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quarta-feira, 9 de outubro de 2024

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2021

Notícias da retaguarda 2

As encomendas como as bombas
Para evitar contactos pessoais, as encomendas agora chegam-nos a casa sozinhas no elevador. Como as bombas. Nos filmes.

Contrafeitas
Eram máscaras contrafeitas. Se lhes dessem a escolher, referiam ser toalhetes.

Farto de tanta falta de respeito
Estava farto de tanta falta de respeito. Falta de respeito pela pandemia, falta de respeito pelo estado de emergência, falta de respeito pelo estado de calamidade, falta de respeito pela fila para a vacina, falta de respeito pelo estado a que isto chegou, falta de respeito pela quarentena, falta de respeito pelo confinamento, falta de respeito pela linha da frente, falta de respeito pela linha do tua, falta de respeito pelo desconfinamento, falta de respeito pela falta de respeito. Estava farto, farto, farto! E era hoje!...
Distanciou-se metro e meio da própria sombra, colocou a máscara, empunhou a bisnaga de álcool gel, subiu o lanço de escadas, aproveitou a porta apenas encostada, contou até três, entrou de rompante e gritou: mãos ao ar, isto é um assalto! Ficou admirado. O que ele queria dizer era: alto e pára o baile - desesperado com aquele forrobodó todas as noites mesmo por cima da cabeça, mais de vinte energúmenos, eles e elas, em sucessivas festas ilegais, estrondosas e orgíacas. Mas estava dito, estava dito: desceu com um LCD de 100 polegadas, uma mesa de DJ, seis colunas de som surround, um globo espelhado, oito CD do Quim Barreiros, dois tablets, quatro telemóveis, sete relógios - um de sala -, seis pulseiras, cinco colares, doze pares de brincos, dois pacotes de batatas fritas, meia piza familiar de cogumelos e fiambre, um pacote de Sugus morango e framboesa, nove gramas de haxixe, garrafa e meia de vodka, duas canecas de sangria, vazias, três garrafas de Casal Garcia, treze cartões de crédito, um vale de reforma e 837 euros em numerário.

Em lata
O confinamento fez dele um verdadeiro especialista em atum. Bom Petisco à segunda, Ramirez à terça, Tenório à quarta, Minerva à quinta, Pitéu à sexta e Inês ao sábado. Ao domingo, sardinha em tomate, evidentemente.

Os mórreres
Sim, os víveres, evidentemente os víveres. E os mórreres?...

Goze o confinamento
Aproveite a bênção da quarentena, sobretudo se for realmente mais do que quinzena. Fique em casa, leia, escreva, pense, e todas as tardes durma um sono, ou dois, consoante a disposição e a companhia, e dormir é aqui uma forma de dizer. E ouça a chuva a bater à janela. Mas não abra se bater leve, levemente, que a chuva não bate assim: é de certeza o Neves, e o Neves é um chato do caralho.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Mais André Almeida, a pedido

Anda por aí uma rapaziada que pensa que não há vida para além da política e que faz da política um jogo de capelinhas, interesses inconfessados, intriguismo, umbiguismo e ciumeira. Esses pobres de espírito nunca conseguirão distinguir uma opinião honesta e independente nem que ela lhes seja cagada por uma gaivota, com toda a força, em cima da cabeça. Julgarão sempre que estão a sangrar.
A propósito do meu texto sobre o ex-deputado André Almeida (que, na verdade, era sobre outra coisa...), um leitor do Tarrenego!, que assina Luís Silva e que sinceramente não creio que pertença ao grupo de que falo no parágrafo anterior, pergunta, muito correctamente, aliás, se aquilo não era uma "encomenda". Era. Mas é claro que era. E como o caderno de encargos previa a elaboração de dois textos, cá está o segundo.
Como já expliquei ao senhor Luís Silva, não tenho o prazer de conhecer pessoalmente o André Almeida e só falei com ele uma vez, pelo telefone, não por acaso em Fevereiro de 2008. Sei tanto da vida do PSD, ou da vida de outro partido qualquer, como o senhor Luís Silva sabe da minha. Isto é: nada. Fui a Arouca uma vez e gostei. A famosa vitela é que me pareceu uma coisa como outra qualquer. A vitela de Fafe é incomparavelmente melhor. Mas decerto errei no dia, fui pelas Festas das Colheitas, em 2005. Posta assim ao léu a minha declaração de desinteresses, devo acrescentar que admiro as pessoas bem intencionadas, ingénuas ou não, vaidosas ou não. Para cínico, basto eu.
André Almeida só não vingou como deputado porque fez tudo mal. Chegou a Lisboa e avisou que queria trabalhar, disse até qualquer coisa do género "Acho que posso ser útil no Parlamento". Ora, os deputados não estão lá para trabalhar, muito menos para serem úteis. Os mais velhos decerto que ensinam isso aos mais novos, mas o jovem arouquense deve ter faltado às aulas. Depois foi a desgraça que se viu. André Almeida teve a lata de admitir que ganhava demais e levou nas orelhas, mas, mesmo desterrado para os bancos da cozinha, lá aparecia de vez em quando, provavelmente quando não estava mais ninguém no hemiciclo, a puxar por Arouca e pela sua região. Ainda por cima, tinha a mania de "prestar contas" aos eleitores com permanente informação no seu site oficial. A verdade é esta: deputados assim não interessam, dão má fama à Assembleia da República.
Afirma o senhor Luís Silva que "era habitual" André Almeida fazer encomendas de textos "sempre que ia caindo no esquecimento". Aqui fica o registo. E faz notar também que, no meu texto, "faltou dizer" que o ex-deputado "não apoiou Passos Coelho na luta contra Rangel". Não faço a mínima ideia se o André Almeida apoiou ou não apoiou o Passos Coelho e nem sei o que é que isso interessa para o caso. Mas isto sou eu, que estou por fora das intrigalhadas partidárias. E já agora: o Passos Coelho lutou mesmo contra o Rangel? Gostava de ter visto. Embora eu ache, se me permitem a sugestão, que um combate entre Rangel e Marques Mendes era mais equilibrado.

Informo a estimada clientela que tenho a produção toda tomada até ao final do ano. Novas encomendas só serão consideradas a partir do dia 2 de Janeiro de 2012.