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quinta-feira, 2 de julho de 2026

Um ovni, que eu bem o vi!

Foto Hernâni Von Doellinger

Uma vez eu vi um disco voador. Vi, fotografei e publiquei - porque estas coisas são como as partes baixas, não se dizem, mostram-se. Lembro-me como se fosse no dia 14 de Janeiro de 2013, e foi. Apresentei  aqui no Tarrenego!, o meu blogue generalista, em exclusivo mundial, apresentei, dizia, o retrato indesmentível de um ovni pairando sobre o mar do Porto, do lado direito do Castelo do Queijo, com o Parque da Cidade pelas costas. Ninguém quis saber.
Semana e meia depois, o Correio da Manhã, jornal de todos os espantos e outros antiportismos, viu um ovni na América. Um ovni que, devidamente esmiuçado, não passava de "um raio resultante de um efeito luminoso" - assim explicado por especialistas. E no entanto, graças ao Correio da Manhã, o ovni americano que nunca existiu foi um sobressalto nacional. O Correio da Manhã faz tudo de uma coisa de nada. E faz nada com o que realmente importa.
Por isso o meu ovni passou incógnito. Até hoje. Não era Cascais, era no Porto, resvés com Matosinhos, e então ninguém ligou. Nem as agências internacionais nem o Correio da Manhã: não metia famosos ou outro tipo de charcutaria, portanto não interessava para nada. E assim desperdiçamos o pouco que vamos tendo, até o que nos cai do céu, e é por estas e por outras que este país não vai para a frente.
É o que eu estou farto de dizer: dá Deus ovnis a quem não tem dentes.
Eu sei bastante de ovnis, porque em Fafe havia às vezes.

Ora bem. Hoje é Dia Mundial do Ovni. Não sei bem porquê, o Dia Mundial do Disco Voador ou Dia Internacional do Disco Voador e Dia Mundial da Ufologia observa-se, por outro lado, no dia 24 de Junho, às tantas para armar confusão com os balões de São João. A fotografia lá de cima, fidedigna e eloquente, é um documento extraordinário: repare-se que o mar até descai para a direita, como o velho bilhar do extinto café Peludo, em Fafe, o que normalmente acontece no decurso destes raros avistamentos.

segunda-feira, 28 de novembro de 2022

Eu vi um ovni, e vi-o claramente visto

Foto Hernâni Von Doellinger

Uma vez eu vi um disco voador. Vi, fotografei e publiquei - porque estas coisas são como as partes baixas, não se dizem, mostram-se! Lembro-me como se fosse no dia 14 de Janeiro de 2013. Apresentei no Tarrenego!, em exclusivo mundial, o retrato indesmentível de um opni pairando sobre o mar do Porto, do lado direito do Castelo do Queijo, com o Parque da Cidade pelas costas. Ninguém quis saber.
Semana e meia depois, o Correio da Manhã, jornal de todos os espantos e outros antiportismos, viu um ovni na América. Um ovni que, devidamente esmiuçado, não passava de "um raio resultante de um efeito luminoso" - assim explicado por especialistas. E no entanto, graças ao Correio da Manhã, o ovni americano que nunca existiu foi um sobressalto nacional. O Correio da Manhã faz tudo de uma coisa de nada. E faz nada quanto a decoro, respeito e deontologia. Deixo de fora a compaixão, que realmente não é chamada aos jornais.
Já o meu opni passou incógnito. Não era Cascais, era no Porto, resvés com Matosinhos, e por isso ninguém ligou. Nem as agências internacionais nem o Correio da Manhã: não metia Pinto da Costa nem suicídios semelhantes, portanto não interessava para nada. E assim desperdiçamos o pouco que vamos tendo, até o que nos cai do céu, e é por estas e por outras que este país não vai para a frente.
É o que eu estou farto de dizer: dá Deus ovnis a quem não tem dentes.

P.S. - Hoje é Dia do Planeta Vermelho, por isso ponham-se à tabela. A fotografia lá de cima é fidedigna e eloquente: reparem que o mar até descai para a direita (há quem lhe chame lado da retrete), o que acontece normalmente com bilhares mal calçados e no decurso de avistamentos comprovados.

Eles andem mesmo aí!

Foto Hernâni Von Doellinger

Eles andem aí!

Foto Hernâni Von Doellinger

sábado, 23 de abril de 2022

Pessoas estranhas

E há aquele aviso, aquele pendurado nas vedações dos estaleiros de obras. Um aviso cheio de segurança, com capacete e botas de biqueira de aço, nem percebo como é que os trabalhadores morrem como tordos. E diz assim: "Proibida a entrada a pessoas estranhas". Na verdade costuma dizer "Proíbida", com acento analfabeto no primeiro i, mas a pentelhice gramatical não é para aqui chamada. A questão é: pessoas estranhas!? Homens com três braços e apenas um testículo, será? Mulheres com duas cabeças e sentença nenhuma? Eduardo Cabrita? José Castelo-Branco? Extraterrestres manetas em trânsito para Las Vegas? Cavaco Silva? Um escuteiro adulto? João Paulo Rebelo, boneco de ventriloquia que fazia de secretário de Estado da Juventude e do Desporto? Putin e seus oligarcas russos? Comunistas portugueses? Benfiquistas satisfeitos? José Sócrates? José "Joe" Berardo? Lá está: pessoas estranhas.
Dá-me para pensar cada uma...

domingo, 28 de novembro de 2021

Pessoas estranhas

E há aquele aviso, aquele pendurado nas vedações dos estaleiros de obras. Um aviso cheio de segurança, com capacete e botas de biqueira de aço, nem percebo como é que os trabalhadores morrem como tordos. E diz assim: "Proibida a entrada a pessoas estranhas". Na verdade costuma dizer "Proíbida", com acento analfabeto no primeiro i, mas a pentelhice gramatical não é para aqui chamada. A questão é: pessoas estranhas!? Homens com três braços e apenas um testículo, será? Mulheres com duas cabeças e sentença nenhuma? Eduardo Cabrita? José Castelo-Branco? Extraterrestres manetas em trânsito para Las Vegas? Cavaco Silva? Um escuteiro adulto? João Paulo Rebelo, boneco de ventriloquia que faz de secretário de Estado da Juventude e do Desporto? Pedro Proença, o vaidoso e incompetente presidente da Liga de futebol? Portistas satisfeitos? José Sócrates? José "Joe" Berardo? Lá está: pessoas estranhas.
Dá-me para pensar cada uma...

Alô, alô, marciano, aqui quem fala é da Terra!

Foto Hernâni Von Doellinger

Uma vez eu vi um disco voador. Vi, fotografei e publiquei - porque estas coisas são como as partes baixas, não se dizem, mostram-se! Lembro-me como se fosse no dia 14 de Janeiro de 2013. Apresentei no Tarrenego!, em exclusivo mundial, o retrato indesmentível de um opni pairando sobre o mar do Porto, do lado direito do Castelo do Queijo, com o Parque da Cidade pelas costas. Ninguém quis saber.
Semana e meia depois, o Correio da Manhã, jornal de todos os espantos e outros antiportismos, viu um ovni na América. Um ovni que, devidamente esmiuçado, não passava de "um raio resultante de um efeito luminoso" - assim explicado por especialistas. E no entanto, graças ao Correio da Manhã, o ovni americano que nunca existiu foi um sobressalto nacional. O Correio da Manhã faz tudo de uma coisa de nada. E faz nada quanto a decoro, respeito e deontologia. Deixo de fora a compaixão, que realmente não é chamada aos jornais.
Já o meu opni passou incógnito. Não era Cascais, era no Porto, resvés com Matosinhos, e por isso ninguém ligou. Nem as agências internacionais nem o Correio da Manhã: não metia Pinto da Costa nem suicídios semelhantes, portanto não interessava para nada. E assim desperdiçamos o pouco que vamos tendo, até o que nos cai do céu, e é por estas e por outras que este país não vai para a frente.
É o que eu estou farto de dizer: dá Deus ovnis a quem não tem dentes.

P.S. - Publicado originalmente no dia 24 de Janeiro de 2013. A fotografia lá de cima é fidedigna e eloquente: repare-se que o mar até descai para a direita, o que acontece normalmente com bilhares mal calçados e no decurso de avistamentos comprovados.

Eles andem aí 2

Foto Hernâni Von Doellinger

sexta-feira, 2 de julho de 2021

Para quem não acredita em discos voadores

Foto Hernâni Von Doellinger

Uma vez eu vi um disco voador. Vi, fotografei e publiquei - porque estas coisas são como as partes baixas, não se dizem, mostram-se! Lembro-me como se fosse no dia 14 de Janeiro de 2013. Apresentei no Tarrenego!, em exclusivo mundial, o retrato indesmentível de um opni pairando sobre o mar do Porto, do lado direito do Castelo do Queijo, com o Parque da Cidade pelas costas. Ninguém quis saber.
Semana e meia depois, o Correio da Manhã, jornal de todos os espantos e outros antiportismos, viu um ovni na América. Um ovni que, devidamente esmiuçado, não passava de "um raio resultante de um efeito luminoso" - assim explicado por especialistas. E no entanto, graças ao Correio da Manhã, o ovni americano que nunca existiu foi um sobressalto nacional. O Correio da Manhã faz tudo de uma coisa de nada. E faz nada quanto a decoro, respeito e deontologia. Deixo de fora a compaixão, que realmente não é chamada aos jornais.
O meu opni passou incógnito. Não era Cascais, era no Porto, resvés com Matosinhos, e por isso ninguém ligou. Nem as agências internacionais nem o Correio da Manhã: não metia Pinto da Costa nem suicídios semelhantes, portanto não interessava para nada. E assim desperdiçamos o pouco que vamos tendo, até o que nos cai do céu, e é por estas e por outras que este país não vai para a frente.
É o que eu estou farto de dizer: dá Deus ovnis a quem não tem dentes.

P.S. - Publicado originalmente no dia 24 de Janeiro de 2013. Hoje, 2 de Julho, é Dia Mundial do Ovni. A fotografia lá de cima é fidedigna e eloquente: repare-se que o mar até descai para a direita, o que normalmente acontece no decurso de avistamentos comprovados.

Pessoas estranhas

E há aquele aviso, aquele pendurado nas vedações dos estaleiros de obras. Um aviso cheio de segurança, com capacete e botas de biqueira de aço, nem percebo como é que os trabalhadores morrem como tordos. E diz assim: "Proibida a entrada a pessoas estranhas". Na verdade costuma dizer "Proíbida", com acento no primeiro i, mas a pentelhice gramatical não é para aqui chamada. A questão é: pessoas estranhas!? Homens com três braços e apenas um testículo, será? Mulheres com duas cabeças e sentença nenhuma? Eduardo Cabrita? José Castelo-Branco? Extraterrestres manetas em trânsito para Las Vegas? Cavaco Silva? Um escuteiro adulto? João Paulo Rebelo, boneco de ventriloquia que faz de secretário de Estado da Juventude e do Desporto? Portistas satisfeitos? José Sócrates? José "Joe" Berardo? Lá está: pessoas estranhas.
Dá-me para pensar cada uma...

terça-feira, 19 de julho de 2011

Elas andam aí

Não fazem ideia do que me aconteceu hoje. Estou aqui todo a tremer, como varas verdes, e já passaram mais de três horas. Estão a ver as minhas mããããoooossss?
Foi o seguinte: tive que me pôr a pé mais cedo para ir aí a um sítio e pouco depois das oito já estava na estrada. Chego aos primeiros semáforos, e o que é que eu vejo no carro logo à minha direita? Uma mulher ao volante. Olho para o carro da esquerda, e o que é que está lá dentro? Uma mulher ao volante. Procuro atrás, tento a salvação à frente, mas nada. Tanto quanto a minha vista alcança, em plena avenida, só mulheres ao volante! Novas, velhas e imprecisas. Bonitas, remediadas e camafeus. Não eram mulheres, eram milhares, milhões! A ralharem com o banco traseiro, a acompanharem com a cabeça o lá, lá, lá da telefonia, a falarem ao mesmo tempo por três telemóveis, a lerem nos entretantos a Dica da Semana e a fumarem... pelas orelhas?
Não acreditam? Experimentem ir para a rua a essa hora. Vão ver, é um autêntico filme de terror. De facto, ainda me passou pela cabeça que fosse uma invasão, que fossem extraterrestres disfarçados de mulheres. (Não se riam, que eu já vi na televisão). Mas não, eram mesmo elas.
É preciso que se note: eu não sei se elas até conduzem bem. Não sei se isso é possível. Quer-se dizer, elas são mulheres, não é? Mas eu, sou sincero, deu-me o badagaio.
Comecei a tremer, mais do que ainda tremo agora, o coração a palpitar, a acelerar e a ameaçar disparar-me do peito, que também já me doía, vieram-me ouras, vómitos e dores de barriga, suores frios e quentes, como os banhos, comichão pelo corpo todo, falta de ar e de dinheiro, ai que eu abafo!, ai que eu abafo! Ai que eu morro!, ai que eu morro! E, de fora de mim, consegui ver-me a morrer ali mesmo, numa poça de... numa poça de... suores mornos.
E a verdade é só uma: só não morri porque, antes de desfalecer em cheio contra o porta-luvas, ainda consegui juntar um restinho de forças para pedir à minha, num fiozinho de voz: "Ó mulher, vamos para casa, por favor! Vira para trás, vira para trás"...