Um atum com 278 quilos foi hoje comprado por dois vírgula sete milhões de euros, em Tóquio evidentemente, no mercado de Toyosu, que substitui o famoso mercado de Tsukiji, que era o maior
mercado de peixe do mundo e uma das principais atracções turísticas da
capital japonesa. O atum em questão foi a grande estrela do primeiro leilão de Ano Novo, e bateu, sem culpa nenhuma, todos os recordes.
Sei disto tudo porque o jornal Público me conta.
Em Outubro do ano passado, um atum com 162 quilos foi vendido por 4,3 milhões de ienes (quase
33 mil euros), ainda no velho Tsukiji, no seu último leilão, uma semana antes de fechar portas. Um atum praticamente dado, em boa verdade. Com efeito, em Janeiro de 2013, sempre
contado pelo jornal Público, atentíssimo a estas e outras
extraordinarices, um atum gigante foi vendido, no mesmo mercado, pelo
então preço recorde de 1,38 milhões de euros. O peixão pesava 222 quilos,
ficando por isso a cerca de quatro mil e setecentos euros o quilo. O de hoje custou mais de dez mil euros o quilo. Ora
passa-se o seguinte: no outro dia comprei um atum anão, cá em
Matosinhos, na Dona Augusta, por pouco mais de euro e meio, eu seja ceguinho, e mais
fresco era impossível. Pesava quase três quilos.
As notícias afirmam que o atum gigante japonês era "rabilho". O meu atum
anão, não sei. Mas também foi comido. Em bifinhos. De cebolada. E que
bem que soube.
Não percebo se é a fartura que os desorienta, mas a verdade é que os
japoneses são um bocado tolos nisto de compras. Em Julho de 2014
soube-se que um cacho com 34 uvas, cada uma a pesar cerca de 30 gramas,
foi vendido pelo simbólico preço de quatro mil euros. As uvas eram da
raríssima casta ruby roman. Aqui
atrasado comprei um bom gaipelo com 15 bagos e dois pequeninos, e não
paguei mais do que cinquenta e três cêntimos. As minhas uvas eram
colhão-de-galo e fiquei muito bem servido.
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