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segunda-feira, 21 de dezembro de 2020

Schengen, para que te quero

Por exemplo. Uma mulher morena e grávida, no aeroporto. Deve ser detida por contrabando ou por apoio à emigração ilegal?

P.S. - No dia 21 de Dezembro de 2007 o espaço Schengen, de livre circulação de pessoas sem controlos nas fronteiras internas, foi alargado a nove dos mais recentes estados membros da União Europeia, oito dos quais ex-países comunistas.

quarta-feira, 14 de outubro de 2020

E se fossem normalizar a puta que os pariu?

O bacalhau, tal qual o conhecemos, pode estar em vias de extinção. A vida ou morte do nosso bacalhau, do bacalhau português, do bacalhau do nosso contentamento, está nas mãos da Comissão Europeia, que, empurrada pelo lóbi nórdico, discute por estes dias uma proposta que visa normalizar o processo de cura, introduzindo químicos (fosfatos) para alegadamente evitar a oxidação do produto. Do produto...
A sanha normalizadora da Comissão Europeia chegou à seca. Que seca! Querem roubar-nos o nosso mais fiel amigo. Querem acabar com a indústria portuguesa do bacalhau, que conta com mais de oitenta empresas e emprega quase duas mil pessoas. Querem obrigar-nos a comer bacalhau à la Noruega, que não serve para fazer alguns dos nossos mais tradicionais e emblemáticos pratos, a começar logo pela punheta.

As colheres de pau não lhes chegavam. Tinham de nos foder também o bacalhau. Com licença de José Saramago, e se fossem normalizar mas é a puta que os pariu?
 
P.S. - Publicado originalmente no dia 10 de Fevereiro de 2012. Hoje, 14 de Outubro, é Dia Mundial da Normalização, e parabéns à prima! Pela parte que me toca, continuo a cozinhar com colher de pau, evidentemente, e a enlambuzar-me com caras de bacalhau, que são produto subversivo e, a bem dizer, de contrabando...

sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Sardinha luso-espanhola mete ano sabático

Foto Hernâni Von Doellinger

A ameaça era de quinze anos de nem vê-la, mas, vá lá, os cientistas do mar que aconselham a Comissão Europeia afinal exigem apenas que Portugal e Espanha deixem de pescar sardinha, nem uma!, durante um ano. Da maneira que as sardinhas andam, realmente uma merda, trinta anos se calhar também não estaria mal...
Mas depois há outro assunto: e os pescadores?...

segunda-feira, 11 de julho de 2016

Vêm aí as sanções, e a culpa é do Éder

Até ontem eu achava que a Europa não teria tomates para sancionar Portugal por causa dos famigerados 0,2 por cento de "défice excessivo" - na verdade um pentelho, como diria o Catroga. Mas ontem tudo mudou, evidentemente. As sanções vêm mesmo aí, e a culpa é do Éder.

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Os Alemães não têm emenda

Primeiro foi a chanceler alemã, Angela Merkel, que na terça-feira deu a Madeira como um mau exemplo da aplicação dos fundos estruturais europeus, que serviram para construir "muitos túneis e auto-estradas bonitas", mas não contribuíram "para que haja mais competitividade". Agora é o presidente do Parlamento Europeu, o também alemão Martin Schulz, que critica o facto de Passos Coelho andar a pedir investimentos angolanos, considerando que, assim, "o futuro de Portugal é o declínio".
Ora bem: eu também tenho as minhas reservas acerca da "obra feita" na Madeira, mas sou português, embora continental, e escrevo um blogue que não se leva a sério. E, é verdade, o dinheiro angolano a mim também não me cheira nada bem. Mas isso é um problema meu. Nosso. Neste assunto, como noutros, parto de uma posição muito conservadora, que é basicamente aquela de eu estar à vontade para criticar um tio por ele ser um grande aldrabão, mas não admitir a ninguém de fora da família que me venha dizer que esse mesmo tio é um pequeno mentiroso.
Alberto João Jardim é uma nódoa? É. Pedro Passos Coelho é um desastre? De facto. Mas estas, como muito bem diria o filósofo e treinador de futebol Jorge Jesus, são questões "do forno interno" português. Problemas em que nós próprios nos metemos e que temos de ser nós também a resolver. Quem está de fora, racha canhotos! E os Alemães ainda estão de fora, apesar da sua histórica tendência para meterem o nariz e o resto onde não são chamados.
Merkel e Schulz decerto não concertaram uma ofensiva germânica contra Portugal. Isto foram acasos por acaso coincidentes, não são prolegómenos da invasão. De resto, a invasão propriamente dita era capaz de parecer um exagero, nos tempos que correm. Já não me admirava nada que, antes pelo contrário, os Alemães estivessem apenas a ganhar lanço para nos atirarem carroça fora.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Galinhas e coelhos

Portugal trata mal as suas galinhas poedeiras e a Comissão Europeia caiu-lhe em cima com um processo. Levámos nós e mais doze países. Segundo Bruxelas, 47 milhões de galinhas na União Europeia - num total de 350 milhões - ainda estão confinadas a gaiolas demasiado pequenas que não lhes garantem "estruturas, tais como ninhos ou poleiros, que contribuam para que as aves vivam em condições menos cruéis".
Atenção, que isto é assunto sério. As normas europeias exigem que "todas as galinhas poedeiras sejam mantidas em 'gaiolas melhoradas', com mais espaço para fazer ninho, esgravatar e empoleirar-se, ou em sistemas alternativos". Estas gaiolas têm de prever, "para cada galinha, pelo menos 750 cm² de superfície da gaiola, um ninho, uma cama, poleiros e dispositivos adequados para desgastar as garras, que permitam às galinhas satisfazer as suas necessidades biológicas e comportamentais".
Está, portanto, a Comissão preocupada com o bem-estar das nossas galinhas? Pois diz que sim. Mas parece que o que verdadeiramente a incomoda é a existência de concorrência desleal entre os estados membros e distorções no mercado interno comunitário. Isto porque, alega Bruxelas, "os estados membros que ainda autorizam a utilização de gaiolas 'não melhoradas' colocam em desvantagem as empresas que investiram na conformidade com as novas medidas".
Pois. Afinal tem tudo a ver com dinheiro e não propriamente com os direitos dos galináceos. E só assim se compreende que a Comissão Europeia ainda não tenha tomado uma posição sobre o coelhocídio perpetrado sabe-se lá por quem no Parque da Cidade do Porto. Eu insisto na minha: ali houve massacre em massa. Ou, o que é ainda mais provável, em arrozada. E não descansarei enquanto não descobrir o que se passou. É a minha cruzada.

sábado, 9 de julho de 2011

Caguinchas

À primeira encrenca, ficámos a saber que não temos primeiro-ministro. Quer-se dizer: temos, mas chama-se Presidente da República. A Moody's pôs o País em pantanas, toda a gente fala do que não sabe, das televisões aos supermercados, mas Passos Coelho não sai da concha. Delegou. Olha que o meu pai é polícia, é dos comandos, é pára-quedista, ele é que te parte todo! Mancheta o semanário Expresso que o nosso invisível chefe de Governo "quer que [a] resposta às agências de rating seja feita pela UE (União Europeia)". O homem acagaçou-se? Como avisou o Moquinha, depois que não se admire se lhe faltarem ao respeito.