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domingo, 6 de setembro de 2026

Ele não podia ver sangue

As encomendas como as bombas
Começou com a pandemia e veio para ficar. As encomendas agora chegam-nos a casa sozinhas no elevador. Como as bombas. Nos filmes.

Há homens realmente assim, hematofóbicos por natureza ou acidente, ainda que não o saibam e nem sequer conheçam a palavra. Por exemplo, Avelino Ferreira Torres (1945-2019). Personalidade polémica, com coutadas no futebol e na política, pelo menos, mais que provável introdutor do "populismo" em Portugal e eminente prometedor de lamparinas, foi presidente da Câmara do Marco de Canaveses durante mais de duas décadas. Teve nome em estádio e em vida, participou no reality show Quinta das Celebridades, da TVI, por onde também passou o nosso grande Tino de Rans, e esteve envolvido no processo Apito Dourado.
Paradigma rústico do quero, posso e mando, irascível, provocador, feitio rufião, sempre com uma ameaça na ponta da língua e disponível para resolver todas as questões à estalada, suspeito de ligação à rede bombista de extrema-direita (MDLP) no pós-Abril de 1974, Ferreira Torres passava a vida nos tribunais, acusado de tudo e de mais alguma coisa. De incitar à violência num jogo de futebol, de peculato e peculato de uso, com condenação, de falsificação de assinatura, de abuso de poder, de gestão danosa, de enriquecimento ilícito, de corrupção, de extorsão e até de ter ordenado a morte, não concretizada, de um ex-colaborador.
Conheci Avelino Ferreira Torres. Entrevistei-o, se não me engano, pelo menos três vezes. "O senhor é mesmo capaz de mandar matar pessoas?", perguntei-lhe uma ocasião para o jornal 24horas, que gostava muito destas coisas. Indignadíssimo, mas via-se que era a fingir, Avelino respondeu-me aos berros, ditando-me cuidadosamente as palavras, sílaba a sílaba, e apontando com o dedo autoritário para o meu bloco de notas, a ver se eu estava a escrever bem:
- Que me mostrem onde é que eu mandei matar alguém. Mostrem! A partir de certa altura, eu deixei de poder ver sangue, valha-me Deus. Quando era criança, via e até ajudava a matar as galinhas e os porcos lá em casa, mas agora, se vejo sangue, viro logo a cara para o lado. É logo! Eu sou incapaz de matar uma mosca..." - disse ele.
- E duas? - insisti eu.

(Do meu blogue Mistérios de Fafe)

quinta-feira, 6 de agosto de 2026

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2024

Uma questão de potência


Mr. Bean estampou-se contra uma árvore. A cena tem piada, mas não é para rir. O comediante britânico Rowan Atkinson teve mesmo um acidente, em Agosto de 2011, e quase desfez o carro, que por acaso não era o Mini 1976 amarelo com volante removível e aloquete (cadeado, se lido em Lisboa) da famosa série de televisão, mas um McLaren F1 que, segundo leio, é caro que eu sei lá e dá mais de 380 à hora. Tento imaginar que 380 à hora deve ser muito à hora, à hora demais, mas não consigo, não faço ideia. A reparação do automóvel - se é que se pode chamar automóvel a este avião de calças curtas - custou à companhia de seguros mais de um milhão de euros. E eu também não sei quanto é um milhão de euros. Não faço ideia, por mais que tente imaginar.
A história tem muito que se lhe diga e realmente já tem barbas, mas a problemática que lhe subjaz está outra vez na ordem do dia, como adiante se verá.
A inveja é uma cena que não me assiste. Mr. Bean que tenha o carro que quiser e os jogadores de futebol também. Ganham bom e merecido dinheiro, melhor para eles. Que o gastem como quiserem e que gastem muito, que é óptimo para nós todos, até para as oficinas, seguradoras e outros intermediários - que eles espetam-se como tordos. Do fundo do coração, o que lhes estimo é o que lhes desejo. E que, com a graça de Deus, seja sempre só chapa. Mas, tenho de confessar, não percebo a queda desta gente para carros de mil à hora só para ir de casa ao café e do café para casa. Sabem o que se diz, aparentemente comprovado por estudos científicos: grande bomba, pila pequena? Pois se calhar. Não estudei para isso nem fui estudado, não faço a mínima. E mais até estou à vontade para falar sobre o assunto: não tenho carro e nem sequer sei conduzir...

P.S. - O primeiro jornal humorístico português foi lançado, em Lisboa, no dia 9 de Fevereiro de 1856. Chamava-se "Asmodeu" e há quem diga que afinal foi o segundo jornal humorístico português, a seguir ao "Suplemento Burlesco de O Patriota".

quinta-feira, 10 de agosto de 2023

Segurança acima de tudo

Foto Hernâni Von Doellinger

Cidadão exemplar, o homem da direita, preocupado, respeitador da saúde alheia, rigoroso observante da legislação em vigor. Fumar no interior da loja da estação de serviço, ainda por cima local de trabalho? Nem pensar! O cidadão exemplar veio cá para fora, encostou-se placidamente às botijas de gás e, todas as precauções tomadas, então, sim, acendeu o cigarrinho em segurança máxima. Fumou até ao filtro e depois foi para casa. A pé.
Agora, repare-se, por outro lado, no gesto negligente do indivíduo da esquerda: a abastecer o seu automóvel numa bomba de gasolina. Numa bomba de gasolina, reparem no nome, valha-nos Deus! Há lá sítio mais perigoso para meter combustível!?...
Quer-se dizer, não é por acaso que as estações de serviço se chamam bombas de gasolina. Bombas. De gasolina. E não é por acaso que a gasolina se chama combustível, isto é, inflamável, isto é, explosivo.
Ou por outra, as pessoas metem gasolina de manhã, a caminho do emprego, e depois andam todo o dia com o combustível no depósito do carro, como quem conduz um enorme cocktail molotov à espera que se lhe chegue o isqueiro. Eu acho isto tudo um perigo!

P.S. - Rudolf Diesel, engenheiro mecânico franco-alemão, realizou o primeiro teste com um motor de combustão no dia 10 de Agosto de 1893, abastecendo-se com óleo de amendoim. Hoje é Dia Internacional do Biodiesel, pelo menos no Brasil.

domingo, 9 de julho de 2023

Um dia de morrer a rir

Há dias que são mais de rir do que outros. Por exemplo, hoje é Dia Mundial pelo Desarmamento, e eu, espero que não me levem a mal, penso nas bombas de fragmentação que Joe Biden, presidente dos EUA, vai mandar para a Ucrânia, e estou aqui, com as mãos na barriga, a escangalhar-me às gargalhadas...

sexta-feira, 15 de abril de 2022

Não é por acaso

Não é por acaso que as estações de serviço se chamam bombas de gasolina. Bombas. De gasolina. E não é por acaso que a gasolina se chama combustível, isto é, inflamável, isto é, explosivo.

terça-feira, 12 de abril de 2022

Uma questão de potência

Mr. Bean estampou-se contra uma árvore. A cena tem piada, mas não é para rir. O comediante britânico Rowan Atkinson teve mesmo um acidente, em Agosto de 2011, e quase desfez o carro, que por acaso não era o Mini amarelo com aloquete (cadeado, se lido em Lisboa) da famosa série de televisão, mas um McLaren F1 que, segundo leio, é caro que eu sei lá e dá mais de 380 à hora. Tento imaginar que 380 à hora deve ser muito à hora, à hora demais, mas não consigo, não faço ideia. A reparação do automóvel - se é que se pode chamar automóvel a este avião de calças curtas - custou à companhia de seguros mais de um milhão de euros. E eu também não sei quanto é um milhão de euros. Não faço ideia, por mais que tente imaginar.
A história tem que se lhe diga e está muito bem contada na edição online do Expresso de ontem. De ontem. Foi em Agosto de 2011.
A inveja é uma cena que não me assiste. Mr. Bean que tenha o carro que quiser e os jogadores de futebol também. Ganham bom e merecido dinheiro, melhor para eles. Que o gastem como quiserem e que gastem muito, que é óptimo para nós todos, até para as oficinas, seguradoras e outros intermediários - que eles espetam-se como tordos. Do fundo do coração, o que lhes estimo é o que lhes desejo. E que, com a graça de Deus, seja sempre só chapa. Mas, tenho de confessar, não percebo a queda desta gente para carros de mil à hora só para ir de casa ao café e do café para casa. Sabem o que se diz: grande bomba, pila pequena? Pois se calhar. Não estudei para isso, não faço a mínima ideia. E mais até estou à vontade para falar sobre o assunto: não tenho carro e nem sequer sei conduzir...

P.S. - Publicado originalmente no dia 9 de Fevereiro de 2013. Hoje é Dia Nacional do Humorista. No Brasil.

segunda-feira, 27 de julho de 2020

Ataque à bomba

Disse que ia atacar à bomba, e foi. Anos e anos a fio. Dental. Hoje a bomba é a estação de metro da Trindade e ele era travesti.

sábado, 30 de novembro de 2013

Um Natal mais ou menos

Dá-me para isto ultimamente: pergunto aos meus amigos "Andas feliz? És feliz?", e não é por causa da crise ou da merda da política ou dos bandalhos que estão no Governo. Nada disso - quero que essa corja de Lisboa se foda, refoda e contrafoda. Aos meus amigos pergunto acerca do coração, dos afectos, do casamento, do divórcio, da mulher, da namorada, da mulher e das namoradas, dos filhos, dos netos, dos irmãos, dos pais, dos sogros, da saúde, da fé, da filosofia, da poesia, de Deus, dos sonhos, da vida. Falo de bondade, de amor, de compaixão, de vinho. "És feliz? Andas feliz?", é o que pergunto, exactamente da mesma maneira que pergunto em casa, à mesa, se a comidinha está a saber bem.
A vida para ter algum jeito também deve saber bem, não é? Pelo menos é o que eu acho, pratico e digo aos meus amigos, dinheiro à parte e emprego também, que só fazem falta a quem tem. A nós, não - o País já deu baixa de nós, de mim e dos meus amigos. Estamos muito bem assim com isto que nos deixaram em comum: somos tesos encartados, desempregados por conta própria, cidadãos fora de prazo, viva Portugal! Os meus amigos interessam-me muito e por isso é que são sem aspas. Os meus amigos sabem que eu cozinho e são meia dúzia deles. Percebem o que eu quero dizer quando lhes pergunto se as fanecas eram mesmo assim e nem mais nem menos e se os rojões estão prontos para as olimpíadas. Percebem e respondem com grande selectividade (a selectividade e as retroescavadoras com luzinhas são cá coisas do forno interno). Eram e estão, as fanecas e os rojões. Mas se lhes pergunto directamente "És feliz, Natal?", os meus amigos limitam-se a balbuciar um "Mais ou menos" que até parece da minha família.
Vou mandar passar aos meus amigos os competentes atestados de Bombas, esses sublimados militantes do vai-se andando. Eu desarrisco-me.

sábado, 9 de fevereiro de 2013

Grande bomba, pila pequena?

Mr. Bean estampou-se contra uma árvore. A cena tem piada, mas não é para rir. O comediante britânico Rowan Atkinson teve mesmo um acidente, em Agosto de 2011, e quase desfez o carro, que por acaso não era o Mini amarelo com aloquete (cadeado, se lido em Lisboa) da famosa série de televisão, mas um McLaren F1 que, segundo leio, é caro que eu sei lá e dá mais de 380 à hora. Tento imaginar que 380 à hora deve ser muito à hora, à hora de mais, mas não consigo, não faço ideia. A reparação do automóvel - se é que se pode chamar automóvel a este avião de calças curtas - custou à companhia de seguros mais de um milhão de euros. E eu também não sei quanto é um milhão de euros. Não faço ideia, por mais que tente imaginar.
A história tem que se lhe diga e está muito bem contada na edição online do Expresso de ontem. De ontem. Foi em Agosto de 2011.
A inveja é uma cena que não me assiste. Mr. Bean que tenha o carro que quiser e os jogadores de futebol também. Ganham bom e merecido dinheiro, melhor para eles. Que o gastem como quiserem e que gastem muito, que é bom para nós todos, até para as oficinas, que eles espetam-se como tordos. Do fundo do coração, o que lhes estimo é o que lhes desejo. E que, com a graça de Deus, seja sempre só chapa. Mas, tenho que confessar, não percebo a queda desta gente para carros de mil à hora só para ir de casa ao café e do café para casa. Sabem o que se diz: grande bomba, pila pequena? Pois se calhar. Não estudei para isso, não faço ideia. E mais até estou à vontade sobre o assunto: não tenho carro nem sequer sei conduzir...

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Bombas

Escândalo! Bancos ingleses investem milhões em bombas proibidas. Se ao menos fossem bombas legais...