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sábado, 5 de outubro de 2024

Uma república das bananas

A questão foi pertinentemente colocada numa reportagem televisiva, aqui há uns anos, no tempo de Passos Coelho e de Cavaco Silva, ainda a pandemia se chamava troika, parece que já nos esquecemos. Que República queremos ter? Se me perguntassem a mim - mas a mim só me perguntam o caminho para o IKEA de Matosinhos -, se me perguntassem a mim, digo, eu tinha a resposta na ponta da língua: quero uma república das bananas. E das maçãs e dos pêssegos, do pão e do carapau, do frango de aviário e do leite, da massa de cotovelo e da água. Uma república republicana, com comida na mesa, até na mesa dos trabalhadores. E com trabalho para os trabalhadores. E com lugar para os imigrantes. E com casas para as pessoas. E com professores para os alunos. E com médicos para os doentes. E com ar para respirar. E com gente honesta no Governo. E com uma Assembleia limpa de fascistas e nazis. E com um presidente que seja da República.
É decerto por eu ter estas ideias malucas que ninguém me pergunta nada, a não ser o caminho para o IKEA de Matosinhos. É. Só os galegos desorientados é que querem saber a minha opinião...

Nós, os imigrantes

O meu pai foi emigrante, e nós - a minha mãe, os meus irmãos e eu - fomos quase emigrantes, só não abalámos porque entretanto o meu pai morreu de véspera, na emigração. Tive e tenho tios e tias e primos e primas emigrantes. Tenho sobrinhos emigrantes. Somos uma família de emigrantes, como Portugal é um país de emigrantes, estabelecidos pelos quatro cantos do mundo. Incomoda-me visceralmente o ódio e a estupidez que por aí medram contra os emigrantes como nós mas que vêm de fora, isto é, os imigrantes, como eram imigrantes os meus antepassados alemães e depois brasileiros, como são imigrantes todos os nossos emigrantes nos países onde trabalham. Mete-me nojo. E portanto, o seguinte, ó fascistas de carregar pela boca: "nem mais um", como vos mandam dizer e dizeis, a senhora que vos teve! E viva a República!

Viva a República! Viva Portugal!

Viva a República! Das bananas, das lagostas, dos camarões, dos tubarões, das tapas, das tipas, da cerveja, do café, da música, do livro, das letras, das tretas, dos bifes, dos camones, do reggae, de emaús, do churrasco, das francesinhas, da pequenada, das mamãs, da quarta geração, das flores, da saudade, dos sabores, do medo, do se7e, do oito, do direito, do esquerdo, da mafia, da glória, da carne, do petisco, dos cachorros, dos cucos, dos kágados e de todos os animais em geral. Viva! Viva a República! Vivam O Século Ilustrado, A Capital, o Diário Popular, o Diário de Lisboa, O Comércio do Porto e O Primeiro de Janeiro! Vivam! Vivam!, Vivam! Três vezes vivam!, e paz às respectivas almas...

Por outro lado: a Wikipédia faz notar que neste dia 5 de Outubro, em 1910, "Em uma revolução em Portugal, a monarquia é derrubada e uma república é declarada."
Portanto: viva também o escusado e falhado acordo ortográfico! E viva a nossa língua brasileira!