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sexta-feira, 24 de maio de 2013

A parada do Parada

Foto Hernâni Von Doellinger

Todos os dias António Parada faz alguma coisa para ser presidente da Câmara de Matosinhos. Trabalha. Faz pela vida - pela dele e ao redor. Faz ondas, enquanto os ungidos esperam sentados pela maré que não enche e pelo improvável milagre das rosas. Estes são os candidatos da preguiça, da falsa indignação e do fim do mês.
Parada é candidato de mangas e ideias arregaçadas - é político e da política, mas por linhas travessas, muito travessas. Os jotas e os "ó doutor" que façam o favor de desculpar. Derivado a esta falta de pedigree (e não só), Parada acerta muito menos no que diz do que no que faz, e a nossa sorte é que ele faz muito, quem dera que possa ainda fazer mais, a ver se fala cada vez menos.
António Parada não manda, aparece. E aparece sempre e em todo o lado, como Deus Nossa Senhor. E nunca aparece de mãos vazias. Ainda hoje desceu a minha rua com "mais de 3.000" crianças, levadas, levadas sim, numa "caminhada pelo coração". Claro que não eram nada "mais de 3.000", muitíssimo longíssimo díssimo, mas, por regra, os números das imparáveis iniciativas do ainda presidente da Junta de Freguesia de Matosinhos são exactamente como ele: generosos.
Adiante. Parada aí está. Eu bem gostava que Narciso Miranda também entrasse na corrida, isto ia ter muito mais piada, se calhar desta vez até eu levantava o cu para ir votar, mas o raio do homem não dá de si. Portanto: Parada. No actual cenário, se alguém merece ganhar a Câmara, é ele. E volto ao princípio: António Parada merece a Câmara porque há anos que todos os dias faz alguma coisa por isso. Numa palavra - trabalha.

Foto Hernâni Von Doellinger

sábado, 20 de abril de 2013

Matosinhos: a campanha está na rua

Foto Hernâni Von Doellinger
Foto Hernâni Von Doellinger

À entrada da cidade, bem no fundo da Circunvalação, António Parada e Pedro da Vinha Costa - ambos ao mesmo, cada qual em seu cartaz. Um aposta no peso do nome e do partido. O outro aposta no peso do... peso. Técnicas.

domingo, 10 de fevereiro de 2013

Matosinhos, o PS no seu pior

O PS é de rir. O PS de Matosinhos é de rir e de chorar. Matosinhos não faz parte do pacote de unificação que António Costa, co-líder do partido, negociou com o outro, o Tozé, dando-lhe o prazo limite de exactamente hoje. Eu estou aqui para ver os resultados logo à noite. Matosinhos é um PS à parte. Guilherme Pinto disside e António Parada delira. Narciso Miranda espreita a abébia e Manuel Seabra goza o acerto de contas sentado numa frisa de quase notáveis ressabiados e impotentes. Previa-se que ia ser mais ou menos assim e não é preciso ser bruxo. Eu disse. E avisei com tempo. E o pior é que ainda pode ser pior. Esta gente faz mal a Matosinhos.

domingo, 23 de dezembro de 2012

Iam chover pára-quedistas, mas esteve um rico dia

Hoje ia chover pára-quedistas na Praia de Matosinhos. Era a previsão e estava tudo preparado: um enorme círculo reservado no areal com um ponto de mira ao centro que era impossível falhar, uma manga de vento desbotada e preguiçosa, uma lancha da Polícia Marítima, logo a seguir à rebentação, para que o desse e viesse, a Cruz Vermelha, a PSP, a imprensa local, as câmaras da RTP e do Porto Canal, uma pequena multidão, e eu também, todos de nariz para o ar à espera da coisa. E estava um rico dia.
Eram pára-quedistas pais natais. O anunciado ponto alto da campanha Natal Solidário, promovida pela imparável António Parada, o presidente da Junta que trabalha todos os dias para ser presidente da Câmara. E se calhar merece. Leio que foi recolhida uma tonelada de alimentos para distribuir pelas famílias mais carenciadas. Dir-me-ão: a solidariedade-espectáculo é aviltante, fazer do Natal um carnaval é de mau gosto. Pois será. Mas tenho resposta para isso: tomem lá uma tonelada de comida e, já agora, as três prendas do post anterior, que também faziam parte da festa. Da campanha, quero dizer.
Mas de que é que eu estava a falar? Dos pára-quedistas pais natais, pois. Passou a avioneta e subiu quanto mais pôde para lhes dar o lanço necessário. Lá em cima, pontinhos apenas, para os lados da Senhora da Hora, muito para os lados da Senhora da Hora, saltou um, saltou outro, mais um e mais outro. Eram quatro, poucos para serem chuva, mas eu já disse que estava um rico dia.
E nós cá em baixo à espera, à espera, à espera. À esssss-peeeee-raaaaa! E os pára-quedistas, em vez de virem, iam. E de repente desapareceram. Desabaram em cheio na cidade, cada qual para seu canto, onde calhou, espalhando sustos e sinais de solidariedade. Um deles caiu em cheio no quintal da Dona Angelina, que gritou "Valha-me Deus!", convencida de que era o fim do mundo em pára-quedas e com dois dias de atraso.
A culpa foi do vento. Comigo as coisas não ficam assim e fui tirar satisfações com um dos caídos em parte incerta, trazido para o arraial por meios alternativos. Chama-se Pedro e gostei muito de o conhecer. Perguntei-lhe, sem paninhos quentes, "A culpa foi do vento?", e ele respondeu-me, sem papas na língua, "A culpa foi do vento". Portanto a culpa foi do vento. Vento contrário, inopinado, investiga-se agora se contratado à última hora pela facção guilhermista do PS matosinhense.
Os pára-quedistas estão todos bem. Se pelo menos um deles tem entrado por uma chaminé, seria um sucesso. Mas fica para a próxima. Entretanto, e descontada a demagogia, há uma tonelada de alimentos para quem mais precisa.

Pedro, o pára-quedista - Foto Hernâni Von Doellinger

É Natal, ninguém leva a mal

Foto Hernâni Von Doellinger

domingo, 2 de dezembro de 2012

In memoriam

Foto Hernâni Von Doellinger

Noite de 1 para 2 de Dezembro de 1947. O maior desastre marítimo ocorrido na costa portuguesa. Quatro traineiras naufragam entre a Aguda e Leixões. Morreram 152 pescadores. Ficaram 71 viúvas e mais de 100 órfãos. Hoje, a memória e a homenagem, 65 anos depois. Guilherme Pinto e António Parada presentes, cada qual para seu lado.

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

O Largo do Rato e o saco de gatos 2

Foto Hernâni Von Doellinger
Guilherme Pinto diz que está disponível para se recandidatar à Câmara de Matosinhos, mas recusa submeter-se a eleições primárias no previsto mano a mano com António Parada, o presidente de junta para quem tem perdido todas as disputas no PS local. Parada já está no terreno. Pinto afirma que não quer "reeditar o clima que se viveu há cerca de uma década" e que tanto "envergonhou" o partido. Falava decerto da lota e da tragédia de Sousa Franco. Foi em 2004. A conclusão, então, é só uma: se o Largo do Rato impuser as primárias, o actual presidente de câmara sai calmamente de cena - para evitar cenas -, estendendo a passadeira vermelha ao outro candidato a candidato socialista e seu particular inimigo. A coisa ver ser assim tão pacífica, desta vez? Suspeito que não, infelizmente. Aqui é Matosinhos. E isto é o PS.

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Onde páram as crianças... ou as mochilas?

As notícias dizem isto: António Parada, presidente da Junta de Freguesia de Matosinhos, está a dar uma mão a duas empresas que criaram e vendem uma mochila escolar com um dispositivo de GPS que alegadamente permite aos pais localizar e "controlar" os filhos. Por cerca de 300 euros a unidade. E contra isso nada.
Parada, socialista e assumido candidato a candidato à Câmara de Matosinhos nas eleições do próximo ano, explica que, através deste produto, os pais montam uma "cerca virtual de segurança", considerada a zona onde as crianças poderão circular sem perigo, sendo que, assim que esta delimitação for ultrapassada, de imediato os encarregados de educação são avisados. "O pai recebe um SMS a informar que o filho não está no percurso habitual e que algo de errado se está a passar. Através de uma palavra-passe e um sistema informático, irá detectar online onde a criança de encontra", concretiza o autarca.
A vida está difícil, quase já não há empregos fora da política. Cada um vai à luta com o que tem e António Parada não tem oficinas municipais para reparar ambulâncias dos bombeiros como Guilherme Pinto, o outro desesperado. Parada tem o GPS, mas creio que se enganou no caminho: se bem percebo as notícias (e dei-me tempo para tentar perceber), o negócio que ele promove serve para localizar mochilas, não crianças. Mochilas que podem ser roubadas, perdidas, esquecidas, abandonadas, procuradas, localizadas e encontradas num lugar qualquer. Mas não quer dizer que as crianças também lá estejam. Mochilas que até podem fazer o "percurso normal", dentro da "cerca virtual de segurança", mas as crianças não. A não ser que os pais implantem o GPS no pescoço dos filhos. E esse há-de ser certamente o passo seguinte. Esperem pelo Parada.

terça-feira, 19 de junho de 2012

O Largo do Rato e o saco de gatos

                                                                                        Foto Hernâni Von Doellinger

Depois das duas derrotas seguidas de Guilherme Pinto em Matosinhos, o PS do Largo do Rato acagaça-se perante tão exuberante demonstração pessoal de falta de apoio das bases, como se diz em política, e procura outro candidato para as eleições autárquicas do próximo ano. Pinto leva a mal, esperneia, agarra-se ao tacho com quantas mãos tem e, em desespero de causa, organiza uma tainada com apoiantes onde anuncia que vai concorrer como socialista independente. Contra o PS.
Após dois bem sucedidos mandatos à frente da Junta da Freguesia de Matosinhos e cavalgando a onda da recente vitória para a Concelhia do partido, António Parada acha que chegou a sua hora de tomar conta da Câmara. O PS do Largo do Rato não concorda, quer alguém mais "ó doutor", as mangas de camisa arregaçadas são como o elefante, incomodam muita gente. Parada não se fica, vai ao mercado, reúne as tropas e apresenta-se a eleições como socialista independente. Contra o PS.
Desiludido com a experiência falhada como deputado e convencido de que o tempo varreu as memórias, Manuel Seabra prepara-se para voltar a casa e à presidência da Câmara, que uma vez lhe caiu no colo. O PS do Largo do Rato pede desculpa ao "ó doutor", mas explica que pretende alguém com a folha limpa. Seabra sente-se desconsiderado, não vai ao mercado e avança para a campanha como socialista independente. Contra o PS.
Cansado da insignificância e de que lhe andem a calcar as couves do quintal, Narciso Miranda regressa à luta, ignorando olimpicamente o Largo do Rato. Ele é que é o verdadeiro socialista independente, o Narciso, e vai a votos. Contra o PS, obviamente.
Portanto, resumindo e concluindo: Guilherme Pinto, António Parada, Manuel Seabra e Narciso Miranda são todos candidatos à presidência da Câmara de Matosinhos nas autárquicas de 2013, todos como socialistas independentes, todos contra o PS. O lema geral da campanha é "Cuidado com as Costas, Cuidado com a Faca". O PS arranja um "ó doutor" e ganha. O PSD, como se sabe, não entra nesta história.
Podia acontecer.

domingo, 25 de março de 2012

Deitemos abaixo o Senhor do Padrão

                                                                                       Foto Hernâni Von Doellinger

O grande dia aproxima-se a passos largos e Matosinhos está cada vez mais na linha da frente para limpar com toda a justiça o primeiro prémio das Sete Maravilhosas Arrenúncias Culturais de Portugal. O monumento ao Senhor do Padrão apresenta-se pior do que nunca, alagando de orgulho os corações embebecidos de todos os matosinhenses. A porta do fontanário há que tempos que estava em pantanas e dentro do zimbório aquilo já era uma magnífica lixeira, cheia de sacos plásticos com restos de comida ou rezas, erva das duas qualidades e garrafas de vinho. Mas faltava o empurrão final. Deram-lho ontem, graças a Deus: alma caridosa encarregou-se de arrombar de vez o gradeamento e abarbatar-se ao aloquete (cadeado, para o júri do concurso, em Lisboa), quem sabe se com o ternurento fito de o pendurar como promessa de amor eterno na Ponte de Luís I, no Porto.
A Câmara de Guilherme Pinto - há que aplaudi-la a pés ambos - está inexcedível de desmazelo e ignorância. Se o prémio vier, como todos esperamos, sobretudo a ela o deveremos. A esta Câmara injustamente conhecida por esse mundo fora derivado a uma certa e determinada reparação da monumental porta dos Paços do Concelho, mas que aqui, sendo o assunto também portas, soube avaliar correctamente o que está em jogo e canalizou todo o seu esforço no sentido de não fazer absolutamente nada. Esta corajosa aposta no abandono demonstra, para além do mais, a apurada visão da autarquia. O abandono acicata o vandalismo e isto é meio caminho andado para o sucesso num certame desta natureza. É esta singular interacção social que a Câmara tão competentemente promove e consegue.
Se o Senhor do Padrão ganhar, Matosinhos já tem um hino de vitória. Foi apresentado e ensaiado pelo primeira vez na última reunião entre a Câmara Municipal, a Junta de Freguesia, o Porto de Leixões, o IGESPAR, a paróquia e o próprio Jesus Cristo, que desceu à Terra com o celestial lamiré. É um hino sem letra, apenas assobiado, e para o lado, inspirado na música da canção "No pasa nada".
Só um grande azar e um pequeno pormenor nos podem roubar o título que todos nós, matosinhenses, desejamos e merecemos. O azar é incontrolável e o pormenor é o simples facto de o Senhor do Padrão, Monumento Nacional, ainda estar de pé. Pelo menos estava há coisa de cinco minutos. Mas isso também se resolve. Podíamos até combinar para uma destas noites. Alguém tem uma retroescavadora em casa?

quarta-feira, 14 de março de 2012

Matosinhos: o último a sair que feche a porta!

1. O Senhor do Padrão, "datado do século XVIII e conhecido também por Senhor do Espinheiro ou Senhor da Areia, assinala o local onde, segundo a lenda, apareceu a imagem do Bom Jesus de Bouças, mais tarde conhecida por Senhor de Matosinhos". Quer-se dizer: o Senhor de Matosinhos nasceu no Senhor do Padrão.
2. De acordo com a educativa e internética informação da Câmara Municipal, que estive e vou continuar a citar, o Senhor do Padrão era um "monumento de fortíssimo impacto visual até inícios do século XX, [...] sendo visível a muitos quilómetros de distância quer do lado da terra quer do lado do mar". Depois vieram o Narciso Miranda e Matosinhos Sul. E eu também.
3. A autarquia assegura que, não obstante estas três pragas dos tempos modernos, o Senhor do Padrão "continua a ser uma importante referência para a cidade e para a comunidade piscatória".
4. O sítio do Senhor do Padrão é uma das saídas da camonagem transatlântica que atraca em Leixões. E até tem uma paragem do Yellow Bus.
5. O Senhor do Padrão é o motivo dominante da heráldica da freguesia de Matosinhos.
6. O Senhor do Padrão está classificado como Monumento Nacional desde 1977 (Decreto-Lei n.º 129/77, de 29 de Setembro).

Isto à conclusão: o monumento do Senhor do Padrão, que vem do século XVIII e que nos regalou a boa-vai-ela da romaria do Senhor de Matosinhos, que tinha um "fortíssimo impacto visual" mas já não tem, que é uma "referência" da cidade e da comunidade piscatória, que dá as boas-vindas a turistas e a outros curiosos, que é uma das jóias da coroa patrimonial do concelho, que é a bandeira da freguesia, que pertence à Câmara, que pertence à Junta, que pertence ao Porto de Leixões, que pertence a todos os matosinhenses e ao País e que até pertence ao IGESPAR, está nesta triste figura:

Foto Hernâni Von Doellinger