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terça-feira, 23 de junho de 2026

De régua e esquadro

Truque
Se o defesa-esquerdo for uma nódoa, lava-se com vinagre?...

Se eu mandasse ou sequer me perguntassem, comigo era assim: no futebol dos Jogos Olímpicos só valiam golos marcados de canto directo, e nem vou explicar porquê.
Uma vez eu vi um, fui testemunha, um golo olímpico a sério como requerem as devidas certidões, e foi de rir, obra-prima assinada pelo Palmeira, ele e o José Manuel emprestados pelo Braga à nossa AD Fafe, certamente na época de 1971/72, vem-me à cabeça que aquilo pode ter acontecido em Penafiel, mas tenho muitas dúvidas a esse respeito...

(Do meu blogue Mistérios de Fafe. Hoje é Dia Olímpico.)

quarta-feira, 29 de abril de 2026

Faltou-nos o breakdance

Radical
Era engolidor de espadas e foi proibido de jogar à sueca.

Nasci no Santo Velho, em Fafe. Na minha rua, que era um largo de liberdade e agora é dois cruzamentos com semáforos, saltávamos à corda e a fogueira, jogávamos ao espeto, ao pião, à macaca, ao mamã-dá-licença, ao esconde-esconde, à cabra-cega, às sameiras, ao moche, à coiada e ao tene. Infelizmente não jogávamos ao breaking, senão ainda tínhamos ido aos Jogos Olímpicos, havíeis de ver.

(Do meu blogue Mistérios de Fafe. Hoje é Dia Mundial da Dança.)

segunda-feira, 6 de abril de 2026

Abdominais definidos

Tenho os abdominais muito bem definidos. Quereis ver? Abdominais: referentes ao abdómen; músculos do abdómen; exercícios para fortalecer os músculos do abdómen; peixes teleósteos cujas barbatanas pélvicas estão inseridas no abdómen, atrás das peitorais; insectos coleópteros com abdómen muito desenvolvido; crustáceos cirrípedes, parasitas. Vistes?

P.S. - Hoje é Dia Mundial da Actividade Física. E Dia Internacional do Desporto ao Serviço do Desenvolvimento e da Paz.

domingo, 7 de dezembro de 2025

Portugal campeão do mundo de F1

A portuguesa Margarida Corceiro acaba de sagrar-se campeã do mundo de fórmula 1. Parece que o jovem britânico Lando Norris também. De acordo com as primeiras notícias.
Margarida Corceiro será condecorada pelo Presidente Marcelo, evidentemente. Lando Norris decerto também.

sexta-feira, 14 de novembro de 2025

Jogava-se ao tene

Alta competição
Os erres pagam-se caro. Os emes ficam muito mais em conta.

Jogava-se ao tene, no nosso largo, no velho Santo Velho. Tene, esclareça-se desde já, não é singular de ténis. Nem é sapatilha desirmanada nem nome que se dê ao jogo de ténis quando jogado por uma pessoa só. Nesse caso chama-se, vá lá, squash. Não. O tene era um jogo universal, de recreio, de rua, de pobres, envolvendo quantos mais miúdos melhor, sem necessidade de outros apetrechos ou equipamentos senão o próprio corpo e muita corda nos sapatos. Embora também se jogasse descalço. Ou de chancas. Ou, há que admiti-lo, de galochas...
As regras são simples. O objectivo do jogo é fugir ou tenir, conforme o ponto de vista. Escolhe-se à sorte um desgraçado, que deve tentar apanhar, isto é, tocar com a mão, os outros participantes. Um deles. E, uma vez conseguido, troca-se de posição. Quem foi apanhado, isto é, tocado, assume então a função de apanhador, o ex-apanhador passa a normal fugidor e assim sucessivamente.
Dir-me-eis então: ora, mas isso é o jogo da apanhada, ou o pega-pega ou pique-pega, se for no Brasil. Nada disso. Era o tene, o nosso tene. Porque, lá está, basta tenir, tocar levemente com a mão, com o dedo. Quem toca levemente, tene. Básico e inofensivo. O tene. Já o arranca-cebolas, por exemplo, implicava outra, por assim dizer, dinâmica e não raras visitas ao hospital.
Dir-me-eis então, e já estais a chatear: ora, mas não é tenir, é tinir, o verbo tenir não existe na língua portuguesa. Existe, existe, basta ir a Fafe e ouvir alguém que seja do falar antigo e que se lembre, claro que se lembra, do velho jogo e deste precioso regionalismo talvez baixo-minhoto e que pegou de estaca pelo menos ali na nossa zona. Ou onde é que cuidais que o bom do Costeado foi buscar o "Nem lhe teni, senhor árbitro!"?...

P.S. - Versão publicado no meu blogue Mistérios de Fafe. "Mãe recorre à justiça para que jogo da apanhada seja declarado perigoso", diz hoje em título o jornal Público.

sábado, 11 de outubro de 2025

Entre átonas e tónicas, eu é com gin

A fama tem um preço
Na rádio, Renascença por acaso, o reclame a uma telenovela da SIC avisa: - A fama tem um preço! Pois tem. E o arroz carolino também. E a massa-cotovelo e as batatas e os alhos e o azeite, que está pela hora de morte. As próprias pessoas, diz-se, também têm um preço. Algumas, melhor colocadas na vida, têm dois ou três...

Dizer que. Já tinham o "Trófense", por causa de ser da Trofa, e depois inventaram os "ávenses", derivado a serem das Aves. Os rapazes do desporto da Antena 1, que é praticamente a única rádio que eu ouço, e gosto, têm um problema, eventualmente uma disfunção, com a maneira de dizer palavras. Logo eles, cuja profissão é, fino modo, dizer palavras. Um destes dias ainda os escutarei a falarem dos "fárenses", por serem de Faro, dos "pôrtuenses" por serem do Porto, dos "brácarenses" por serem de Braga, dos "pácenses" por serem de Paços de Ferreira ou, puxando a brasa à nossa sardinha, dos "fáfenses", por serem de Fafe. E quem diz os rapazes do desporto da Antena 1, diz os rapazes do desporto das outras rádios e de todas as televisões, que lhes vão logo atrás e, se não estou em erro, são sempre os mesmos.
É o falso dilema entre sílabas átonas e tónicas. Eu resolvo-o com gin.

Por também ser verdade, tenho de acrescentar o seguinte: há coisa de uma ou duas semanas, ouvi na Antena 1 um spot a anunciar o relato de um jogo do Trofense. Sim, Trofense, disse a voz, por sinal excelente. Exultei de alegria!

(Versão revista e aumentada, publicada no meu blogue Mistérios de Fafe)

domingo, 22 de junho de 2025

Montenegro, a "raça" e o racismo

Luís Montenegro vir agora com a conversa da "raça lusitana" a propósito de vitórias desportivas, ontem pelo canoísta Fernando Pimenta e hoje pelo ciclista João Almeida, assim do nada e reiteradamente, é de uma insensatez olímpica. E escandalosa lambidela ao Chega. E sentido de oportunidade digno de um incêndio florestal. E insulto a todos os desportistas portugueses que já parabenizou por extraordinários feitos mas, vá-se lá saber porquê, não incluiu na "raça lusitana". E ignorância a toda a prova. Ele está de primeiro-ministro e alguém já lhe devia ter ensinado que a história dos portugueses-lusitanos ou dos lusitanos-portugueses é apenas isso, uma história, uma treta. Raça lusitana, há-a, mas para cavalos. Deu-lhe agora para a raça, ao Montenegro? Se ainda ao menos se chamasse Montebranco...

P.S. - Eu sei que não é o Montenegro que escreve as merdas que o Montenegro escreve. O que ainda é mais triste.

quarta-feira, 4 de junho de 2025

segunda-feira, 31 de março de 2025

Que se foda!...

Estais a ver esses maratonistas bissextos mas cheios de intenção que treinam aos domingos de manhã artilhados com todos os matadores, como por exemplo aquele cinto tipo canivete suíço onde acomodam boiãozinhos de várias cores e feitios, barras energéticas, bananas, ananases, sandes de marmelada com tulicreme, tremoços, caldo de nabos, as chaves de casa, do carro, do totobola e do euromilhões? Estais a ver? Pois era um desses com um daqueles.
O homenzarrão de calções de licra pelo joelho passou por mim no meu Passeio Atlântico, em Matosinhos, e naquele exacto momento despencou-se-lhe do extraordinário cinto multifunções um dos tais frasquinhos de plástico. Aos meus pés. Era novo e estava cheio. Eu, que só quero ajudar, gritei "Olhe, caiu-lhe um boião!", vergando-me para apanhar a garrafinha e levá-la ao dono, e bem me custou. O superatleta, talvez apenas cinco metros à minha frente, ouviu-me, sempre correndo, virou levemente a cabeça e sobretudo o braço direito num gesto redondo e grande, creio que metendo-nos no mesmo saco a mim e ao vasilhame perdido, para tonitruar, desportista até mais não:
- Que se foda!...
E continuou, a mil à hora, em busca do novo "recor".

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2025

On Valentine's day

Foto Tarrenego!

Os meus dias de Valentim eram porreiros. Sempre. Recebesse ele quem recebesse, Presidente da República, primeiro-ministro, ministros disto ou daquilo, fossem quiçá o Papa, Cicciolina ou até a rainha de Inglaterra, ele, Valentim Loureiro, em funções de presidente da Câmara de Gondomar ou da Metro do Porto, ultrapassava tudo e todos, tomava conta do protocolo e das operações, comandava as tropas e... armava barraca. Sempre. Era um regalo para mim e para o meu jornal de então, o 24horas, que me mandava atrás do Major à procura das partes gagas. Eu era o enviado-especial, o especialista em Valentim Loureiro, e o homem nunca me deixou ficar mal. Ele era, como eu então lhe chamava, o meu cromo da sorte. Trabalhávamos a meias. O meu papel consistia em transformar depois a notícia em anedota, e creio que também não me saía nada mal.
Desconfio que isto não me elogia, mas Valentim Loureiro gostava de mim. E ria-se do que eu escrevia. Quero dizer, ria-se dele próprio, o que só lhe enaltece a inteligência. Não éramos amigos, nada disso, mas desaguisámo-nos apenas uma vez, se bem me lembro, em privado, e por causa da Fábrica do Ferro, de que ele entretanto destomara conta em Fafe...
Quando os putos de Lisboa que rebentaram com o 24horas resolveram primeiro fechar a redacção do Porto, a ver se salvavam as suas próprias pessoas, Valentim Loureiro disse-me que fosse ter com ele, que me arranjava emprego. Agradeci, naturalmente, mas nunca mais lhe apareci. Prezo inegociavelmente a minha liberdade e a minha independência pessoal e profissional, ou vice-versa, mas registei. E continuo grato. Foi um dos poucos.
Valentim Loureiro, o nosso Valentim, não era santo nenhum, antes pelo contrário. Tinha um feitio filho da puta, e espero que ainda tenha, que é bom sinal. Teimoso, virulento, desbocado, vendedor de banha de cobra e de retroescavadoras com luzinhas, de pares de sapatos só direitos ou só esquerdos, oferecedor de varinhas mágicas e outros electrodomésticos, desinformado, voluntarista e amiúde irresponsável e talvez trafulha, o Major trocava sistematicamente as voltas aos seus desgraçados e bem pagos assessores, que não conseguiam ter mão nele e escondiam-se pelos cantos (já que não conseguiam esconder o patrão), chorando baba e ranho e arrepelando os cabelos de incompetência. Estes, sim, é que tinham paciência de santo, mais ordenado chorudo e garantido no fim do mês, fora as mordomias e as abébias, mais reforma de político instantânea e garantida. Coitados. 
Dirigente desportivo carismático e afável trampolineiro, visionário construtor do Boavista moderno, Valentim presidiu aos destinos do clube do Bessa durante 19 anos. Oficialmente. Não oficialmente, foram, são, muitos mais. O treinador Manuel José, que orientou os axadrezados durante a primeira metade da década de noventa do século passado, teve talvez a melhor tirada acerca de Valentim Loureiro. Disse um dia o míster, na televisão, resumindo tudo: - Às vezes, aturar o Major é pior do que ir a pé a Fátima...
E decerto era, mas eu nunca fui a Fátima a pé, e na única vez que tentei ir a São Bentinho, sem promessa ou compromisso, desisti parece-me que por alturas das Cerdeirinhas, para grande desgosto do saudoso Agostinho Cachada, que era o nosso guia. Mas Valentim Loureiro, o cromo, faz falta. Faz-me falta. Que isto Portugal está uma tristeza, um desconsolo. Uma perigosa pasmaceira...

P.S. - Hoje é Dia de São Valentim ou Dia dos Namorados. E Dia do Amor. E Dia Nacional do Doente Coronário. E Dia Internacional da Doação de Livros.

terça-feira, 27 de agosto de 2024

O princípio das coisas

Foto Tarrenego!

No dia 27 de Agosto de 1989, na Bulgária, José Garcia conquistou o bronze em K1 10.000, primeira medalha da canoagem portuguesa em campeonatos do mundo.

terça-feira, 13 de agosto de 2024

O maior de todos os tempos

Foto Hugo Delgado

Permitam-me que repita o que já aqui escrevi exactamente há um ano e há dois anos, só vou actualizando os números. É que o homem ainda não fechou contas e já vai na sua 145.ª medalha em provas internacionais, entre elas duas olímpicas, cinco títulos mundiais e sete títulos europeus. E o que eu escrevi em Agosto de 2022, e ninguém me ligou, foi: e se parássemos todos para pensar, largássemos por momentos a braguilha ao Cristiano Ronaldo e chegássemos à razoável conclusão de que o canoísta Fernando Pimenta é o maior atleta português de todos os tempos?...

P.S. - Fernando Pimenta nasceu no dia 13 de Agosto de 1989. Faz hoje 35 anos. Muitos parabéns, Fernando! Muito obrigado, Fernando!

quarta-feira, 7 de agosto de 2024

Zé Cão, boxevista olímpico e invicto

Guardo gratíssimas recordações de São Clemente de Silvares. No Ademar, tasco praticamente gourmet e tão caro quanto excelente, às vezes escusado, com a ramadinha à porta e lá dentro o vinho de categoria a refrescar no poço, eu costumava encontrar o Zé Cão, que tinha trabalhado com o meu pai na Fábrica do Ferro e era o homem mais alto do mundo. Pelo menos era o homem mais alto de Fafe e arredores, e não há mundo melhor do que aquele, isso ainda hoje me parece. O Zé Cão, sentado, os joelhos batiam-lhe nos queixos com a barba por fazer. Era altíssimo, pele e osso, vagaroso, comovido, desengonçado, gentil, decilitrado, só, pobre, criança em corpo descomunal, com uns sapatões de palhaço e sempre agarrado à caneca de verde tinto, que naquelas mãozonas mingava até parecer uma xícara de chá de casinha de brincar. Mãos hirsutas, nodosas e honestas. O Zé Cão era um homem com zê grande.
Valença, uma das glórias do futebol local, gostava de se meter com o Zé Cão. Na verdade, o Valença gosta de se meter com toda a gente, também se metia com o Landinho, o nosso Menino, mas o que aqui interessa é o Zé Cão. E o Valença, quando o apanhava a jeito, obrigava o Zé Cão a contar vezes sem conta as suas idas ao Porto, ao Royal e ao Derby, velhos cafés de putas na Rua Chã, quase em frente um do outro, e o bom do Zé ia lá para aliviar o tesão a preço combinado, e uma famosa ocasião teve mesmo de se haver com um "boxevista", um "boxevista" a sério, na parte de cima da Ponte de Luís I, ali ao pé, discutindo exactamente por causa das senhoras. E o Zé Cão ganhou. Ganhou, evidentemente, nem podia ser de outra maneira, o Zé Cão era nosso. E a piada a espremer da historieta era tão-só fazer o Zé Cão dizer "boxevista", isto é, "bocsvista" ou "boquessevista". A mando do Valença, o Zé Cão dizia, e tornava ao combate, e fazia os gestos como foi, e disparava ganchos e uppercuts, cruzados e directos, e era um campeão sem sair do seu canto, desajeitado, quase caindo, porém olímpico e ainda invicto, a lutar por merecer mais um quartilho de verde tinto que uma alma caridosa fizesse o favor de lhe pagar...
O Zé Cão lutava um faz-de-conta tão escangalhado e convincente que parecia mesmo que estava no ringue a enfrentar-se ao peso-pesado cubano Teófilo Stevenson, por exemplo, o maior "boxevista" amador de todos os tempos, dando-se o devido desconto ao sentido da palavra "amador" em certos países naquela altura. Stevenson - triplo campeão do mundo e medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Munique 1972, Montreal 1976 e Moscovo 1980 - sempre recusou tornar-se profissional, por opção ou imposição, Havana é que sabe, rejeitando os sucessivos contratos de milhões de dólares com que os EUA lhe iam acenando. Morreu em 2012, infelizmente sem se ter tirado a limpo se ele era de facto melhor do que Muhammad Ali, como alguns puristas defendiam e ainda defendem. Melhor do que o nosso Zé Cão é que de certeza não era!
Lembro-me tão bem. O Zé Cão de São Clemente, o nosso gigante bom, que era dele e só dele que eu vinha falar. E acabo de pensar que nem é nada Zé Cão: para os devidos e legais efeitos, passa doravante a ser Zecão, de Zeca grande, tão grande como o seu imenso coração. E também lhe ponho uma medalha ao peito. Uma medalha europeia, mundial e olímpica. De ouro, pois então, Zecão!

sábado, 27 de abril de 2024

Rúben Amorim, sonso mas com boa imprensa

Rúben Amorim, o grande comunicador, afinal enganou-se quando foi esta semana a Londres, ele e o seu empresário, de avião particular, ai não, para tratar do contrato que se segue. "Foi um erro", disse hoje Rúben Amorim, o sábio, e pediu humildemente desculpa. Foi sem querer. Ele sabia lá! Como é que ele, coitado, ia adivinhar que o timing da lamentável viagem a Inglaterra era "completamente desajustado" e que a coisa ia dar merda? Como é que ele, o bom-serás, ia adivinhar que os sportinguistas não iam gostar? Como é que ele, a simpatia em pessoa, ia adivinhar que estava a trair os seus jogadores? Como é que ele, valha-me Deus, ia adivinhar que o Sporting joga amanhã com o FC Porto o jogo que até podia ser o do título? E pediu outra vez desculpa, porque ele, com grande categoria, é sempre "o primeiro a dizer que os problemas individuais não se podem sobrepor à equipa". Rúben Amorim, o cavalheiro, o preferido dos jornalistas e comentadores desportivos, pediu pela terceira vez desculpa. E depois saiu e riu-se. E riu-se. E continua rir-se, que eu bem o ouço...

quarta-feira, 4 de outubro de 2023

Jogava-se ao tene, que era para todos

Jogava-se ao tene, no nosso largo. Tene, esclareça-se desde já, não é singular de ténis. Nem é sapatilha desirmanada nem nome que se dê ao jogo de ténis quando jogado por uma pessoa só. Nesse caso chama-se squash. Não. O tene era um jogo universal, de recreio, de rua, de pobres, envolvendo quantos mais miúdos melhor, sem necessidade de outros apetrechos ou equipamentos senão o próprio corpo e muita corda nos sapatos. Embora também se jogasse descalço. Ou de chancas. Ou, vá lá, de galochas...
As regras são simples. O objectivo do jogo é fugir ou tenir, conforme o ponto de vista. Escolhe-se à sorte um desgraçado, que deve tentar apanhar, isto é, tocar com a mão, os outros participantes. Um deles. E, uma vez conseguido, troca-se de posição. Quem foi apanhado, isto é, tocado, assume então a função de apanhador, o ex-apanhador passa a normal fugidor e assim sucessivamente.
Dir-me-ão então: ora, mas isso é o jogo da apanhada, ou o pega-pega ou pique-pega, se for no Brasil. Nada disso. Era o tene, o nosso tene. Porque, lá está, basta tenir, tocar levemente com a mão, com o dedo. Quem toca levemente, tene. Básico e inofensivo. O tene. Já o arranca-cebolas, por exemplo, implicava outra, por assim dizer, dinâmica e não raras visitas ao hospital.
Dir-me-ão então, e já estão a chatear: ora, mas não é tenir, é tinir, o verbo tenir não existe na língua portuguesa. Existe, existe, basta ir a Fafe e ouvir alguém que seja do falar antigo e que se lembre, claro que se lembra, do velho jogo e deste precioso regionalismo talvez baixo-minhoto e que pegou de estaca pelo menos ali na nossa zona. Ou onde é que cuidam que o bom do Costeado foi buscar o "Nem lhe teni, senhor árbitro!"?...

(Texto publicado originalmente no meu blogue Fafismos)

sexta-feira, 30 de setembro de 2022

Yabba dabba doo!


Já não bastavam o ciclismo, o atletismo, o halterofilismo, o futebol, o tiro, a natação, o basquetebol, o basebol, o ténis, o futebol americano, o judo, a canoagem, o bilhar, a luta greco-romana, o voleibol, o remo, a vela, o kickboxing, o chinquilho, a bisca lambida e a ginástica. Agora também a Fórmula 1.
O escândalo vai rebentar um destes dias, mas o Tarrenego! está em condições de adiantar o que lamentavelmente se passa com a especialidade rainha do desporto automóvel: estão a ver o ciclismo, aquela coisa do motorzinho escondido dentro da bicicleta a que os entendidos dão o curioso nome de doping mecânico? Pois na Fórmula 1 é exactamente o mesmo, mas completamente diferente.
Tanto quanto conseguimos apurar, os pilotos - os pilotos batoteiros, diga-se - têm disfarçado por debaixo do tapete um pequeno alçapão que abrem sobretudo em recta, quando vão a mais de 340 km/hora mas não estão suficientemente próximos do carro da frente para poderem usar o DRS, doping legal de ultrapassagem. Abrem o alçapão, dizia, e chispam os pés no alcatrão como se estivessem a correr os 100 metros nos Jogos Olímpicos, chegando com este plus aos quase 390 km/hora, não sei se estão a ver como fazia o Fred dos Flintstones...
A Fórmula 1 anda realmente uma chatice, mas especialistas anónimos chamam a isto doping humano e não concordam. E o senhor Ecclestone, que já não risca mas palpita, está fulo. Diz que, com ele, no que respeita a doping, de viagra para cima, tolerância zero...

P.S. - Publicado originalmente no dia 3 de Julho de 2016. E estavam à espera de quê? Desenho do Nestinho (Ernesto Brochado), feito de encomenda para o Tarrenego! A série The Flintstones, de Joseph Barbera e William Hanna, apareceu pela primeira vez na televisão no dia 30 de Setembro de 1960, na americana ABC.

segunda-feira, 22 de agosto de 2022

Fernando Pimenta

E se parássemos para pensar e chegássemos à conclusão de que o canoísta Fernando Pimenta é o maior atleta português de todos os tempos?...

segunda-feira, 7 de março de 2022

Para todo o serviço

Gosto muito de ténis. De ver na televisão. Não sei jogar, nunca joguei. Suponho que nem seria capaz de acertar com a raquete na bola, quanto mais executar um approach ou um lob, meter um passing shot ou um slice, esmagar com um smash - logo eu que sou um zero a inglês. Mas há uma pancada do ténis moderno em que sou craque: a limpeza-do-suor-com-a-toalha. Como é do conhecimento de todos os seguidores da modalidade, a limpeza-do-suor-com-a-toalha é, hoje em dia, a principal pancada do ténis. Até há chegadores de toalhas, apanha-bolas nos tempos livres. Qualquer jogador que não limpe-o-suor-com-a-toalha de trinta em trinta segundos nem é jogador nem é nada. Num encontro que dure duas horas, por exemplo, hora e meia é gasta a limpar-o-suor-com-a-toalha. E os duelos de limpeza-do-suor-com-a-toalha são interessantíssimos. E as toalhas são de desenho exclusivo para cada torneio. Lembro-me de quando não era assim e era uma chatice. Não sei quando é que esta revolucionária pancada começou, mas podia ter sido inventada por mim. Haviam de me ver, pratico-a de forma exímia. Mesmo nesta idade. Principalmente nesta idade e com a pandemia às costas. Que pena o ténis não ser só limpar-o-suor-com-a-toalha.

P.S. - Publicado originalmente no dia 28 de Junho de 2012. Hoje, primeira segunda-feira de Março, é Dia Mundial do Ténis.