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segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Portugal, um buraco muito arranjadinho

Foto Hernâni Von Doellinger

Angela Merkel diz que Portugal está a cumprir "de forma excelente" o chamado programa de ajustamento ou memorando. Ainda bem que a nossa crise está a correr assim tão bem; só é pena que esteja a correr assim tão mal. Depende do lado da crise em que estamos. Para quem está do lado de baixo, como eu, isto é um buraco sem fundo, não há nada que encaixe. Para quem está do lado de cima, Portugal é um buraco, sim senhor, mas muito jeitoso para obrar e entretém. Dá para fazer puzzle.

A falsa visita de Angela Merkel a Portugal

Primeiro: Angela Merkel não vem a Portugal. A Senhora Dona Angela visita Lisboa.
Segundo: Angela Merkel não visita Lisboa. Vai por lá andar cinco horas, sem sequer ir a Lisboa.
Terceiro: em cinco horas, Angela Merkel vai encontrar-se com Cavaco Silva em Belém, almoçar com Pedro Passos Coelho e Paulo Portas no Forte de São Julião da Barra, dá uma conferência de imprensa de meia hora e quatro perguntas, posa para a fotografia de família (família?) no Centro Cultural de Belém, onde também fala a empresários alemães e portugueses, e diz Marcelo que ainda poderá conceder uma palavrinha a António José Seguro.
Quarto: Marcelo Rebelo de Sousa, que não quer que se pense que já é menos do que Marques Mendes, preopina que o eventual passa-bem entre Merkel e o líder do PS apenas demonstraria que a chanceler alemã vem disposta a perceber o que se passa realmente em Portugal.
Quinto: em cinco horas? A falar com o Cavaco, com o Passos, com o Portas e eventualmente com o Tozé? A Merkel perceber o que se passa realmente em Portugal? Dentro do carro blindado e sem me perguntar nada a mim? O Professor é um pândego.

domingo, 10 de junho de 2012

Um campeão no país que encolhe os ombros

O jornal espanhol El País fez o balanço de um ano de troika em Portugal e concluiu que Pedro Passos Coelho é o "campeão da austeridade e das teses alemãs". Já o americano New York Times apostou numa análise social, chamando a atenção para "um povo que simplesmente encolhe os ombros, e segue em frente perante os cortes e o desemprego". Complementares e assertivos. Hoje é um triste 10 de Junho, que uma anafada senhora nos deixa celebrar por empréstimo. Entretanto pincha a bola.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Os Alemães não têm emenda

Primeiro foi a chanceler alemã, Angela Merkel, que na terça-feira deu a Madeira como um mau exemplo da aplicação dos fundos estruturais europeus, que serviram para construir "muitos túneis e auto-estradas bonitas", mas não contribuíram "para que haja mais competitividade". Agora é o presidente do Parlamento Europeu, o também alemão Martin Schulz, que critica o facto de Passos Coelho andar a pedir investimentos angolanos, considerando que, assim, "o futuro de Portugal é o declínio".
Ora bem: eu também tenho as minhas reservas acerca da "obra feita" na Madeira, mas sou português, embora continental, e escrevo um blogue que não se leva a sério. E, é verdade, o dinheiro angolano a mim também não me cheira nada bem. Mas isso é um problema meu. Nosso. Neste assunto, como noutros, parto de uma posição muito conservadora, que é basicamente aquela de eu estar à vontade para criticar um tio por ele ser um grande aldrabão, mas não admitir a ninguém de fora da família que me venha dizer que esse mesmo tio é um pequeno mentiroso.
Alberto João Jardim é uma nódoa? É. Pedro Passos Coelho é um desastre? De facto. Mas estas, como muito bem diria o filósofo e treinador de futebol Jorge Jesus, são questões "do forno interno" português. Problemas em que nós próprios nos metemos e que temos de ser nós também a resolver. Quem está de fora, racha canhotos! E os Alemães ainda estão de fora, apesar da sua histórica tendência para meterem o nariz e o resto onde não são chamados.
Merkel e Schulz decerto não concertaram uma ofensiva germânica contra Portugal. Isto foram acasos por acaso coincidentes, não são prolegómenos da invasão. De resto, a invasão propriamente dita era capaz de parecer um exagero, nos tempos que correm. Já não me admirava nada que, antes pelo contrário, os Alemães estivessem apenas a ganhar lanço para nos atirarem carroça fora.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

O meu futuro discute-se ao almoço

O almoço de mais daqui a um bocadinho vai ser aproveitado para discutir o meu futuro. Não é cá em casa nem sou eu, porque eu não mando no meu futuro, é em Paris. Merkel e Sarkozy vão almoçar juntos e a minha vida estará em cima da mesa. São duas boas almas que não se cansam de procurar, sentadas e de faca e garfo, o que há-de ser melhor para mim. Muito agradecido e muito bom apetite, é o que lhes estimo e o que lhes desejo. E, como de costume, não se esqueçam de me mandar depois a facturinha. Através do Passos Coelho!