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quinta-feira, 19 de setembro de 2024

Passos Perdidos ou Triângulo das Bermudas?

O Parlamento é uma casa de assombros. É assim uma espécie de Cova de Iria ou, vá lá, de Entroncamento, mas em Lisboa e em caro. No nosso Parlamento acontecem os mais variados e extraordinários espantos, a maioria dos quais, porém, não transpira cá para fora, porque o Parlamento, por norma, não transpira, mas também derivado ao segredo de Estado e, em muito raros casos, à vergonha na cara. O mais certo é que no Parlamento haja muita merda abafada, isto é, classificada. Por isso, o que às vezes vaza cá para fora, quando vaza, mete um bocado de nojo, mas é de rir.
Lembram-se, aqui há uns anos? Um documento de 36 páginas com a actualização do Plano Nacional de Reformas ficou esquecido mais de 40 dias na gaveta da então presidente da Assembleia da República, a jovem aposentada Assunção Esteves. Isso, quarenta dias, como Jesus no deserto. O documento tinha sido enviado pelo Governo, também do PSD, chefiado por Pedro Passos Coelho, e já não me lembro como é que se soube do fenómeno. Uma coisa é certa, três dias antes, quatro deputados socialistas da comissão parlamentar de inquérito ao caso BPN estiveram desaparecidos durante cerca de dez horas, deixando sozinha na sala e entregue aos bichos a camarada Ana Catarina Mendes. Após aturadas e angustiantes buscas, Basílio Horta, Pedro Delgado Alves, Pedro Nuno Santos, esse exactamente, e Hortense Martins acabaram por ser encontrados, vivos e livres de perigo, graças a Deus.
Sim, sobreviveram todos!...

P.S. - Hoje é Dia Internacional de Falar Como Um Pirata.

quarta-feira, 11 de novembro de 2020

Cavaco Silva e o BPN

Apenas uma efeméride: no dia 11 de Novembro de 2008, faz portanto hoje a conta certa de uma dúzia de anos, o então Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, anunciou a promulgação do diploma que nacionalizava o Banco Português de Negócios, argumentando que teve em conta a "protecção dos depositantes e a estabilidade do sistema financeiro". Pois. Para além de outras manigâncias e manifestos crimes, a ponderada nacionalização do BPN já sacou ao bolso dos portugueses mais de cinco mil milhões de euros. E continua a contar...

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

E Rui Machete safa-se?

Joaquim Pais Jorge deixou o emprego de secretário de Estado. Esteve lá um mês. Se se demitiu ou na verdade foi demitido, não interessa para esta história que é, desde o princípio, um chorrilho de mentiras. Mas o breve homem do Tesouro saiu a disparar em todas as direcções e com grande estardalhaço. É o último serviço que presta à ministra que o acoitou. E lealdade eu aprecio. Com tanta metralha pelo ar, e de cabeça enfiada na areia (que nos atiram), talvez esqueçamos enfim os malabarismos semânticos e swapicos de Maria Luís Albuquerque, essa perita em passa-culpas. Exactamente. A senhora é um eucalipto: seca e liquida tudo à sua volta, exuberando à pala da desgraça que semeia.
Por outro lado: e Rui Machete, o das habilidades com o BPN, também se safa, no meio da confusão? Era essa a ideia?
É Verão. Isto não está nada mal jogado, é preciso que se note. Mas política devia ser outra coisa. E Portugal devia ser um país.

sábado, 13 de abril de 2013

O Clube do Crachá

Foto ENRIC VIVES-RUBIO/PÚBLICO

Dois ministros e quatro secretários de Estado tomaram posse. Um empossado e uma empossada já tinham direito ao crachá, eram da coisa: Marques Guedes lá compareceu em Belém de nacional pin na farpela; não sei se as senhoras do alegado Governo de Portugal também têm direito ao crachá e, se têm, onde é que o espetam, mas o de Teresa Morais não se viu. Poiares Maduro, Pedro Lomba, Emídio Guerreiro e Cardoso da Costa apareceram em público de lapela em branco. Compreende-se, estavam apenas a chegar à coisa, a partir de agora é que é de peito feito.
O cerimonial que deu na televisão foi seco e desnecessário - tal qual Cavaco Silva. O governo de Portugal é na Alemanha e as juras feitas em Lisboa, após vénia ao Presidente, valem tanto para os portugueses do rés-do-chão como promissória de operário no BPN. Melhor seria terem-nos mostrado o secreto rito da entrega do crachá, que infelizmente continua a ser realizado atrás das cortinas palacianas.
Deve ser emocionante. Para eles. Porque o que eles querem é pertencer ao Clube do Crachá. Pessoas notoriamente inteligentes como Maduro e Lomba, sabendo que não vão fazer nada, só se percebe que adiram à corja instalada porque desejam o crachá - e essa é a única notícia da tomada de posse, para além da ausência de Paulo Portas. O crachá é que é. Tão é que é que Miguel Relvas também lá foi mas já sem ele, quase nu. Perdeu o direito. Viva o crachá, viva, pin.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Coitado do Franquelim

Já não bastava o que bastava, agora vem Miguel Relvas defender Franquelim Alves, o novo secretário de Estado do Não Sei Quê E Coisa E Tal que saiu da panela do BPN. Elogios de Relvas em assunto de honra são como facadas no coração do desgraçado. E eu não disse nas costas.

domingo, 3 de fevereiro de 2013

De cabelo encaracolado e atrasado como sempre

António José Seguro, que voltou ao cabelo encaracolado, exigiu ontem ao Governo explicações sobre a nomeação de Franquelim Alves para secretário de Estado do Não Sei Quê E Coisa E Tal. O Franquelim deve ser uma boa peça, era da panela do BPN mas mandou queimar essa parte do currículo. Homem praticamente sério, portanto, mais um artista do circo do Relvas.
Mas, palavra de honra, eu pensava que já sabia deste número desde anteontem, quando o deputado comunista Honório Novo denunciou o escândalo - sim, o escândalo. Durante estas mais de 24 horas, onde esteve o secretário-geral do PS? No cabeleireiro?

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Eric Schmidt, português honoris causa

Eric Schmidt, presidente da Google, diz que está muito "orgulhoso" por ter recorrido a paraísos fiscais para fugir aos impostos. De acordo com as notícias, Schmidt terá montado um esquema que permitiu ao gigante da Internet poupar milhares de milhões de euros.
Chama-se a isto vigarice? Não. "Chama-se capitalismo. Nós somos orgulhosamente capitalistas. Não faço qualquer confusão sobre isso", explicou Schmidt.
Eu não sabia, mas este americano é mesmo muito português e mestre de muitos portugueses. É dos nossos. Merece que o nosso Governo lhe conceda a cidadania honorário e que as nossas universidades o cubram de doutoramentos.

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Tiro no submarino

As buscas nas casas dos ex-ministros e secretário de Estado do PS foram debalde. Os agentes da PJ encontraram apenas papelada sem importância relativa ao negócio dos submarinos de Paulo Portas, a caderneta de poupanças de Isaltino Morais, 248 fascículos da história do BPN para crianças e, num compartimento secreto, dois ou três penáltis alegadamente roubados ao Benfica. Mário Lino, António Mendonça e Paulo Campos são gente asseada e avisada. Toda a vida à espera de visitas, há que tempos que as limpezas estavam feitas.

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Passos Perdidos ou Triângulo das Bermudas?

Um documento de 36 páginas com a actualização do Plano Nacional de Reformas ficou esquecido mais de 40 dias na gaveta da presidente da Assembleia da República, a jovem aposentada Assunção Esteves. Soube-se ontem. O documento tinha sido enviado pelo Governo. Na terça-feira, quatro deputados socialistas da comissão parlamentar de inquérito ao caso BPN estiveram desaparecidos durante cerca de dez horas, deixando sozinha e entregue aos bichos a camarada Ana Catarina Mendes. Basílio Horta, Pedro Delgado Alves, Pedro Nuno Santos e Hortense Martins já foram encontrados. Estão livres de perigo.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

A oportunidade australiana

Em Camberra, Cavaco Silva plantou um sobreiro, lembrou a importância económica da cortiça e pediu-nos atenção para as oportunidades de negócio na Austrália. Muito obrigado pela dica, Senhor Presidente: vou já lá investir o dinheiro todo que ganhei no BPN.

terça-feira, 22 de maio de 2012

Na passagem do primeiro meio aniversário

22 de Novembro de 2011. Cinco dias depois da bronca, o procurador-geral da República ordenou um "inquérito urgente" para apurar responsabilidades na fuga de informação no caso das detenções de Duarte Lima e do seu filho. Pinto Monteiro disse ao País que queria descobrir a fonte interna que avisou a SIC e colocou os jornalistas à porta da casa de Pedro Lima antes mesmo da chegada dos inspectores da Polícia Judiciária. "É uma vergonha para a justiça em Portugal a maneira como as buscas se fizeram, com uma publicidade mediática tremenda” e com a comunicação social no local das diligências antes de estas começarem, declarou então o PGR, avisando, no entanto, serem "raros" os inquéritos desta natureza que produzem resultados.
Entretanto, Duarte Lima foi ouvido pelo juiz, ficou preso preventivamente, teve tempo para pensar na vida, pôs a boca no trombone mas tocou piano, denunciou três ou quatro dos seus comparsas, modestos operacionais, pôs os amigos da alta-roda a não lhes caber um feijão no cu e, por ter sido bom rapaz, mandaram-no para casa com uma pulseira electrónica. Ah!, e Emídio Rangel, fundador da TSF e da SIC, foi condenado em tribunal por acusar juízes e magistrados do Ministério Público de passarem aos jornalistas informação em segredo de justiça. "Nos cafés, às escâncaras".
22 de Maio de 2012. O inquérito do Senhor Procurador-Geral faz hoje seis meses. O "inquérito urgente". Já se sabe alguma coisa? O que é que se descobriu? Se calhar, nada. Realmente é raro os inquéritos desta natureza produzirem resultados. Pinto Monteiro avisou logo.

terça-feira, 10 de abril de 2012

Ai Portugal, Portugal...

Foto Hernâni Von Doellinger
O desemprego bateu novo recorde e o preço da gasolina também. A água vai ficar mais cara ainda este ano e os partidos gastaram mais de 10 milhões de euros nas eleições legislativas do ano passado, sobretudo em hotéis, autocarros, restaurantes, agências de comunicação e estudos de mercado - um recorde de pouca-vergonha! Cada vez mais portugueses não têm dinheiro para pagar os empréstimos aos bancos e o Turismo do Algarve pede isenção de portagens para os carros de matrícula estrangeira. A Cáritas regista um crescimento de 91 por cento no atendimento a novos casos de pobreza e o Governo PSD/CDS admite que o número de suicídios vai aumentar por causa da crise. Mais de cinco mil pessoas moram em caixas de cartão nas ruas de Lisboa e Porto e Pedro Passos Coelho, alegado primeiro-ministro, declara-se "muito satisfeito porque foi possível salvar o BPN". A troika está a matar Portugal e António José Seguro, alegado líder da oposição, atira-se a Marcelo Rebelo de Sousa. De que é que nós estamos à espera?

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Mais um insulto

Cavaco Silva disse hoje que fez as contas e já sabe quanto vai receber de reforma da Caixa Geral de Aposentações e do fundo de pensões do Banco de Portugal: 1.300 euros por mês. "Tudo somado [...], quase de certeza que não dá para pagar as minhas despesas", lamentou-se o Presidente da República.
Eu não sei em que despesas é que o cidadão Aníbal Cavaco Silva anda metido, para não se conseguir governar com 1.300 euros por mês (e vamos fazer de conta que ele não tem as reformas políticas), quando a minha mãe, que começou a trabalhar de criada de servir aos 7 anos, é obrigada a remediar-se com 250. A que despesas é que Cavaco reformado tem direito e a minha mãe não tem?
Vou dar uma novidade ao Chefe de Estado: o salário mínimo nacional ainda não chegou aos 500 euros e abrange quase meio milhão de portugueses. Menos de 500 euros, ouviu bem? E há milhares e milhares que nem isto recebem.
A verdade é esta: quando abre a boca para falar de dinheiro, seja das suas reformas, do BPN ou dos funcionários públicos, o economista e poupado Cavaco Silva só diz tolérias. E faz pouco de quem é pobre. O que é feio, diz a minha mãe.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

As porcelanas de Duarte Lima

"O BPN penhorou bens de Duarte Lima no valor de 5,8 milhões de euros, no âmbito de um crédito bancário", noticiava ontem o Expresso, citando o Correio da Manhã. De acordo com o semanário de Francisco Pinto Balsemão, o banco dos amigos de Cavaco Silva ofereceu ao ex-deputado e ex-líder parlamentar do PSD um prazo, que termina hoje, para ele entregar "os quadros e porcelanas que deu como garantia do empréstimo no valor total de seis milhões de euros".
Parece que o BPN tem medo que Duarte Lima, se for preso por causa da morte de Rosalina Ribeiro, de que é formalmente acusado pela Justiça brasileira, não consiga pagar a dívida. Diz o Expresso que Lima "pagava uma prestação mensal de 120 mil euros pelo crédito concedido".

Peço desculpa pela minha ignorância, mas gostava de perceber o seguinte:
1.º - Quanto é seis milhões de euros, em camiões?
2.º - Para que é que uma pessoa que só foi político e advogado na vida precisa de seis milhões de euros?
3.º - Como é que um banco empresta seis milhões de euros a uma pessoa que só foi político e advogado na vida?
4.º - Como é que uma pessoa que só foi político e advogado na vida consegue ter "quadros e porcelanas" tantos e tão valiosos que servem de garantia a um empréstimo de seis milhões de euros?
5.º - Como é que um banco aceita bricabraque como garantia para um empréstimo de seis milhões de euros?
6.º - Onde param os seis milhões de euros?
7.º - De onde veio o bricabraque de Duarte Lima?
8.º - Quanto é que é preciso ganhar por mês para se poder pagar ao banco uma prestação mensal de 120 mil euros?
9.º -  Cento e vinte mil euros enchem um camião?
10.º - A penhora do BPN é para levar a sério?
11.º - Por que é que se estão todos a rir da questão anterior?
12.º - E não vai mais ninguém preso no caso BPN?

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

E diz o inteligente que acabaram as ilusões

A esfinge de Belém decidiu ontem matar de vez os sonhos dos portugueses. "Acabaram os tempos de ilusões", decretou Cavaco Silva, ignorante como é seu timbre, sem sequer suspeitar o lado bom da palavra ilusão, o lado que nos mantém vivos e esperançados. Porque as palavras, ao contrário do Presidente da República, não têm apenas o lado mau.
Cavaco quer que os portugueses "redescubram o valor republicano da austeridade digna". Ele que vá explicar tão elevado conceito aos quase 700 mil desempregados, aos milhares de sem-abrigo que se multiplicam pelas ruas como cogumelos envenenados, às filas sem fim nas sopas dos pobres, às mães que se desfazem dos filhos recém-nascidos.
Cavaco quer que os portugueses - sem emprego, sem subsídio de desemprego, sem reforma, sem casa, tendencialmente sem direito à saúde, sem dinheiro, sem pão e finalmente sem ilusões - "cultivem estilos de vida baseados na poupança". Só se pouparem no ar que respiram e que ainda não paga imposto. Mas aqui Cavaco sabe do que fala: foram os seus amigos que inventaram o BPN, a maior burla da história de Portugal, e ainda lhe deram algum a ganhar.
"Perdemos muitos anos na letargia do consumo fácil e na ilusão do despesismo público e privado", diz Cavaco. A esfinge de Belém esfinge muito mal. Parece que não teve nada a ver com a merda que nos fizeram e nós deixámos fazer. Onde é que ele estava nesses anos todos, nesses tempos de regabofe? A tomar conta, sempre a tomar conta. No poder ou na sombra do poder, mas sempre a tomar conta. E agora finge que não é nada com ele. E nem tão-pouco esboça um pedido de desculpas aos portugueses.
Este país é uma tourada. Estamos entregues aos bichos. E diz o inteligente que acabaram as ilusões?

O 5 de Outubro deste ano só me deu desgostos. Que raio de língua é que estava a falar António Costa, presidente da Câmara de Lisboa, quando, no seu discurso, meteu a palavra perzeverança? Isto não é perzeguição, palavra de honra, mas em que gramática é que o edil lisboeta descobriu que um s a seguir a um r se lê z? Lá em casa tem perzianas? E será que vai perzistir no erro? É bem capaz, ele é um tipo muito perzistente.

domingo, 31 de julho de 2011