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quarta-feira, 13 de julho de 2011

O homem falou

"O primeiro-ministro e presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, considerou [...] estranho que ainda não tenha sido criada uma agência de notação financeira europeia para fazer face ao que qualificou de "oligopólio" de agências norte-americanas", noticiou a agência Lusa. Ora até que enfim que o nosso chefe do Governo abordou a momentosa problemática do rating. E o País agradece-lhe a frontalidade e franqueza. Oliquê?...

sábado, 9 de julho de 2011

Caguinchas

À primeira encrenca, ficámos a saber que não temos primeiro-ministro. Quer-se dizer: temos, mas chama-se Presidente da República. A Moody's pôs o País em pantanas, toda a gente fala do que não sabe, das televisões aos supermercados, mas Passos Coelho não sai da concha. Delegou. Olha que o meu pai é polícia, é dos comandos, é pára-quedista, ele é que te parte todo! Mancheta o semanário Expresso que o nosso invisível chefe de Governo "quer que [a] resposta às agências de rating seja feita pela UE (União Europeia)". O homem acagaçou-se? Como avisou o Moquinha, depois que não se admire se lhe faltarem ao respeito.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Fala-me estrangeiro, que eu gosto

Para quem ainda não percebeu (e é preciso ser burro!), fiz um apanhado e o que se passou foi o seguinte: a Moody's cortou o rating de Portugal, em quatro níveis, de Baa1 para Ba2, com Outelook negativo, transformando a dívida soberana do País em junk. Para além disso, desceu a nossa dívida de curto prazo para Not prime. A notação portuguesa deixou, portanto, de ser considerada investment-grade. Há quem classifique como "extremamente infeliz" o timing destas decisões, numa altura em que Lisboa começava a passar a limpo os apontamentos que a troika lhe deixou, mas a agência financeira avisa que até pode nem ficar por aqui, ameaçando com novos downgrades. Por outro lado, analistas norte-americanos dizem que o corte da Moody's já era esperado pelo mercado. Porquê? Muito simplesmente porque "a 775 pontos base, o CDS implica um rating CCC e 49 por cento de capacidade cumulativa de incumprimento nos próximos cinco anos". Realmente.
As consequências da decisão da Moody's não se fizeram esperar. As bolsas europeias acusaram o toque, com quase todos os sectores a negociarem no vermelho, justificando realce o sector de Health Care, que negociou praticamente flat. O índice parisiense CAC 40 e o índice alemão DAX 30 caíram 0,44% e 0,22%. Já o vizinho madrileno IBEX 35 recuou 1,22%. O petróleo fechou em queda no Nymex, mas o brent acabou a subir. Em Portugal, o PSI 20 afundou 3,03% para 7.126,29 pontos, naquela que foi a pior sessão do ano e em que se destacou a underperformance do BCP. E, no entanto, ontem foi o dia em que o Executivo de Passos Coelho aprovou o fim das golden share.
As yields a quatro, cinco, seis, sete, oito, nove e dez anos subiram mais de 100 pontos. O preço dos credit default swaps sobre as OT nacionais a cinco anos também subiu. O spread entre as obrigações do Tesouro português a 10 anos e as bund alemãs superou a barreira psicológica dos 1.000 pontos base.
Finalmente, teme-se que a Fitch e a Standard & Poor's copiem a Moody's e mandem fechar esta treta.
Já perceberam? Eu ainda não percebi, e é preciso ser burro!
Mas porque é que estes gajos nos falam assim? Eles não querem que a gente perceba, pois não?