sábado, 16 de maio de 2026
Choque em cadeia
terça-feira, 21 de abril de 2026
Intervenção siderúrgica
Submetido de urgência a uma intervenção siderúrgica, não sobreviveu, derivado a ferimentos e queimaduras de altíssimos e variegados graus. Quer-se dizer: a língua portuguesa é deveras traiçoeira...
P.S. - O projecto de lei que previa o estabelecimento da indústria siderúrgica em Portugal foi apresentado ao Parlamento no dia 21 de Abril de 1914. No mesmo dia e mês, mas em 1961, foi inaugurada a Siderurgia Nacional, que passaria a consumir os minérios de ferro de Moncorvo, Orada e Cercal, vindo a assimilar ainda a gusa produzida pelos altos-fornos de Canas de Senhorim. Curiosamente, o Brasil assinala hoje o Dia do Metalúrgico.
domingo, 27 de julho de 2025
sexta-feira, 21 de março de 2025
sábado, 4 de janeiro de 2025
Português, taxista, 86 anos de idade
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| Foto Ivo Borges / O Minho |
A notícia é de ontem, do jornal O Minho, e vendo-a pelo preço que a comprei:
Ao que O MINHO apurou no local, o taxista tem 86 anos, sendo um dos profissionais mais antigos na cidade. Terá tido um acidente na semana passada e trocou de carro. Por ainda não estar habituado à viatura ter-se-á atrapalhado com os pedais, acabando por levar tudo à frente.
O octogenário terá sofrido um ferimento ligeiro e recusou transporte ao hospital.
O acidente causou grande aparato no cidade.
A PSP registou a ocorrência."
sexta-feira, 11 de outubro de 2024
sexta-feira, 22 de março de 2024
O dia da árvore (vir abaixo)
| Foto Hernâni Von Doellinger |
Afinal o dia da árvore é hoje, e não foi ontem, pelo menos para o carro do vizinho que acaba de levar com uma em cima. A prevaricadora é a árvore número 12, apenas duas adiante da minha, e finalmente começo a perceber porque é que elas agora são numeradas e etiquetadas. Assunção de responsabilidade civil. Já cá estão a polícia, os bombeiros e funcionários da autarquia, a área foi devidamente selada pelas autoridades forenses, a rua está cheia de mirones, turistas, romeiros e foliões. Há teorias e palpites. Para além das tradicionais poeiras africanas, anda por aqui uma praga de joaninhas e meia árvore desabou inopinadamente numa manhã sem vento. De podre terá caído - como o PS, por assim dizer. Já ouço as motosserras oficias. A 12 vai para lenha, e é muito bem feito. Espera-se a todo o momento a chegada da senhora presidenta da Câmara, da CMTV e da CNN. Matosinhos é uma festa!
sexta-feira, 9 de fevereiro de 2024
Uma questão de potência
Mr. Bean estampou-se contra uma árvore. A cena tem piada, mas não é para rir. O comediante britânico Rowan Atkinson teve mesmo um acidente, em Agosto de 2011, e quase desfez o carro, que por acaso não era o Mini 1976 amarelo com volante removível e aloquete (cadeado, se lido em Lisboa) da famosa série de televisão, mas um McLaren F1 que, segundo leio, é caro que eu sei lá e dá mais de 380 à hora. Tento imaginar que 380 à hora deve ser muito à hora, à hora demais, mas não consigo, não faço ideia. A reparação do automóvel - se é que se pode chamar automóvel a este avião de calças curtas - custou à companhia de seguros mais de um milhão de euros. E eu também não sei quanto é um milhão de euros. Não faço ideia, por mais que tente imaginar.
A história tem muito que se lhe diga e realmente já tem barbas, mas a problemática que lhe subjaz está outra vez na ordem do dia, como adiante se verá.
A inveja é uma cena que não me assiste. Mr. Bean que tenha o carro que quiser e os jogadores de futebol também. Ganham bom e merecido dinheiro, melhor para eles. Que o gastem como quiserem e que gastem muito, que é óptimo para nós todos, até para as oficinas, seguradoras e outros intermediários - que eles espetam-se como tordos. Do fundo do coração, o que lhes estimo é o que lhes desejo. E que, com a graça de Deus, seja sempre só chapa. Mas, tenho de confessar, não percebo a queda desta gente para carros de mil à hora só para ir de casa ao café e do café para casa. Sabem o que se diz, aparentemente comprovado por estudos científicos: grande bomba, pila pequena? Pois se calhar. Não estudei para isso nem fui estudado, não faço a mínima. E mais até estou à vontade para falar sobre o assunto: não tenho carro e nem sequer sei conduzir...
P.S. - O primeiro jornal humorístico português foi lançado, em Lisboa, no dia 9 de Fevereiro de 1856. Chamava-se "Asmodeu" e há quem diga que afinal foi o segundo jornal humorístico português, a seguir ao "Suplemento Burlesco de O Patriota".
quinta-feira, 3 de agosto de 2023
Trabalhador de 72 anos...
Vejo nas notícias sobre a minha terra que um trabalhador de 72 anos morreu "em acidente de trabalho", numa obra. "Um cilindro que capotou e o trabalhador ficou por baixo", explicou ao JN o comandante dos Bombeiros de Fafe. Um trabalhador de 72 anos. Nas obras. Mas que raio de país somos?...
sexta-feira, 2 de junho de 2023
Uma questão de nível
sexta-feira, 5 de maio de 2023
As cadeiras de rodas e o código da estrada
Vai por aí uma alarido desgraçado por causa do homem que foi filmado a circular numa cadeira de rodas na Nacional 13, perto de Vila do Conde. Como se fosse uma novidade, como se estivesse ali mais uma daquelas extraordinarices inventadas pelo Correio da Manhã, que evidentemente tomou conta da ocorrência. Pois estão todos enganados: eu já falo aqui deste assunto pelo menos desde Novembro de 2011, e levei-o também ao meu Fafismos, acrescentado e livremente adaptado, há cerca de meio ano. Se não se lembram, eu repito. Até porque hoje é Dia Mundial do Trânsito e da Cortesia ao Volante, e vem a propósito. E era assim:
Há um novo perigo nas estradas portuguesas, e não falo de trotinetas. Há uma novo perigo nas estradas e são as cadeiras de rodas. Cadeiras de rodas eléctricas. As cadeiras. As cadeiras é que são eléctricas, as rodas não, são rodas normais, mas parece-me mal dizer cadeiras eléctricas de rodas, que é o que elas são realmente. Então, elas andam aí, são cada vez mais e cada vez mais metediças. Ainda no outro dia me apareceu uma disparada a atravessar, vamos um supor, a EN 206, em Arões, após a saída de Paçô Vieira, e só não acabou em desastre porque um de nós travou a tempo e não foi o condutor da cadeira. Cujo, aliás, agradeceu a sorte com um enorme sorriso (vá lá!) e não tinha capacete nem piscas.
As novas máquinas do asfalto alcançam a furiosa velocidade de 12 km/hora, o que não é brincadeira nenhuma para atravessar uma estrada nacional, fora de passadeira e saídas do nada. Ainda por cima está na moda o tuning, que transforma algumas delas em verdadeiras bombas, como a daquele brasileiro que uma vez foi apanhado pela polícia a mais de 60km/hora, depois de ter artilhado a sua cadeira de rodas com um motor de motorizada.
Creio que se impõe uma análise série e aprofundada ao fenómeno, em sede de. Sim, em sede de. Convoquem-se então os rapazes e eles que ajeitem uma comissão governamental e multidisciplinar com amplos poderes para remodelar o Código da Estrada, alterando, nomeadamente, a legislação referente às escolas de condução e introduzindo a especialidade de cadeiras de rodas. A sinalética de trânsito vigente terá de ser também revista e actualizada, não sendo de desprezar a possibilidade de implementar corredores específicos para cadeiras de rodas na rede de auto-estradas nacional. Com isenção de pagamento de portagens, evidentemente.
quarta-feira, 26 de outubro de 2022
Um ano negro para os artistas
A comunicação social portuguesa ficou em choque: um annus horribilis para os artistas, Deus nos abençoe e guarde! E escreveu-se, e escreveu-se, e escreveu-se...
Ora, artistas - em bom e antigo português - são também os nossos trolhas, os nossos pedreiros e os nossos carpinteiros, por exemplo. Artistas, assim se dizia e eu continuo a dizer. Conversei na ocasião com Albano Ribeiro, o eterno presidente do Sindicato da Construção de Portugal, que me contou o seguinte:
Trinta e nove (39) operários da construção civil morreram a trabalhar, em Portugal, naquele ano. E, em quatro meses, morreram seis (6) trabalhadores portugueses em obras por essa Europa fora, número grande em tempo de drástica redução de empreitadas e ainda sem estádios para construir no Catar.
Albano Ribeiro queria falar com os senhores jornalistas acerca deste e de outros assuntos relativos aos nossos artistas. Convidou a comunicação social portuguesa para uma conferência de imprensa que deveria realizar-se numa sexta-feira a uma hora cómoda. Ninguém apareceu.
terça-feira, 12 de abril de 2022
Uma questão de potência
A história tem que se lhe diga e está muito bem contada na edição online do Expresso de ontem. De ontem. Foi em Agosto de 2011.
A inveja é uma cena que não me assiste. Mr. Bean que tenha o carro que quiser e os jogadores de futebol também. Ganham bom e merecido dinheiro, melhor para eles. Que o gastem como quiserem e que gastem muito, que é óptimo para nós todos, até para as oficinas, seguradoras e outros intermediários - que eles espetam-se como tordos. Do fundo do coração, o que lhes estimo é o que lhes desejo. E que, com a graça de Deus, seja sempre só chapa. Mas, tenho de confessar, não percebo a queda desta gente para carros de mil à hora só para ir de casa ao café e do café para casa. Sabem o que se diz: grande bomba, pila pequena? Pois se calhar. Não estudei para isso, não faço a mínima ideia. E mais até estou à vontade para falar sobre o assunto: não tenho carro e nem sequer sei conduzir...
terça-feira, 17 de novembro de 2020
De pé, ó vítimas da estrada!
Vamos supor que era a Grand Central Terminal de Nova Iorque e estávamos no quentinho do cinema. Mas na verdade estávamos em Vila do Conde à chuva e era um tanque público no quarteirão da Santa Casa da Misericórdia. Eu passando. Um carrinho de bebé sem condutor sai lentamente do lavadouro, primeiro em câmara lenta como nos filmes e depois, rapidamente embalado pela força da realidade, adeus passeio, vou para a estrada da morte que se faz tarde. Ia. Naquele momento exacto sinto o primeiro e único impulso de heroísmo de toda a minha vida, voo para o carrinho a pensar na CMTV, na TVI, no YouTube, em Marcelo Rebelo de Sousa, na medalha do 10 de Junho, na reforma vitalícia (pensa-se em muita merda numa fracção de segundos), rezo a Nosso Senhor e a Nossa Senhora e a Santiago, meu padrinho e protector, falta-me o ar de repente, é o coração que me entope cobardemente a garganta, as pernas tremem-me como varas verdes mas desta vez não falham, voo para o carrinho e agarro-o já no milagroso resvés com um Toyota Yaris que passa nas horas e me enche de nomes, mas é o menos. Graças a Deus. Respiro. A mãe grita, de mãos espetadas na cabeça desgrenhada, Ai o carrinho, e o pai berra Olha o carrinho, e dá mais uma puxa no paivante.
O carrinho?, interpelo eu e repito, mais fodido do que outra coisa, O carrinho? E a criança, caralho?, A criança?, as palavras saem-me aos soluços e eu preciso de uma cadeira para morrer ali sentado. Mas qual criança?, dizem-me os dois, com caras combinadas de quem me manda à merda com a senha número um e portanto sem cadeira, Qual criança?, e riem-se afinadíssimos da minha agonia. Tinham praticamente razão: olhei para o carrinho que mantinha nas mãos cerradas e aflitas, o bebé eram quatro passadeiras lavadas, enroladas e ainda pingantes - as quatro filhas da puta pelas quais eu só não faleci prematuramente porque sou um gajo cheio de sorte.
Ao contrário de todos os outros ciclistas, ele gostava de correr da frente para trás. Provocava muita confusão e inúmeros acidentes, realmente, mas, lá está, cada um é como cada qual.
As novas máquinas do asfalto alcançam a velocidade furiosa de 12 km/hora, o que não é brincadeira nenhuma para atravessar uma estrada nacional, fora de passadeira e saídas do nada. Ainda por cima está na moda o tuning, que transforma algumas delas em verdadeiras bombas, como a daquele acelera brasileiro que, no ano passado, foi apanhado pela polícia a mais de 60km/hora, depois de ter artilhado a sua cadeira de rodas com um motor de motorizada.
Creio que se impõe uma análise série e aprofundada ao fenómeno, no seio de uma comissão governamental com amplos poderes para alterar, nomeadamente, a legislação referente às escolas de condução, introduzindo a especialidade de cadeiras de rodas, e o próprio Código da Estrada. A sinalética de trânsito vigente tem de ser revista e aumentada, não sendo de desprezar a possibilidade de implementar corredores específicos para cadeiras de rodas na rede de auto-estradas nacional. Com isenção de pagamento de portagens, evidentemente.
As autoridades compareceram no local e confirmaram o óbvio: o morto já se encontrava cadáver. É daí que vem.
Era um imprestável candidato a condutor de tuque-tuques. Nem sequer sabia tocar trombone de varas.
- Boa tarde, senhor condutor.
- Boa tarde, senhor agente, mas eu não sou condutor...
- Pois. Documentos, se faz favor, senhor condutor...
- Que documentos, senhor agente? E, palavra de honra, eu não sou condutor...
- Pois. Carta de condução, se faz favor, senhor condutor...
- Não tenho, senhor agente. Porque a verdade é mesmo esta: eu não sei conduzir, eu nunca na vida conduzi, eu não sou condutor...
- Pois. Livrete, se faz favor, senhor condutor...
- Não tenho, senhor agente, eu nem sequer tenho carro. É como digo: eu não sou condutor...
- Pois. Seguro do veículo, se faz favor, senhor condutor...
- Não tenho, senhor agente. Nem veículo, já disse... E não sou condutor...
- Pois. Então, se faz favor, o que é que o senhor condutor está a fazer aí sentado?...
- Aqui sentado? Ó senhor agente, estou aqui na esplanada a apanhar um bocadinho de sol e a beber uns fininhos com este amigo...
quarta-feira, 22 de março de 2017
domingo, 31 de março de 2013
A ordem dos factores nem sempre é arbitrária
sábado, 9 de fevereiro de 2013
Grande bomba, pila pequena?
A história tem que se lhe diga e está muito bem contada na edição online do Expresso de ontem. De ontem. Foi em Agosto de 2011.
A inveja é uma cena que não me assiste. Mr. Bean que tenha o carro que quiser e os jogadores de futebol também. Ganham bom e merecido dinheiro, melhor para eles. Que o gastem como quiserem e que gastem muito, que é bom para nós todos, até para as oficinas, que eles espetam-se como tordos. Do fundo do coração, o que lhes estimo é o que lhes desejo. E que, com a graça de Deus, seja sempre só chapa. Mas, tenho que confessar, não percebo a queda desta gente para carros de mil à hora só para ir de casa ao café e do café para casa. Sabem o que se diz: grande bomba, pila pequena? Pois se calhar. Não estudei para isso, não faço ideia. E mais até estou à vontade sobre o assunto: não tenho carro nem sequer sei conduzir...




