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quinta-feira, 26 de outubro de 2023

Desenganado pelo médico

Rosalvo Almeida, 77 anos, neurologista aposentado e membro do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida, defende que os médicos devem optar por formas de protesto que não prejudiquem os doentes. De acordo com o jornal Público, o sócio número 1 do Sindicato dos Médicos do Norte perdeu a paciência e rasgou o cartão, agora sou eu a dizer, por ser contra a luta da classe "à custa dos doentes". Ao fim de quatro décadas, Rosalvo Almeida decidiu bater com a porta e sair da estrutura sindical que ajudou a fundar, argumentando que sente "vergonha" das declarações com que os dirigentes sindicais justificam as actuais "lutas" e "sucessivas greves" levadas a cabo "em desrespeito pelos doentes".
A este respeito, e continuo a citar o Público, um dirigente sindical respondeu que a medicina "não é um sacerdócio". E eu, confesso, pensava que era - sacerdócio: missão nobre, profissão honrosa - , e ainda ontem vim tão satisfeito e crente da consulta semestral com a minha médica excelentíssima, sempre presente e interessada, obstinada sacerdotisa do Serviço Nacional de Saúde, mas bem enganadinho que eu andava, e a doutora Joana aparentemente também. Hoje já sei: a medicina, afinal, é apenas uma profissão particularmente liberal, um gancho, um tacho, uma caixa registadora, um negócio como outro qualquer - o médico do sindicato desenganou-me...

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Quantos eram? Quantos eram?

"Eu não evito protestos nenhuns", disse Passos Coelho depois de ter fugido aos manifestantes que o esperavam esta manhã em Braga. É de homem.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Já começou 2

Os carteiros são cada vez mais vítimas de ameaças, injúrias e agressões físicas por parte dos clientes, revoltados com a demora na recepção dos vales das reformas, abonos de família e Rendimento Social de Inserção. A denúncia é feita pelos sindicatos do sector, que acusam os CTT de estarem a atrasar de propósito a entrega do correio.
De acordo com Vítor Narciso, presidente do Sindicato Nacional dos Trabalhadores dos Correios e Telecomunicações, "o correio está a ser deliberadamente atrasado porque houve decisão dos CTT de fazer uma distribuição segmentada". "A segmentação foi introduzida para diminuir o número de trabalhadores. Foi uma forma que a empresa arranjou de poupar dinheiro à custa dos trabalhadores e da população", acrescenta, por seu turno, Jorge Costa, dirigente da Comissão de Trabalhadores dos CTT, que acusa também a Administração dos Correios de querer eliminar cerca de 4.000 dos 11.500 postos de trabalho.
É mais lenha para a fogueira. E, nestes tempos de fome e revolta, "brincar" com os vales das reformas, dos abonos e do pessoal do rendimento mínimo é uma provocação quase suicidária. Isto vai acabar mal. E vai sobrar para os desgraçados dos carteiros, que não têm culpa nenhuma desta filhadaputice toda.