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sábado, 16 de maio de 2026

terça-feira, 21 de abril de 2026

Intervenção siderúrgica

Submetido de urgência a uma intervenção siderúrgica, não sobreviveu, derivado a ferimentos e queimaduras de altíssimos e variegados graus. Quer-se dizer: a língua portuguesa é deveras traiçoeira... 

P.S. - O projecto de lei que previa o estabelecimento da indústria siderúrgica em Portugal foi apresentado ao Parlamento no dia 21 de Abril de 1914. No mesmo dia e mês, mas em 1961, foi inaugurada a Siderurgia Nacional, que passaria a consumir os minérios de ferro de Moncorvo, Orada e Cercal, vindo a assimilar ainda a gusa produzida pelos altos-fornos de Canas de Senhorim. Curiosamente, o Brasil assinala hoje o Dia do Metalúrgico.

sábado, 4 de janeiro de 2025

Português, taxista, 86 anos de idade

Foto Ivo Borges / O Minho

A notícia é de ontem, do jornal O Minho, e vendo-a pelo preço que a comprei:
"Um táxi desgovernado embateu numa carrinha, derrubou placas de sinalização, postes e iluminações de Natal e ainda embateu num edifício, na rua Dr. José Sampaio, em Guimarães, ao início da tarde desta sexta-feira.
Ao que O MINHO apurou no local, o taxista tem 86 anos, sendo um dos profissionais mais antigos na cidade. Terá tido um acidente na semana passada e trocou de carro. Por ainda não estar habituado à viatura ter-se-á atrapalhado com os pedais, acabando por levar tudo à frente.
O octogenário terá sofrido um ferimento ligeiro e recusou transporte ao hospital.
O acidente causou grande aparato no cidade.
A PSP registou a ocorrência."
Quer-se dizer: Portugal, século XXI, alguém a precisar ou a fazer questão de trabalhar aos 86 anos? E, ainda por cima, como taxista? E pode? E deixam? E é apenas "um dos profissionais mais antigos na cidade"? Há  mais, e mais antigos? Palavra de honra? Não me venham dizer que este país não é para velhos. E os novos, que fujam! Da frente...

sexta-feira, 22 de março de 2024

O dia da árvore (vir abaixo)

Foto Hernâni Von Doellinger

Afinal o dia da árvore é hoje, e não foi ontem, pelo menos para o carro do vizinho que acaba de levar com uma em cima. A prevaricadora é a árvore número 12, apenas duas adiante da minha, e finalmente começo a perceber porque é que elas agora são numeradas e etiquetadas. Assunção de responsabilidade civil. Já cá estão a polícia, os bombeiros e funcionários da autarquia, a área foi devidamente selada pelas autoridades forenses, a rua está cheia de mirones, turistas, romeiros e foliões. Há teorias e palpites. Para além das tradicionais poeiras africanas, anda por aqui uma praga de joaninhas e meia árvore desabou inopinadamente numa manhã sem vento. De podre terá caído - como o PS, por assim dizer. Já ouço as motosserras oficias. A 12 vai para lenha, e é muito bem feito. Espera-se a todo o momento a chegada da senhora presidenta da Câmara, da CMTV e da CNN. Matosinhos é uma festa!

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2024

Uma questão de potência


Mr. Bean estampou-se contra uma árvore. A cena tem piada, mas não é para rir. O comediante britânico Rowan Atkinson teve mesmo um acidente, em Agosto de 2011, e quase desfez o carro, que por acaso não era o Mini 1976 amarelo com volante removível e aloquete (cadeado, se lido em Lisboa) da famosa série de televisão, mas um McLaren F1 que, segundo leio, é caro que eu sei lá e dá mais de 380 à hora. Tento imaginar que 380 à hora deve ser muito à hora, à hora demais, mas não consigo, não faço ideia. A reparação do automóvel - se é que se pode chamar automóvel a este avião de calças curtas - custou à companhia de seguros mais de um milhão de euros. E eu também não sei quanto é um milhão de euros. Não faço ideia, por mais que tente imaginar.
A história tem muito que se lhe diga e realmente já tem barbas, mas a problemática que lhe subjaz está outra vez na ordem do dia, como adiante se verá.
A inveja é uma cena que não me assiste. Mr. Bean que tenha o carro que quiser e os jogadores de futebol também. Ganham bom e merecido dinheiro, melhor para eles. Que o gastem como quiserem e que gastem muito, que é óptimo para nós todos, até para as oficinas, seguradoras e outros intermediários - que eles espetam-se como tordos. Do fundo do coração, o que lhes estimo é o que lhes desejo. E que, com a graça de Deus, seja sempre só chapa. Mas, tenho de confessar, não percebo a queda desta gente para carros de mil à hora só para ir de casa ao café e do café para casa. Sabem o que se diz, aparentemente comprovado por estudos científicos: grande bomba, pila pequena? Pois se calhar. Não estudei para isso nem fui estudado, não faço a mínima. E mais até estou à vontade para falar sobre o assunto: não tenho carro e nem sequer sei conduzir...

P.S. - O primeiro jornal humorístico português foi lançado, em Lisboa, no dia 9 de Fevereiro de 1856. Chamava-se "Asmodeu" e há quem diga que afinal foi o segundo jornal humorístico português, a seguir ao "Suplemento Burlesco de O Patriota".

quinta-feira, 3 de agosto de 2023

Trabalhador de 72 anos...

Vejo nas notícias sobre a minha terra que um trabalhador de 72 anos morreu "em acidente de trabalho", numa obra. "Um cilindro que capotou e o trabalhador ficou por baixo", explicou ao JN o comandante dos Bombeiros de Fafe. Um trabalhador de 72 anos. Nas obras. Mas que raio de país somos?...

sexta-feira, 2 de junho de 2023

Uma questão de nível

Foto Hernâni Von Doellinger

Há passagens de nível. E outras sem categoria nenhuma...

P.S. - Hoje é Dia Internacional para a Segurança em Passagens de Nível.

sexta-feira, 5 de maio de 2023

As cadeiras de rodas e o código da estrada

Vai por aí uma alarido desgraçado por causa do homem que foi filmado a circular numa cadeira de rodas na Nacional 13, perto de Vila do Conde. Como se fosse uma novidade, como se estivesse ali mais uma daquelas extraordinarices inventadas pelo Correio da Manhã, que evidentemente tomou conta da ocorrência. Pois estão todos enganados: eu já falo aqui deste assunto pelo menos desde Novembro de 2011, e levei-o também ao meu Fafismos, acrescentado e livremente adaptado, há cerca de meio ano. Se não se lembram, eu repito. Até porque hoje é Dia Mundial do Trânsito e da Cortesia ao Volante, e vem a propósito. E era assim:

Há um novo perigo nas estradas portuguesas, e não falo de trotinetas. Há uma novo perigo nas estradas e são as cadeiras de rodas. Cadeiras de rodas eléctricas. As cadeiras. As cadeiras é que são eléctricas, as rodas não, são rodas normais, mas parece-me mal dizer cadeiras eléctricas de rodas, que é o que elas são realmente. Então, elas andam aí, são cada vez mais e cada vez mais metediças. Ainda no outro dia me apareceu uma disparada a atravessar, vamos um supor, a EN 206, em Arões, após a saída de Paçô Vieira, e só não acabou em desastre porque um de nós travou a tempo e não foi o condutor da cadeira. Cujo, aliás, agradeceu a sorte com um enorme sorriso (vá lá!) e não tinha capacete nem piscas.
As novas máquinas do asfalto alcançam a furiosa velocidade de 12 km/hora, o que não é brincadeira nenhuma para atravessar uma estrada nacional, fora de passadeira e saídas do nada. Ainda por cima está na moda o tuning, que transforma algumas delas em verdadeiras bombas, como a daquele brasileiro que uma vez foi apanhado pela polícia a mais de 60km/hora, depois de ter artilhado a sua cadeira de rodas com um motor de motorizada.
Creio que se impõe uma análise série e aprofundada ao fenómeno, em sede de. Sim, em sede de. Convoquem-se então os rapazes e eles que ajeitem uma comissão governamental e multidisciplinar com amplos poderes para remodelar o Código da Estrada, alterando, nomeadamente, a legislação referente às escolas de condução e introduzindo a especialidade de cadeiras de rodas. A sinalética de trânsito vigente terá de ser também revista e actualizada, não sendo de desprezar a possibilidade de implementar corredores específicos para cadeiras de rodas na rede de auto-estradas nacional. Com isenção de pagamento de portagens, evidentemente.

quarta-feira, 26 de outubro de 2022

Um ano negro para os artistas

O mundo estremeceu de comoção. E, se o mundo estremece, Portugal abana. Que tragédia, que cataclismo, que ano negro! Foi em 2016. Morreram, entre outros famosos mais-ou-menos, Prince, David Bowie, Leonard Cohen, George Michael, a Princesa Leia, e Bob Dylan ganhou o Prémio Nobel da Literatura.
A comunicação social portuguesa ficou em choque: um annus horribilis para os artistas, Deus nos abençoe e guarde! E escreveu-se, e escreveu-se, e escreveu-se...
Ora, artistas - em bom e antigo português - são também os nossos trolhas, os nossos pedreiros e os nossos carpinteiros, por exemplo. Artistas, assim se dizia e eu continuo a dizer. Conversei na ocasião com Albano Ribeiro, o eterno presidente do Sindicato da Construção de Portugal, que me contou o seguinte:
Trinta e nove (39) operários da construção civil morreram a trabalhar, em Portugal, naquele ano. E, em quatro meses, morreram seis (6) trabalhadores portugueses em obras por essa Europa fora, número grande em tempo de drástica redução de empreitadas e ainda sem estádios para construir no Catar.
Albano Ribeiro queria falar com os senhores jornalistas acerca deste e de outros assuntos relativos aos nossos artistas. Convidou a comunicação social portuguesa para uma conferência de imprensa que deveria realizar-se numa sexta-feira a uma hora cómoda. Ninguém apareceu.

P.S. - Hoje é Dia do Trabalhador da Construção Civil. No Brasil.

terça-feira, 12 de abril de 2022

Uma questão de potência

Mr. Bean estampou-se contra uma árvore. A cena tem piada, mas não é para rir. O comediante britânico Rowan Atkinson teve mesmo um acidente, em Agosto de 2011, e quase desfez o carro, que por acaso não era o Mini amarelo com aloquete (cadeado, se lido em Lisboa) da famosa série de televisão, mas um McLaren F1 que, segundo leio, é caro que eu sei lá e dá mais de 380 à hora. Tento imaginar que 380 à hora deve ser muito à hora, à hora demais, mas não consigo, não faço ideia. A reparação do automóvel - se é que se pode chamar automóvel a este avião de calças curtas - custou à companhia de seguros mais de um milhão de euros. E eu também não sei quanto é um milhão de euros. Não faço ideia, por mais que tente imaginar.
A história tem que se lhe diga e está muito bem contada na edição online do Expresso de ontem. De ontem. Foi em Agosto de 2011.
A inveja é uma cena que não me assiste. Mr. Bean que tenha o carro que quiser e os jogadores de futebol também. Ganham bom e merecido dinheiro, melhor para eles. Que o gastem como quiserem e que gastem muito, que é óptimo para nós todos, até para as oficinas, seguradoras e outros intermediários - que eles espetam-se como tordos. Do fundo do coração, o que lhes estimo é o que lhes desejo. E que, com a graça de Deus, seja sempre só chapa. Mas, tenho de confessar, não percebo a queda desta gente para carros de mil à hora só para ir de casa ao café e do café para casa. Sabem o que se diz: grande bomba, pila pequena? Pois se calhar. Não estudei para isso, não faço a mínima ideia. E mais até estou à vontade para falar sobre o assunto: não tenho carro e nem sequer sei conduzir...

P.S. - Publicado originalmente no dia 9 de Fevereiro de 2013. Hoje é Dia Nacional do Humorista. No Brasil.

terça-feira, 17 de novembro de 2020

De pé, ó vítimas da estrada!

Quase faleci derivado a um praticamente trágico equívoco rodoviário
Vamos supor que era a Grand Central Terminal de Nova Iorque e estávamos no quentinho do cinema. Mas na verdade estávamos em Vila do Conde à chuva e era um tanque público no quarteirão da Santa Casa da Misericórdia. Eu passando. Um carrinho de bebé sem condutor sai lentamente do lavadouro, primeiro em câmara lenta como nos filmes e depois, rapidamente embalado pela força da realidade, adeus passeio, vou para a estrada da morte que se faz tarde. Ia. Naquele momento exacto sinto o primeiro e único impulso de heroísmo de toda a minha vida, voo para o carrinho a pensar na CMTV, na TVI, no YouTube, em Marcelo Rebelo de Sousa, na medalha do 10 de Junho, na reforma vitalícia (pensa-se em muita merda numa fracção de segundos), rezo a Nosso Senhor e a Nossa Senhora e a Santiago, meu padrinho e protector, falta-me o ar de repente, é o coração que me entope cobardemente a garganta, as pernas tremem-me como varas verdes mas desta vez não falham, voo para o carrinho e agarro-o já no milagroso resvés com um Toyota Yaris que passa nas horas e me enche de nomes, mas é o menos. Graças a Deus. Respiro. A mãe grita, de mãos espetadas na cabeça desgrenhada, Ai o carrinho, e o pai berra Olha o carrinho, e dá mais uma puxa no paivante.
O carrinho?, interpelo eu e repito, mais fodido do que outra coisa, O carrinho? E a criança, caralho?, A criança?, as palavras saem-me aos soluços e eu preciso de uma cadeira para morrer ali sentado. Mas qual criança?, dizem-me os dois, com caras combinadas de quem me manda à merda com a senha número um e portanto sem cadeira, Qual criança?, e riem-se afinadíssimos da minha agonia. Tinham praticamente razão: olhei para o carrinho que mantinha nas mãos cerradas e aflitas, o bebé eram quatro passadeiras lavadas, enroladas e ainda pingantes - as quatro filhas da puta pelas quais eu só não faleci prematuramente porque sou um gajo cheio de sorte.  


Nota final. A famosa cena do carrinho de bebé descendo a escadaria, com a criança dentro, no meio do tiroteio, em "Os Intocáveis", de 1987, já tinha sido vista em "O Couraçado Potemkine", de 1925.

Espírito de contradição
Ao contrário de todos os outros ciclistas, ele gostava de correr da frente para trás. Provocava muita confusão e inúmeros acidentes, realmente, mas, lá está, cada um é como cada qual.

Perigo na estrada
Há um novo perigo nas estradas portuguesas: as cadeiras de rodas eléctricas. Elas andam aí, são cada vez mais e cada vez mais metediças. Ainda no outro dia me apareceu uma disparada a atravessar a EN 14, em Celeirós, Braga, junto ao nó para as auto-estradas, e só não acabou em desastre porque um de nós travou a tempo e não foi o condutor da cadeira. Cujo, já agora, agradeceu a sorte com um enorme sorriso (vá lá!) e não tinha capacete.
As novas máquinas do asfalto alcançam a velocidade furiosa de 12 km/hora, o que não é brincadeira nenhuma para atravessar uma estrada nacional, fora de passadeira e saídas do nada. Ainda por cima está na moda o tuning, que transforma algumas delas em verdadeiras bombas, como a daquele acelera brasileiro que, no ano passado, foi apanhado pela polícia a mais de 60km/hora, depois de ter artilhado a sua cadeira de rodas com um motor de motorizada.
Creio que se impõe uma análise série e aprofundada ao fenómeno, no seio de uma comissão governamental com amplos poderes para alterar, nomeadamente, a legislação referente às escolas de condução, introduzindo a especialidade de cadeiras de rodas, e o próprio Código da Estrada. A sinalética de trânsito vigente tem de ser revista e aumentada, não sendo de desprezar a possibilidade de implementar corredores específicos para cadeiras de rodas na rede de auto-estradas nacional. Com isenção de pagamento de portagens, evidentemente.

Isto das idades
O quarentão é a média de todos nós. O cinquentão começa a desconfiar da vida. O sexagenário passa a constar das notícias. O septuagenário anda em contramão na auto-estrada. O octogenário é porque se safou no acidente. O nonagenário quer que os quarentões, os cinquentões os sexagenários, os septuagenários e os octogenários se fodam e refodam. O centenário só se realiza de cem em cem anos, e está certo.

A crise salva vidas na estrada. O perigo é à mesa.
Os números reportam-se a 2012, tempo do Governo de Passos Coelho e Cavaco Silva. Segundo dados oficiais, nos primeiros três meses daquele ano morreram nas estradas portuguesas menos 50 pessoas do que em igual período de 2011. Especialistas contactados pelo jornal Público explicaram então que a diminuição da sinistralidade não significava uma maior consciencialização dos automobilistas, mas era uma consequência directa da crise financeira, que tirou ao pé-rapado dinheiro para a gasolina e para o passeio de braço de fora. De acordo com as últimas informações, o Governo de António Costa e Rebelo de Sousa estará agora a dar o seu melhor para reduzir a mortalidade rodoviária a zero. Infelizmente, o lado bom da crise também tem um lado mau: com as estradas tão seguras e às moscas, vamos provavelmente morrer à mesa. De fome.

Certidão de óbvio
As autoridades compareceram no local e confirmaram o óbvio: o morto já se encontrava cadáver. É daí que vem.

Nossa Senhora nos livre dos desastres em que nos metemos
Mas as excursões. Eram viagens épicas, cheias de cheirinho bom a merendeiro e muitas paragens para "mudar a água às azeitonas", enjoos e borracheiras de caixão à cova. Cheiravam também a gomitado, a  naftalina, a sapatos novos, a botas ensebadas de fresco, a chulé, a urina, a tabaco, a suor, a desodorizante Lander, a perfume barato, a brilhantina, a laca, a mundo. A coberto da noite soltavam-se uns traques enfeitados com risinhos solertes que ajudavam à festa. A camioneta avariava, pessoas perdiam-se. Cantava-se o "Treze de Maio", o "Queremos Deus" e "O carrapito da Dona Aurora". Rezava-se o terço ao passar a Ponte de Fão, sobre o rio Cávado, porque constava que a estrutura estava a cair de podre. Morreríamos todos muito bem. Na paz do Senhor...

É um perigo ter tanto cuidado
Nevoeiro no alto da A28, entre Viana do Castelo e Caminha. Um jovem casal pára o carro, sai com toda a calma, cada um por sua porta, e troca de lugares: ele toma conta do volante e ela vai para pendura. O carro arranca, anda pouco mais de um quilómetro, deixa o nevoeiro para trás e torna a parar. O jovem casal sai novamente com toda a calma, cada um por sua porta, e volta à primeira forma: ela ao volante e ele ao lado. Realmente, em plena auto-estrada todos os cuidados são poucos...

Requisitos necessários
Era um imprestável candidato a condutor de tuque-tuques. Nem sequer sabia tocar trombone de varas.

Uma ciclovia só para peões
É de uma utilidade extrema a ciclovia catitamente instalada no Passeio Atlântico da marginal de Matosinhos. É o último refúgio e única protecção dos peões contra as bicicletas que andam por todo o lado, pela ciclovia é que não. Mas ainda não morreu ninguém. Que eu saiba.

O agente da autoridade
- Boa tarde, senhor condutor.
- Boa tarde, senhor agente, mas eu não sou condutor...
- Pois. Documentos, se faz favor, senhor condutor...
- Que documentos, senhor agente? E, palavra de honra, eu não sou condutor...
- Pois. Carta de condução, se faz favor, senhor condutor...
- Não tenho, senhor agente. Porque a verdade é mesmo esta: eu não sei conduzir, eu nunca na vida conduzi, eu não sou condutor...
- Pois. Livrete, se faz favor, senhor condutor...
- Não tenho, senhor agente, eu nem sequer tenho carro. É como digo: eu não sou condutor...
- Pois. Seguro do veículo, se faz favor, senhor condutor...
- Não tenho, senhor agente. Nem veículo, já disse... E não sou condutor...
- Pois. Então, se faz favor, o que é que o senhor condutor está a fazer aí sentado?...
- Aqui sentado? Ó senhor agente, estou aqui na esplanada a apanhar um bocadinho de sol e a beber uns fininhos com este amigo...
- Pois. Ora vamos lá fazer o teste do balão, se faz favor...

P.S. - Domingo passado - o terceiro do mês - foi Dia Mundial em Memória das Vítimas da Estrada. De acordo com a Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária, em 2019 foram contabilizados em Portugal 35.704 acidentes com vítimas, que provocaram 626 mortos, 2.168 feridos graves e 43.183 feridos ligeiros.

sábado, 9 de fevereiro de 2013

Grande bomba, pila pequena?

Mr. Bean estampou-se contra uma árvore. A cena tem piada, mas não é para rir. O comediante britânico Rowan Atkinson teve mesmo um acidente, em Agosto de 2011, e quase desfez o carro, que por acaso não era o Mini amarelo com aloquete (cadeado, se lido em Lisboa) da famosa série de televisão, mas um McLaren F1 que, segundo leio, é caro que eu sei lá e dá mais de 380 à hora. Tento imaginar que 380 à hora deve ser muito à hora, à hora de mais, mas não consigo, não faço ideia. A reparação do automóvel - se é que se pode chamar automóvel a este avião de calças curtas - custou à companhia de seguros mais de um milhão de euros. E eu também não sei quanto é um milhão de euros. Não faço ideia, por mais que tente imaginar.
A história tem que se lhe diga e está muito bem contada na edição online do Expresso de ontem. De ontem. Foi em Agosto de 2011.
A inveja é uma cena que não me assiste. Mr. Bean que tenha o carro que quiser e os jogadores de futebol também. Ganham bom e merecido dinheiro, melhor para eles. Que o gastem como quiserem e que gastem muito, que é bom para nós todos, até para as oficinas, que eles espetam-se como tordos. Do fundo do coração, o que lhes estimo é o que lhes desejo. E que, com a graça de Deus, seja sempre só chapa. Mas, tenho que confessar, não percebo a queda desta gente para carros de mil à hora só para ir de casa ao café e do café para casa. Sabem o que se diz: grande bomba, pila pequena? Pois se calhar. Não estudei para isso, não faço ideia. E mais até estou à vontade sobre o assunto: não tenho carro nem sequer sei conduzir...

sexta-feira, 11 de maio de 2012

A crise salva vidas na estrada. O perigo é à mesa.

Segundo números oficiais, nos primeiros três meses de 2012 morreram nas estradas portuguesas menos 50 pessoas do que em igual período de 2011. Especialistas contactados pelo jornal Público explicam que esta diminuição não representa uma maior consciencialização dos automobilistas, mas é uma consequência da crise financeira, que tirou ao pé-rapado dinheiro para a gasolina. De acordo com as últimas informações, o Governo de Passos Coelho e Vítor Gaspar continua a dar o seu melhor para reduzir a mortalidade rodoviária a zero. Infelizmente, o lado bom da crise também tem um lado mau: com as estradas tão seguras e às moscas, vamos morrer à mesa.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Deus os guie, já que o motorista não sabe

Mais rápido que uma bala! Mais potente que uma locomotiva! Passou por mim, há bocado, na marginal de Matosinhos, voando para o fim do mundo. Seria um pássaro? Seria um avião? Seria o Super-Homem? Não! Era uma carrinha cinzenta. Uma carrinha cinzenta de transporte de crianças. Em excessíssimo de velocidade.