, devem usar pulseiras de cores diferenciadas como nas urgências dos hospitais. Motas a desbundar e ambulâncias em tinoni é que nada, em princípio, mas até pode ser que se arranje. Com efeito, está também prometida uma coisa chamada "pirotecnia de interiores", Deus queira que ninguém se aleije.

(Versão revista, actualizada e aumentada, publicada ontem no meu blogue Mistérios de Fafe)

segunda-feira, 30 de junho de 2025

Gorilas da Bruna

Bruna é uma youtuber bastante influencer. Elegante, bonita, regularmente recauchutada, famosa por ser famosa, esbanja sensualidade por tudo e por nada e enriqueceu por causa disso. Bruna mal pode sair à rua como as outras pessoas, isto é, põe um pé fora da porta a caminho da piscina por exemplo em Ibiza e multidões de adoradores caem-lhe em cima. Bruna tem milhões de seguidores. De perseguidores. Para fazer uma vida normal, viu-se até obrigada a contratar dois possantes seguranças, ou guarda-costas, à Kevin Costner, ou gorilas, como também se diz, que não a largam um segundo e vão com ela a todo o lado, inclusive à casa de banho por exemplo nas Maldivas. São conhecidos como os gorilas da Bruna.

P.S. - Hoje é Dia Mundial das Redes Sociais.

domingo, 15 de junho de 2025

Cuidado com as correntes de ar!

Evite sair de casa. Feche bem, reforce e proteja janelas e portas. Fixe todos os objectos exteriores que possam ser arrastados, recolha cadeiras, mesas, toldos e guarda-sóis. Vá para dentro! Se tiver mesmo de ir à rua, mantenha a calma e abrigue-se em lugares seguros, não toque em cabos ou fios eléctricos, afaste-se de árvores, materiais suspensos com risco de queda e superfícies envidraçadas. Na estrada, limite a velocidade e redobre cuidados especialmente se conduz veículos longos ou com reboque. Não saia da viatura, feche vidros e ligue as luzes de sinalização, mantendo-se longe dos edifícios. Isso mesmo. Pode não parecer, mas hoje é Dia Mundial do Vento. E, num dia assim, tudo pode acontecer...

P.S. - Hoje é Dia Mundial do Vento.

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2025

O antipasseios

Foto Hernâni Von Doellinger

Não sei o que lhe aconteceu em pequeno, mas este senhor já de uma certa idade tem qualquer coisa contra os passeios. Todos os passeios. Estreitos ou largos, em empedrado, cimento, betão hidráulico, aglomerado asfáltico, lajedo ou calçada portuguesa, despreza-os, evita-os, foge-lhes, como o diabo foge da cruz. Anda sempre pela estrada, sempre, e se houver carros estacionados, vai-lhes rente, lado de fora, quase pelo meio da rua. Há anos que o conheço assim, sem o conhecer de lado nenhum. Assim exactamente, ele lá terá as suas razões. Desce, parece-me, a Circunvalação, pela estrada, vira para Matosinhos na Anémona, pela estrada, e vai pela estrada à beira-mar suponho que até à lota, sempre a bom ritmo, quem mo dera a mim, fazendo decerto mais tarde o caminho inverso, obviamente pela estrada e talvez com peixe fresco.
Também não sei que distúrbio será este, se é que é um distúrbio e consta do catálogo - passeiofobia, às tantas -, sei é que as coisas passam-se invariavelmente assim, logo pela manhã, dia após dia, ano após ano, e o saco plástico também faz parte.

Foto Hernâni Von Doellinger

sábado, 6 de julho de 2024

Eles sabem a que é que eu saibo

Aramis andava à solta no Parque da Cidade. Também por lá andavam os espreitas do costume, no miradouro do costume, equipados de perversão e binóculos mal disfarçados, à cata de parzinhos no marmelanço. Mas do que eu quero falar agora é do Aramis, um cão, bem bonito por sinal, de raça... grande, que se afastou da alçada da dona e resolveu começar a rondar-me primeiro, a ladrar-me depois, e a ameaçar abocanhar-me logo que lhe apetecesse.
Eu fiz o que pude, dadas as circunstâncias: acagacei-me até mais não, a bem dizer paralisei, ainda por cima passou-me pela cabeça que de repente se desemboscassem por detrás das árvores o Porthos, o Athos e até o d'Artagnan para ajudarem o Aramis e então é que eu me borrava todo. Uma vergonha.
Portanto era nisto que nós estávamos: eu ali à rasquíssima, nem para a frente nem para trás, e o estupor do cão (eu já disse que era bem bonito por sinal?) com a dentuça cada vez mais arreganhada e mais próxima dos meus ricos calcanhares. A dona bem chamava por ele, aflita, "Aramis, anda cá, Aramis, anda cá", foi assim que eu fiquei a saber o nome do animal, mas ele deixa-te estar que eu já te atendo.
"Desculpe, ele só quer brincar", aproximou-se de mim a dona, a ver se lhe punha a mão no pêlo e é o pões. "Mas eu não, minha senhora", saiu-me numa vozinha de falsete e o coração quase que vinha atrás. Não consegui articular, mas eu tinha sérias dúvidas de que o cão estivesse informado de que só queria brincar.
Finalmente, num assomo de determinação e talvez desespero, a senhora gritou, dura, autoritária, "Aramis, anda já aqui à dona!", conferindo uma inflexão muito forte à palavra dona. E o cão acordeirou, deixou-se prender e levou um raspanete. Eu saí dali para fora logo que as minhas pernas me deixaram, dando graças a Deus por na verdade haver cães que conhecem o dono. A dona.
Agora, a minha ideia é esta: o Parque chega para todos, pessoas, cães e até outros animais mais ou menos selvagens, como, por exemplo, as bicicletas. Mas, tendo em vista uma convivência pacífica entre todas as espécies, impõe-se que alguém ande pela trela. Ou eles ou nós. A mim tanto me faz.

(Publicado originalmente no dia 29 de Julho de 2011)

sábado, 20 de abril de 2024

Chamam-lhe train surfing

Foto Hernâni Von Doellinger

Acerca da insegurança no Metro do Porto, dos vários tipos de insegurança no Metro do Porto, escrevi aqui no dia 2 de Abril de 2015: "Eu se fosse segurança, palavra de honra, nem sequer me metia com os gandulos que agora viajam na esplanada das traseiras do metro sem que uma farda qualquer os arranque dali para fora pelas orelhas e, já agora, com um par de estalos. E antes que se aleijem."
Isto, portanto, há nove anos, altura em que a coisa terá começado. Os putos chamam a isto, cá em cima, "andar à guna". Entretanto, em Abril de 2019, quatro destes gabirus, com 15 ou 16 anos, caíram à linha em Rio Tinto quando andavam nestes perigosos preparos, foram atropelados e ficaram feridos, dois deles em estado grave. E em Maio do ano anterior morrera uma rapariga de 13 anos. De acordo com os mais recentes avistamentos, a toléria continua. Os jornais e as televisões chamam a esta merda train surfing, o que lhe empresta um ar desportivo, radical, aventureiro, jovem e dinâmico, desafiante, descontraído, nome de nova modalidade olímpica. Eu chamo-lhe estupidez. Estupidez natural.

sexta-feira, 22 de março de 2024

O dia da árvore (vir abaixo)

Foto Hernâni Von Doellinger

Afinal o dia da árvore é hoje, e não foi ontem, pelo menos para o carro do vizinho que acaba de levar com uma em cima. A prevaricadora é a árvore número 12, apenas duas adiante da minha, e finalmente começo a perceber porque é que elas agora são numeradas e etiquetadas. Assunção de responsabilidade civil. Já cá estão a polícia, os bombeiros e funcionários da autarquia, a área foi devidamente selada pelas autoridades forenses, a rua está cheia de mirones, turistas, romeiros e foliões. Há teorias e palpites. Para além das tradicionais poeiras africanas, anda por aqui uma praga de joaninhas e meia árvore desabou inopinadamente numa manhã sem vento. De podre terá caído - como o PS, por assim dizer. Já ouço as motosserras oficias. A 12 vai para lenha, e é muito bem feito. Espera-se a todo o momento a chegada da senhora presidenta da Câmara, da CMTV e da CNN. Matosinhos é uma festa!

sexta-feira, 2 de junho de 2023

Uma questão de nível

Foto Hernâni Von Doellinger

Há passagens de nível. E outras sem categoria nenhuma...

P.S. - Hoje é Dia Internacional para a Segurança em Passagens de Nível.

sábado, 23 de abril de 2022

Pessoas estranhas

E há aquele aviso, aquele pendurado nas vedações dos estaleiros de obras. Um aviso cheio de segurança, com capacete e botas de biqueira de aço, nem percebo como é que os trabalhadores morrem como tordos. E diz assim: "Proibida a entrada a pessoas estranhas". Na verdade costuma dizer "Proíbida", com acento analfabeto no primeiro i, mas a pentelhice gramatical não é para aqui chamada. A questão é: pessoas estranhas!? Homens com três braços e apenas um testículo, será? Mulheres com duas cabeças e sentença nenhuma? Eduardo Cabrita? José Castelo-Branco? Extraterrestres manetas em trânsito para Las Vegas? Cavaco Silva? Um escuteiro adulto? João Paulo Rebelo, boneco de ventriloquia que fazia de secretário de Estado da Juventude e do Desporto? Putin e seus oligarcas russos? Comunistas portugueses? Benfiquistas satisfeitos? José Sócrates? José "Joe" Berardo? Lá está: pessoas estranhas.
Dá-me para pensar cada uma...