sexta-feira, 2 de outubro de 2026

Desarmado em parvo

Era tão pacifista, tão pacifista, tão objector de consciência, tão objector de consciência, tão não-violento, tão não-violento, que havia quem dissesse que ele andava constantemente desarmado em parvo.

(Do meu blogue Mistérios de Fafe. Hoje é Dia Internacional da Não Violência.)

De que riem os portugueses?

O humorista brasileiro Juca Chaves costumava contar mais ou menos assim, pondo as palavras na boca do guia do jardim zoológico: "E aqui temos a hiena. A hiena, que é um animal que ri muito. Alimenta-se das fezes dos outros animais e tem relações sexuais com a sua fêmea apenas uma vez por ano". "Mas, se come merda e só fode uma vez por ano, ri de quê?", pergunta o visitante. 

P.S. - Hoje é Dia Mundial do Sorriso.

Animais de quinta 2

Hoje é Dia Mundial dos Animais de Quinta. E está mal, como toda a gente sabe. Isso era ontem. Hoje devia ser Dia Mundial dos Animais de Sexta.

P.S. - Hoje é Dia Mundial dos Animais de Quinta.

Animais de quinta 1

O azar dos animais de quinta são os outros dias da semana.

P.S. - Hoje é Dia Mundial dos Animais de Quinta.

Como silhuetas de cartão

Foto Hernâni Von Doellinger

quinta-feira, 1 de outubro de 2026

Ronaldo como D. Sebastião

Numa entrevista que só vai dar logo à noite, Cristiano Ronaldo esclarece: "Quando deixar a Selecção, não vou avisar ninguém". Isto é: quando lhe der na cabeça, deixa apenas de aparecer, como o outro, o de Alcácer-Quibir.

P.S. - Atenção! Este textinho escrevi-o e publiquei-o no dia 26 de Agosto de 2024, portanto há um pouco mais de dois anos, não é para me gabar.

Cristiano Ronaldo e Jorge Jesus

Cristiano Ronaldo. Dá-me pena Cristiano Ronaldo. Tanta potencialidade! Onde é que este rapaz poderia ter chegado se tivesse passado pelas mãos de Jorge Jesus?

P.S. - Por falar em umbigos. Não é para me gabar, mas escrevi e publiquei este textinho no dia 8 de Outubro de 2015. 

A água não tem hipótese

Hoje é o Dia da Água. Amanhã voltamos ao vinho.

P.S. - Hoje é Dia Nacional da Água.

O boleto, como se fosse a consoada

O chichi do maestro
Nos grandes concertos sinfónicos, o maestro sai sempre no final de cada peça para ir à casinha mudar a água às azeitonas. Depois volta para as palmas, para as vénias e para as flores, sorridente e aliviado. E os músicos? Os músicos protestam batendo nas estantes e continuam em palco de perninhas apertadas e, quem sabe, a urinarem-se por elas abaixo...

O boleto é uma ordem oficial escrita que requisita alojamento para militares numa casa particular ou o próprio alojamento assim conseguido. É também salvo-conduto, a parte superior do carril sobre o qual rolam comboios e eléctricos, um género de cogumelos comestíveis e a articulação da perna do cavalo acima da ranilha, dizem uns, ou acima da quartela, dizem outros. No Brasil, boleto é ainda papelinho de aposta nas corridas de cavalos, registo de dados de uma operação bolsista, bilhete de acesso a espectáculos e similares ou impresso de factura-recibo.
Posto isto, que não interessa para nada, mudemos de assunto. Falemos de uma coisa completamente diferente. Falemos do boleto.
O boleto, que, pelo menos aqui há uns anos e em Fafe, era praticado pelas bandas de música e consistia numa módica quantia em dinheiro vivo que o contramestre da filarmónica distribuía pelos músicos provavelmente a título de ajuda de custo ou, talvez melhor dizendo, como subsídio de alimentação - o que salvava o dia sobretudo aos jovens aprendizes, que passeavam muito bem a farda e faziam número nas procissões e outras arruadas, mas "ainda não ganhavam". Funcionava, em todo o caso, como um prémio, um extra. Uma espécie de consoada recebida a prestações.
De uma certa maneira, o boleto era também uma das peças do concerto. Enfim, uma bagatela, como lhe chamariam os românticos. Peça curta e despretensiosa mas de sucesso garantido, faço questão de acrescentar, para contar tudo como deve ser contado. Beethoven, por exemplo, muito dado a repentinas modificações de humor, compôs algumas dezenas dessas miniaturas para piano, verdadeiras jóias, autênticas obras-primas, a mais famosa das quais será certamente "Für Elise", que toda a gente conhece. Tornando, porém, ao boleto: se não parecesse um rematado disparate, suponho até que seriam os próprios músicos a pedir bis. O dinheiro saía em notas puídas e renitentes de um gordo envelope cada vez mais magro e era entregue em mão, uma mão atrás da outra, no dia mesmo da "festa", em pleno coreto, com o povo ao redor, durante um intervalo que desse jeito, na vez da outra banda tocar.
Posso ter inventado esta memória, mas cuido que o mais das vezes o bodo era repartido já da parte da tarde do "serviço". E que se segue? Não sei porquê, mas desconfio, a minha cabeça começou então a associar boleto a merenda, como se fossem palavras sinónimas, e até hoje. Boleto igual a merenda. Exactamente. Merenda ao "balcão" de uma barraca beduína, periclitante e malcheirosa, espécie de estendal armado às três pancadas entre varas de choupo e toldos de pano, com bacalhau frito, orelheira salgada, frango abusivamente churrascado, moscas e sardinhas assadas que eram uma desgraça. Uma desgraça bem bebida, afogada em vinho até ao nariz.

Vinho, como quem diz. Bastas ocasiões bebia-se "receita", isto é, juntava-se cerveja e açúcar ao alegado vinho para disfarçar o pique a vinagre. Mas bebia-se. Porque beber fazia parte da arte, tinha o seu próprio solfejo. Como eu costumo dizer, e não me canso de repetir, a diferença entre uma colcheia e uma colmeia está na medida. Isto é: uma colmeia corresponde exactamente a uma semicolcheia. E deve servir-se de preferência numa seminfusa. Bem fresca...

(Do meu blogue Mistérios de Fafe. E não esquecer nunca: fafense ou merenda devem ler-se e dizer-se sempre fafénse ou merénda. E sémpre também. Hoje é Dia Mundial da Música. Viva Fafe! Viva o fafês! Viva a música! Vivam os nossos músicos!)

Mais vale solo...

Foto Hernâni Von Doellinger