P.S. - O Multibanco, que é uma invenção portuguesa, começou a funcionar no dia 2 de Setembro de 1985. Faz hoje 40 anos.
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terça-feira, 2 de setembro de 2025
Acampado no multibanco
Sabeis aquele senhor que vai à vossa frente ao multibanco e paga a água e paga a luz e paga o gás e paga o telefone e paga a tv cabo e paga a prestação do colchão ortopédico e paga a consulta do cardiologista e paga o IUC e paga o IMI e paga o IRS e paga o seguro do carro e paga o lar da sogra e paga o infantário dos netos, que são seis, todos em infantários diferentes, e paga o condomínio dos filhos, que são quatro, todos em condomínios diferentes, e procura nos bolsos e mete nos bolsos e não tem bolsos que cheguem e está sempre a enganar-se e a anular e a recomeçar as operações? Sabeis? Calhou-me um desses hoje, e estou aqui fraquinho, fraquinho, fraquinho. Na próxima que eu precise mesmo de ir ao multibanco, levo cadeira e lanche.
terça-feira, 24 de novembro de 2020
Quando me mandaram tramar o Sócrates
Ano de 2004. O Presidente da República Jorge Sampaio despede o
primeiro-ministro Pedro Santana Lopes, por indecente e má figura.
Eleições legislativas são antecipadas e marcadas para 20 de Fevereiro de
2005. José Sócrates é o novo líder do PS e da oposição. Vai a votos.
Durante a pré-campanha e campanha eleitoral, critica Santana Lopes, que
se recandidata pelo PSD e promete não aumentar impostos.
O meu jornal manda-me "tramar" Sócrates. É preciso ligar-lhe imediatamente e perguntar-lhe se, caso ganhe as eleições, vai subir os impostos. Mas que pergunta inteligente! Que armadilha bem montada! Pincéis desta marca sobravam sempre para mim. Como já aqui contei, as pessoas de bem, ou as pessoas de mal que faziam questão de uma fachada de bem, recusavam-se a falar com o 24horas: tinham consciência de que, se abrissem a boca, tudo o que dissessem poderia ser usado contra elas. E geralmente era. Nem que lhes telefonássemos apenas para saber as horas, haveria de sair dali cagada da grossa. Nós depois ligávamos a ventoinha e espalhávamos a merda. Dito de outra forma: as pessoas minimamente informadas fugiam de conversar connosco como o diabo foge da cruz. Umas tinham vergonha na cara ou medo e outras desprezavam-nos simplesmente. Umas e outras sabiam que as nossas perguntas tinham quase sempre volta de foda. Se desse jeito, pedíamos a A para falar de B, para a seguir metermos A e B no mesmo saco e malharmos nos dois como se fossem um só. Por outro lado havia quem fizesse tudo para aparecer.
Portanto o meu jornal manda-me "tramar" José Sócrates. É só ligar-lhe, a ele que nunca atende o 24horas e que escorna os jornalistas em geral por uma questão de princípio. Ligo, ligo, ligo, o dia inteiro. E nada e nada e nada, o dia inteiro. Ao pôr-do-sol tento o inimaginável truque, o long shot, como Lisboa gosta de me dizer e eu só me rio: marco o número de Pedro Silva Pereira, o braço-direito de Sócrates, e sai-me do outro lado o Sócrates inteiro e desconfiado, num por acaso que me enche de adrenalina. Identifico-me, ele vai desligar de seguida, peço-lhe que não e faço-lhe a pergunta de um milhão de dólares: - Se vencer as eleições, se for para primeiro-ministro, vai subir os impostos?
José Sócrates não me manda àquela parte, mas podia, que eu não lhe levaria a mal. Ainda assim, empertiga-se, serigaita-se, despeita-se, esganiça-se e responde-me agressivamente: - Mas quem é que você é? E quem é que pensa que eu sou? Isso é uma pergunta ridícula. Acha mesmo que eu lhe vou responder? Sei muito bem o que quer, mas daqui não leva nada. Não lhe respondo. Acha que eu sou um principiante? E o senhor não tem nada de útil para fazer?...
Tenho. E faço. "Reformulo" e ponho pó de talco na pergunta: - Se o Senhor Engenheiro for o próximo primeiro-ministro, posto que ganhe as eleições, vai subir os impostos?
Sócrates quase que rebenta. Discutimos mais uns três minutos, tempo de um assalto no boxe, um a bater no ceguinho, o outro a agredir o invisual, eu não sabia que sabia discutir assim com cabeçudos, e ele desliga.
Saio dali exausto, nervoso e contente com a discussão. É ainda a adrenalina a mexer comigo. Geralmente o que (não) consegui é mais do que suficiente para ser a capa inteira do meu jornal no dia seguinte, em letras garrafais: "Sócrates entalado pelo 24horas" ou "24horas entala Sócrates" ou "Sócrates não responde ao 24horas" ou "Sócrates tem medo do 24horas" ou "24horas assusta Sócrates" ou.
Apresso-me a ligar para Lisboa. Conto a minha façanha, espero pelos parabéns. O chefe critica-me irritado "A resposta do gajo é inaceitável!", engulo em seco e explico ao chefe "Olha, foi o que eu disse ao gajo, que até ia da tua parte e que tu nunca na vida irias aceitar uma resposta assim, e que portanto ele que me dissesse mas é o que tu queres que ele diga, que até já tens o título feito e tudo, mas não adiantou..."
O meu textinho saiu a uma coluna numa página interior, provavelmente par. Do assunto da manchete não me lembro.
P.S. - Publicado originalmente no dia 18 de Maio de 2020. Era uma história prometida e com a qual concluí, para já, a série que dediquei ao falecido jornal 24horas. José Sócrates ganhou as eleições em questão, sacando a primeira maioria absoluta para o PS. O resto é o que se sabe e o que mais virá a saber-se. O 24horas nasceu em 1998 e morreu em 2010, um ano depois de os seus alegados responsáveis terem liquidado a Redacção do Porto, a sangue frio e pelas costas. Eram os primeiros dias de Maio quando nos despejaram no desemprego, e podem limpar as mãos à parede. Mas tinha piada o pasquim, que até chegou a ser bem feito, e é a bíblia do jornalismo que hoje se pratica em Portugal.
O meu jornal manda-me "tramar" Sócrates. É preciso ligar-lhe imediatamente e perguntar-lhe se, caso ganhe as eleições, vai subir os impostos. Mas que pergunta inteligente! Que armadilha bem montada! Pincéis desta marca sobravam sempre para mim. Como já aqui contei, as pessoas de bem, ou as pessoas de mal que faziam questão de uma fachada de bem, recusavam-se a falar com o 24horas: tinham consciência de que, se abrissem a boca, tudo o que dissessem poderia ser usado contra elas. E geralmente era. Nem que lhes telefonássemos apenas para saber as horas, haveria de sair dali cagada da grossa. Nós depois ligávamos a ventoinha e espalhávamos a merda. Dito de outra forma: as pessoas minimamente informadas fugiam de conversar connosco como o diabo foge da cruz. Umas tinham vergonha na cara ou medo e outras desprezavam-nos simplesmente. Umas e outras sabiam que as nossas perguntas tinham quase sempre volta de foda. Se desse jeito, pedíamos a A para falar de B, para a seguir metermos A e B no mesmo saco e malharmos nos dois como se fossem um só. Por outro lado havia quem fizesse tudo para aparecer.
Portanto o meu jornal manda-me "tramar" José Sócrates. É só ligar-lhe, a ele que nunca atende o 24horas e que escorna os jornalistas em geral por uma questão de princípio. Ligo, ligo, ligo, o dia inteiro. E nada e nada e nada, o dia inteiro. Ao pôr-do-sol tento o inimaginável truque, o long shot, como Lisboa gosta de me dizer e eu só me rio: marco o número de Pedro Silva Pereira, o braço-direito de Sócrates, e sai-me do outro lado o Sócrates inteiro e desconfiado, num por acaso que me enche de adrenalina. Identifico-me, ele vai desligar de seguida, peço-lhe que não e faço-lhe a pergunta de um milhão de dólares: - Se vencer as eleições, se for para primeiro-ministro, vai subir os impostos?
José Sócrates não me manda àquela parte, mas podia, que eu não lhe levaria a mal. Ainda assim, empertiga-se, serigaita-se, despeita-se, esganiça-se e responde-me agressivamente: - Mas quem é que você é? E quem é que pensa que eu sou? Isso é uma pergunta ridícula. Acha mesmo que eu lhe vou responder? Sei muito bem o que quer, mas daqui não leva nada. Não lhe respondo. Acha que eu sou um principiante? E o senhor não tem nada de útil para fazer?...
Tenho. E faço. "Reformulo" e ponho pó de talco na pergunta: - Se o Senhor Engenheiro for o próximo primeiro-ministro, posto que ganhe as eleições, vai subir os impostos?
Sócrates quase que rebenta. Discutimos mais uns três minutos, tempo de um assalto no boxe, um a bater no ceguinho, o outro a agredir o invisual, eu não sabia que sabia discutir assim com cabeçudos, e ele desliga.
Saio dali exausto, nervoso e contente com a discussão. É ainda a adrenalina a mexer comigo. Geralmente o que (não) consegui é mais do que suficiente para ser a capa inteira do meu jornal no dia seguinte, em letras garrafais: "Sócrates entalado pelo 24horas" ou "24horas entala Sócrates" ou "Sócrates não responde ao 24horas" ou "Sócrates tem medo do 24horas" ou "24horas assusta Sócrates" ou.
Apresso-me a ligar para Lisboa. Conto a minha façanha, espero pelos parabéns. O chefe critica-me irritado "A resposta do gajo é inaceitável!", engulo em seco e explico ao chefe "Olha, foi o que eu disse ao gajo, que até ia da tua parte e que tu nunca na vida irias aceitar uma resposta assim, e que portanto ele que me dissesse mas é o que tu queres que ele diga, que até já tens o título feito e tudo, mas não adiantou..."
O meu textinho saiu a uma coluna numa página interior, provavelmente par. Do assunto da manchete não me lembro.
P.S. - Publicado originalmente no dia 18 de Maio de 2020. Era uma história prometida e com a qual concluí, para já, a série que dediquei ao falecido jornal 24horas. José Sócrates ganhou as eleições em questão, sacando a primeira maioria absoluta para o PS. O resto é o que se sabe e o que mais virá a saber-se. O 24horas nasceu em 1998 e morreu em 2010, um ano depois de os seus alegados responsáveis terem liquidado a Redacção do Porto, a sangue frio e pelas costas. Eram os primeiros dias de Maio quando nos despejaram no desemprego, e podem limpar as mãos à parede. Mas tinha piada o pasquim, que até chegou a ser bem feito, e é a bíblia do jornalismo que hoje se pratica em Portugal.
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sexta-feira, 26 de agosto de 2016
Igreja reúne-se de emergência
"A Igreja vai reunir-se de emergência na segunda-feira, em Fátima", avisa o JN. Não sei se é verdade, mas, a ser, é preciso tomar nota: em Fátima evidentemente, e de emergência. E por que razão reúne a Igreja portuguesa, de emergência, em Fátima? Por causa da pedofilia interna? Não. Por causa da fome externa? Não. Por causa da pobreza geral? Não. Por causa do desemprego dos outros? Não. Por causa da crise de vocações sacerdotais? Não. Por causa da falta de povo e de fé nas igrejas e nas procissões? Não. Por causa do burquíni? Não. Por causa dos incêndios de Verão? Não. Por causa do terramoto em Itália? Não. Por causa dos atentados na Turquia? Não. Por causa da guerra na Síria? Não, não e não. "A Igreja vai reunir-se de emergência na segunda-feira, em Fátima, para decidir a resposta a enviar ao Estado, que recentemente notificou a maioria das 4376 paróquias a nível nacional para pagarem imposto municipal sobre imóveis dos seus edifícios e terrenos."
quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013
Agarrem-me, senão eu fujo! E eles agarraram.
António Nogueira Leite, ex-secretário de Estado do PSD, era administrador da Caixa Geral de Depósitos e ameaçou: se me aumentam mais os impostos, saio do País. Aumentaram-lhe mais os impostos e ele saiu da Caixa. Mas não saiu do País. Fez bem. Acaba de ser nomeado membro do conselho de administração e da comissão de retribuições da EDP Renováveis.
quinta-feira, 4 de outubro de 2012
"Em sede de IRS" é outra limpeza
| Foto Hernâni Von Doellinger |
Vítor Gaspar é um génio sem ideias. É uma criatura que pensa que pensa. O ministro das Finanças demora muito a falar e mesmo assim o pensamento nunca lhe chega a tempo quando abre a boca. A indigência política de Vítor Gaspar tende a esconder-se atrás de siglas. E o descaramento também. A TSU não resultou? Gaspar faz de conta que percebeu a mensagem e agora chama-lhe IRS. É ainda mais pesado e em cima dos mesmos - mas ser depenado "em sede de IRS" é outra limpeza, não é?
quarta-feira, 18 de julho de 2012
De que país é este Governo?
O Governo anunciou hoje o bodo aos pobres: a partir do próximo ano será possível deduzir no IRS cinco por cento do IVA em facturas de alojamento, restauração, oficinas de automóveis e, é claro, cabeleireiros. O semanário Expresso afirma que fez as contas e concluiu que, para atingir o tecto máximo da dedução - 250 euros -, cada contribuinte ou agregado familiar português terá que gastar 2.280 euros por mês em hotéis, salões de chá, cromados para o Rolls-Royce e manicura particular. Se eu tivesse 2.280 euros para gastar todos os meses, diria aos senhores do Governo para enfiarem os cinco por cento de desconto anual pelo cu acima. Como não tenho, mando-os apenas à merda.
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sábado, 23 de junho de 2012
Se não fosse o PS, estávamos bem lixados
Já se adivinham novos impostos sobre quem não tem dinheiro nem emprego, nem razão nenhuma para pagar impostos. Fala-se do imposto de sobrevivência: respira, paga! Os funcionários públicos poderão ficar sem o 12.º mês. As reformas serão ultracongeladas e os reformados também. José Luís Arnaut vai para administrador da REN. Miguel Cadilhe, Eduardo Catroga, António Mexia, Faria de Oliveira, Jorge Coelho, Ferreira do Amaral, Armando Vara, José Penedos, Dias Loureiro, Mira Amaral, Pina Moura, Ângelo Correia, Fernando Gomes, Celeste Cardona, António Vitorino e mais alguns do exclusivíssimo Clube dos Sempre os Mesmos também lá vão andando, sabe Deus como.
Salva-nos o PS, que está "intransigentemente contra qualquer tentação de agravar a dose de austeridade" na sequência dos números ontem divulgados. O PS não é para brincadeiras: depois da "abstenção violenta", agora "intransigentemente contra". O PS gosta de palavras. Um dia destes ainda faz qualquer coisa.
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Vítor Gaspar
quarta-feira, 28 de setembro de 2011
domingo, 11 de setembro de 2011
11 de Setembro de 2011
Dia de reflexão sobre o mundo e o futuro do mundo, a segurança e o terrorismo, a América e outros radicalismos? Não.
Jornada de luta contra o desemprego e de protesto contra as medidas asfixiantes de um Governo incompetente e desorientado que a única coisa que sabe fazer para "tirar o País da crise" é aumentar os impostos em cima das vítimas do costume? Não.
Não. Hoje vamos falar de penáltis.
Jornada de luta contra o desemprego e de protesto contra as medidas asfixiantes de um Governo incompetente e desorientado que a única coisa que sabe fazer para "tirar o País da crise" é aumentar os impostos em cima das vítimas do costume? Não.
Não. Hoje vamos falar de penáltis.
sábado, 3 de setembro de 2011
Estes ex são uns chatos!
Manuela Ferreira Leite, ex-ministra das Finanças e ex-líder do PSD, ataca a política fiscal do Governo. Diz que "de justiça tem pouco e de eficácia tem nada" e que "já se ultrapassou o limite do possível".
Marques Mendes, ex-líder do PSD, afirma que o novo aumento de impostos anunciado pelo Governo (o terceiro em três meses) "não foi bem explicado" e acusa o Executivo de Passos Coelho de não estar a cumprir com as promessas eleitorais.
Vasco Graça Moura, ex-eurodeputado social-democrata, declara que o "aumento de impostos está a traduzir-se num incomportável sacrifício das classes médias".
Mário Soares, ex-Presidente da República e admirador confesso de Passos Coelho, mostra-se "preocupado" com as medidas de austeridade aplicadas pelo Governo PSD/CDS, admitindo que Portugal está "a caminhar valentemente para o limite" do que a classe média pode suportar de impostos.
Estes ex são uns chatos! Ainda por cima, têm razão.
Marques Mendes, ex-líder do PSD, afirma que o novo aumento de impostos anunciado pelo Governo (o terceiro em três meses) "não foi bem explicado" e acusa o Executivo de Passos Coelho de não estar a cumprir com as promessas eleitorais.
Vasco Graça Moura, ex-eurodeputado social-democrata, declara que o "aumento de impostos está a traduzir-se num incomportável sacrifício das classes médias".
Mário Soares, ex-Presidente da República e admirador confesso de Passos Coelho, mostra-se "preocupado" com as medidas de austeridade aplicadas pelo Governo PSD/CDS, admitindo que Portugal está "a caminhar valentemente para o limite" do que a classe média pode suportar de impostos.
Estes ex são uns chatos! Ainda por cima, têm razão.
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