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sábado, 19 de agosto de 2017

E cá vamos morrendo, graças a Deus

Ninguém diga que está livre. Mas. Em Portugal não precisamos do terrorismo alheio para nos refodermos com assinável pertinácia: temos os incêndios, temos árvores carunchosas, temos andores idiotas e temos a Autoridade Nacional de Protecção Civil. E cá vamos morrendo, graças a Deus, que também não somos menos do que os estrangeiros.

P.S. - Temos também, evidentemente, as selfies com o Presidente da República.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Manda-me copos, que eu gosto


"Homem embriagado atirou copo a João Jardim", informa o Jornal de Notícias. O presidenta da república da Madeira mandou vir "mais um, mas cheio", e pagou "uma rodada para toda a gente".

sexta-feira, 18 de maio de 2012

À beira do naufrágio

Foto Hernâni Von Doellinger

Uma reportagem da Revista do Expresso, a sair amanhã, diz que há cada vez mais "pobreza, vergonha e medo" na ilha de Alberto João. A Madeira está "à beira do naufrágio", mas quer afundar-se com grande classe.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Outra vez a mijar fora do penico

José Pedro Pereira, líder da JSD na Madeira e adepto da independência do arquipélago de Alberto João, defendeu ontem que "certos ministros do senhor Passo Coelho deviam ser investigados". E deviam. O jovem deputado regional social-democrata protestava assim contra o "folclore" das buscas efectuadas pelo DCIAP em departamentos do Governo do Funchal. Permito-me recordar, no entanto, que este é o rapaz que mijou num carro da Polícia, na madrugada de 23 de Julho do ano passado, junto a um estabelecimento de diversão nocturna no Molhe da Pontinha.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

É preciso ter lata 4

Alberto João, o gastador-mor da Madeira, diz que Portugal (suponho que se referia à "República") se calhar necessita de pedir mais ajuda financeira e precisa de medidas que coloquem a economia a crescer. Fala quem sabe. Quem sabe que aos domingos, enquanto não começa a bola, a rapaziada dos jornais mete tudo o que mexe. Nem que seja minhoca.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

O valor da palavra

"Catástrofe na Madeira hoje seria bem pior", titula o semanário Expresso, assinalando o segundo aniversário do temporal que, no dia 20 de Fevereiro de 2010, provocou 43 mortos, seis desaparecidos e 1.200 desalojados na ilha de Alberto João. Pois. Se fosse hoje, teria sido... uma catástrofe.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Os Alemães não têm emenda

Primeiro foi a chanceler alemã, Angela Merkel, que na terça-feira deu a Madeira como um mau exemplo da aplicação dos fundos estruturais europeus, que serviram para construir "muitos túneis e auto-estradas bonitas", mas não contribuíram "para que haja mais competitividade". Agora é o presidente do Parlamento Europeu, o também alemão Martin Schulz, que critica o facto de Passos Coelho andar a pedir investimentos angolanos, considerando que, assim, "o futuro de Portugal é o declínio".
Ora bem: eu também tenho as minhas reservas acerca da "obra feita" na Madeira, mas sou português, embora continental, e escrevo um blogue que não se leva a sério. E, é verdade, o dinheiro angolano a mim também não me cheira nada bem. Mas isso é um problema meu. Nosso. Neste assunto, como noutros, parto de uma posição muito conservadora, que é basicamente aquela de eu estar à vontade para criticar um tio por ele ser um grande aldrabão, mas não admitir a ninguém de fora da família que me venha dizer que esse mesmo tio é um pequeno mentiroso.
Alberto João Jardim é uma nódoa? É. Pedro Passos Coelho é um desastre? De facto. Mas estas, como muito bem diria o filósofo e treinador de futebol Jorge Jesus, são questões "do forno interno" português. Problemas em que nós próprios nos metemos e que temos de ser nós também a resolver. Quem está de fora, racha canhotos! E os Alemães ainda estão de fora, apesar da sua histórica tendência para meterem o nariz e o resto onde não são chamados.
Merkel e Schulz decerto não concertaram uma ofensiva germânica contra Portugal. Isto foram acasos por acaso coincidentes, não são prolegómenos da invasão. De resto, a invasão propriamente dita era capaz de parecer um exagero, nos tempos que correm. Já não me admirava nada que, antes pelo contrário, os Alemães estivessem apenas a ganhar lanço para nos atirarem carroça fora.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Obrigado, Alberto João

O Alberto João vai dar tolerância de ponto aos madeirenses na terça-feira de Carnaval. O Governo Regional justifica a decisão com o "impacto da quadra na economia da Região Autónoma" e a "contribuição que a população dá para o seu alto nível". Para além disso, Jardim morre se não for ao desfile, e assim já ninguém o acusa de faltar ao emprego.
Parece impossível, mas sou capaz de estar de acordo com o folião-mor das ilhas. Inclino-me a admitir que a Madeira faz muito bem em manter o "feriado" de Carnaval. Para além disso, esta decisão contra as ordens de Pedro Passos Coelho é também uma oportuna demonstração do que Jardim costuma fazer com as recomendações e as contas mandadas pela República: corta-as ao meio, enfia-as num prego e transforma-as em papel selado.
Na Câmara de Vila Real já se faz o mesmo. E, por esse País fora, muitas outras autarquias, que não querem publicidade, acabam de aderir a este velho processo de reciclagem salvo do esquecimento pelo poupado Alberto João, como no dia 21 se verá. É mais uma que temos para lhe agradecer.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Abençoados pela poncha

O título do jornal é: "Passos e Jardim chegam a acordo". Amém! Na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, todos os dias das vidas deles. Amém! Mas, digo eu, isto é um casal moderno, foi só para não darem o desgosto à família, e vai durar muito pouco. Hipócritas! Um e outro sabem que não foram feitos um para o outro. Ainda por cima são primos, só pode dar estupidez. No dia, breve, em que separarem os trapinhos, lá continuaremos nós, os filhos irreconhecidos, a pagar as contas de uns pais (um país!) que também não conhecemos de lado nenhum.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Lisboa, não tomes juízo!

Depois do chantagista-mor, a vez do chega-me-isso de serviço. Nas vésperas da mais que provável assinatura do programa de assistência financeira à Madeira, prevista para a próxima segunda-feira, um tal Gabriel Drumond, ex-deputado e dirigente do PSD regional, saiu a terreiro para ameaçar que ou Lisboa "toma juízo ou temos de ir para a independência". Drumond, que por acaso também é o presidente da FAMA, associação independentista de que Alberto João Jardim é sócio n.º 1, acusa o Governo da República de se ter tornado num "bando de malfeitores, a começar pelo primeiro-ministro e ministro das Finanças, que tem um padrinho que é o Presidente da República".
Pois faço votos para que Lisboa não tome juízo. E se Drumond e Jardim têm mesmo "de ir para a independência", que vão pela sombra.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Jardim, o inexequível

De "calças na mão" e a necessitar de dinheiro fresco "como de pão para a boca", Alberto João Jardim ameaça não assinar o plano de assistência financeira da Madeira se, na sua douta opinião, ele for "inexequível". "O resultado disto, se não assinar agora, é uma crise política", explicou o chantagista do Funchal, advertindo que não vai "demitir-se para fazer a vontade aos senhores de Lisboa, porque já lá foi o tempo em que Lisboa escolhia o governador da Madeira".
Claro que isto é só paleio. É o agarrem-me-senão-parto-tudo do costume. A inexequibilidade, de resto, é um conceito muito relativo e dado às mais cómodas interpretações. Às vezes basta desencravar um pentelho, na catroguiana expressão, para que tudo se componha. O próprio Jardim também é democraticamente inexequível, como todos sabem e alguns têm vergonha de dizer, e no entanto está lá no poleiro desde o século passado. Quer-se dizer: é só paleio, mas tem rendido.
Havia de ter piada se desta vez, pelo menos uma vez em trinta e tal anos, os senhores de Lisboa o deixassem arriar completamente as calças e depois... agissem em conformidade.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

E quem se lixa é o mexilhão

As farmácias vão deixar de dispensar medicamentos a crédito à população da Madeira já a partir de quinta-feira, porque o Governo regional não cumpre, desde Novembro, o plano de pagamentos acordado com a Associação Nacional das Farmácias. Segundo a ANF, a dívida ascende aos 77 milhões de euros e diz respeito a comparticipações desde 2009.
Eis mais um edificante episódio da "obra feita" por Alberto João Jardim em prol do seu povo. Mas afinal o homem não paga a ninguém? E é inimputável?

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Acho bem

Com o esforço e o patriotismo que infelizmente não lhe são reconhecidos, Alberto João Jardim lá conseguiu enfim elevar a dívida pública da Madeira ao invejado patamar dos seis mil milhões de euros. Acho bem! Na minha modesta opinião, não há nada que se compare com um número redondo, a não ser outro número redondo, e mais redondo se for possível, como, por exemplo, oito mil milhões de euros. Mas há que ter fé, ainda faltam 25 dias até ao final do ano. Entretanto, o feito já alcançado pelo Alberto João devia ser celebrado com fogo-de-artifício. Ai já está previsto!? Óptimo. Acho muito bem.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Eu tenho obra

Dei finalmente uso ao terrenito de onze hectares que tinha comprado há coisa de três anos ali para os lados de Caminha, entre o mar e a serra. Comprado é uma forma de dizer, porque não o paguei. Não tenho dinheiro! Construí uma mansão apalaçada, com 16 quartos e sete salões, 19 casas de banho, todas com jacuzzi e paparazzi, três cozinhas, biblioteca transformada em garrafeira, ginásio, discoteca, bar de alterne, capela e kartódromo interiores, garagem para 53 automóveis, todos meus, 14 motos, todas minhas, um sidecar, meu, dois autocarros, meus, e uma retroescavadora, minha, três campos de ténis, dois campos de milho, quatro piscinas, um rio que mandei fazer de propósito e uma ligação privada à auto-estrada por túnel de 14 quilómetros em via dupla. A propriedadezinha, a que dei o nome de Quinta da Poncha, ficou-me por uma pipa de massa. A minha sorte é que mandei as contas dos arquitectos, engenheiros e empreiteiros para o tecto. Com um ordenado de mil euros por mês, eu não ganho para isto!
Chamo-lhe Quinta da Poncha para a distinguir da Primeira da Poncha, que construí em São João da Pesqueira, da Segunda da Poncha, que tenho na Manta Rota, da Terceira da Poncha, na zona do Estoril, e da Quarta da Poncha, em Ferreira do Alentejo. Todas mansões apalaçadas, envolvidas por estradas, viadutos e aquedutos navegáveis que eu mandei fazer, mas não gastei nem um cêntimo. Sou um teso! Se preciso de tudo isto?, perguntarão. Tenho uma família muito grande, e se disserem que sou só eu, a minha mulher e o nosso filho, eu nego! E se me acusarem de estar a esconder a Sexta da Poncha e a Sétima da Poncha, implantadas respectivamente na Madeira e na República Centro-Africana, eu digo que é calúnia.
Calúnia e inveja. Inveja e calúnia. Podem chamar-me manobrista financeiro, aldrabão, caloteiro, irresponsável, desgovernado, vigarista, criminoso. À vontade! A minha resposta é:
- Sim. E depois? Mas tenho obra!

sábado, 1 de outubro de 2011

O buraco

Afinal são só 6.328 milhões de euros. E estava eu preocupado! Pode ainda ser mais, é verdade, mas, se for, não será muito mais, a não ser que seja. O vagaroso ministro das Finanças, Vítor Gaspar, anunciou ontem que a dívida da Madeira conta com mais 465 milhões de euros do que o Governo regional tinha admitido na sua última "confissão", vale, no seu total, 123 por cento do PIB da região e corresponde a 927 por cento das receitas fiscais e a 600 por cento da receita efectiva em 2010. Muito gostava eu de saber como é que alguém consegue gastar seis vezes o que recebe sem ir bater com os costados no xelindró. Dava-me jeito!
O Alberto João é que tem razão. Rima e é verdade. Andavam os "vigaristas" continentais - na oportuna expressão do presidente da república das bananas da Madeira - a dizer que aquilo era um buraco sem fundo, e afinal não é. São só 6.328 milhões de euros.
Umas horas antes (para que se perceba, em tempo de eleições regionais, que o cu não tem nada a ver com as calças), o secretário de Estado do Orçamento, Luís Morais Sarmento, já tinha avisado que o "desvio" verificado no défice do primeiro semestre deste ano vai obrigar o Governo da República a sufocar-nos com mais medidas de austeridade ainda antes do Natal.
Também está bem. O que interessa é que o buraco da Madeira é só de 6.328 milhões de euros. Esta noite vou dormir mais descansado. E vou pôr o despertador para me acordar às 7h30 do dia 1 de Outubro de 2021.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Madeira libre

Num livro escrito em 2007 e que agora o jornal Público escarafunchou, o grande Álvaro da Economia acha que "a Madeira poderá tornar-se independente". Deus o ouça, senhor ministro!