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domingo, 27 de setembro de 2026

E os incêndios, em caso de chuva?

Marialvismo
O defeito dos incêndios dominados é que não gostam que lhes chamem isso: dominados. E então reacendem-se.

Os incêndios florestais, por exemplo, essa desafiante actividade ao ar livre. Em caso de chuva, o que é que acontece aos incêndios florestais já programados? A autarquia tratou do assunto, discutiu, deliberou e determinou: se chover, os incêndios florestais, é como tudo, passam para o pavilhão multiusos.

(Do meu blogue Mistérios de Fafe)

quarta-feira, 24 de setembro de 2025

E viva o velho!

Quando for pequeno
"Quando for pequeno, quero ser palhaço e astronauta", disse o ancião, sonhador e triste. Com efeito, aquela sociedade funcionava às arrecuas: nascia-se velho e morria-se a chupar no dedo. Era naturalmente governada por garotos.

Estou mortinho que chegue o Dia Mundial da Terceira Idade, dia dos nossos velhinhos, coitadinhos, nem que tenha de ser antes. Que festa tão bonita! Levantar cedo, roupinha de domingo, pó de talco e perfume, chá e bolachas e ala para a camioneta, nem que não queiram. Lá vão os nossos velhinhos de cu tremido, cantando bonitas cantigas do Quim Barreiros ditadas ao microfone pela senhora doutora da Junta, que até já foi ao Preço Certo e agora é candidata. Missinha, santa missinha, um regalo, nem que não queiram, e Quinta da Malafaia para enfartar a mula, nem que não queiram, tantos velhinhos, tantos velhinhos, ó que extraordinário velhódromo, velhinhos de tantos lados, atordoados, perdidos, sem saberem de que terra são, tantos senhores presidentes de câmara, sorridentes e abraçadeiros, de mesa em mesa, e os fotógrafos solícitos e oficiais sempre atrás, acotovelando-se, ai que dinheiro tão bem empregue pelo orçamento municipal, vêm aí as eleições! Os velhinhos sobreviventes, nem que não queiram, regressam ao sol-pôr com o saco cheio, nem sempre entregues na terra certa. De volta à naftalina, à indiferença e ao esquecimento, até daqui a um ano, se Deus quiser.

(Versão revista e aumentada, publicada no meu blogue Mistérios de Fafe)

O passeio do idoso

O autocarro de aluguer levava à frente, à mão direita do motorista, uma tabuleta que dizia "Passeio do Idoso". Convenhamos: a tabuleta é necessária, porque uma câmara municipal ou uma junta de freguesia não se podem dar ao luxo de organizar um "Passeio do Idoso" e o mundo ficar sem saber que a câmara municipal ou a junta de freguesia organizaram um "Passeio do Idoso". Portanto, a tabuleta anunciava "Passeio do Idoso". Olhei com atenção para o interior do autocarro de 56 lugares, e lá no meio ia realmente um velhinho, só um, o resto eram bancos vazios. A tabuleta estava certa - era, com efeito, o passeio do idoso.

(Versão publicada no meu blogue Mistérios de Fafe)

segunda-feira, 28 de outubro de 2024

Os nossos velhinhos, coitadinhos

Hoje é Dia Mundial da Terceira Idade, dia dos nossos velhinhos, coitadinhos. Levantar cedo, roupinha de domingo, pó de talco e perfume, chá e bolachas e ala para a camioneta, nem que não queiram. Lá vão os nossos velhinhos de cu tremido, cantando bonitas cantigas do Quim Barreiros ditadas ao microfone pela senhora doutora da junta, que até já foi ao Preço Certo. Missinha, santa missinha, um regalo, nem que não queiram, e Quinta da Malafaia para enfartar a mula, nem que não queiram, tantos velhinhos, tantos velhinhos, ó que extraordinário velhódromo, velhinhos de tantos lados, atordoados, perdidos, sem saberem de que terra são, tantos senhores presidentes de câmara, sorridentes e abraçadeiros, de mesa em mesa e o fotógrafo solícito e oficial sempre atrás, ai que dinheiro tão bem empregue pela autarquia local, vêm aí as eleições! Os velhinhos sobreviventes, nem que não queiram, regressam ao sol-pôr com o saco cheio. De volta à naftalina, à indiferença e ao esquecimento, até de hoje a um ano, se Deus quiser...

P.S. - Hoje é Dia Mundial da Terceira Idade.

terça-feira, 1 de outubro de 2024

O passeio do idoso

O autocarro de aluguer levava à frente, à mão direita do motorista, uma perspicaz tabuleta que dizia "Passeio do Idoso". Convenhamos: a tabuleta é necessária, é preciso muita tabuleta, porque uma câmara municipal ou uma junta de freguesia não se podem dar ao luxo de organizar um "Passeio do Idoso" e o mundo ficar sem saber que a câmara municipal ou a junta de freguesia organizaram um "Passeio do Idoso", ainda mais agora que estamos praticamente a um ano de eleições e todo o cuidado é pouco. Portanto, a tabuleta anunciava "Passeio do Idoso". Olhei com atenção para o interior do autocarro de 56 lugares e, a verdade é só uma, lá no meio ia realmente um velhinho, só um, mais vale só do que mal acompanhado. A tabuleta estava certa - era, com efeito, o passeio do idoso.

P.S. - Hoje é Dia Internacional do Idoso.

segunda-feira, 14 de novembro de 2022

Transfronteiriço e com luzinhas

Vendo. Vendo centros de exposições transfronteiriços, com ou sem fronteira, com ou sem luzinhas. Versão com sirene de marcha-atrás, só por encomenda. Negócio de ocasião, financiamento garantido. Pagamento à vista, entrega a ver. Disponível em verde, castanho, azul e vermelho. Produto anunciado na TV. Limitado ao stock existente.

segunda-feira, 23 de julho de 2012

domingo, 10 de junho de 2012

O que Rui Rio diz e o que quer dizer

Rui Rio foi à Curia dar uma aula de autarquismo ao PSD e disse: "As câmaras endividadas não deviam ter eleições, mas sim uma comissão administrativa para a gestão corrente, até estarem equilibradas". Alguém do PS, de pele sensível e naquela precipitação do costume, sentiu logo aqui qualquer coisa "a roçar o antidemocrático". Sentiu mal. Na verdade, Rio não falava de "câmaras", falava da Câmara do Porto e da Câmara de Gaia. E não falava de "eleições", falava do seu inimigo figadal Luís Filipe Menezes, que deixa a Câmara de Gaia cheia de obra e dívidas (é a segunda autarquia mais endividada do País, logo a seguir a Lisboa) para saltar para a Câmara do Porto, que Rui Rio abandona por limite de mandatos.
Rio só quis apontar os faróis para Menezes e para a alegada má gestão autárquica do lado de lá das pontes. O que Rio acha é que quem, segundo o seu juízo, faz fraca figura num sítio não merece ir tentar a sorte noutro. Rio até desafiou o partido: "Estou para ver se o PSD, nas autárquicas, vai ser coerente e deixa de apoiar quem geriu mal". Quem geriu mal, estão a perceber? Me-ne-zes, estão a perceber?, disse Rio sem dizer. Não sei onde é que está a confusão.

domingo, 3 de junho de 2012

Então porque é que isto está a correr tão mal?

Cavaco Silva está a "colocar toda a energia" no combate ao desemprego.
Cavaco Silva foi "informado em detalhe por quem tem competência" sobre o estado das secretas.
Cavaco Silva espera que o acordo com o Governo ajude a "estabilizar" as autarquias.
Cavaco Silva lembra que a Europa já superou crises que ameaçavam devastá-la.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Carnaval é quando o Relvas quiser

O primeiro-ministro Miguel Relvas foi ontem à TVI24 ralhar aos meninos das autarquias que se portaram mal neste Carnaval. De castigo, avisou já, no Carnaval de 2013 também não haverá tolerância de ponto. O Relvas diz sempre assim umas coisas importantes. O País não leva a sério mas entretém-se.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Os dias inúteis

Embirro solenemente com a terminologia manga-de-alpaca dos "dias úteis" e das "horas de expediente". A que propósito é que os nanocrânios da burocracia terreiro-paçal determinaram e mandaram publicar que os meus sábados, os meus domingos, os meus feriados e dias santos, as minhas férias, se as tivesse, ou as férias deles são dias, por assim dizer, imprestáveis para a Nação? Quem lhes deu semelhante poder?
Eu, que tenho a mania de ser antes pelo contrário, desobedeço-lhes com quanta força consigo e gozo como um perdido nos fins-de-semana e correlativos. São os meus dias mais úteis.
Depois, chateiam-me as "horas de expediente", expressão tão prestável ao duplo sentido e que sempre me deixou com a pulga atrás da orelha. A minha dúvida é apenas esta, segredada pela pulga: será que, das 9 às 17, nas Finanças, nas autarquias ou nos ministérios, o papel do funcionalismo passa por lançar mão de todos os truques e armadilhas possíveis e inimagináveis para nos infernizar a vida e sacar-nos tudo, até o cotão dos bolsos, a mando do Estado? Então mais vale ir lá bater à porta depois do fecho dos serviços. Pode ser que, sem a obrigação do expediente, sejamos enfim atendidos com honradez.
Acredito que não estou sozinho nesta minha embirração. E por isso hoje apelo a que todos me sigam na desobediência. Apelo à revolta. Não vamos sair à rua para partir montras e pilhar iPods ou atirar pedras às cabeças dos polícias, mas combinamos o seguinte: peguemos nestes três dias que temos pela frente a façamo-nos felizes como se o fim do mundo fosse terça-feira. Façamo-nos felizes, antes que a felicidade pague imposto.