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domingo, 22 de fevereiro de 2026

O mal de Paulo Raimundo

Foto Partido Comunista Português

O mal de Paulo Raimundo é ser parecido com ele próprio. Isto é, o grande defeito de Paulo Raimundo é não ser parecido com ninguém. E o que é que se segue? Para a imensa maioria dos portugueses, mais do que uma incógnita, o secretário-geral do PCP continua a ser um incógnito.
Ainda anteontem. Eu e o Lopes vínhamos a sair da Conga, em direcção à Câmara do Porto, e passámos por três indivíduos conversando, um dos quais, dissemos nós um ao outro praticamente ao mesmo tempo, "Olha um tipo parecido com o Paulo Raimundo...", rimo-nos um bocadinho com a coincidência, porque é uma coisa que gostamos muito de fazer, rir um bocadinho, e seguimos com a nossa vidinha, que naquela tarde era entrarmos no carro e o Lopes trazer-me a Matosinhos, à porta.
À noite, em casa, varejando os títulos das notícias, é que eu dei fé que o líder comunista tinha andado de facto pela Invicta, o tipo parecido com o Paulo Raimundo era mesmo o Paulo Raimundo e os outros dois indivíduos afinal não eram indivíduos mas camaradas, evidentemente. E fiquei deveras aborrecido, porque faria muito gosto em ter-lhe dado uma mãozada, ao bom do Raimundo, até porque acho que o homem merece.
Merece, mas! Aquela aspecto de pessoa normal não o recomenda. Aquele ar mancebo, aquela cara de boa gente, aquele sorriso tímido e verdadeiro, aquela presença asseada, limpinha, aquela estampada honestidade, aquele porte de 16.º na lista de candidatos à assembleia de freguesia, aquele terra-a-terrismo, aquela normalidade toda, diria eu, só o desabonam. Invisibilizam-no. Apagam-no aos olhos e à memória dos demais. Na rua, Paulo Raimundo passa ao lado de si próprio, como se nada fosse. E, se for distraído, às tantas nem se reconhece. Paulo Raimundo devia ser parecido com outra pessoa qualquer, por exemplo Jerónimo de Sousa, para se saber imediatamente que aquele que ali está é o Paulo Raimundo em pessoa.
Ou então o secretário-geral do PCP devia ir muito mais às televisões e aos jornais e às chamadas redes sociais, montar lá banca, dizer uns tremendismos quaisquer, chamar nomes às pessoas, como os líderes do Chega e da Iniciativa Liberal (IL), que esses dois, assim, toda a gente sabe quem são.
Toda a gente, mas não é geral. Eu, por exemplo, se me pusessem o da IL numa fila de identificação policial, palavra de honra que não saberia apontá-lo. Assim de repente não faço ideia da cara dele, precisaria talvez de uma cábula, uma fotografia daquelas "Procura-se", porque, a verdade também é só uma, esse, o tal liberal, sem a máquina do Correio da Manhã por trás como o outro, nem sei o que me parece...

P.S. - Publicado originalmente no dia 14 de Dezembro de 2023. Ontem parti-me a rir com Paulo Raimundo, que comentava, a pedido dos jornalistas, o parlapiê de Luís Montenegro acerca do alegado programa de ajudas pós-tempestade, muito boas intenções, palavrinhas a abater e vou ali e venho já. "Para sermos correctos e rigorosos, não há nada para comentar da resposta que não foi dada pelo primeiro-ministro, que tem realmente esta característica, consegue falar meia hora sem dizer nada", apontou, mais ou menos nestes termos, o líder comunista. Para rematar: "Se perguntassem assim: um comentário ao plano, não há plano; um comentário às medidas; não houve medidas; um comentário à gravata do senhor primeiro-ministro, isso posso comentar, é a única coisa possível de comentar". Raimundo no seu melhor, e ouvido na rádio, naquele tom simpático, agradável, mas cheio de malandrice, ainda teve mais piada.

quinta-feira, 14 de novembro de 2024

Operário di qualità, di qualità

Hoje é Dia Mundial da Qualidade, e eu acho justo. É preciso que se note que o meu primeiro emprego com descontos para a Caixa foi exactamente como "controlador de qualidade", que era o nome que deram ao meu trabalho de "fiel de armazém", que era o nome que não deram ao meu trabalho de faz-tudo, isto é, moço de recados, na Estamparia Marigam, em Fafe. Sei portanto do que falo e não sei se estão a ver que, sendo eu o operário que fui, estou plenamente capacitado para ser secretário-geral do PCP, tal e qual como o bom do Paulo Raimundo, que uma vez também foi operário. E no entanto desconheço a que qualidade de qualidade diz respeito o Dia Mundial da Qualidade. Isto é: estamos a falar de boa qualidade ou de má qualidade? De qualidade de vida ou de qualidade de morte? Afirmar-se apenas "da Qualidade" é muito pouco, é abstracto, é obscuro. Em última análise, até podemos estar a celebrar uma qualidade sem qualidade nenhuma. Pelo menos é o que eu acho.

P.S. - Hoje é Dia Mundial da Qualidade.

quinta-feira, 14 de dezembro de 2023

O mal de Paulo Raimundo

Foto Partido Comunista Português

O mal de Paulo Raimundo é ser parecido com ele próprio. Isto é, o grande defeito de Paulo Raimundo é não ser parecido com ninguém. E o que é que se segue? Para a imensa maioria dos portugueses, mais do que uma incógnita, o secretário-geral do PCP continua a ser um incógnito.
Ainda anteontem. Eu e o Lopes vínhamos a sair da Conga, em direcção à Câmara do Porto, e passámos por três indivíduos conversando, um dos quais, dissemos nós um ao outro praticamente ao mesmo tempo, "Olha um tipo parecido com o Paulo Raimundo...", rimo-nos um bocadinho com a coincidência, porque é uma coisa que gostamos muito de fazer, rir um bocadinho, e seguimos com a nossa vidinha, que naquela tarde era entrarmos no carro e o Lopes trazer-me a Matosinhos, à porta. 
À noite, em casa, varejando os títulos das notícias, é que eu dei fé que o líder comunista tinha andado de facto pela Invicta, o tipo parecido com o Paulo Raimundo era mesmo o Paulo Raimundo e os outros dois indivíduos afinal não eram indivíduos mas camaradas, evidentemente. E fiquei deveras aborrecido, porque faria muito gosto em ter-lhe dado uma mãozada, ao bom do Raimundo, até porque acho que o homem merece.
Merece, mas! Aquela aspecto de pessoa normal não o recomenda. Aquele ar mancebo, aquela cara de boa gente, aquele sorriso tímido e verdadeiro, aquela presença asseada, limpinha, aquela estampada honestidade, aquele porte de 16.º na lista de candidatos à assembleia de freguesia, aquele terra-a-terrismo, aquela normalidade toda, diria eu, só o desabonam. Invisibilizam-no. Apagam-no aos olhos e à memória dos demais. Na rua, Paulo Raimundo passa ao lado de si próprio, como se nada fosse. E, se for distraído, às tantas nem se reconhece. Paulo Raimundo devia ser parecido com outra pessoa qualquer, por exemplo Jerónimo de Sousa, para se saber imediatamente que aquele que ali está é o Paulo Raimundo em pessoa.
Ou então o secretário-geral do PCP devia ir muito mais às televisões e aos jornais e às chamadas redes sociais, montar lá banca, dizer uns tremendismos quaisquer, chamar nomes às pessoas, como os líderes do Chega e da Iniciativa Liberal (IL), que esses dois, assim, toda a gente sabe quem são.
Toda a gente, mas não é geral. Eu, por exemplo, se me pusessem o da IL numa fila de identificação policial, palavra de honra que não saberia apontá-lo. Assim de repente não faço ideia da cara dele, precisaria talvez de uma cábula, uma fotografia daquelas "Procura-se", porque, a verdade também é só uma, esse, o tal liberal, nem com ele próprio deve ser parecido.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2023

Quando o PCP metia anões no ar condicionado

Foi um tremendo escândalo, a que só eu liguei. Lembram-se, em 2012, quando Zita Seabra denunciou na televisão as técnicas de espionagem usadas pelo Partido Comunista Português? Do piorio! A espionagem do PCP através dos aparelhos de ar condicionado durante a década de oitenta do século passado era um prática bem conhecido por todos os ex-comunistas e sobretudo pelos ex-comunistas que foram expulsos do partido e arranjaram bom emprego no PSD. Mas moita-carrasco! Aliás, demonstrando grandeza intelectual e enorme sentido de responsabilidade, Zita Seabra esperou mais de vinte anos para pôr a boca no trombone com Mário Crespo, na SIC. O que só lhe fica bem.

Lembram-se? O PCP negou imediata e relutantemente o óbvio, como lhe está na natureza, mas já não engana ninguém. É um facto: depois de comidas as criancinhas, os comunistas portugueses meteram mesmo anões nos aparelhos de ar condicionado "em tudo o que era ministério, em sítios nevrálgicos e em órgãos de poder". Anões especialistas, ouvidores, descriptadores e onzeneiros, que porém saíam do serviço às 19h45, por imposição sindical. O PCP ainda hoje não sabe o que é que o Governo tramava ao serão.
Percebem agora de onde vêm as expressões tão nossas e tão dos nossos medos de que "o ar condicionado tem ouvidos" e "cuidado com as correntes de ar"?
Dir-me-ão as boas almas, os simples: mas ainda bem que o PCP pelo menos arranjou emprego a essa minoria da população portuguesa, uma vez que ainda não havia Bloco de Esquerda. Ora aí é que a porca torce o rabo: porque estes anões não eram anões desde o princípio. Eram todos matulões com mais de um metro e noventa que foram mingar durante quatro anos (o curso completo) num campo de treino da antiga União Soviética que tinha aqueles programas de doping muito jeitosos e neste caso até era doping ao contrário. Saíram de lá anões como manda a sapatilha, regressaram a Portugal e foram introduzidos nos aparelhos da FNAC, que antigamente queria dizer outra coisa e patrocinou as camisolas do Sporting e do Benfica. Assim corria. Até um deles, anões, por causa de um peido, ter sido descoberto pela senhora da limpeza do Governo, que foi logo meter no cu da editora Zita.
E lá se acabou o que era bom para os anões: o fresquinho no Verão e o quentinho no Inverno. Hoje trabalham nas máquinas multibanco. Em horário completo e sem ar condicionado.

P.S. - Publicado originalmente, mais ou menos assim, no dia 11 de Agosto de 2012, sob o título "Zita Seabra e os 777 anões". FNAC era a Fábrica Nacional de Ar Condicionado, do exótico empresário Alexandre Alves, que chegou a ser candidato a presidente do Benfica e, também por ser comunista, mereceu o cognome de Barão Vermelho. No dia 2 de Janeiro de 1906, nos EUA, foi atribuída a patente ao primeiro "sistema de tratamento de ar", pai do ar condicionado. Quanto a Zita Seabra, foi expulsa do PCP fará amanhã 33 anos.

domingo, 2 de janeiro de 2022

Zita Seabra e as correntes de ar no PCP

Foi um tremendo escândalo, a que só eu liguei. Lembram-se, em 2012, quando Zita Seabra denunciou na televisão as técnicas de espionagem usadas pelo Partido Comunista Português? Do piorio! A espionagem do PCP através dos aparelhos de ar condicionado durante a década de oitenta do século passado era um prática bem conhecido por todos os ex-comunistas e sobretudo pelos ex-comunistas que foram expulsos do partido e arranjaram bom emprego no PSD. Mas moita-carrasco! Aliás, demonstrando grandeza intelectual e enorme sentido de responsabilidade, Zita Seabra esperou mais de vinte anos para pôr a boca no trombone com Mário Crespo, na SIC. O que só lhe fica bem.
Lembram-se? O PCP negou imediata e relutantemente o óbvio, como lhe está na natureza, mas já não engana ninguém. É um facto: depois de comidas as criancinhas, os comunistas portugueses meteram mesmo anões nos aparelhos de ar condicionado "em tudo o que era ministério, em sítios nevrálgicos e em órgãos de poder". Anões especialistas, ouvidores, descriptadores e onzeneiros, que porém saíam do serviço às 19h45, por imposição sindical. O PCP ainda hoje não sabe o que é que o Governo tramava ao serão.
Percebem agora de onde vêm as expressões tão nossas e tão dos nossos medos de que "o ar condicionado tem ouvidos" e "cuidado com as correntes de ar"?
Dir-me-ão as boas almas, os simples: mas ainda bem que o PCP pelo menos arranjou emprego a essa minoria da população portuguesa, uma vez que ainda não havia Bloco de Esquerda. Ora aí é que a porca torce o rabo: porque estes anões não eram anões desde o princípio. Eram todos matulões com mais de um metro e noventa que foram mingar durante quatro anos (o curso completo) num campo de treino da antiga União Soviética. Saíram de lá anões como manda a sapatilha, regressaram a Portugal e foram introduzidos nos aparelhos da FNAC, que antigamente queria dizer outra coisa e patrocinou as camisolas do Sporting e do Benfica. Assim corria. Até um deles, anões, por causa de um peido - um peidinho anão -, ter sido descoberto pela senhora da limpeza do Governo, que foi logo meter no cu da editora Zita.
E lá se acabou o que era bom para os anões: o fresquinho no Verão e o quentinho no Inverno. Hoje trabalham nas máquinas multibanco. Sem ar condicionado.

P.S. - Publicado originalmente, mais ou menos assim, no dia 11 de Agosto de 2012, sob o título "Zita Seabra e os 777 anões". FNAC era a Fábrica Nacional de Ar Condicionado, do exótico empresário Alexandre Alves, que chegou a ser candidato a presidente do Benfica e, também por ser comunista, mereceu o cognome de Barão Vermelho. No dia 2 de Janeiro de 1906, nos EUA, foi atribuída a patente ao primeiro "sistema de tratamento de ar", pai do ar condicionado.

quarta-feira, 25 de novembro de 2020

sexta-feira, 4 de setembro de 2020

A rendição de Jerónimo

Jerónimo, o último guerreiro índio, lendário chefe dos Apaches, rendeu-se aos Estados Unidos invasores no dia 4 de Setembro de 1886, após trinta anos de luta.
Jerónimo, um dos derradeiros, secretário-geral do Partido Comunista Português, não se rende às evidências instaladas e leva a sua Avante!, após noventa e nove anos de luta.

sábado, 11 de fevereiro de 2017

O quê? O rio Vizela está poluído?...

Os grupos parlamentares do PSD, do CDS, do PCP e dos Verdes "avisam" que "é preciso despoluir  o rio Vizela" - diz o jornal Público.
(O rio Vizela, afluente do rio Ave, nasce no Alto de Morgair, em Gontim, Fafe. E serve de esgoto às fábricas de Fafe, Felgueiras, Guimarães, Vizela e Santo Tirso. O Vizela é famoso por ser um rio de muitas cores e insuportáveis fedores.)
Eu sei que lá para Outubro haverá eleições autárquicas, mas, no que diz respeito à poluição no rio Vizela, o PSD, o CDS, o PCP e os Verdes chegam, se não me engano, com mais de quarenta anos de atraso...

terça-feira, 23 de abril de 2013

25 de Abril em Fafe


A peça de teatro "Diz-lhes que não falarei nem que me matem" vai amanhã à cena em Fafe, no âmbito das comemorações do 25 de Abril. Programa completo do Dia da Liberdade e outra informação relacionada, aqui.

domingo, 3 de fevereiro de 2013

De cabelo encaracolado e atrasado como sempre

António José Seguro, que voltou ao cabelo encaracolado, exigiu ontem ao Governo explicações sobre a nomeação de Franquelim Alves para secretário de Estado do Não Sei Quê E Coisa E Tal. O Franquelim deve ser uma boa peça, era da panela do BPN mas mandou queimar essa parte do currículo. Homem praticamente sério, portanto, mais um artista do circo do Relvas.
Mas, palavra de honra, eu pensava que já sabia deste número desde anteontem, quando o deputado comunista Honório Novo denunciou o escândalo - sim, o escândalo. Durante estas mais de 24 horas, onde esteve o secretário-geral do PS? No cabeleireiro?

sábado, 11 de agosto de 2012

Zita Seabra e os 777 anões

Não liguem ao atraso. Eu bem não queria mexer nisto, mas tem que ser. A espionagem do PCP via aparelhos de ar condicionado, estão a ver? Cheira mal? Paciência! Portanto, cá vai. Para princípio de conversa, tenho que lavrar a minha mais profunda crítica à alegada comunicação social portuguesa, que parece que não levou a sério a corajosa denúncia: tratar um escândalo desta dimensão como se fosse um fait divers da silly season é erro crasso, de palmatória. E peço desculpa por escrever erro crasso, de palmatória, mas a verdade é que desconheço as expressões equivalentes em estrangeiro e que calhavam aqui que nem ginjas.
Isto é assunto sério. A espionagem do PCP via aparelhos de ar condicionado durante a década de oitenta do século passado é um prática bem conhecido por todos os ex-comunistas e sobretudo pelos ex-comunistas que foram expulsos do partido e arranjaram bom emprego no PSD. Demonstrando grandeza intelectual e enorme sentido de responsabilidade, Zita Seabra só agora, mais de vinte anos depois, é que foi ao Mário Crespo pôr a boca no trombone. E se não tinha essa ideia de início, acabou por colocar-se a jeito.
O PCP nega o óbvio, como lhe está na natureza, mas já não engana ninguém. Meteu mesmo anões nos aparelhos de ar condicionado "em tudo o que era ministério, em sítios nevrálgicos e em órgãos de poder". Anões especialistas, ouvidores, descriptadores e onzeneiros, que porém saíam do serviço às 19h45, por imposição sindical. O PCP ainda hoje não sabe o que é que o Governo tramava ao serão.
Percebem agora de onde vem a expressão tão nossa e tão dos nossos medos de que "o ar condicionado tem ouvidos"?
Dir-me-ão as boas almas, os simples: mas ainda bem que o PCP pelo menos arranjou emprego a essa minoria da população portuguesa, uma vez que ainda não havia Bloco de Esquerda. Ora aí é que a porca torce o rabo: porque estes anões não eram anões desde o princípio. Eram todos matulões com mais de um metro e noventa que foram mingar durante quatro anos (o curso completo) num campo de treino da antiga União Soviética. Saíram de lá anões como manda a sapatilha, regressaram a Portugal e foram introduzidos nos aparelhos da FNAC. Até um deles, por causa de um peido - um peidinho, de anão -, ter sido descoberto pela senhora da limpeza do Governo, que foi logo meter no cu da Zita Seabra.
E lá se acabou o que era bom para os anões: o fresquinho no Verão e o quentinho no Inverno. Hoje trabalham nas máquinas do Multibanco. Sem ar condicionado.

sábado, 16 de junho de 2012

No caminho certo, mas para onde?

As famílias com consumos elevados de energia e os pequenos negócios vão sofrer um aumento de 7,4 por cento no preço do gás e de 2 por cento na electricidade. O Ministério da Justiça quer encerrar 54 tribunais, quase todos no País interior. A Maternidade Alfredo da Costa, em Lisboa, deve fechar portas até ao fim do ano. Directores das escolas do ensino básico e secundário afirmam que o despacho de organização do próximo ano lectivo vai criar dificuldades sérias à abertura das aulas. A Fenprof faz tenção de penhorar o Palácio das Laranjeiras e mandar o ministro Nuno Crato para debaixo da ponte. O PCP prepara uma moção de censura ao Governo. O PS, enrodilhado nas tricas autofágicas do costume, não sabe o que há-de fazer à vida. O País discute se Cristiano Ronaldo deve ir ao psicólogo ou à bruxa. Jens Weidmann, presidente do Bundesbank, diz que "Portugal está no caminho certo". O seu representante em Lisboa, Pedro Passos Coelho, apressou-se a explicar no Parlamento que não podia estar mais de acordo.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Finalmente todos focados no essencial: os feriados

E de repente fez-se luz. Ontem, como se estivessem combinados mas isso era o que faltava, Igreja, Bloco de Esquerda, PS, PCP e Ribeiro e Castro atiraram-se todos ao mesmo assunto, àquele do qual verdadeiramente depende a salvação dos portugueses: a problemática da eliminação dos feriados. A Hierarquia católica diz que não há pressa, os socialistas, os comunistas e os bloquistas querem que tudo fique como está, que está muito bem, e o desalinhado deputado do CDS apresentou três-propostas-alternativas-três para manter o 1.º de Dezembro, o qual, na ideia dele, é mais feriado do que os outros.
Cá no rés-do-chão, a nossa preocupação era mesmo os feriados. Agora estamos todos muito melhor, obrigado. A crise, assim, já não é mais do que uma embirrenta corrente de ar. Por falar nisso, e se não for pedir de mais à Igreja, ao Bloco de Esquerda, ao PS, ao PCP e ao Ribeiro e Castro do 1.º de Dezembro: o último a sair que feche a porta. E apague a luz.

quinta-feira, 15 de março de 2012

As marcas de Salazar

"Diz-lhes que não falarei nem que me matem". Este é o título da peça de teatro que a Capital Europeia da Cultura leva à cena, de hoje até sábado, e que conta a vida difícil de Carlos Costa, prisioneiro da ditadura fascista durante quinze anos, vítima de muitas torturas e companheiro de Álvaro Cunhal na célebre fuga do Forte de Peniche.
O JN anuncia que Carlos Costa, 84 anos, estará presente na sessão desta noite, no Centro para os Assuntos de Arte e Arquitectura, em Guimarães.
Carlos Costa é fafense e eu sempre tive muito orgulho nisso. Conheci-o na minha juventude, logo a seguir ao 25 de Abril. Ele ia amiúde a Fafe, aos comícios do seu PCP, que costumavam ser no salão dos meus Bombeiros. Era o comunista famoso que nunca se esquecia de procurar o meu avô para lhe dar um grande abraço, que depois, por sorte e por ser tão grande, sobrava também para mim e me deixava emocionadíssimo, quase em lágrimas.
Por aquela altura eu já sabia o que tinham feito àquele homem. A ele e a outros da minha terra, uma vila do reviralho, um centro de luta antifascista com os seus próprios heróis e mártires. E hoje ainda não esqueci, também porque não quero esquecer. As marcas de Salazar são para manter vivas e bem vivas. Estas, as genuínas e verdadeiras. Por muito que custe e doa. E para incómodo dos sem-memória, dos sem-vergonha e outros contrafactores da História.

sábado, 11 de fevereiro de 2012

O Jogador

Miguel Relvas, primeiro-ministro de Portugal e ministro dos Assuntos Parlamentares, disse hoje na Trofa que "não perde tempo com o jogo das palavras", depois de ter impedido Passos Coelho de ir à Assembleia da República explicar a balbúrdia que não há nos serviços secretos e em resposta às críticas do PCP quanto à sua - dele, Relvas - "intromissão" nas competências do Parlamento.
Mas perde, perde! Não faz outra coisa. O malabarismo palavrístico é, aliás, a grande (e única?) habilidade conhecida de Miguel Relvas. E é por isso que ele lá está, não é?

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Portugal, graças a Deus

Afinal, de que nos queixamos? Somos um país "abençoado", disse ontem o ministro das Finanças, Vítor Gaspar, em Londres. E o governante não falava do clima, nem do arroz de cabidela, nem do Mourinho, nem do Ronaldo. Falava do "amplo consenso interno" existente em Portugal para nos empobrecerem. Falava da nossa rica crise.
Vítor Gaspar explicou aos ingleses que nós por cá somos todos a favor da austeridade que nos aperta os tomates, menos "dois partidos mais pequenos", suponho que referindo-se ao PCP e ao BE. De resto, o PSD é a favor, o PS é a favor, o CDS é a favor e "cerca de 80 por cento" dos eleitores portugueses também são a favor, porque, segundo o ministro, já sabiam ao que iam quando votaram, de forma "esmagadora", nos "três maiores partidos", que tinham subscrito o plano de austeridade imposto pela troika de má fama.
Portanto, os Portugueses só estão a ter aquilo que pediram. Graças a Deus!

sábado, 12 de novembro de 2011

O sequestro

Foi há 36 anos. Uma manifestação dos trabalhadores da construção civil convocada pela CGTP, e com o então poderosíssimo PCP na régie, cercou o Palácio de São Bento e sequestrou a Assembleia Constituinte e o Governo, que também estava em casa. Dois dias! Quem se lembra do primeiro-ministro Pinheiro de Azevedo? "Estou farto de brincadeiras, ok? De brincadeiras, hã! Fui sequestrado, já duas vezes. Já chega! Não gosto de ser sequestrado! É uma coisa que me chateia, pá"... E depois foi almoçar.
E os moinas que lá estão agora, gostarão? Gostarão de brincadeiras? Ou ficariam chateados? Ou o que querem é almoçar?