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quarta-feira, 19 de junho de 2024

Estou mortinho pelo Verão

Estou mortinho pelo Verão. O calor, a praia, o mar, a areia, os biquínis, as sungas, as bolas, o Algarve. Uma vez fui ao Algarve. Fui, palavra de honra, em 1981, se não estou em erro. E, quer-se dizer, nunca mais!

domingo, 14 de abril de 2024

O poeta do sol

Ele sabia de sóis. Dizia, e era bem certo: - É efémero o sol do Algarve. Uma ou duas semanas após, e lá se foi o bronzeado...

sábado, 27 de maio de 2023

E se Pernambuco fosse no Algarve?

Fui ao mapa do Brasil à procura de Pernambuco. Fiquei satisfeito com o que encontrei, e só me beio dar razão: o estado de Pernambuco, com Recife por capital, fica no nordeste brasileiro, isto é, simplificando, no norte. E só podia. Porque, aqui é que comecei a demanda, hoje é dia do município pernambucano de Tabira. Assim tal qual, não é engano, e está certo. Tabira, estão a ber? Fosse Pernanvuco no sul, como acontece infelizmente em Portugal, e já o nome do antigo Toco do Gonçalo seria doutra maneira. É ou não é?

domingo, 7 de julho de 2013

O desnorte do ACP

Foto Hernâni Von Doellinger

Quando, há três meses, o regresso do Rali de Portugal ao Norte do País surgiu hipótese de repente, eu escrevi aqui sobre o assunto. Entre outras considerações, avisei que podia ser só tesão do mijo, na ressaca do monumental sucesso do WRC Fafe Rally Sprint, e que ainda estávamos muito naquela zona nevoenta e arenosa do diz-se que, fala-se que, consta que. Os políticos gostam, mas é preciso ter cuidado com os supores. Pulga atrás da orelha até faz bem, nas cuecas é que não. Portanto, recomendei: "nestas coisas não faz mal nenhum ser como São Tomé, que era desconfiado e mesmo assim foi para o Céu". Ver para crer.
Ora bem. Agora que o nevoeiro se desfaz devagarinho e começa a ver-se alguma coisa, o rali não está cá. Desnorteou rumo aos Algarves outra vez. Ficou a areia nos olhos, e já não é mau como recordação. E ficam os moinhos de vento, para batalhas de enganar.

Na zona de comentários ao meu texto cheio de ses, um amigo perguntou-me se eu achava "mesmo" que o rali (o rali a sério) voltava para a minha terra, Fafe. Respondi-lhe e está lá: "O que eu acho mesmo? Acho que estamos em ano de eleições autárquicas. Acho que o presidente do ACP não é pessoa de confiança. Acho que o rali está em leilão. É o que eu acho."
Foi no dia 13 de Abril de 2013. Conclusão: às vezes, muitíssimo raramentissimamente, dá-me para isto: acerto.

(Ler mais em Rali de Portugal: o regresso do filho pródigo)

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Rali de Portugal: o regresso do filho pródigo

Fala-se de que o Rali de Portugal vai regressar ao Norte do País, de onde nunca deveria ter saído. Fala-se. Já se falava no ano passado e nestas coisas não faz mal nenhum ser como São Tomé, que era desconfiado e mesmo assim foi para o Céu. Mas vamos supor que sim, que isto não é só tesão à pala do enorme êxito do WRC Fafe Rally Sprint de anteontem. Duas edições, dois sucessos retumbantes - é preciso que se note. Vamos então supor que é a sério (à séria, se lido em Lisboa).
Diz-se que pode ser já para o ano. O Rali de Portugal com centro de operações e sessão-espectáculo no Porto e disputado a doer nas míticas classificativas das zonas de Fafe e Arganil. E porquê este regresso às origens? Porque, resumindo, parece que a FIA descobriu que afinal ter espectadores também dá jeito. No ano passado, a antiga piloto Michèle Mouton esteve no show da Lameirinha, na qualidade de manager do Mundial de Ralis, e ficou varada com a moldura humana que encontrou. Este ano, o próprio Jean Todt, presidente do organismo que tutela o desporto automóvel, fez questão de vir a Fafe ver para crer. Foi recebido em apoteose pela multidão e ficou encantado e convencido - rezam as crónicas.
Visivelmente entusiasmado com a paixão do povo do Norte pelos ralis, Todt terá levado que contar - decerto umas caixas do melhor verde da região e a marmita cheia de bolinhos de bacalhau e vitela assada como não há, mas sobretudo levou esta ideia, que fez muito bem em deixar também por cá: "Fafe é um bom exemplo do que devem ser os ralis".
Pois é. Mas isso já se sabia, há que anos. E que o público dos ralis é cá em cima. De Fafe e de todo o Norte, litoral e interior, da irmã Galiza e doutros sítios da Espanha mais próxima. Então porque é que levaram o Rali de Portugal ao engano para o Algarve? E porque é que Pedro Almeida, director da prova, ainda no ano passado invocava "todo um conjunto de condições imposto pela FIA [...] e questões técnicas relacionadas com o próprio campeonato" para classificar como improvável o retorno ao passado que agora se anuncia? O que é que mudou? Quem é que mudou de opinião? No fundo, quem foi que tirou o rali ao povo: a FIA ou... o ACP?
Mas pronto, o bom filho a casa torna, faça-se a festa. Hoje não tenho a menor dúvida de que o Rali de Portugal regressa ao Norte por causa de Fafe. Fafe que persistiu e investiu. Cerca de 200 mil euros, só para a edição deste ano do Rally Sprint, de acordo com José Ribeiro, presidente da autarquia. Não percebo de dinheiro, não sei se é muito ou se é pouco, mas devo admitir que julgava que fosse mais. Fafe fez bem.
Consta, portanto, que o Rali de Portugal será devolvido ao povo e ao Norte já em 2014. Consta que irá ao Porto e andará por Arganil. Se for verdade, agradeçam a Fafe.

(Ler mais em O desnorte do ACP)

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

69, curioso número

Foto Hernâni Von Doellinger

Desde o início do ano e até 15 de Agosto, os bombeiros portugueses foram chamados 69 vezes por dia para combater incêndios. Os estatísticos do Ministério da Agricultura há que tempos que andavam mortinhos por um número assim, praticamente redondo e manifestamente malandreco. E mandaram-no logo cá para fora, antes que passasse a 70 e perdesse a piada toda. Os jornais, sem Relvas nem jornalistas, agarraram na coisa com ambas as mãos. E voltaram a dar razão ao sacrista do Mota Amaral: o 69 é mesmo um número muito curioso.

Curioso e, no caso, jornalisticamente irrelevante.
Façamos as contas: em Portugal existem 473 associações ou corpos de bombeiros. São 69 as saídas por dia? Pois muito bem: dá 0,146 saídas por dia para cada associação ou corpo de bombeiros. Não chega a meia saída por dia. É menos do que um quarto de saída por dia. Calha praticamente uma saída por semana a cada associação ou corpo de bombeiros portugueses. É muito? Merece título? Tretas.

terça-feira, 12 de junho de 2012

Anthony Bourdain deixou-me ficar mal

Gosto do estilo e dos programas de Anthony Bourdain, a estrela de televisão que acaba de se mudar de armas e bagagens para a CNN. Apresentei-o a amigos, recomendei-o aqui. E gosto tanto que, ao princípio da noite de sábado, enquanto quase quatro milhões de portugueses sofriam com a segunda parte do Alemanha-Portugal da RTP, eu entretinha-me a ver na SIC Radical dois episódios do No Reservations, um dos quais dedicado a Macau. Mas fiz mal. Afinal tive um desgosto, já não bastava o da bola.
São episódios recentes, suponho que da temporada de 2011. No de Macau, que é o que para o caso interessa, a certo passo Bourdain quer saber da herança lá deixada pelos portugueses, nomeadamente na gastronomia, e levam-no ao Restaurante Fernando. É casa de açoriano e é ali que o ex-chef mais famoso do mundo vai provar os dois mais notáveis paradigmas da cozinha tradicional açoriana: as tripas à moda do Porto e a carne de porco à alentejana. Não estou a brincar. Eu nunca mais tenha apetite se não foi assim que Anthony Bourdain referiu depois estes dois pratos no seu programa: a dobrada e o porco com amêijoas como invenções dos Açores.
Confundiram-no ou confundiu-se. Em qualquer dos casos, o bom do Tony não fica bem no retrato. Vê-se que se calhar não se prepara, dá para desconfiar que não pesquisa, que não confirma. É uma celebridade, bebe uns copos e faz ele muito bem, fia-se nos informadores locais, assina por baixo e faz ele muito mal. Percebo agora porque é que comeu bifanas em Lisboa.
Curiosamente, até há quem defenda que a carne de porco à alentejana é um prato de origem algarvia, confeccionado, isso sim, com carne de animais alimentados no Alentejo, mas deslocalizá-lo para os Açores é ir longe de mais. É meter muita água pelo meio. Já quanto às famigeradas tripas, fosse Bourdain aos seus arquivos pessoais e teria facilmente descoberto que, dez anos antes, elas lhe tinham sido apresentadas e explicadas no Porto, o local certo e de nascença.
Salvou-se a alcatra, que também saltou para a mesa do restaurante macaense. A alcatra, sim, pode ser entronizada como o grande contributo da cozinha açoriana para o património gastronómico da humanidade. A alcatra honesta, feita por mão sábia e em alguidar experiente, a alcatra do aroma que chama, do gosto como nenhum outro, da carne a desfazer-se na boca. A alcatra de Vitorino Nemésio, da festa e da fartura. Da partilha.
Melhor do que a alcatra, só a alcatra de peixe. Exactamente, alcatra de peixe. Melhor ainda: a alcatra de peixe de um certo sítio em Porto Judeu, não muito longe de Angra do Heroísmo, na ilha Terceira. Que mais querem saber? O Zé do Boca Negra trata os clientes todos por tu? Trata. Dá raspanetes à freguesia? Dá, mas é a única borla. É sportinguista? É, coitado. Fala pelos cotovelos? Fala, fala. Tem quatro. Quatro em cada braço. E a alcatra de peixe? É um fenómeno ainda maior.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Brandos costumes

Os ingleses procuram mais do que nunca o Algarve como destino turístico. Apesar da onda de assaltos, agressões, burlas, violações, raptos ou misteriosos desaparecimentos de que são vítimas, apesar do Zezé Camarinha, ou exactamente por causa dele, os simpáticos descorados da Velha Albion continuam a dar o cu e oito pennies por uma boa temporada estendidos ao sol deste país de mansas indignações.
Porque isto aqui ainda é um céu, dizem eles, que sabem o que dizem e até falam inglês desde pequeninos. Aqui, o crime ainda é cometido por criminosos, com todo o profissionalismo e por ordem de retirada de senha. Chega para todos, mas só um de cada vez. O crime ainda não é o grito de revolta popular nesta terra de come e cala. E isto, parecendo que não, faz toda a diferença nos tempos que correm.