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quinta-feira, 26 de outubro de 2023

Desenganado pelo médico

Rosalvo Almeida, 77 anos, neurologista aposentado e membro do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida, defende que os médicos devem optar por formas de protesto que não prejudiquem os doentes. De acordo com o jornal Público, o sócio número 1 do Sindicato dos Médicos do Norte perdeu a paciência e rasgou o cartão, agora sou eu a dizer, por ser contra a luta da classe "à custa dos doentes". Ao fim de quatro décadas, Rosalvo Almeida decidiu bater com a porta e sair da estrutura sindical que ajudou a fundar, argumentando que sente "vergonha" das declarações com que os dirigentes sindicais justificam as actuais "lutas" e "sucessivas greves" levadas a cabo "em desrespeito pelos doentes".
A este respeito, e continuo a citar o Público, um dirigente sindical respondeu que a medicina "não é um sacerdócio". E eu, confesso, pensava que era - sacerdócio: missão nobre, profissão honrosa - , e ainda ontem vim tão satisfeito e crente da consulta semestral com a minha médica excelentíssima, sempre presente e interessada, obstinada sacerdotisa do Serviço Nacional de Saúde, mas bem enganadinho que eu andava, e a doutora Joana aparentemente também. Hoje já sei: a medicina, afinal, é apenas uma profissão particularmente liberal, um gancho, um tacho, uma caixa registadora, um negócio como outro qualquer - o médico do sindicato desenganou-me...

quinta-feira, 25 de março de 2021

Coitados dos comboios

Quando me dizem que a greve na CP "vai perturbar comboios" eu acho mal e, palavra de honra, fico com pena. Dos comboios.

sábado, 23 de setembro de 2017

O sucesso mede-se em cirurgias adiadas

A greve dos enfermeiros fez adiar cerca de seis mil cirurgias, e por isso foi um sucesso. Os médicos, que não são menos do que os enfermeiros, também vão grevar no mês que vem e, para que a doutoral greve seja também um sucesso, será de esperar o adiamento de pelo menos sessenta mil cirurgias. Ou seiscentas mil. De greve em greve antes de eleições, nem que sejam para a junta, qualquer dia os hospitais fecham de vez, as cirurgias serão todas desmarcadas sem aviso, e nós os "pacientes" morreremos regra geral como tordos, mas será um sucesso ainda maior, a glória...
A glória sindical.

P.S. - Esta desgraça começou quando um gajo fino como um alho - sindicalista médico ou enfermeiro, desconfio - inventou a palavra paciente para substituir a palavra doente. Já aqui escrevi: o mal do doente foi ter passado a paciente. Paciente. Depois uma senhora do secretariado acrescentou na margem do P1, a lápis, a palavra utente. Utente de quê?...

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Ora ainda bem que me faz essa pergunta

As cadeias estão sobrelotadas. Os autodenominados Reclusos Anónimos Organizados tornaram público um manifesto exigindo melhores condições prisionais, a concessão de uma amnistia e o perdão de penas - como se não percebessem que estão de castigo. Para além disso, marcaram uma greve de fome que foi um fiasco e uma greve ao trabalho que não se sabe como é que está a correr. Isto foi notícia.
Nem de propósito, a ministra da Justiça visitou ontem o Estabelecimento Prisional de Caxias e, à saída, os jornalistas perguntaram-lhe... pela investigação do Ministério Público às parcerias público-privadas (PPP), isto é, ao PS. Paula Teixeira da Cruz agradeceu a oportuna questão e disse esperar que "todo o apuramento da responsabilidade vá até ao fim", garantindo que "ninguém está acima da lei, sejam ex ou actuais", que "tudo deve ser investigado" e que "acabou o tempo em que havia impunidade". Ufa, foi por pouco! As agendas da comunicação social são mesmo assim e às vezes até dão jeito. Também não era o momento para se falar da situação nas cadeias portuguesas, pois não?