Mostrar mensagens com a etiqueta Chelsea. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Chelsea. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 14 de agosto de 2024

A história de João Feliz

Foto Wikipédia

Era um vez e depois foi várias. O jovem jogador de futebol João Félix era do FC Porto e deixou o FC Porto porque no FC Porto perdera "a alegria de jogar". João era infélix. Por isso foi para o Benfica, onde voltou a ganhar a alegria de jogar. E então, sim, João era félix. Por isso deixou o Benfica. Foi para o Atlético de Madrid, que lhe acenou com seis milhões de euros por ano. Mas passaram sete anos e quarenta e dois milhões, empréstimos macambúzios ao Chelsea e ao Barcelona, e João está outra vez e como sempre infélix e, quando for grande, quer deixar definitivamente os colchoeiros, como muito bem lhes chamam os nossos compatriotas galegos. Quer-se dizer: João quer ser outra vez félix, se possível ainda mais félix, tão félix como certamente nunca foi. E o comissionista Jorge Mendes também.

terça-feira, 30 de abril de 2024

Villas-Boas. Estavam à espera de quê?

(O texto que se segue, tomem bem nota, escrevi-o e publiquei-o aqui no Tarrenego! no dia 20 de Junho de 2011. E mantenho o título. Por mim, portista, André Villas-Boas é muito bem-vindo à presidência do FC Porto, estava anunciado e já vem tarde. Mas foi pena Pinto da Costa ter perdido as eleições, quero dizer, não devia sequer ter concorrido. Sair de livre vontade e pelo seu próprio pé, digo eu, sempre mostraria alguma dignidade.)

Aviso já: acho muito bem que o André Villas-Boas vá para o Chelsea. Era preciso ser parvo para não querer ganhar cinco milhões de euros por ano. E Villas-Boas não é parvo. Não percebo, portanto, o alarido que por aí vai, o despeito dos traídos, que acusam o jovem técnico de ter renegado o seu portismo desde pequequino, que não lhe perdoam o abandono da cadeira de sonho. E ouço choro e ranger de dentes.
Até parece que caiu o Carmo e a Trindade...
Mas estavam à espera de quê? Do triunfo dos valores? Do amor à camisola? Tretas! Estes tipos são assim: egoístas, vaidosos, ambiciosos, calculistas, insensíveis, falsos num certo sentido. Exactamente no sentido de serem... falsos. Têm estas qualidades todas, preenchem o perfil completo do homem de sucesso. Por isso é que os tubarões os querem para treinadores (ou para presidentes de empresas, ou para directores de jornais), e não por eles irem à missa todos os dias. E estes tipos vingam sempre, quase sempre. Com a rapidez e a pujança de um eucalipto.
André Villas-Boas fez um trabalho sensacional no FC Porto. Foi apenas um ano, mas foi bom enquanto durou. O clube e os portistas só têm de estar gratos, concedendo-lhe uma despedida sem rancores e com votos de boa sorte.
Villas-Boas é jovem, competente, quer ficar (ainda mais) rico (ainda mais) depressa. Tem todo o direito a tratar de vida. Ainda por cima, sai do Dragão com respeito absoluto pelo contrato que assinou com Pinto da Costa: o Chelsea vai pagar ao FC Porto os 15 milhões de euros referentes à cláusula de rescisão aceite de mútuo acordo por treinador e presidente e que existe precisamente para estas situações. Que querem mais?
E quem pode negar a Villas-Boas o direito a sonhar – ele é muito dado a sonhos – com a unanimidade nacional, esse beatífico desiderato só possível de alcançar quando se deixa o FC Porto? E, de preferência, deixando-o de calças na mão.
Depois há o dinheiro. Voltamos sempre ao dinheiro. Ah!, sim, o vil metal. Vil metal, o raio que os parta! Vil metal é contar os cêntimos, vil metal é ganhar o salário mínimo, vil metal é estar desempregado, vil metal é receber o subsídio de desemprego, vil metal é perder o subsídio de desemprego, vil metal é não ter dinheiro para gastar na farmácia, vil metal é ver os filhos com fome, vil metal é ter vergonha de roubar! A iglantónica quantia de cinco milhões de euros/ano multiplicada por três anos não é vil metal. É uma fortuna instantânea a que não se pode dizer não. Seria pecado! Sem perdão! Porque, nisto de traições, ainda vai alguma diferença entre 30 dinheiros e 15 milhões...
Este fim-de-semana saíram-me seis euros e noventa e cinco cêntimos no Euromilhões e eu fiquei bem contente. Eu não sei ao certo quanto dinheiro é cinco milhões de euros por ano. Só se me explicarem em camiões (isto é, se me disserem: "dá para encher xis camiões com notas"...). Mas suspeito que cinco milhões de euros por ano são muitos, muitos camiões. E ainda bem, melhor para o André.
Os argumentos, acredito piamente, estão todos a favor do jovem técnico. Na maioria das críticas que lhe fazem, vejo alguma inveja e muita hipocrisia. Vejo, sim senhor. E não gosto do que vejo.
Ó sepulcros branqueados! Ó raça de víboras! Digo-vos só isto: deixai o homem em paz! Quem de entre vós nunca aceitaria ir treinar o Chelsea por cinco milhões/ano que atire a primeira pedra!
Eu vou apanhar o avião.

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Quaresma: requiem por um quase craque

Foto blogue OS CARROS DOS JOGADORES DE FUTEBOL

O jogador de futebol Ricardo Quaresma, 29 anos, bateu ontem num polícia. Foi detido e vai hoje a tribunal. Há cerca de três semanas, Quaresma foi acusado de "urinar nos balneários" e "exibir os genitais" a uma funcionária do Besiktas, clube turco com o qual mantém contrato. Quaresma não está inscrito para jogar e treina à parte. É uma guerra que já vem da época passada. Quaresma não joga e dá pontapés na vida.
Ricardo Quaresma é um produto da excelentíssima escola do Sporting. Passou pelo Barcelona sem que se tivesse notado e regressou ao nosso país ainda a tempo de se fazer jogador a sério e decisivo no FC Porto, onde, em quatro épocas, ganhou três campeonatos, uma Taça de Portugal, uma Supertaça e uma Taça Intercontinental. Foi Futebolista Português do Ano em 2005 e 2006 e Personalidade Portuguesa do Ano em 2007. Brilhou. Brilhou tanto que o estrangeiro voltou a chamar por ele - mas a partir daqui a sua carreira foi sempre a descer (embora até pudesse parecer que era sempre a subir). Falhou no Inter de José Mourinho, falhou no Chelsea de Luiz Felipe Scolari, falhou novamente em Milão e depois rumou à Turquia e é o que se sabe. Recebido em apoteose em Istambul, teve um início empolgante nos campos turcos, para logo se embrulhar numa série de conflitos internos que lhe foram apagando a aura. Nos jornais, as notícias sobre Quaresma continuavam a sair nas secções erradas.
Quaresma prometeu muito. Há quem diga que prometeu tanto como Cristiano Ronaldo, e parece-me que essa comparação (em que ele sempre acreditou) é que lhe terá sido fatal. Eu ainda acredito em Ricardo Quaresma. A verdade é que o Mustang tem quase tudo para ser um verdadeiro craque da bola: tatuagens, brincos e anéis, cortes de cabelo idiotas, muito dinheiro, gajas boas, grandes carros e alguns comportamentos geralmente imperdoáveis em pessoas que não sejam jogadores de futebol. O que lhe falta, então? Talvez juízo. E já tem idadinha.

(Texto escrito e publicado no dia 15 de Novembro de 2012)

quarta-feira, 3 de julho de 2013

O profissional

Foto Hernâni Von Doellinger

Todas as manhãs, antes ainda das 7h30, como se tivesse um horário e um programa a cumprir. E provavelmente tem. Discreto e só, Hilário corre pela praia e puxa a bom puxar pelo cabedal. Treina. Parece em forma. Aos 37 anos, o guarda-redes ex-Chelsea é agora um jogador livre e, tanto quanto se sabe, sem clube. Mas trabalha todos os dias como um profissional. Como o profissional que, na verdade, é. Se o telefone tocar, o homem está pronto.

segunda-feira, 27 de maio de 2013

O Benfica está a desgraçar Portugal

Se a Taça também conta para o PIB, dois fins-de-semana e uma quarta-feira pelo meio arrumaram de vez com Portugal. O Benfica não acerta uma, e nós é que levamos por tabela, não é, ó Mexia? Vamos então embora, que isto já não é país. E o último a sair que apague a luz.

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Requiem por um quase craque

Foto blogue OS CARROS DOS JOGADORES DE FUTEBOL

O jogador de futebol Ricardo Quaresma, 29 anos, bateu ontem num polícia. Foi detido e vai hoje a tribunal. Há cerca de três semanas, Quaresma foi acusado de "urinar nos balneários" e "exibir os genitais" a uma funcionária do Besiktas, clube turco com o qual mantém contrato. Quaresma não está inscrito para jogar e treina à parte. É uma guerra que já vem da época passada. Quaresma não joga e dá pontapés na vida.
Ricardo Quaresma é um produto da excelentíssima escola do Sporting. Passou pelo Barcelona sem que se tivesse notado e regressou ao nosso país ainda a tempo de se fazer jogador a sério e decisivo no FC Porto, onde, em quatro épocas, ganhou três campeonatos, uma Taça de Portugal, uma Supertaça e uma Taça Intercontinental. Foi Futebolista Português do Ano em 2005 e 2006 e Personalidade Portuguesa do Ano em 2007. Brilhou. Brilhou tanto que o estrangeiro voltou a chamar por ele - mas a partir daqui a sua carreira foi sempre a descer (embora até pudesse parecer que era sempre a subir). Falhou no Inter de José Mourinho, falhou no Chelsea de Luiz Felipe Scolari, falhou novamente em Milão e depois rumou à Turquia e é o que se sabe. Recebido em apoteose em Istambul, teve um início empolgante nos campos turcos, para logo se embrulhar numa série de conflitos internos que lhe foram apagando a aura. Nos jornais, as notícias sobre Quaresma continuavam a sair nas secções erradas.
Quaresma prometeu muito. Há quem diga que prometeu tanto como Cristiano Ronaldo, e parece-me que essa comparação (em que ele sempre acreditou) é que lhe terá sido fatal. Eu ainda acredito em Ricardo Quaresma. A verdade é que o Mustang tem quase tudo para ser um verdadeiro craque da bola: tatuagens, brincos e anéis, cortes de cabelo idiotas, muito dinheiro, gajas boas, grandes carros e alguns comportamentos geralmente imperdoáveis em pessoas que não sejam jogadores de futebol. O que lhe falta, então? Talvez juízo. E já tem idadinha.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

A Bola acertou

Três anos e 796 tentativas depois, o jornal A Bola conseguiu finalmente: Hulk vai para o Chelsea. Parece.

domingo, 20 de maio de 2012

Lá vem a "mudança de paradigma"

Ontem jogaram os alemães e no fim ganharam os ingleses. O prélio de Munique era uma bagatela desportiva, um evento turístico, folclore, bebedeira de cerveja e televisão: toda a gente sabe que o futebol a sério terminou fez exactamente ontem oito dias, em cima de um autocarro descapotável, na portuense Avenida dos Aliados. Todavia, porque o Bayern jogou e o Chelsea ganhou, aposto um emprego em como, hoje, jornais e outros comentadores encartados vão fartar-se de descobrir que houve uma "mudança de paradigma" no futebol europeu. Como já aqui dei a entender, "mudança de paradigma", sendo uma expressão pletórica de concomitância e mais na moda era impossível, não quer dizer absolutamente nada. Não interessa para rigorosamente nada. Mas

faz-me lembrar pecados velhos. Recua-me à década de oitenta do século passado, ao cimo da Rua de 31 de Janeiro, onde havia uma casa de jogos de máquinas de flippers e afins que tinha uma cave com um altifalante fanhoso que, de uns quantos em quantos minutos, gritava cá para fora a curiosa frase "Mudança de modelo". Lá em baixo parece que havia umas raparigas muito jeitosas e nuas a fazerem não sei o quê e umas cabinas individuais e sebentas com ranhura para a clientela meter a moeda como nos flippers e espreitar por um vidro e fazer também não sei o quê. Sei muito pouco do assunto porque, palavra de honra, nunca lá pus os pés. E, agora que penso nisso, nem me lembro sequer porquê. Mas estou arrependido.
Informei-me. "Mudança de modelo", logo a seguir ao ding-dong de uma campainha de aeroporto, queria dizer, por exemplo, que a morena mamuda passava a pasta à loura pernalta e ia para os bastidores ler a Corín Tellado, e assim sucessivamente e vice-versa, mas decerto queria dizer também que os clientes tinham que fechar a braguilha o mais rapidamente possível e dar a vez a outros, que eram mais que as mães, sobretudo no intervalo de almoço. O speaker de serviço dizia "Mudaaaança de modeloooo" com um garbo só comparável ao do mestre-de-cerimónias do Circo Merito quando anunciava a sensacional "Maribelaaaa no seu rrrrrola-rolaaaa". Eu gostava: "Mudaaaança de modeloooo"! Parava em frente para ouvir, uma e outra vez, até à hora de voltar ao trabalho. E ria-me. Quase trinta anos depois, leio e ouço a "mudança de paradigma". E também me faz rir, confesso, mas não me arrebita. Falta-lhe sustância.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

O treinador chamado Professor Neca

Quitério está num desconsolo que só visto. Contraditoriamente entusiasmado com o salto de André Villas-Boas para o colo dos milhões do Chelsea, o empedernido portista sentia aqui, também ele, a grande oportunidade de ver concretizado o sonho de toda a vida. Quitério sabe muito de bola: com o adiantado do defeso, Pinto da Costa só podia ir buscar um treinador português, que conhecesse bem o actual plantel do FC Porto mais os quatro mil seiscentos e setenta e três emprestados que o clube mantém em circulação. E Quitério pensou que finalmente ia ter o que sempre desejou: um treinador chamado Professor Neca! Mas ainda não foi desta.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Villas-Boas. Estavam à espera de quê?

Aviso já: acho muito bem que o André Vilas-Boas vá para o Chelsea. Era preciso ser parvo para não querer ganhar cinco milhões de euros por ano. E Villas-Boas não é parvo. Não percebo, portanto, o alarido que por aí vai, o despeito dos traídos, que acusam o jovem técnico de ter renegado o seu portismo desde pequequino, que não lhe perdoam o abandono da cadeira de sonho. E ouço choro e ranger de dentes.
Até parece que caiu o Carmo e a Trindade...
Mas estavam à espera de quê? Do triunfo dos valores? Do amor à camisola? Tretas! Estes tipos são assim: egoístas, vaidosos, ambiciosos, calculistas, insensíveis, falsos num certo sentido. Exactamente no sentido de serem... falsos. Têm estas qualidades todas, preenchem o perfil completo do homem de sucesso. Por isso é que os tubarões os querem para treinadores (ou para presidentes de empresas, ou para directores de jornais), e não por eles irem à missa todos os dias. E estes tipos vingam sempre, quase sempre. Com a rapidez e a pujança de um eucalipto.
André Villas-Boas fez um trabalho sensacional no FC Porto. Foi apenas um ano, mas foi bom enquanto durou. O clube e os portistas só têm que estar gratos, concedendo-lhe uma despedida sem rancores e com votos de boa sorte.
Villas-Boas é jovem, competente, quer ficar (ainda mais) rico (ainda mais) depressa. Tem todo o direito a tratar de vida. Ainda por cima, sai do Dragão com respeito absoluto pelo contrato que assinou com Pinto da Costa: o Chelsea vai pagar ao FC Porto os 15 milhões de euros referentes à cláusula de rescisão aceite de mútuo acordo por treinador e presidente e que existe precisamente para estas situações. Que querem mais?
E quem pode negar a Villas-Boas o direito a sonhar – ele é muito dado a sonhos – com a unanimidade nacional, esse beatífico desiderato só possível de alcançar quando se deixa o FC Porto? E, de preferência, deixando-o de calças na mão.
Depois há o dinheiro. Voltamos sempre ao dinheiro. Ah!, sim, o vil metal. Vil metal, o raio que os parta! Vil metal é contar os cêntimos, vil metal é ganhar o salário mínimo, vil metal é estar desempregado, vil metal é receber o subsídio de desemprego, vil metal é perder o subsídio de desemprego, vil metal é não ter dinheiro para gastar na farmácia, vil metal é ver os filhos com fome, vil metal é ter vergonha de roubar! A iglantónica quantia de cinco milhões de euros/ano multiplicada por três anos não é vil metal. É uma fortuna instantânea a que não se pode dizer não. Seria pecado! Sem perdão! Porque, nisto de traições, ainda vai alguma diferença entre 30 dinheiros e 15 milhões...
Este fim-de-semana saíram-me seis euros e noventa e cinco cêntimos no Euromilhões e eu fiquei bem contente. Eu não sei ao certo quanto dinheiro é cinco milhões de euros por ano. Só se me explicarem em camiões (isto é, se me disserem: “dá para encher xis camiões com notas”...). Mas suspeito que cinco milhões de euros por ano são muitos, muitos camiões. E ainda bem, melhor para o André.
Os argumentos, acredito piamente, estão todos a favor do jovem técnico. Na maioria das críticas que lhe fazem, vejo alguma inveja e muita hipocrisia. Vejo, sim senhor. E não gosto do que vejo.
Ó sepulcros branqueados! Ó raça de víboras! Digo-vos só isto: deixai o homem em paz! Quem de entre vós nunca aceitaria ir treinar o Chelsea por cinco milhões/ano que atire a primeira pedra!
Eu vou apanhar o avião.