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sábado, 25 de abril de 2026

25 de Abril sempre!

Vinte e cinco de Abril sempre, nem que seja só às vezes. 

O defeito do 25 de Abril

O mal do 25 de Abril é ser só um dia. Uma efeméride.

Isto está perigoso

De repente parece que o 25 de Abril não presta. Parece que ser pelo 25 de Abril é defeito. Parece que fomos enganados durante estes anos todos a respeito do 25 de Abril. Parece que, afinal, o 25 de Novembro é que é bom. E parece que o 24 de Abril, que está aí outra vez, ainda é melhor. Caralho, meus senhores, isto anda realmente perigoso...

P.S. - Publicado originalmente no dia 26 de Novembro de 2023.

terça-feira, 13 de janeiro de 2026

O trabalhista Castro Mendes

25 de Abril sempre, nem que seja só às vezes.

Sei de um fafense antigo que, se fosse vivo, andaria ainda agora por aí todo contente a festejar de porta em porta a vitória dos Trabalhistas ingleses, embora as eleições já tenham sido há mais de meio ano. O famoso Castro Mendes de Travassós, o Velhinho, figura incontornável e carismática do antes e após 25 de Abril de 1974, desses intensos, gloriosos e dramáticos dias fafenses, era o nosso "trabalhista" de estimação e gritava "ganhámos!", "ganhámos!" sempre que o Labour vencia as eleições ou formava governo no Reino Unido, mesmo no tempo da outra senhora.
O nosso herói era "trabalhista" porque, sendo intrinsecamente salazarista, era trabalhador e pelos trabalhadores, isto é, pelo corporativismo fascista, o raciocínio pode parecer demasiado elaborado ou, por outro lado, simplista em excesso, mas não é, nem uma coisa nem outra. Vejamos: Trabalhistas portanto trabalhadores, viva Salazar!, e não era preciso ir mais longe.
A evangélica frase, na hora dos festejos, "Ide por esses tascos abaixo, comei, bebei e... pagai!" é historicamente atribuída a este extraordinário Castro Mendes, que eu ainda contactei no Liceu de Braga, onde ele era funcionário, se não estou em erro, e aliás acamaradei no seminário com um dos seus filhos.
O Velhinho era um figurão. Irredutível nas suas convicções, fiel aos seus inegociáveis princípios, toda a vida foi da situação, fosse qual fosse a situação. Ganhasse quem ganhasse, ele ganhava sempre, estava sempre ao lado dos vencedores. Era, a esse propósito, um intrépido praticante de varandismo e inflamado mandador de Vivas! Já no tempo da democracia, cheguei a vê-lo actuar na varanda do PS, em Fafe, pouco tempo depois de ter brilhado a média altura nas janelas do PSD. Para além disso, sabia muito bem o que fazia e porquê, tinha um enorme sentido de humor e eu achava-lhe um piadão.

O varandista Castro Mendes era irmão do professor António Castro Mendes, considerado uma das maiores autoridades nacionais no ensino do Português, Latim, Grego ou Aramaico. Eram muito parecidos fisicamente, na marotice e até na tessitura vocal, abrangente, metálica, megafónica. Antigo padre e pregador afamado, o Dr. Castro Mendes foi meu mestre e amigo no Liceu de Guimarães. Falava, cheio de orgulho, do seu "melhor aluno de sempre", que não era eu, obviamente, eu era uma nódoa a Latim, mas um "rapazinho" também de Fafe chamado Luís Marques Mendes e a quem o experimentado professor, há quase 50 anos, augurava um grande futuro, apontando-o aos lugares mais altos da Nação. E estava certo.

P.S. - Versão revista e aumentada, publicada no meu blogue Mistérios de Fafe. O Partido Trabalhista Independente foi fundado no dia 13 de Janeiro de 1893.

terça-feira, 25 de novembro de 2025

Os do 28 de Maio

Há os do 25 de Abril. E há os do 25 de Novembro. Uns são donos do 25 de Abril, os outros são donos do 25 de Novembro. E todos apresentam argumentos de propriedade sobre a data respectiva e coisa e tal, alguns por herança, outros por usucapião, uns tantos por revelação divina, certos e determinados por puro e simples assalto, sendo curioso notar que abundam, enfim, os que por acaso até dão para os dois lados. É a vida. Os do 25 de Abril cantam bonitas cantigas. Os do 25 de Novembro, regra geral, são do 28 de Maio. E estão de volta.

P.S. - Publicado originalmente no dia 24 de Novembro de 2024.

domingo, 26 de janeiro de 2025

A revolução tem dias

Conspiravam. Viviam numa satisfatória clandestinidade, numerados de Um a Doze. Mas tinham as suas fontes. Geralmente bem informadas. Eram os meados da década de setenta do século passado. Na reunião de Novembro, pela noute, em absoluto respeito pelas cautelas catacumbais religiosamente estabelecidas, desligaram o aparelho de televisão por alturas do TV 7, ligaram a telefonia no relato de um Espanha-Portugal em hóquei em patins para disfarçar, colocaram os óculos e apagaram a luz, esbarraram-se uns nos outros, partiram meia dúzia de chávenas e três copos, e os óculos, juntaram as múltiplas informações recolhidas à socapa no mundo exterior, assopraram-lhes cerimoniosamente o pó, decantaram-nas, apreenderam as entrelinhas, montaram o Puzzle, que era um cavalo malhado que dava para todos, mas à vez, pediram mais uma rodada de finos e quatro pires de tremoços, e concluíram que estavam prontos e imperiosos. "É preciso fazer o 25 de Abril!", anunciou o Número Um. "E para quando é que marcamos isso?", perguntou o Número Dois.

P.S. - O Movimento dos Capitães reuniu, no Estoril, no dia 26 de Janeiro de 1974. Foram definidos os objectivos políticos do futuro Programa do MFA.

terça-feira, 3 de dezembro de 2024

O novo Sidónio Pais

José Pacheco Pereira alertava, em Março de 2012, em Coimbra: "a cama está posta" para o surgimento de um novo Sidónio Pais montado num cavalo branco, populista e demagógico, que ponha em causa a democracia. O ambiente propício ao surgimento de alguém dessa natureza - frisou - "existe por todo o lado, na Internet, nos jornais, nos grafites" nas paredes.
"Isso é, quanto a mim, o maior risco para a nossa democracia. Não é tanto que haja um golpe militar, ou que haja uma tentativa autoritária", disse então Pacheco Pereira, fazendo notar que o ambiente de crise o favorece, com "uma forte deslegitimação do sistema político, dos políticos e dos partidos".
E que mais afirmava Pereira? Que democracia e demagogia "são completamente diferentes, mas muito parecidas", pois "ambas têm uma forte presença daquilo a que podemos chamar opinião popular", com a segunda a recorrer muito aos meios que a Internet propicia. E que "essa possibilidade demagógica e populista virá pela televisão, por alguém que será simpático para um número significativo de pessoas e que fale a linguagem antipolítica", salientando que tanto pode ser de direita como de esquerda e até pode passar por eleições.
"O populismo ganha eleições e depois governa-se sem lei ou com pouca lei. E como há uma grande desagregação do sistema judicial e uma grande desagregação da autoridade do sistema judicial, uma desagregação, no fundo, do primado da lei, está criada essa cama" - avisou.

Isto foi há doze anos, muito antes da pandemia e do estado a que chegámos. Confesso que, à época, eu ainda lia e ouvia Pacheco Pereira com um certo preconceito - estupidez minha - e até brinquei com o assunto. Repito: estupidez minha. No circo da análise jornalística, quero dizer, no mundo da opinião tutti frutti esparramada nos jornais, Pacheco Pereira é, na verdade, um oásis de lucidez e ponderação, um poço de sabedoria. Um abençoado destoante.
E clarividente. Em 2012, Pacheco Pereira acertava praticamente em cheio nos dias de hoje. Enganou-se, é certo, na arma - o novo Sidónio não será com certeza de Cavalaria -, mas o branco, o branco já lá estava. Branco e radiante.

sábado, 19 de outubro de 2024

Viva o 19 de Outubro!

Entre o 25 de Abril e o 25 de Novembro, eu festejo o 19 de Outubro. Abstenho-me da discussão idiota que por aí vai, uns que 25 de Abril, outros que 25 de Novembro, os alegados donos das datas apresentando documentação de propriedade, alguns por herança, outros por usucapião, outros ainda por puro e simples assalto, e finalmente uns tantos que, não desfazendo, por acaso até dão para os dois lados. Não. Eu fico-me pelo 19 de Outubro, pelo menos enquanto puder. E nem sequer espero que eles se entendam. Eles não se entendem.

domingo, 15 de setembro de 2024

O verdadeiro democrata

Sei de um fafense antigo que, se fosse vivo, andaria agora por aí todo contente a festejar de porta em porta a vitória dos Trabalhistas ingleses. O famoso Castro Mendes de Travassós, o Velhinho, figura incontornável e carismática do antes e após 25 de Abril, desses intensos, gloriosos e dramáticos dias fafenses, era o nosso "trabalhista" de estimação e gritava "ganhámos!", "ganhámos!" sempre que o Labour vencia as eleições ou formava governo no Reino Unido.
O nosso herói era "trabalhista" porque, sendo salazarista, era trabalhador e pelos trabalhadores, isto é, pelo corporativismo fascista, o raciocínio pode parecer demasiado elaborado ou, por outro lado, simplista em excesso, mas não é, nem uma coisa nem outra. Vejamos: Trabalhistas portanto trabalhadores, viva Salazar!, e não era preciso ir mais longe.
A evangélica frase, na hora dos festejos, "Ide por esses tascos abaixo, comei, bebei e... pagai!" é historicamente atribuída a este extraordinário Castro Mendes, que eu ainda contactei no Liceu de Braga, onde ele era funcionário, se não estou em erro, e aliás acamaradei no seminário com um dos seus filhos.
O Velhinho era um figurão. Irredutível nas suas convicções, fiel aos seus inegociáveis princípios, toda a vida foi da situação, fosse qual fosse a situação. Era um campeão da democracia. Ganhasse quem ganhasse, ele ganhava sempre, estava sempre ao lado dos vencedores. Era, a esse propósito, um intrépido praticante de varandismo e inflamado mandador de Vivas! Já no tempo da democracia, cheguei a vê-lo actuar na varanda do PS, em Fafe. Para além disso, sabia muito bem o que fazia e porquê, tinha um enorme sentido de humor e eu achava-lhe um piadão.
O varandista Castro Mendes era irmão do professor António Castro Mendes, considerado uma das maiores autoridades nacionais no ensino do Português, Latim, Grego ou Aramaico. Eram muito parecidos fisicamente, na marotice e até na tessitura vocal, abrangente, metálica, megafónica. Antigo padre e pregador afamado, o Dr. Castro Mendes foi meu mestre e amigo no Liceu de Guimarães. Falava, cheio de orgulho, do seu "melhor aluno de sempre", que não era eu, obviamente, eu era uma nódoa a Latim, mas um "rapazinho" também de Fafe chamado Luís Marques Mendes e a quem o experimentado professor, há quase 50 anos, augurava um grande futuro, apontando-o aos lugares mais altos da Nação. E estava certo.

P.S. - Publicado originalmente no meu blogue Fafismos, em Julho, sob o título "O trabalhista fafense", a pretexto do resultado das eleições no Reino Unido. Hoje é Dia Internacional da Democracia.

terça-feira, 26 de março de 2024

Parcídio Summavielle homenageado


Parcídio Summavielle será homenageado amanhã em Fafe, numa iniciativa da Comissão Promotora de Homenagem aos Democratas de Braga e da Comissão Executiva das Comemorações dos 50 anos do 25 de Abril em Fafe, com a colaboração do Município fafense. A sessão decorrerá no salão nobre do Teatro-Cinema de Fafe, a partir das 18 horas. De entre as diversas intervenções previstas, faço questão de destacar a de Ricardo Gonçalves, orador convidado.
Parcídio Summavielle, resistente antifascista, democrata, ex-presidente da Câmara de Fafe e indiscutível fafense excelentíssimo, é a figura-tema das comemorações dos 50 anos do 25 de Abril em Fafe. A homenagem de amanhã coincide com o aniversário natalício do homenageado. Como já aqui expliquei, com pelo menos um ano de avanço, amanhã é que é, com toda a propriedade, o Dia do Pi.

P.S. - Mais informação, aqui e aqui.

sexta-feira, 8 de março de 2024

Viva a Oposição!

Portugal devia ser governado pela Oposição. Porque na oposição é que os partidos de governo têm as melhores ideias e soluções para a saúde, para os professores, para a economia, para o ambiente, para a cultura, para a justiça, para a habitação, para as forças armadas, para a mobilidade e para os portugueses em geral. O pior que pode acontecer à Oposição é ir para a Posição. Varre-se-lhe tudo. É. O Governo é uma merda! Por isso a Oposição está muito bem onde está.

domingo, 3 de março de 2024

Agora, estragai!

Pronto! Está feito. Já votei. Eu e a minha mulher, em menos de três minutos, num ambiente organizado, simpático, agradável, uma mesa só com malta nova, bem disposta, competente, vantagens decerto do voto antecipado, como costumamos. Votei. Em consciência e devidamente informado. Isto é, sem a desinformação dos programas, dos debates, das entrevistas, dos comentários, das sondagens, dos tempos de antena, das arruadas, dos comícios, das redes sociais - que não vi, que não li, que não ouvi, que não acompanhei, que não sei, que não quero saber. Votei por um país que olha por todos e onde cabem todos, não o consigo dizer de forma mais simples e sincera. Por mim, está feito, e gostaria que agora me deixassem em paz. E não vos esqueçais de ir lá no próximo domingo e dar cabo disto tudo. Do país que vos deixei...

terça-feira, 23 de abril de 2019

Jorge de Lima 5

Democracia

Punhos
de redes embalaram o meu canto
para adoçar o meu país, ó Whitman.
Jenipapo coloriu o meu corpo contra os maus-olhados,
catecismo me ensinou a abraçar os hóspedes,
carumã me alimentou quando eu era criança,
mãe-negra me contou histórias de bicho,
moleque me ensinou safadezas,
massoca, tapioca, pipoca, tudo comi,
bebi cachaça com caju para limpar-me,
tive maleita, catapora e ínguas,
bicho-de-pé, saudade, poesia;
fiquei aluado, mal-assombrado, tocando maracá,
dizendo coisas, brincando com as crioulas,
vendo espíritos, abusões, mães-d'água,
conversando com os malucos, conversando sozinho,
emprenhando tudo o que encontrava,
abraçando as cobras pelos matos,
me misturando, me sumindo, me acabando,
apara salvar a minha alma benzida
e o meu corpo pintado de urucu,
tatuado de cruzes, de corações, de mãos ligadas,
de nomes de amor em todas as línguas de branco, de mouro ou pagão.


"Poemas Negros", Jorge de Lima

(Jorge de Lima nasceu no dia 23 de Abril de 1893. Morreu em 1953.)

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Estou mesmo a ver o filme 4

                                                                                     Foto Hernâni Von Doellinger

António Costa, presidente da Câmara de Lisboa e co-líder do PS, defende a regionalização como forma de "aproximar o poder das pessoas" e num contexto de "reforma do Estado". Rui Rio, ex-vice do PSD e de saída da Câmara do Porto, diz apenas que o "debate" é possível, mas... sem "paixões".

quarta-feira, 14 de março de 2012

O cavalo de Pacheco Pereira

Pacheco Pereira tem a mania de me desinquietar, logo a mim que estou aqui no meu canto e não faço mal a uma mosca. Mas de vez em quando ele sai-se com cada uma que só pode ser acto de provocação. Ontem, em Coimbra, o professor universitário, comentador político, social-democrata e tudo lançou o alerta de que "a cama está posta" para o surgimento de um novo Sidónio Pais montado num cavalo branco, populista e demagógico, que ponha em causa a democracia.
E que mais disse Pacheco? Que o ambiente propício ao surgimento de alguém dessa natureza "existe por todo o lado, na Internet, nos jornais, nos grafites" nas paredes. Que democracia e demagogia "são completamente diferentes, mas muito parecidas", pois "ambas têm uma forte presença daquilo a que podemos chamar opinião popular", com a segunda a recorrer muito aos meios que a Internet propicia. E que "essa possibilidade demagógica e populista virá pela televisão, por alguém que será simpático para um número significativo de pessoas e que fale a linguagem antipolítica".
Ora bem: Pacheco Pereira é uma das estrelas maiores da Internet indígena, é colaborador regular da imprensa escrita, tem um programa de televisão e participa noutro, é demagogo quanto baste e às vezes "antipolítico", há quem o ache simpático, tirou o curso do grafito no PCP (m-l)... quer-se dizer, o homem só podia estar a falar de si próprio. Estava a avisar-nos para o perigo que pensa que é. É ele o Sidónio. É ele o do cavalo - do cavalo de Tróia em que já anda metido há que tempos. Mas isto não é doentio?

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

E a culpa é da democracia?

Os portugueses estão cada vez mais descontentes com a democracia que têm. Apenas pouco mais de metade dos cidadãos (56 por cento) acreditam que este é o melhor sistema político, de acordo com um estudo coordenado por António Costa Pinto, Pedro Magalhães, Luís de Sousa e Ekaterina Gorbunova. Mais grave: 15 por cento dos inquiridos consideram que, em determinadas circunstâncias, é preferível um Governo autoritário.
A falta de confiança nos políticos/Governo é apontada como o maior defeito da democracia em Portugal (19 por cento dos inquiridos). Seguem-se-lhe a ineficácia dos governantes (11 por cento), as desigualdades sociais (10 por cento) e a corrupção (10 por cento).
O inquérito foi realizado em Julho do ano passado. Imaginem que o faziam agora. Creio que a democracia seria despedida, por indecente e má figura. E aqui é que bate o ponto: é que a coitada não tem culpa. É preciso muita sem-vergonha para lhe atirar pedras, com o povo que somos e os políticos que temos.