| Foto Hernâni Von Doellinger |
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quarta-feira, 4 de março de 2026
sábado, 27 de abril de 2024
quinta-feira, 4 de abril de 2024
Há barcos para muitos portos
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segunda-feira, 14 de agosto de 2023
segunda-feira, 2 de maio de 2022
domingo, 24 de abril de 2022
segunda-feira, 27 de setembro de 2021
sexta-feira, 17 de setembro de 2021
terça-feira, 24 de fevereiro de 2015
quarta-feira, 14 de janeiro de 2015
sexta-feira, 12 de setembro de 2014
domingo, 31 de agosto de 2014
Edifício do novo terminal de cruzeiros de Leixões
| Foto Hernâni Von Doellinger |
Todos os dias alguém (ou alguéns) passa aqui pelo Tarrenego! à procura das últimas sobre o andamento das obras da nova estação de passageiros do Porto de Leixões. O que eu posso dizer é que a coisa por fora está assim. Por dentro, não sei - não me deixam entrar. A conclusão dos trabalhos esteve prevista para o ano de 2013, foi depois prometida para meados do primeiro semestre de 2014, mas a verdade é que as próximas eleições legislativas são só em Outubro de 2015. Se não chover.
terça-feira, 24 de junho de 2014
quinta-feira, 19 de junho de 2014
quarta-feira, 7 de maio de 2014
terça-feira, 29 de abril de 2014
O meu barbeiro 2
O meu barbeiro atacou-me à traição. Falou-me de barcos. Tínhamos uma combinação tão antiga e cómoda, de só comunicarmos um com o outro por sinais, e ele apanha-me o ponto fraco e obriga-me à conversa. Barcos. Nós sabíamos que tínhamos também isso em comum, os barcos, mas era como se não soubéssemos, disfarçávamos silenciosamente, numa cumplicidade camarada, coisa de velhos embarcadiços. O Sr. Fernando, que é um artista de mão cheia, foi, no seu tempo, escanhoador-mor a bordo da Sagres; e eu há 1.324 dias que sou contador de navios a bordo da minha varanda com vista para o mar (se me puser de lado).
Foi assim. Diz-me o meu barbeiro, sem mais nem menos, "Aquilo agora em Leixões os cruzeiros são uns atrás dos outros". Parece coisa de nada, não é?, apenas deixada no ar, mas oh palavras que me disseste! Leixões e cruzeiros. Senha e contra-senha. Ao ataque!, pensei eu mais com a língua do que com a cabeça, esquecendo-me de que queria estar calado. Esqueci-me também da bóia e afoguei-me no relambório. Que "Pois de facto, para aí 80 durante este ano" e que "Eu é que os vejo passar, estou lá em cima a tomar conta" e que "Até os fotografo" e que "Até já conheço alguns ao longe, como por exemplo o Albatroz, o Aurora, o Azura que é irmão do Ventura, o Boudica, o Crystal Symphony, o Queen Victoria, o Marina, o Celebrity Constellation ou o Costa Pacifica", que ainda outro dia me passou à porta,
e que "O Porto de Leixões é um sucesso, um batedor de recordes que despeja milhares de turistas nas cidades de Matosinhos e Porto, só não vê quem não quer", e que "Só nos primeiros seis meses de 2012 Leixões mais que duplicou (aumento de 118 por cento) o número de passageiros em relação ao período homólogo de 2011" - e eu disse mesmo período homólogo e, sim, expliquei a percentagem entre parênteses - e que "Um dia destes um filho da puta qualquer vai foder isto tudo, sentado numa secretária em Lisboa". Foi assim que eu falei. Mas em ponto grande.
O meu barbeiro, que aqui atrasado não acreditou em mim quando eu lhe disse que não era mudo, estava o barbeiro mais feliz do mundo. Pasmado, de pente e tesoura suspensos no ar, como bailarina sevilhana pronta a tocar castanholas. O paleio ia de vento em popa. O meu barbeiro servia à pinta. Os barbeiros são óptimos a servir à pinta. Que "Sim" e que "Sim" e que "Sim" e que "Sim", "Sim senhor", "Não me diga", "Parece impossível". Falámos por quase 30 anos de silêncio. Mas conversa sobre barcos leva longe. Já íamos nos fados, vejam bem. Olhei para trás e não vi terra, a minha varanda. Tive medo e parei ali. Levantei a mão direita numa saudação índia atabalhoada, fiz "Ugh!", paguei e nadei até casa.
À roda da cadeira do meu barbeiro começavam a sair os primeiros acordes de La Boda de Luis Alonso. (ver e ouvir)
(Texto escrito e publicado no dia 11 de Outubro de 2012. Mudo-lhe hoje a fotografia e faço uma alteraçãozinha de nada. Quem tiver vagar, pode ler mais do mesmo em O meu barbeiro.)
Foi assim. Diz-me o meu barbeiro, sem mais nem menos, "Aquilo agora em Leixões os cruzeiros são uns atrás dos outros". Parece coisa de nada, não é?, apenas deixada no ar, mas oh palavras que me disseste! Leixões e cruzeiros. Senha e contra-senha. Ao ataque!, pensei eu mais com a língua do que com a cabeça, esquecendo-me de que queria estar calado. Esqueci-me também da bóia e afoguei-me no relambório. Que "Pois de facto, para aí 80 durante este ano" e que "Eu é que os vejo passar, estou lá em cima a tomar conta" e que "Até os fotografo" e que "Até já conheço alguns ao longe, como por exemplo o Albatroz, o Aurora, o Azura que é irmão do Ventura, o Boudica, o Crystal Symphony, o Queen Victoria, o Marina, o Celebrity Constellation ou o Costa Pacifica", que ainda outro dia me passou à porta,
| Foto Hernâni Von Doellinger |
e que "O Porto de Leixões é um sucesso, um batedor de recordes que despeja milhares de turistas nas cidades de Matosinhos e Porto, só não vê quem não quer", e que "Só nos primeiros seis meses de 2012 Leixões mais que duplicou (aumento de 118 por cento) o número de passageiros em relação ao período homólogo de 2011" - e eu disse mesmo período homólogo e, sim, expliquei a percentagem entre parênteses - e que "Um dia destes um filho da puta qualquer vai foder isto tudo, sentado numa secretária em Lisboa". Foi assim que eu falei. Mas em ponto grande.
O meu barbeiro, que aqui atrasado não acreditou em mim quando eu lhe disse que não era mudo, estava o barbeiro mais feliz do mundo. Pasmado, de pente e tesoura suspensos no ar, como bailarina sevilhana pronta a tocar castanholas. O paleio ia de vento em popa. O meu barbeiro servia à pinta. Os barbeiros são óptimos a servir à pinta. Que "Sim" e que "Sim" e que "Sim" e que "Sim", "Sim senhor", "Não me diga", "Parece impossível". Falámos por quase 30 anos de silêncio. Mas conversa sobre barcos leva longe. Já íamos nos fados, vejam bem. Olhei para trás e não vi terra, a minha varanda. Tive medo e parei ali. Levantei a mão direita numa saudação índia atabalhoada, fiz "Ugh!", paguei e nadei até casa.
À roda da cadeira do meu barbeiro começavam a sair os primeiros acordes de La Boda de Luis Alonso. (ver e ouvir)
(Texto escrito e publicado no dia 11 de Outubro de 2012. Mudo-lhe hoje a fotografia e faço uma alteraçãozinha de nada. Quem tiver vagar, pode ler mais do mesmo em O meu barbeiro.)
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sábado, 12 de outubro de 2013
quinta-feira, 10 de outubro de 2013
Infinity... ou quase
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sexta-feira, 20 de setembro de 2013
Novo terminal de cruzeiros de Leixões
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segunda-feira, 16 de setembro de 2013
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