quarta-feira, 22 de julho de 2026
Dão-se alvíssaras
segunda-feira, 29 de junho de 2026
Mulheres nuas no Vaticano
Mas que grande desgraça! Que tragédia! O dia mais negro daquela terra! O ambiente só aliviou um bocadinho quando os jornalistas encontraram o cadáver do sobrevivente...
Uma vez o chefe mandou-me ligar ao Presidente da República, a todos os antigos presidentes da República vivos, ao primeiro-ministro, a todos os ex-primeiros-ministros vivos, ao presidente da Federação Portuguesa de Futebol, ao seleccionador nacional, que era o Scolari, aos presidentes e treinadores de FC Porto, Benfica e Sporting, ao Freitas do Amaral (já não me lembro como é que este apareceu na lista, mas ele aparecia sempre), ao cardeal-patriarca de Lisboa e... ao Papa. "Ao Papa?", perguntei eu, só para ter a certeza. "Sim, pá! Liga ao Papa! Queremos um depoimento do Papa sobre o desaparecimento da Maddie". Foi assim, palavra de honra, que o chefe me respondeu.
Portanto tinha de ligar ao Papa, que era Bento XVI. O resto era fácil, era como se já estivesse feito. Pelo prestígio, pelo rigor e seriedade, pela sua inatacável ética editorial, pelo respeito e admiração que impunha na sociedade portuguesa, o jornal onde eu trabalhava, e que só fazia merda, tinha praticamente linha directa com aquela gente toda. Agora, falar com Sua Santidade, isso, sim, seria um desafio, e ainda por cima eu estava muito mal visto no Vaticano, pelo menos desde 1987, quando lá fui com Cavaco Silva, no seu tempo de primeiro-ministro. É claro que eu podia enfiar-me no bar o dia inteiro a "tentar ligar ao Papa" e à hora do fecho da edição avisava o chefe, em Lisboa, de que "Não consegui, pá, desculpa, o gajo armou-se em difícil, não fala, eu ainda disse que ia da tua parte, mas nem assim o tipo se descoseu, sabes como são os alemães, teimosos do caralho". Porém, apesar da fama que faço render, eu não frequentava o bar.
Pensei então: o que é que há de mais parecido com o Papa e a que eu possa realmente chegar? E lembrei-me: o cardeal português D. José Saraiva Martins, que também estava em Roma como o outro, o Ratzinger, e creio que ainda era prefeito da Congregação para as Causas dos Santos. Meti as mãos ao caminho, fiz chamada atrás de chamada e ao fim da tarde consegui enfim falar com ele. Atendeu-me cheio de bondade e essessss nassss palavrassss. Conhecia o caso, sim, e deu-me a sua opinião numa conversa de quase um quarto de hora. Falou-me da menina desaparecida, disse-me que rezava por ela, mas lembrou, com lucidez e sabedoria, que é fundamental que os pais não se ponham a jeito (a expressão é minha) para que semelhantes tragédias aconteçam. Vós também percebeis, tal como eu percebi, para quem é que o nosso cardeal enviava este recado. Sim, para os estranhíssimos paizinhos da "pequena Maddie". E estranhíssimos também sou eu que digo.
No fim, D. José Saraiva Martins fez-me um pedido: "Olhe, depois mande-me o jornal, se faz favor". E eu mandei. O meu jornal era o 24horas. Exactamente. O jornal com fotografias de raparigas todas boas e as mamas ao léu. Deve ter sido um sucesso no Vaticano.
quinta-feira, 28 de maio de 2026
Uma palavra à esquina
Leporídeos
- Colhões ou coelhões?
- Testículos.
- E era preciso ser malcriado?...
A palavra apareceu-me à esquina pela pena do cronista Ferreira Fernandes, que eu tando respeito e admiro, embora lastime que ele tenha amouchado perante o, por assim dizer, novo acordo ortográfico - mas nem é aqui o caso. A palavra é "pissada" e foi há coisa de onze anos. Fiquei surpreendido, não a conhecia com aquele aspecto. Mas, escrita por quem foi, tive de a levar a sério (à séria, se lido em Lisboa). Andei então à procura dela e não a vi em sítio de respeito, em local de idoneidade gramatical que me obrigasse a pensar: sim, "pissada" é mesmo assim. Mas, pronto, que seja "pissada", porque, na verdade, encontrei duas ou três "pissas" em dicionários alternativos. Eu, porém, não vou por aí. Pela parte que me toca, continuarei a piçar com toda a potência, sem medo de que me achem malcriado ou tarado da cedilha. Piçarei, aliás, até que a vós vos doa. Dar uma piçada, levar uma piçada, deixemo-nos de hipocrisias, bem sabemos de onde é que a coisa vem. De resto, confundir "pissada" com piçada pode, consoante as circunstâncias, ser até caso de extrema gravidez.
Agora, soube outro dia pelo jornal Público que existe por aí um podcast suponho que de cultura e comédia que se chama "Livros da Piça". Olha, pensei eu, antes assim, porque, lá está, voltando à minha, "Livros da Pissa" não me pareceria tão bem.
Também acontece aos melhores
Os favoritos
E diz o comentador, no final do jogo do campeonato inglês: "Vitória mais que justa da equipa que não reunia qualquer tipo de favoritismo". Sim, é verdade, ele há favoritismos das mais variadas espécies. Mas quase nunca reúnem.
Ferreira Fernandes escreve de tudo, não por armanço idiota, mas porque verdadeiramente sabe de quase tudo. Escreve, por exemplo, de futebol, sem que lhe caiam as medalhas ao chão, e continua a ser um prazer lê-lo. O Barcelona e o Real Madrid, Messi e Cristiano Ronaldo, Guardiola e Mourinho devem-lhe, se calhar, os mais perfeitos textos que sobre eles foram escritos a nível mundial.
Abraço, Ferreira Fernandes."
h."
terça-feira, 21 de abril de 2026
Entre piçada e pissada, que escolha quem puder
sexta-feira, 17 de abril de 2026
Os rabilhos, sem menosprezo pelos outros
Quem é que ainda se lembra de ver a funcionar o velho Mercado de Peixe de Fafe, na Feira Velha, o nosso pequeno "Ferreira Borges"? A funcionar e a cheirar, isto é, a feder e a exabundar de moscas, que aquilo era um pivete que não se podia. Talvez por isso o povo o tenha adoptado como latrina pública, mesmo ali nas barbas da Câmara, durante a sua longa temporada de abandono.
Rabilhos. Os japoneses são malucos por rabilhos. E as notícias dão conta disso, de vez em quando. É um assunto que me interessa sobremaneira, isto dos rabilhos japoneses. Aqui atrasado, um atum com 278 quilos foi comprado por dois vírgula sete milhões de euros, em Tóquio evidentemente, no mercado de Toyosu, que substitui o famoso mercado de Tsukiji, que era o maior mercado de peixe do mundo e uma das principais atracções turísticas da capital japonesa. O atum em questão foi a grande estrela do sempre muito aguardado primeiro leilão de Ano Novo, e bateu, sem culpa nenhuma, todos os recordes. Sei disto tudo porque o jornal Público mo contou na altura. E o Público, por favor não confundir com o Correio da Manhã, conta muito bem estas e outras extraordinarices. Para além disso, o Correio da Manhã é em vermelho.
Meses antes, um atum com 162 quilos tinha sido vendido por 4,3 milhões de ienes (quase 33 mil euros), ainda no velho Tsukiji, no seu último leilão, a uma escassa semana de fechar portas. Um atum praticamente dado, em boa verdade. Com efeito, em Janeiro de 2013, sempre contado pelo jornal Público, atentíssimo a estas coisas até mais não, um atum gigante fora comprado, no mesmo mercado, pelo então preço recorde de 1,38 milhões de euros. O peixão pesava 222 quilos, ficando por isso a cerca de quatro mil e setecentos euros cada quilo, é só fazer as contas. O outro, o tal do Ano Novo, custou mais de dez mil euros o quilo. Ora passa-se o seguinte: aqui atrasado comprei um atum anão, cá em Matosinhos, na peixaria da Dona Augusta, por pouco mais de euro e meio, eu seja ceguinho, e mais fresco era impossível. Pesava quase três quilos, saiu-me a rondar os 50 cêntimos o quilo.
As notícias afirmam que o atum gigante japonês era "rabilho". O meu atum anão, sinceramente não sei. Mas também foi comido. Em bifinhos. De cebolada. E que bem que nos soube.
Não percebo se é a fartura que os desorienta, mas a verdade é que os japoneses são mesmo um bocado tolos nisto de compras. Em Julho de 2014 soube-se que um cacho com 34 uvas, cada bago a pesar cerca de 30 gramas, foi vendido pelo simbólico preço de quatro mil euros. As uvas eram da raríssima casta ruby roman. E eu? Ainda ontem comprei na frutaria aqui da rua um bom gaipelo com 15 bagos e dois pequeninos, e não paguei mais do que cinquenta e três cêntimos. Evidentemente não eram ruby roman, muitíssimo longíssimo disso. As minhas uvas eram colhão-de-galo e, se quereis que vos diga, fiquei muito bem servido...
(Do meu blogue Mistérios de Fafe. Hoje é Dia Mundial da Malbec. A Malbec, nascida em França, é a casta de uvas que melhor representa a alma vinícola da Argentina, dizem os entendidos.)
quinta-feira, 19 de março de 2026
Já me tinhas dito
Do tempo dos jornais
Era um homem muito antigo. Do tempo em que os jornais escreviam notícias. E ele percebia. Depois os jornais começaram a publicar vídeos. E ele deixou de perceber.
segunda-feira, 9 de março de 2026
Temos santo ou andam a brincar com o Tó-Zé?
sábado, 24 de janeiro de 2026
Seguro não esmaga ninguém
"Seguro esmaga Ventura na segunda volta...", diz o título do jornal de referência - e diz mal. António José Seguro não esmaga ninguém. Seguro é uma pessoa decente, esmagar não é do seu feitio, tem cara, aliás, de quem não faz mal a uma mosca. O outro sim, esse esmaga, pisa, calca, extermina, aniquila, destrói, pelo menos da boca para fora, e possivelmente também na vida real se lhe derem lanço. Os rapazes e as raparigas dos jornais, inclusive dos jornais de respeito, às vezes não sei o que lhes dá, parecem tolos e tolas, e ainda acabam por estragar o que está a correr tão bem. Cuidado, as sondagens não ganham eleições! Dia 8 de Fevereiro, é preciso ir lá pôr a cruzinha no sítio certo. Eu vou já no dia 1, só para indicar caminho.
quarta-feira, 14 de janeiro de 2026
Entre o dantesco e o dá-me lume
terça-feira, 13 de janeiro de 2026
Unicórnios e gazelas
domingo, 2 de novembro de 2025
Uma frase enigmática
Agora é assim. Uma pessoa famosa por ser famosa, equilibrada ou tola, por sistema ou em episódio, isso para o caso não interessa, escreve uma palermice qualquer sem sentido nem gramática nas redes sociais, os jornais apressam-se a "noticiar" que essa pessoa famosa por ser famosa, isto é, por dar nos jornais, publicou "uma frase enigmática". E publicam a "frase enigmática". Não se sabe o que é, ninguém sabe nem precisa de saber o que é, mas os jornais "metem" cá para fora. E nisto estamos.
domingo, 26 de outubro de 2025
No tempo dos jornais
quarta-feira, 30 de julho de 2025
A superioridade moral 2
terça-feira, 29 de julho de 2025
A superioridade moral
Admiro particularmente a "superioridade moral" dos que criticam a "superioridade moral" dos outros.
terça-feira, 20 de maio de 2025
O que precisa de saber
sexta-feira, 9 de maio de 2025
O Público pergunta
domingo, 20 de abril de 2025
Os portugueses divididos
De acordo com as sondagens, "serviço militar obrigatório e privatização da TAP são os temas que mais dividem os portugueses". As sondagens têm, como sempre, razão. Basta andar na rua, nos transportes, ir ao café, ao mercado, à missa ou à bola, e realmente não se fala de outra coisa: tropa e TAP.
