sábado, 5 de janeiro de 2019

O rabilho, sempre o rabilho

Um atum com 278 quilos foi hoje comprado por dois vírgula sete milhões de euros, em Tóquio evidentemente, no mercado de Toyosu, que substitui o famoso mercado de Tsukiji, que era o maior mercado de peixe do mundo e uma das principais atracções turísticas da capital japonesa. O atum em questão foi a grande estrela do primeiro leilão de Ano Novo, e bateu, sem culpa nenhuma, todos os recordes. Sei disto tudo porque o jornal Público me conta.
Em Outubro do ano passado, um atum com 162 quilos foi vendido por 4,3 milhões de ienes (quase 33 mil euros), ainda no velho Tsukiji, no seu último leilão, uma semana antes de fechar portas. Um atum praticamente dado, em boa verdade. Com efeito, em Janeiro de 2013, sempre contado pelo jornal Público, atentíssimo a estas e outras extraordinarices, um atum gigante foi vendido, no mesmo mercado, pelo então preço recorde de 1,38 milhões de euros. O peixão pesava 222 quilos, ficando por isso a cerca de quatro mil e setecentos euros o quilo. O de hoje custou mais de dez mil euros o quilo. Ora passa-se o seguinte: no outro dia comprei um atum anão, cá em Matosinhos, na Dona Augusta, por pouco mais de euro e meio, eu seja ceguinho, e mais fresco era impossível. Pesava quase três quilos.
As notícias afirmam que o atum gigante japonês era "rabilho". O meu atum anão, não sei. Mas também foi comido. Em bifinhos. De cebolada. E que bem que soube.

Não percebo se é a fartura que os desorienta, mas a verdade é que os japoneses são um bocado tolos nisto de compras. Em Julho de 2014 soube-se que um cacho com 34 uvas, cada uma a pesar cerca de 30 gramas, foi vendido pelo simbólico preço de quatro mil euros. As uvas eram da raríssima casta ruby roman. Aqui atrasado comprei um bom gaipelo com 15 bagos e dois pequeninos, e não paguei mais do que cinquenta e três cêntimos. As minhas uvas eram colhão-de-galo e fiquei muito bem servido.

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