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segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

O Rates vendia ratoeiras

Na ambulância
A montanha pariu um rato. Que miséria, realmente. Se ainda ao menos parisse um elefante! Ou dois - que incomodam muito mais...

O Rates vendia ratoeiras para ratos. Também vendia armadilhas para pardais e toupeiras. E chumbos para espingardas de pressão. E fisgas. E vendia foguetes, rabichas, estalinhos, caretas de Carnaval, calçadeiras, fio do Norte, lixa, colchetes, gaiolas para grilos e furões, anzóis e sedielas, chapéus de palha, palha de aço fina e grossa, sandálias de plástico, socos, galochas, velas, DDT, solarine, vassouras, lousas e lápis de ardósia, coadores, funis, navalhas, agulhas para desentupir máquinas a petróleo, peidos-engarrafados, garrafões e pelo menos um exemplar de todas as bugigangas e quinquilharias alguma vez inventadas no mundo inteiro, com ou sem serventia, tudo aparentemente ao monte porém segundo uma ordem que ele lá sabia, mas eu, na minha ideia de miúdo, achava era um piadão àquilo de o Rates vender ratoeiras para ratos. Para além disso, o Rates vendia rolhas. E já sabeis: as palavras sempre me interessaram muito, e essa mania tola, que eu tanto estimo, felizmente não me larga - o Rates roeu a rolha da garrafa do rei da Rússia...
Rates era o proprietário mas também o sítio, lojinha de uma porta só, minúscula, escura, esconsa, tipo vão de escada. O dono servia à pinta, vestia uma bata de sarja cinzenta, barriguda como ele, e usava óculos na testa e manguitos negros. O Rates era uma verdadeira instituição fafense, ali à beira de outras duas não menos notáveis instituições fafenses, o Marinho e o Miranda das famosas pataniscas, memórias infelizmente perdidas, parece que esquecidas de propósito, por vergonha, numa praça nova e consta que muito concorrida derivado à Justiça de Fafe e às vezes aos Correios.

Mas vergonha de quê, ó gente da minha terra? Devíamos era ter orgulho do nosso passado tasqueiro e similar. Fafe daquele tempo era muito avançado, não penseis o contrário. Era até muito à frente, tomara Fafe de agora! Reparai que, com mais de cinquenta anos de avanço em relação à guerra de sexos e de géneros que aí vai e à disfunção gramatical entre masculinos e femininos e assim-assim que nos arrelia as meninges, nós já praticávamos a solução redentora e neutral hoje em dia advogada pelas mentes brilhantes do politicamente correcto. Nem ratos nem ratas. Rates é que era! Rates, e tínhamos pelos menos dois: o das ratoeiras propriamente dito e o da bola, que era outro espectáculo!...

(Do meu blogue Mistérios de Fafe)

quinta-feira, 11 de dezembro de 2025

A montanha pariu um rato

A montanha pariu um rato. Que miséria, realmente. Se ainda ao menos parisse um elefante! Ou dois - que incomodam muito mais... 

P.S. - Hoje é Dia Internacional da Montanha.

sexta-feira, 4 de abril de 2025

O rato roeu a rolha

Revoltaram-se os ratos. E pudera. Acusados de serem os primeiros a abandonar o navio, atropelando mulheres e crianças, apontados como sinónimo de cobarde, ladrão, manhoso ou vigarista, introduzidos à força em trocadilhos idiotas e em provérbios e ditos amiúde populares, estavam fartos de levar e calar. Os ratos e inclusive as ratas, muito mais doridas e por maioria de razão.
Revoltaram-se portanto os ratos. Organizaram-se. Chegada a horinha, meteram-se na fila, esperaram pela vez respectiva, marcaram o ponto e abandonaram ordeiramente o navio. Foram os últimos a sair. E apagaram a luz. Já em terra firme, os ratos dirigiram-se sem mais delongas à montanha que os pariu e roeram a rolha da garrafa do rei da Rússia. Todos, menos o Alcides, que era um rato de biblioteca e foi para o Café Avenida beber um dedal de rum e ler com todos os vagares "A Saga/Fuga de J.B.", de Gonzalo Torrente Ballester.

P.S. - Hoje é Dia do Rato. Não confundir com Dia da NATO, que por acaso também é hoje.

Reescrevendo a história

Passou o João Ratão e disse: - Ó Laurindinha, vem à janela!...

P.S. - Hoje é Dia Mundial do Rato. E Dia Internacional da Ratazana Doméstica.

É de homem

Homem que é homem não teme leão. Os ratos são outro assunto...

P.S. - Hoje é Dia Mundial do Rato. E Dia Internacional da Ratazana Doméstica.

quinta-feira, 19 de setembro de 2024

O rato roeu a rolha

Revoltaram-se os ratos. E pudera. Acusados de serem os primeiros a abandonar o navio, atropelando mulheres e crianças, apontados como sinónimo de cobarde, ladrão, manhoso ou vigarista, introduzidos à força em trocadilhos idiotas e em provérbios e ditos amiúde populares, estavam fartos de levar e calar. Os ratos e inclusive as ratas, muito mais doridas e por maioria de razão.
Revoltaram-se portanto os ratos. Organizaram-se. Chegada a horinha, meteram-se na fila, esperaram pela vez respectiva, marcaram o ponto e abandonaram ordeiramente o navio. Foram os últimos a sair. E apagaram a luz. Já em terra firme, os ratos dirigiram-se sem mais delongas à montanha que os pariu e roeram a rolha da garrafa do rei da Rússia. Todos, menos o Alcides, que era um rato de biblioteca e foi para o Café Avenida beber um dedal de rum e ler com todos os vagares "A Saga/Fuga de J.B.", de Gonzalo Torrente Ballester.

P.S. - Hoje é Dia Internacional de Falar Como Um Pirata.

sábado, 10 de agosto de 2024

domingo, 3 de março de 2024

A montanha pariu um rato

A montanha pariu um rato. Que miséria, realmente. Se ainda ao menos parisse um elefante! Ou dois - que incomodam muito mais...

terça-feira, 4 de abril de 2023

Nem ratas nem ratos. Rates, como em Fafe...

O Rates vendia ratoeiras para ratos. Também vendia foguetes, rabichas, estalinhos, caretas, calçadeiras, fio do Norte, lixa, colchetes, gaiolas para grilos, anzóis e sedielas, chapéus de palha, palha de aço fina e grossa, galochas, velas, DDT, solarine, vassouras, lousas e lápis de ardósia, coadores, funis, navalhas, agulhas para desentupir máquinas a petróleo, e pelo menos um exemplar de todas as bugigangas e quinquilharias alguma vez inventadas no mundo inteiro, com ou sem serventia, tudo aparentemente ao monte porém segundo uma ordem que ele lá sabia, mas eu, na minha ideia de miúdo, achava era um piadão àquilo de o Rates vender ratoeiras para ratos. Para além disso, o Rates vendia rolhas. E já sabem: as palavras sempre me interessaram muito, e essa mania tola, que eu tanto estimo, felizmente não me larga.
Ora bem: hoje é Dia Mundial do Rato ou Dia Internacional da Ratazana Doméstica. Curiosamente, sendo hoje Dia do Rato, é também Dia da NATO, mas convém não confundir. Lembrei-me portanto do Rates, que era uma verdadeira instituição fafense, ali à beira de outras duas não menos notáveis instituições fafenses, o Marinho e o Miranda das famosas pataniscas, memórias infelizmente perdidas, parece que esquecidas de propósito numa praça agora em construção, sem árvores mas com polémica pelo menos da boca para fora. Creio que o sítio vai chamar-se, depois de pronto, Praça da Justiça. Seja feita.

Mas vergonha de quê? Devíamos era ter orgulho do nosso passado tasqueiro e similar. Fafe daquele tempo era muito avançado, não pensem o contrário. Era até muito à frente, tomara Fafe de agora! Reparem que, com mais de cinquenta anos de avanço em relação à guerra de sexos e de géneros que aí vai e à disfunção gramatical entre masculinos e femininos e assim-assim que nos arrelia as meninges, nós já praticávamos a solução redentora e neutral hoje em dia advogada pelas mentes brilhantes do politicamente correcto. Nem ratos nem ratas. Rates é que era! Rates, e tínhamos pelos menos dois: o das ratoeiras propriamente dito e o da bola, que era outro espectáculo!...

sexta-feira, 11 de dezembro de 2020

A montanha pariu um rato

Que miséria, realmente...
A montanha pariu um rato. Que miséria, realmente. Se ainda ao menos parisse um elefante! Ou dois - que incomodam muito mais...

O bom, o mau e o sermão
"Não oponhais resistência ao mau; se alguém te bater na face direita, oferece-lhe também a outra", ensinou Jesus no Sermão da Montanha (Mt 5, 39). Ora isto de querer fazer de nós bonzinhos à força parece-me um perigoso incitamento à violência. À violência do outro, do mau. Que ainda por cima vai ser mais mau e por nossa culpa, nossa tão grande culpa.

O Oliveira
O Oliveira foi chamado de urgência à gerência. Ordens: mudança de secção e de funções. Quer-se dizer: mobilidade. Deram-lhe um martelo. - Um martelo!? - protestou -, mas toda a gente sabe que eu sou o Oliveira da serra...

Quando as árvores morriam de pé
"Morta por dentro, mas de pé, de pé, como as árvores", dizia a Senhora Dona Palmira Bastos, batendo altaneira com a bengala no tablado, na beleza insubstituível do preto e branco da televisão antiga. A queridíssima Senhora Dona Palmira Bastos tinha quase noventa anos e ainda não sabia das motosserras.

O senhor do monte
Era uma alma sensível e só. Comovia-se com a natureza. Gostava de subir ao monte para ver as vistas. E ouvir as audições. E cheirar os olfactos... 

O escalador
Corria na Volta a Portugal e os expertos diziam que estávamos na presença de um grande escalador. Mas a verdade é esta: passaram-lhe para as mãos um robalo e ele nada, entregaram-lhe um rodovalho e ele nicles, deram-lhe até um chicharro e ele sem saber que volta dar-lhe. A montanha parira um rato. Ele, disse ele, afinal era mais douradinhos da Iglo... 

P.S. - Hoje, 11 de Dezembro, é Dia Internacional das Montanhas.

terça-feira, 21 de abril de 2020

A montanha pariu um rato

A montanha pariu um rato. Que miséria, realmente. Se ainda ao menos parisse um elefante! Ou dois - que incomodam muito mais...

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Os ratos são os primeiros a abandonar o navio

Manuela Ferreira Leite, ex-ministra de Cavaco Silva e de Durão Barroso, ex-líder do PSD, ex-conselheira de Estado. Disse em Janeiro de 2012 que "quem tem mais de 70 anos, e quer fazer hemodiálise, tem de pagar". Ontem acusou Passos Coelho de "perseguição", "fixação" e "crueldade" com os pensionistas.
Ângelo Correia, co-fundador do PPD de Sá Carneiro, ex-ministro de Pinto Balsemão, barão pardo do PSD e inventor de Pedro Passos Coelho. Depois de recentemente ter denunciado a "falta de estudo e preparação" do seu pupilo dilecto (desculpem, criei um monstro), acrescentou ontem que o alegado primeiro-ministro de Portugal revelou ausência de "consistência política" ao permitir que fosse tornada pública a "tensão" entre os dois partidos da coligação alegadamente governamental.
Querem agora o quê, estes dois? Limpam-se de quê?
Ratos. Ratos velhos. Ratazanas. E entretanto a orquestra toca. Portugal que se afunde, que se foda.