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domingo, 8 de fevereiro de 2026

Contra fatos não há argumenctos

Desorientação sexual
A verdade é só uma: ele ainda não consegue distinguir um tecto de um teto. E elas levam a mal...

Eu tenho um fato. Um. Comprei-o pronto a vestir em 1987, se não me engano, para um casamento, isso é certo, e ficava-me muito bem. O casamento para o qual eu comprei o meu fato já teve pelo menos dois divórcios, só do lado do noivo, e outras complicações. O meu fato, não. Mantém-se fiel e simples. Eu tenho um fato que é um facto à moda antiga. E nem sei se ainda me serve, sequer se estará em condições de ser vestido. Mas é o meu fato. E contra fatos não há argumenctos.

Sou esbraguilhado por opção. Ao longo de quase quarenta anos, usei o meu fato mais quatro ou cinco vezes nos casamentos de mais quatro ou cinco amigos, sobrinhos e primos, e deram também já quase todos em divórcios, num par de ocasiões solenes em Fafe, para agradar à minha mãe, que gostava de me ver todo tirone, numa excursão copofónica a Lisboa para acompanhar o Prémio Gazeta do nosso Agostinho Santos, entregue pelo Presidente Mário Soares, e numa ou duas idas à televisão para aparecer bem por dever de ofício. É, portanto, um fato praticamente novo, mas ando agora preocupado: o casaco é de trespasse. Sem chave na mão.

Para quem se interesse por estatísticas: também tenho um par de sapatos. Um. E também não sei se ainda caibo lá. De resto, é com botas e sapatilhas que me governo. E tenho quatro bonés e três mochilas.

(Do meu blogue Mistérios de Fafe. Hoje é Dia Mundial do Casamento.)

sábado, 17 de fevereiro de 2024

O Pedro e Ação

Foto Hernâni Von Doellinger

O Pedro mais Ação, mas não só Ação (Ação que me desculpe). Também Aju, Azé, Agui e Ami, Alu, Abé, Adi e Adé, Abia, Alena, Alina e Atina, Ananda, Atita, Axana e Abela, Aquina, Alela, Aberta e Aminda, Amila, Alaide, Amira e Amina, Anilde, Adora, Amela e Alice, Abecas, Alisa, Amicas e Aguida, Amilu, Amizé, Amicá e Arora, Agusta, Anela, Anô e Anor, Ané, Alinda, Adina, Azeza, Agina e assim sucessivamente. Malandro! Este Pedro Nuno Santos nunca me enganou...

terça-feira, 21 de fevereiro de 2023

O que é nacional é joia

O que distingue um livro português de um livro estrangeiro em geral é que o livro português é geralmente escrito em brasileiro.

Desorientação sexual

A verdade é mesmo esta: ele nunca conseguiu distinguir um tecto de um teto. E elas levavam a mal...

No país dos setores

Há o setor público e o setor privado. O setor público ensina sobretudo em escolas do Estado e o setor privado em colégios fardados e universidades altamente propinadas. Há também, por exemplo, o setor da saúde, que, regra geral, é médico. O setor da saúde também pode ser público ou privado. Ou público e privado, que isto a vida custa a todos. Quanto às setoras, também há-as e costumam ser professoras.

Contra fatos

Eu tenho um fato. Um. Comprei-o pronto a vestir em 1987, se não me engano, para um casamento, isso é certo. O casamento para o qual eu comprei o meu fato já teve pelo menos dois divórcios. O meu fato, não. E nem sei se ainda me serve, sequer se estará em condições de ser vestido. Mas é o meu fato. E contra fatos...

P.S. - Para quem se interesse por estatísticas: também tenho um par de sapatos. Um. E quatro bonés.

A língua brasileira

Recapitulando: a língua brasileira, também designada brasileiro, é uma das línguas oficiais da União Europeia, do Mercosul, da União de Nações Sul-Americanas, da Organização dos Estados Americanos, da União Africana e da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa. Com aproximadamente 280 milhões de falantes, o brasileiro é a quinta língua mais falada no mundo, a terceira mais falada no hemisfério ocidental e a mais falada no hemisfério sul do planeta.
A língua portuguesa, também designada português, é falada e escrita por uns quantos velhos e teimosos como eu.

O espetador e o espetador

Qual é a diferença entre um espetador e um espetador? Numa tourada, por exemplo, o que é que distingue os espetadores dos espetadores? Uns pagam bilhete e os outros fazem os touros pagá-las, é isso, não é? E espetadores de gelo: são adereços muito jeitosos para filmes de suspense ou uma audiência que não reage, por melhor ou pior que a fita seja? O que devo pensar quando leio um título de jornal que me diz que "Acidente em rali francês provoca a morte a dois espetadores"? E, já agora, no voyeurismo, quem é o verdadeiro espetador: o que fica a ver ou o que enfia?

O estresse

"O estresse provoca o câncer!", não se cansava de repetir o clarividente defensor do acordo ortográfico.

P.S. - Hoje é Dia Internacional da Língua Materna.

domingo, 21 de fevereiro de 2021

O'Neill, no Dia da Língua Materna

Caixadòclos

- Patriazinha iletrada, que sabes tu de mim?
- Que és o esticalarica que se vê.

- Público em geral, acaso o meu nome…
- Vai mas é vender banha de cobra!

- Lisboa, meu berço, tu que me conheces…
- Este é dos que fala sozinho na rua…

- Campdòrique, então, não dizes nada?
- Ai tão silvatávares que ele vem hoje!

- Rua do Jasmim, anda, diz que sim!
- É o do terceiro, nunca tem dinheiro…

- Ó Gaspar Simões, conte-lhes Você…
- Dos dois ou três nomes que o surrealismo…

- Ah, já agora sim, fazem-me justiça!

- Olha o caixadòclos todo satisfeito
a ler as notícias…

Alexandre O’Neill, "Feira Cabisbaixa"
 
P.S. - Hoje, 21 de Fevereiro, é Dia Internacional da Língua Materna.

Era uma vez a língua portuguesa

A insondável diferença entre espetador e espetador
Qual é a diferença entre um espetador e um espetador? Numa tourada, por exemplo, o que é que distingue os espetadores dos espetadores? Uns pagam bilhete e os outros fazem os touros pagá-las, é isso, não é? E espetadores de gelo: são adereços muito jeitosos para filmes de suspense ou uma audiência que não reage, por melhor ou pior que a fita seja? O que devo pensar quando leio um título de jornal que me diz que "Acidente em rali francês provoca a morte a dois espetadores"? E, já agora, no voyeurismo, quem é o verdadeiro espetador: o que fica a ver ou o que copula?

Cê tá topando?!...
Era o princípio activo de um certo e determinado medicamento. Quando perdeu o cê, derivado ao acordo ortográfico, deixou de fazer efeito...

Uma língua que apodrece
"A minha pátria é a língua portuguesa", escreveu o nosso Fernando Pessoa. "A Pátria não é a raça, não é o meio, não é o conjunto dos aparelhos econômicos e políticos: é o idioma criado ou herdado pelo povo. Um povo só começa a perder a sua independência, a sua existência autônoma, quando começa a perder o amor do idioma natal. A morte de uma nação começa pelo apodrecimento da língua", escreveu Olavo Bilac, o brasileiro e sensato.
Bilac (1865-1918) e Pessoa (1888-1935). Não quero saber aqui quem é ovo ou quem é galinha, nem me interessa como assunto, de momento, o miserável, escusado e alegado acordo ortográfico. Lembrei-me foi dos professores doutores da mula ruça, traidores à pátria, que enchem a boca de "periúdos", de "interésses", de "rúbricas", de "perzeveranças", de "mediúcres". Enchem a boca e apodrecem a língua. Apodrecem a língua e matam a nação.

António Costa, por exemplo. Já era tempinho de aprender a falar português, depois de, em 2015, ter aprendido a não falar mandarim. Não há lá pelos corredores e gabinetes de São Bento quem saiba ensinar ao nosso primeiro-ministro a basezinha das regras de concordância, alguém que o proíba de comer sílabas enquanto fala? Falar com a boca cheia é, para além do mais, falta de educação.

Tectos falsos com garantia
- Estes tectos são mesmo falsos?
- Como judas...

Desnecessidades da língua portuguesa
Já repararam na quantidade de palavras da língua portuguesa que usam escusadamente um eme final? O eme que se escreve mas não se lê. Podia passar aqui o dia inteiro a dar exemplos uns atrás dos outros - abrevio porém dando seis, como os dedos de uma mão mais um: rodage, vantage, viage, sabotage, calibrage, portage, arage, garage. E afinal são oito, os dedos de uma mão mais três da outra. Para que é que estas palavras precisam do eme no fim se o eme no fim não se diz? E logo a letra eme, a das três perninhas, tantas perninhas, menos duas apenas do que as cinco patas do cavalo.
O eme, faço notar, que ainda por cima é a letra minúscula mais obesa do nosso abecedário. Um escândalo! Uma evidente desnecessidade e um tremendo desperdício de espaço num país com somente noventa e dois mil quilómetros quadrados. Mas isto os da troika não viram, e aos do acordo ortográfico a avaria também lhes passou ao lado. Salta aos olhos que estes doutores da mula ruça não andam de metro e muito menos de camioneta. Não falam com pessoas, nunca foram a Fafe. Ou, se calhar, faltou-lhes corage para acabarem de vez com a coisam... 

P.S. - Sim. Hoje, 21 de Fevereiro, é mesmo Dia Internacional da Língua Materna. Saravá!

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2020

Eugénio, no Dia Internacional da Língua Materna

Retrato ardente

Entre os teus lábios
é que a loucura acode,
desce à garganta,
invade a água.

No teu peito
é que o pólen do fogo
se junta à nascente,
alastra na sombra.

Nos teus flancos
é que a fonte começa
a ser rio de abelhas,
rumor de tigre.

Da cintura aos joelhos
é que a areia queima,
o sol é secreto,
cego o silêncio.

Deita-te comigo.
Ilumina meus vidros.
Entre lábios e lábios
toda a música é minha.


Eugénio de Andrade, "Obscuro Domínio"

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019

Hoje, Dia Internacional da Língua Materna

As rosas

Quando à noite desfolho e trinco as rosas
É como se prendesse entre os meus dentes
Todo o luar das noites transparentes,
Todo o fulgor das tardes luminosas,
O vento bailador das Primaveras,
A doçura amarga dos poentes,
E a exaltação de todas as esperas.


Sophia de Mello Breyner Andresen

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

Dia Internacional da Língua Materna, hoje

Lusitânia

Os que avançam de frente para o mar
E nele enterram como uma aguda faca
A proa negra dos seus barcos
Vivem de pouco pão e de luar.


Sophia de Mello Breyner Andresen