Mostrar mensagens com a etiqueta troika. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta troika. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 13 de setembro de 2024

Por muitos e bons

Foto Hernâni Von Doellinger

Fernando Teixeira dos Santos, o encomendador da troika, faz hoje anos. O ministro das Finanças de José Sócrates nasceu no dia 13 de Setembro de 1951, portanto é só fazer as contas, como diria o Guterres. Eu não sabia o que havia de fazer a esta fotografia, e, pronto, está feito.

domingo, 6 de fevereiro de 2022

O dia em que o CDS acabou

Paulo Portas recuou. Afinal deixou passar a fronteira que "não podia deixar passar". Como quem não quer a coisa, Portas aceita que os portugueses pobres e velhos passem a comer merda, "excepcionalmente". O "cisma grisalho" é, vai-se a ver, apenas mais um belo sound byte para encaixilhar. Amanhã o ministro dos negócios submarinos irá se calhar à televisão explicar a problemática da concomitância. Estes aldrabões só não explicam Portugal. Na rua, por baixo da minha varanda, passa agora a procissão de velas do Senhor de Matosinhos, com muita gente, respeito e devoção. Reza-se o terço. E é o que nos resta - a oração: Senhor, fazei-lhes a cama. Livrai-nos dos filhos da puta, amém.

P.S. - Não. O CDS não morreu no passado domingo, esvaziado de votos às mãos do irrelevante Francisco Rodrigues dos Santos. Não. O CDS morreu no dia 12 de Maio de 2013, como então escrevi e está aí em cima, palavra por palavra, título e tudo. O CDS faleceu às mãos do enganador Paulo Portas, que trocatintou alarvemente na questão da taxa sobre as pensões, a mando de Passos Coelho e da troika. Não sou bruxo, mas foi realmente nesse dia que o CDS morreu. De lá até cá o que parecia o CDS era apenas um morto-vivo, uma lamentável alma penada que graças a Deus desaparece agora de vez. Descanse em paz!

quinta-feira, 12 de junho de 2014

Portugal de luxo, Portugal de lixo

Foto Hernâni Von Doellinger

Leio num site oficial do Governo de Portugal: "A Pousada do Porto, instalada no Palácio do Freixo, acabou de entrar na prestigiada e exclusiva rede The Leading Hotels of the World. Só os mais luxuosos, prestigiados e sofisticados hotéis são admitidos na referida listagem de apenas 430 unidades em todo o mundo."
Cheguei à exclusiva, luxuosa, sofisticada e duas vezes prestigiada novidade com meia dúzia de dias de atraso. Mas sei que em Janeiro as notícias diziam que Portugal tinha cinco hotéis na lista dos 100 melhores do mundo, e que, em 2012, era português o melhor hotel da Península Ibérica e o melhor pequeno hotel de luxo da Europa era em Lisboa. Em Portugal há mais de 40 hotéis de luxo.
Há também mais de três milhões de pobres, meio milhão de trabalhadores a salário mínimo, um milhão e meio de desempregados e milhares de sem-abrigo. No Portugal de lixo multiplicam-se os chalés de luxo como o da foto acima. Ontem, no espaço de menos de cem metros, passei por três. E só espero que os deixem ficar. É o que resta a estes desgraçados: a ilusão de terem um tecto.

domingo, 4 de maio de 2014

A tal saída limpa

Foto Hernâni Von Doellinger

São cada vez mais os portugueses que procuram a sobrevivência no fundo de um contentor do lixo. Sei, porque ando na rua. Ainda há bocado, de Matosinhos até à Foz, no Porto, passei por nove pontos de contentores de lixo: em seis deles estavam pessoas à cata dos nossos melhores restos. Não eram "drogados", nem "alcoólicos", nem "arrumadores" fora das horas de expediente - se querem saber. Eram pessoas como nós, certamente com mais azar na vida do que nós. Vi, por exemplo: uma família inteira, que podia ser a minha família; uma senhora arranjada e digna, puxando um carrinho de compras que ia compondo com critério, e podia ser a minha mãe; um cavalheiro com o velho orgulho alquebrado, que me olhou com olhos de pedir desculpa por necessitar, e quase posso jurar que ele era eu.
É. Portugal está pronto para a saída limpa. Os portugueses que afocinhem.

(O texto é do passado dia 26 de Abril - chamava-se Portugueses low-cost. A fotografia fi-la há um minuto, em honra de Passos Coelho na televisão.)

sábado, 26 de abril de 2014

Portugueses low-cost

São cada vez mais os portugueses que procuram a sobrevivência no fundo de um contentor do lixo. Sei, porque ando na rua. Ainda há bocado, de Matosinhos até à Foz, no Porto, passei por nove pontos de contentores de lixo: em seis deles estavam pessoas à cata dos nossos melhores restos. Não eram "drogados", nem "alcoólicos", nem "arrumadores" fora das horas de expediente - se querem saber. Eram pessoas como nós, certamente com mais azar na vida do que nós. Vi, por exemplo: uma família inteira, que podia ser a minha família; uma senhora arranjada e digna, puxando um carrinho de compras que ia compondo com critério, e podia ser a minha mãe; um cavalheiro com o velho orgulho alquebrado, que me olhou com olhos de pedir desculpa por necessitar, e quase posso jurar que ele era eu.
É. Portugal está pronto para a saída limpa. Os portugueses que afocinhem.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Gasta, gasta, que não é teu!

Relvas, o homem que mais percebe de televisão logo a seguir ao Macaco Adriano, foi ontem à RTP explicar que a RTP vai ter que sofrer uma "reestruturação profunda". Uma "reestruturação profunda" que, segundo o ministro que já não devia ser se tivesse vergonha na cara mas não tem, passará por "um processo ambicioso, muito exigente e doloroso". Vê-se logo que é coisa boa.
E a "reestruturação profunda" da RTP - diz o doutor da mula ruça - vai custar aos nossos bolsos, não aos bolsos dele, 42 milhões de euros, que eu não sei se é muito dinheiro ou se é pouco, porque os "milhões de euros" nunca me foram apresentados, só contribuo. Mas o Relvas sabe, milhões é com ele.
Penso é o seguinte: se uma "reestruturação profunda" da RTP fica por 42 milhões de euros, porque não fazer-se apenas um reestruturação superficial? Coisa para, vá lá, dois contos e quinhentos. Não era poupança?

domingo, 13 de janeiro de 2013

O cão, sempre o cão

O cão. O caso que emociona o País inteiro também tocou o coração sensível do alegado primeiro-ministro de Portugal. Pedro Passos Coelho já tem uma posição clara sobre o assunto, mas ainda não sabe qual é. Está à espera que a troika diga. Porque, lá está:

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Eu também acho que as chiclas estão caras

Conta o jornal Público: para atestar "o iminente colapso das farmácias", um farmacêutico de Guimarães mandou para a troika um "medicamento mais barato que pastilha elástica". Tem razão no protesto o "humilde" porém arguto boticário vimaranense - nada justifica que a pastilha elástica seja tão cara.

domingo, 18 de novembro de 2012

Ziguezagueador às sextas, repetitivo aos domingos

Luís Menezes, filho primogénito de Luís Filipe Menezes e vice-presidente da bancada do PSD na Assembleia da República, acusou António José Seguro de andar num "ziguezague permanente", criticando-o por mudar de posição sobre o memorando de ajuda externa todos os dias. Isto foi na sexta-feira.
Virgílio Macedo, deputado e presidente da distrital do PSD/Porto, acusou António José Seguro de ser "irresponsável" e criticou o "discurso demagógico e cansativamente repetitivo" do líder do PS. Isto foi hoje.
Seguro faz, portanto, o pleno: é um troca-tintas e toca sempre na mesma tecla. Ainda bem que o PSD fala assim afinadinho: senão, como é que nós íamos perceber? 

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Não era bem isto, mas também serve

Juro combater e erradicar esta "chaga", este "flagelo da nossa sociedade", disse o governante, solene e definitivo, comprometendo-se a uma "luta sem tréguas" para proteger os cidadãos, sobretudo "os jovens e trabalhadores". E acrescentou: "Temos de informar, temos de desincentivar, temos de criar mecanismos que conduzam as pessoas a abandonar este hábito".
E de que falava o nosso providente governante? Que chaga nos quer ele sarar? De que flagelo nos vai ele livrar? Será da pobreza galopante? Da fome cada vez para mais? Do desemprego generalizado? Da troika? Da Angela Merkel? Da austeridade amoral? Da corrupção política? Da política da corrupção? Da pedofilia? Dos atrasos na justiça? Dos atrasos nas consultas? Dos atrasos de vida? Do António José Seguro? Dos subsídios imoralmente pagos aos mil e quinhentos boys do PSD? Do analfabetismo? Do insucesso escolar? Dos falsos cursos universitários? Da violência doméstica? Do aborto clandestino? Do excesso de velocidade? Do liberalismo à Lagardère?
Não. O governante, ungido e obstinado, referia-se ao "tabagismo". Também está bem.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Portugal, um buraco muito arranjadinho

Foto Hernâni Von Doellinger

Angela Merkel diz que Portugal está a cumprir "de forma excelente" o chamado programa de ajustamento ou memorando. Ainda bem que a nossa crise está a correr assim tão bem; só é pena que esteja a correr assim tão mal. Depende do lado da crise em que estamos. Para quem está do lado de baixo, como eu, isto é um buraco sem fundo, não há nada que encaixe. Para quem está do lado de cima, Portugal é um buraco, sim senhor, mas muito jeitoso para obrar e entretém. Dá para fazer puzzle.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Ora batatas, senhores deputados

A farsa da "discussão" do Orçamento de Estado para 2013 terminou, graças a Deus. Como combinado, a coisa foi aprovada na generalidade - o que, parecendo que não quer dizer nada, significa que nos foderam mais uma vez. Olho raramente e por acaso para as bancadas do "Parlamento" e o que vejo é uma mal amanhada orquestra de analfabetos musicais que lá se vão desunhando e entendendo na técnica do contraponto, ora agora toco eu, ora agora tocas tu, e Portugal é o Titanic. A partitura é da troika.
Na escadaria de São Bento houve protesto popular, insultos aos deputados e intervenção da polícia. Um secretário de Estado chamado Marques Guedes disse que o direito à manifestação deve ser exercido sem violência. Eu digo que o direito à governação deve ser exercido sem violência. E com vaselina, se faz favor.
Relacionado: um relatório internacional revela que as alterações climáticas poderão levar à substituição da batata pela banana. Quer-se dizer: no Natal de daqui a um bocadinho se calhar até já vamos comer bananas cozidas com bacalhau - grande merda. Mas disto não falaram eles na Assembleia. E a mim interessava-me.

sábado, 15 de setembro de 2012

A porta da rua é a serventia da casa

É já um clássico. Pedro Passos Coelho a entrar pelas portas dos fundos, disfarçado de disfarçado, borrado de medo de enfrentar o povo. Foi assim ontem outra vez, numa fábrica de chocolates de Vila do Conde. Lá dentro, cheio de paredes e costas quentes, o alegado primeiro-ministro teve um tirada que lhe pode vir a ser fatal. Disse ele, mais lerdinho era impossível: "Aqueles que realmente se preocupam [com o País] não podem ficar em casa, não podem ficar envergonhados, não se podem retrair, têm que falar publicamente". Disse ele (ninguém o avisa da toléria?), na véspera das manifs marcadas para mais de 30 cidades, contra a troika e seus asseclas. Façamos-lhe então a involuntária vontade, ó gente preocupada: que ninguém fique hoje em casa, que ninguém se cale. Mais dia menos dia, será também pela porta dos fundos que Passos Coelho há-de sair. De vez.

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Pedimos desculpa por esta interrupção

O roubo dos subsídios de férias e de Natal aos funcionários públicos e pensionistas é inconstitucional, mas este ano nem por isso. Um vou ali e venho já do Estado de direito, em nome da troika, da execução orçamental e da meta do défice. E se défice não for cumprido, o dinheiro vai ser devolvido?

terça-feira, 3 de julho de 2012

Troika passa a reunir com Isabel dos Santos

Os responsáveis da troika estão fartos de falar com um Governo que não manda nada. "Para intermediários - dizem -, já bastamos nós". E na próxima visita a Portugal exigem reunir directamente com Isabel do Santos.

domingo, 10 de junho de 2012

Um campeão no país que encolhe os ombros

O jornal espanhol El País fez o balanço de um ano de troika em Portugal e concluiu que Pedro Passos Coelho é o "campeão da austeridade e das teses alemãs". Já o americano New York Times apostou numa análise social, chamando a atenção para "um povo que simplesmente encolhe os ombros, e segue em frente perante os cortes e o desemprego". Complementares e assertivos. Hoje é um triste 10 de Junho, que uma anafada senhora nos deixa celebrar por empréstimo. Entretanto pincha a bola.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Então porque é que isto está a correr tal mal? 3

De que fala Passos Coelho quando diz que a quarta avaliação da troika ao cumprimento do programa de assistência económica e financeira a Portugal decorreu "com bastante sucesso". Mas sucesso para quem quem? Se tudo afinal corre tão bem, porque é que os portugueses estão tão mal.

Então porque é que isto está a correr tão mal? 2

De que fala o ministro Vítor Gaspar quando diz que Portugal "cumpriu todos os critérios quantitativos e objectivos estruturais do quarto exame" da troika? Se tudo corre assim tão bem, então porque é que isto está a correr tão mal?

sábado, 12 de maio de 2012

Ó Pedro, vai à merda outra vez, que eu já fui

O alegado primeiro-ministro disse, à entrada para um almoço, que mantém as suas afirmações sobre a sorte grande que é o desemprego em Portugal e que "o País está um bocadinho cansado das crises artificiais e desta tentativa de distorcer e de aproveitar qualquer coisa para querer fazer uma tensão enorme". E a seguir espalhou-se ao comprido a distorcer tudo o que tinha afirmado na véspera. A distorcer, ele. A descontextualizar, ele. A falar em nome de um país que não conhece de lado nenhum, ele. A criar uma crise artificial, ele, que não faz a mínima ideia do que anda a fazer e se calhar até agradece que o ponham no olho da rua, a ele, que nos desgoverna mas já está governado.
Eu bem não quero dar parte de fraco, mas estas canalhices ofendem-me. Primeiro, Passos Coelho chamou-nos piegas, ontem chamou-nos calões e desempregados mal agradecidos, hoje quer chamar-nos burros. O que é que lhe fizeram em pequenino? O que é que esta gajo tem contra as pessoas? O que é que o representante da troika em Portugal tem contra os Portugueses?

Em defesa do alargamento

"Tempos difíceis estes os que vivemos", acabou por largar Quitério num longo suspiro, enfastiado com o raio da vida. Do outro lado do cimbalino mal tirado, Silveira, o chato, viu ali pé de conversa para dar e vender. E, sem contemplações, passou ao ataque:
- Exactamente, pá! Esta crise que nos sufoca, a ditadura da troika, o desemprego galopante, a falta de perspectivas de futuro...
- Nada disso...
- Eu percebo-te, pá! Crise de valores, queres tu dizer. Tens toda a razão, já não há valores, o que aí temos agora é uma juventude sem educação e sem respeito pelos mais velhos. No nosso tempo é que...
- Ó valha-me Deus...
- Sei aonde queres chegar, pá! Lá acima, estou a ver. É claro, já não há gente séria como antigamente. Saiu-nos na rifa esta cáfila de banqueiros arrivistas e políticos onzeneiros e trafulhas. É isso, não é?
- Não, pá! É o defeso, pá! O defeso! É este tempo todo sem futebolzinho! O defeso é uma seca...

(Publiquei este texto no dia 14 de Junho de 2011, ainda ninguém falava em alargamentos)