Mostrar mensagens com a etiqueta Público. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Público. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 24 de julho de 2026

Por encabação

Matematicamente
Eram números primos. Direitos. Por parte das mães.

Por encabação. A expressão é bondosamente maliciosa e antiga, muito fafense, e dizia respeito à pessoa que entrava na família por casamento. Por exemplo, alguém que passava a ser nossa tia porque casou com o nosso tio natural, irmão do nosso pai ou da nossa mãe. Era então nossa tia, por encabação - assim o afirmávamos, sem ofensa. Porém. Aprendi outro dia no jornal Público, numa crónica de Pedro Garcias, sábio de vinhos e de outras vidas, que lá para os seus lados, Trás-os-Montes e Douro, suponho, "as gentes do campo" dirão "por encabadouro", querendo significar a mesma coisa. Também está bem. Mas nós, os do fafês, que não haja dúvidas, era mesmo por encabação!

(Do meu blogue Mistérios de Fafe. Hoje é Dia dos Primos.)

quinta-feira, 28 de maio de 2026

Uma palavra à esquina

Leporídeos
- Colhões ou coelhões?
- Testículos.
- E era preciso ser malcriado?...

A palavra apareceu-me à esquina pela pena do cronista Ferreira Fernandes, que eu tando respeito e admiro, embora lastime que ele tenha amouchado perante o, por assim dizer, novo acordo ortográfico - mas nem é aqui o caso. A palavra é "pissada" e foi há coisa de onze anos. Fiquei surpreendido, não a conhecia com aquele aspecto. Mas, escrita por quem foi, tive de a levar a sério (à séria, se lido em Lisboa). Andei então à procura dela e não a vi em sítio de respeito, em local de idoneidade gramatical que me obrigasse a pensar: sim, "pissada" é mesmo assim. Mas, pronto, que seja "pissada", porque, na verdade, encontrei duas ou três "pissas" em dicionários alternativos. Eu, porém, não vou por aí. Pela parte que me toca, continuarei a piçar com toda a potência, sem medo de que me achem malcriado ou tarado da cedilha. Piçarei, aliás, até que a vós vos doa. Dar uma piçada, levar uma piçada, deixemo-nos de hipocrisias, bem sabemos de onde é que a coisa vem. De resto, confundir "pissada" com piçada pode, consoante as circunstâncias, ser até caso de extrema gravidez.

Agora, soube outro dia pelo jornal Público que existe por aí um podcast suponho que de cultura e comédia que se chama "Livros da Piça". Olha, pensei eu, antes assim, porque, lá está, voltando à minha, "Livros da Pissa" não me pareceria tão bem.

(Do meu blogue Mistérios de Fafe)

terça-feira, 21 de abril de 2026

Entre piçada e pissada, que escolha quem puder

A palavra apareceu-me à esquina pela pena do cronista Ferreira Fernandes, que eu tando respeito e admiro, embora lastime que ele tenha amouchado perante o, por assim dizer, novo acordo ortográfico. A palavra é "pissada". Andei à procura dela e não a vi em sítio de respeito, em local de idoneidade gramatical que me obrigasse a pensar: sim, "pissada" é mesmo assim. Mas, pronto, que seja "pissada", porque, na verdade, encontrei duas ou três "pissas" em dicionários alternativos. Eu, pela parte que me toca, continuarei a piçar com toda a potência, sem medo de que me achem malcriado ou tarado da cedilha. Piçarei, aliás, até que a vós vos doa. Dar uma piçada, levar uma piçada, deixemo-nos de hipocrisias, bem sabemos de onde é que a coisa vem. De resto, confundir "pissada" com piçada pode, consoante as circunstâncias, ser até caso de extrema gravidez.

Este textinho escrevi-o aqui em Setembro de 2015, título incluído. Onze anos passados, quase, o jornal Público acaba de revelar-me a existência de um podcast que se chama "Livros da Piça", e antes assim, porque, lá está, "Livros da Pissa" não me pareceria tão bem.

domingo, 29 de março de 2026

O PS em mudança 10

"A lista única à Comissão Nacional foi eleita com 88,9% de votos a favor, 6,1% contra e 4,9% em branco. A Comissão Nacional de Jurisdição teve uma votação favorável de 92,78% dos delegados com direito de voto, 2,82% contra e 4,4% em branco.", Público.

O PS em mudança 9

"Carneiro integra Ana Jorge, Luísa Salgueiro e Eduardo Cabrita na comissão nacional", Público.

segunda-feira, 9 de março de 2026

Temos santo ou andam a brincar com o Tó-Zé?

A escolha das fotografias nos jornais não é inocente. Nos últimos dias, o Público publicou pelo menos três vezes uma curiosa foto de António José Seguro. É o retrato abaixo, à esquerda de quem lê. Ao lado, a imagem de São Domingos Sávio, padroeiro dos adolescentes, dos meninos do coro, das pessoas que sofrem falsas acusações e das grávidas.


Esse textinho aí de cima, com aquele título e tudo, publiquei-o aqui no dia 5 de Outubro de 2012, era António José Seguro o líder a prazo do Partido Socialista, contestado, traído e gozado, até pela comunicação social. Nem de propósito, ou por ironia do destino, hoje é Dia de São Domingos Sávio e Seguro toma posse como Presidente da República.

quinta-feira, 23 de outubro de 2025

Não coma, fotografe! (e verá que emagrece)

As melhores intenções
De boas intenções está o frigorífico cheio. Depois, evidentemente, é preciso saber cozinhar.

O jornal Público ensinou-nos o que se deve fazer quando "um prato absolutamente fenomenal (ou não tão fenomenal assim) chega à mesa". Foi aqui atrasado, mas vale a pena relembrar. E então como é que é dado fazer? O que fica bem, hoje em dia? "Come-se? Não, primeiro fotografa-se". E coloca-se no Instagram. Isso. Foi o que o jornal mandou. Depois, suponho, mas isto já sou eu a dizer, pede-se a continha, paga-se sem comer, porque a comida entretanto ficou fria, sai-se de casa ou do restaurante chique, enfia-se o boné até às orelhas e vai-se à Esquiça enfardar duas ou três doses de tripas, bem quentinhas, tão em conta, tão comidinha simples, de confiança, previsível, maravilhosamente monótona e humilde, dispensando, por isso, retratos, emojis e outras peneirices. Eu não sei o que é o Instagram (aliás cuidava que se chamava Instragam e só mudei de ideias ainda agora, depois do computador me corrigir cinco vezes), e nem me aquece nem me arrefece que pensem que estou a mangar. Sei é de cozinha, de comida, e de jornalismo também dou uns toques, modéstia à parte.
Quem escreve sobre gastronómicas matérias no excelente jornal da Sonae vê-se que tem inúmeros mestrados e consideráveis doutoramentos em Técnicas de Titulagem, mas também se percebe que é gente que só entra na cozinha para perguntar à mãezinha "o que é o comer". Não nego à partida que estas senhoras e estes senhores jornalistas sejam experts em lasanha pré-cozinhada do Lidl ou em rissóis e bolinhos de bacalhau congelados do Pingo Doce, posto que o patrão, também dono do Continente, não saiba. Falta-lhes é o resto, a basezinha, como diria o nosso Eça, que, esse sim, sabia de mesa.
Vamos supor: um prato realmente "absolutamente fenomenal" como, para não irmos mais longe, um arrozinho de grelos com fanequinhas fritas, à moda do que se fazia em Fafe e eu faço cá em casa. Chega à mesa e tira-se-lhe fotografias - deste e daquele lado, do direito e do avesso, de ângulo aberto ou fechado, visto de cima ou de baixo, de luz acesa ou com flache, esperando que o vapor se evapore, que só embacia - em vez de se lhe garfar com toda a galhardia? Então vou explicar o que se passa neste ínterim: o malandro do arroz coalha, fica arroz de hospital, como lhe chamávamos, argamassa de atirar às paredes, e as fanecas, esse peixinho tão honesto e merecedor, esfriam, perdem a graça, afeiam-se, desapetitam-nos. Uma calamidade!
E atenção que as fanequinhas frias ainda vá lá, mas no tasco e no Verão. E verão que tenho razão (esta veia poética que não me larga), quando um dia perderem a cabeça e experimentarem, o Verão e o tasco. Já o arroz segue directamente para o balde do lixo, tamanha dor de alma ainda por cima nestes tempos agrestes de cotão nos bolsos e tanta fome na rua.
Também é verdade: há pratos que são como a vingança, devem ser servidos frios, e por isso até se chamam pratos frios. E estes podem ser fotografados à vontade, à moda das sessões de casamento, quero dizer, entre as oito da manhã e as seis da madrugada do dia seguinte, sempre a dar-lhe. Quanto ao resto, se for possível, ficai quietos! Creio que posso dizer melhor: respeitosamente, comei fotografias à vontade se, tipo, vos souber bem, se vos fizer bem, ele há dietas para todos os gostos e de todos os feitios, mas, e este é o limite, a famosa linha vermelha, não me instagreis a comidinha a sério (à séria, se por azar lido em Lisboa).
Já agora, para os mesmos: um tasco é um tasco. Uma tasca ou uma tasquinha são outra coisa...

A este respeito e outros. Gosto muito do seguinte poema de Álvaro de Campos (Fernando Pessoa), que faço questão de partilhar:

Dobrada à moda do Porto

Um dia, num restaurante, fora do espaço e do tempo,
Serviram-me o amor como dobrada fria.
Disse delicadamente ao missionário da cozinha
Que a preferia quente,
Que a dobrada (e era à moda do Porto) nunca se come fria.

Impacientaram-se comigo.
Nunca se pode ter razão, nem num restaurante.
Não comi, não pedi outra coisa, paguei a conta,
E vim passear para toda a rua.

Quem sabe o que isto quer dizer?
Eu não sei, e foi comigo...

(Sei muito bem que na infância de toda a gente houve um jardim,
Particular ou público, ou do vizinho.
Sei muito bem que brincarmos era o dono dele.
E que a tristeza é de hoje).

Sei isso muitas vezes,
Mas, se eu pedi amor, porque é que me trouxeram
Dobrada à moda do Porto fria?
Não é prato que se possa comer frio,
Mas trouxeram-mo frio.
Não me queixei, mas estava frio,
Nunca se pode comer frio, mas veio frio.

sábado, 20 de setembro de 2025

E os direitos de autor?

Pedro Duarte, que vai pelo PSD à Câmara do Porto, diz que Manuel Pizarro, que vai ao mesmo mas pelo PS, é um "candidato Remax". Foi numa entrevista ao jornal Público. Candidato Remax. A expressão até tem piada, mas não é original. Eu usei-a primeiro, aqui no Tarrenego!, nas autárquicas de 2021, e ninguém me bateu palmas.

segunda-feira, 2 de junho de 2025

O Musk de Gouveia e Melo

Foto Manuel Fernando Araújo / Lusa / Público

Diz-se agora que Mário Ferreira, dono da Douro Azul, patrão da TVI/CNN e de mais umas boas dúzias de empresas, turista espacial e um dos homens mais ricos de Portugal, é o "padrinho" da candidatura presidencial de Gouveia e Melo e "está sempre ao lado" do almirante. É a vida. Cada um tem o Elon Musk que merece.

terça-feira, 20 de maio de 2025

O que precisa de saber

"Cancro da próstata agressivo: o que precisa de saber sobre a doença de Joe Biden", propõe o título do jornal Público. E a verdade é só uma: no assunto em questão, "a doença de Joe Biden", eu não "preciso" de saber mais nada, "cancro da próstata agressivo", eu percebi. Mas quê? Com todos os partidos a quererem ser iguais ao Chega, incluindo o PSD, parece que também todos os jornais querem ser iguais ao Correio da Manhã, incluindo o Público. Depois, queixem-se!

sexta-feira, 9 de maio de 2025

O Público pergunta

No seu extraordinário "Dating eleitoral 2025", o jornal Público pergunta aos seus leitores: "Com que partido sairia para jantar?" E eu pergunto: como é que se sai para jantar com um partido? E é lombo de porco assado, como o costume? O Público, às vezes, palavra de honra...

sábado, 8 de fevereiro de 2025

Jornais, eram bons mas acabou-se?

"Público vence 11 prémios European Newspaper Award", anunciou o jornal Público. "Expresso vence 14 prémios no European Newspaper Award", anunciou o jornal Expresso. "Diário vence dois prémios no European Newspaper Award", anunciou o Diário de Notícias, da Madeira. Quer-se dizer. Eu não sei se prémios distribuídos urbi et orbi e à dúzia são mesmo para levar a sério, mas, se por acaso forem, não é uma peninha que os jornais portugueses, regra geral assim tão bons, estejam todos para fechar?...

quarta-feira, 20 de maio de 2020

Homens que vestem boxers

Um estudo de cientistas americanos publicado há coisa de dois anos na revista Human Reproduction considerava que os homens que normalmente vestem boxers têm mais espermatozóides. A ideia já tem barbas, mas a palpitosa notícia foi-me então dada pelo nosso jornal Público, sempre atento a estas extraordinarices. Não me vou dar ao trabalho de procurar, mas tenho a certeza de que o estudo científico em questão contradiz um outro estudo científico, americano evidentemente, que prova que os boxers prejudicam os espermatozóides. Como se sabe, os estudos científicos, sobretudo na América, tanto podem ser patrocinados por fabricantes de boxers como por fabricantes de slips - é a lei da livre concorrência, pelo menos no reino das cuecas.
Fixemo-nos, porém, no âmago da notícia, nos boxers. Será abusivo concluir que, se um homem com boxers tem mais espermatozóides, um homem sem cuecas de qualquer espécie tem muitos mais? E a tanga, como é? E o fio dental, prejudica? E um nudista a tempo inteiro, o que é que ele há-de fazer ao mais que certo excedente de espermatozóides, que às tantas até lhe saem pelas orelhas? E mulher que use boxers, como é que fica de espermatozóides?
Por outro lado, homens que vestem boxers chamam-se, por norma, segundos.

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2020

As castanhas são como o próprio nome indica

Foto Hernâni Von Doellinger

As castanhas. As castanhas têm pouco que se lhes diga. Chamam-se castanhas por causa da própria cor, acho eu, e este ano não sei a que preço é que estão à saída do assador. (Eu e os assadores agora saímos à rua em horários descombinados - e é a vida.) As castanhas fazem-me gases e há cinco qualidades de castanhas: castanhas cruas, que sabem a infância e a dor de barriga, castanhas cozidas, que precisam de saber a funcho, castanhas piladas, que são uma pouca-vergonha, castanhas assadas, que são quentes e boas, e castanhas com bicho, que são uma merda. No Verão, as castanhas são tremoços.
As castanhas vêm dos ouriços, que antigamente tinham a mania de cair em cima das cabeças das pessoas. Os ouriços de Fafe eram os piores. Havia um castanheiro nas traseiras do tasco do Senhor Augusto Paredes, encostado ao muro, mesmo em frente ao Palacete, e os ouriços caíam na rua como tordos. Mas esperavam por mim, matreiros e organizados, para me desabarem aos pares ou num indecente mènage à trois mesmo em cheio no cocuruto. E eu sem capacete. Era um cristo.
Para além dos filhos da puta dos ouriços e das castanhas que servem para a nossa alimentação, os castanheiros davam também uma tirinhas muito jeitosas para se fazerem grinaldas e óculos de brincar. Os castanheiros podem ter mais de mil anos, mas o do quintal do Paredes não. O quintal do Paredes era também o quintal do Senhor Jerónimo Barbeiro e do Senhor Lopes Agulheiro. O castanheiro do Paredes agora é um prédio de rés-do-chão e quatro andares. Mesmo em frente, centenário e ainda elegante e digno, agora é o Palacete que cai. Cai aos bocados, desgostoso com o abandono e a ignorância adjacente.
Derivado às castanhas existem também as castanhadas e as castanholas. As castanhadas quem as sabia explicar muito bem era o Luisão do Benfica que passou a pasta ao Rúben Dias do Benfica. E as castanholas fazem um papelão nas mãos de Lucero Tena.
Eu gosto muito de castanhas. E afinal as castanhas têm bastante que se lhes diga.

P.S. - Este texto tem barbas e já está farto de ser repetido. Porém. Hoje o jornal Público conta que, em Seia, a Pastelaria Zé Manel faz um doce chamado ouriço de castanha. E portanto.

domingo, 8 de setembro de 2019

Saiba se entrou no ensino superior

O jornal Público enviou-me um simpático e-mail. Dizia: "Entrou no ensino superior? Consulte aqui". Fui ver: não entrei. Tive sorte, fui poupado. Nesta idade e a tomar conta da minha sogra, não me dava jeito nenhum...

sábado, 23 de fevereiro de 2019

Diz o Público que Arnaldo Matos

Diz o jornal Público que Arnaldo Matos, que Arnaldo Matos, que Arnaldo Matos, que Arnaldo Matos, que Arnaldo Matos, que Arnaldo Matos, que Arnaldo Matos, que Arnaldo Matos, que Arnaldo Matos, que Arnaldo Matos e que Arnaldo Matos. Se calhar tem razão. Eu, que conheci de ginjeira os arnaldos matos nas erregeás do liceu de Guimarães e nos comícios do salão dos bombeiros de Fafe, é que não sabia.