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quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

O meu ovni é melhor do que o ovni americano

O Correio da Manhã, jornal de todos os espantos e outros antiportismos, viu um ovni na América. Um ovni que, vai-se a esmiuçar depois, é a treta de "um raio resultante de um efeito luminoso" - assim explicado por especialistas. No passado dia 14 de Janeiro, o Tarrenego! apresentou, em exclusivo mundial, a fotografia indesmentível de um opni sobre o mar na cidade do Porto (rever abaixo, comparar e comprovar). Ninguém quis saber. Não era Campo de Ourique, era no Porto, resvés com Matosinhos, e por isso ninguém ligou. Nem as agências internacionais nem o Correio da Manhã: não metia Pinto da Costa, portanto não interessa para nada. E assim desperdiçamos o pouco que vamos tendo, até o que nos cai do céu, e é por estas e por outras que este país não vai para a frente.
É o que eu digo: dá Deus ovnis a quem não tem dentes.

Foto Hernâni Von Doellinger

terça-feira, 8 de novembro de 2011

O ET de Belém

A Casa Branca precipitou-se quanto declarou, ontem, que os EUA nunca contactaram com extraterrestres. Bastava-lhe esperar pelo dia de amanhã e já podia afirmar o contrário, depois de Barack Obama receber Cavaco Silva na Sala Oval, num encontro imediato de terceiro grau com a duração prevista de meia hora. Prepara-te, América: o ET de Belém vai fazer sensação!
Recém-chegado ao nosso mundo e por isso sem culpa nenhuma do monte de merda em que nós, os portugueses do rés-do-chão, estamos enterrados, Cavaco é tão infalível como o Papa e mais sério do que toda a gente. Muito provavelmente nasceu duas vezes. Todos os amigos próximos que foram por ele tocados ficaram subitamente ricos. Podres de ricos! Ele é o político profissional que tem o dom de não ser político. Ele é o homem que não é igual aos outros homens. Também não é a reencarnação de Jesus Cristo, senão já teria avisado os seus seguidores no Facebook. Cavaco Silva é um extraterrestre.

sábado, 22 de outubro de 2011

Antes que o mundo acabe

O mundo vai acabar dentro de exactamente 59 minutos. Pelas contas do pastor evangélico norte-americano Harold Camping, que se costuma enganar muito, mas desta vez é que é, o Apocalipse chega daqui a um bocado: às 20 horas de sexta-feira na terra dele, uma da manhã de sábado em Portugal continental. Foi o que ele disse aos seus discípulos. E eu só espero que ninguém se aleije. Mas não ficou claro, pelo menos para mim, se o fim do mundo é o fim da América, porque, para os americanos, a América é o mundo, ou se nos toca a todos, incluindo o principado de Sealand e essa pequena adjacência chamada China.

(Por falar em China, falemos também na Hungria. O que é que deu aos chineses e aos húngaros para julgarem que são mais infelizes do que os portugueses? Nem uns nem outros tiveram o Sócrates e o Teixeira dos Santos, não têm o Passos Coelho nem o Vítor Gaspar, não fazem ideia de quem é Cavaco Silva, queixam-se de quê? A que propósito é que chineses e húngaros ficaram à frente de Portugal num inquérito da OCDE, envolvendo 40 países, sobre os mais insatisfeitos com a vida?)

Antes que o mundo acabe, quero, porém, esclarecer o seguinte: bacalhau à espanhola não é caldeirada de bacalhau, tão-pouco ensopado de bacalhau. Bacalhau à espanhola é um prato que pede azeite e não água. É quase um guisado, de molho grosso e aveludado, e com o tempero apurado até aos limites legais de sal, pimenta, alho, louro e salsa. Por mim, também malagueta. Colorau, um nada só para dar cor. E, tomem nota, o pimento e o tomate são duas desnecessidades usadas apenas por quem pensa, mas não sabe, que só assim é que é "à espanhola". Erro crasso. O bacalhau à espanhola é à portuguesa!
O bacalhau até pode ser de quarto, daquele que, inteiro, não mede mais do que um palmo. E pode ser pouco. Não faz diferença nenhuma. O importante é o gosto que o bacalhau empresta, o equilíbrio do tempero geral, a consistência da molhanga. Quando eu era pequeno e os tempos eram de pobreza como os de agora, a minha mãe fazia um bacalhau à espanhola a que, honestamente, chamava batatas à espanhola. E vocês não fazem ideia do que perderam por nunca terem provado as batatas à espanhola da minha mãe...
E pronto, era isto. O mundo já pode acabar. Estou preparado, enfim de consciência tranquila. Andava com esta espinha atravessada na garganta desde o almoço da passada terça-feira, aí num sítio. E agora, se me dão licença, vou à cozinha salgar uns ossinhos da suã para o jantar de logo à noite.

domingo, 11 de setembro de 2011

11 de Setembro de 2011

Dia de reflexão sobre o mundo e o futuro do mundo, a segurança e o terrorismo, a América e outros radicalismos? Não.
Jornada de luta contra o desemprego e de protesto contra as medidas asfixiantes de um Governo incompetente e desorientado que a única coisa que sabe fazer para "tirar o País da crise" é aumentar os impostos em cima das vítimas do costume? Não.
Não. Hoje vamos falar de penáltis.