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quarta-feira, 14 de maio de 2014

Os charters de Cavaco Silva

Há três anos Paulo Futre prometia charters de chineses para Portugal. O país riu-se como um perdido, e eu também. Ontem Cavaco Silva comprometeu-se a promover a criação de uma ligação aérea directa entre a China e Portugal para que os tais charters cá cheguem. O país está distraído, e ri-me eu.
Ficou provado: Paulo Futre é um visionário, peço desculpa por não ter percebido antes. Afinal o que Futre diz escreve-se. E copia-se. Haja portanto respeito pelo cromo, e em tempo útil. Três anos é uma eternidade e por estas e por outras é que Galileu ia lerpando. O ex-futebolista anda agora na televisão a publicitar umas pastilhas diz ele que muito jeitosas para a falta de tesão. Se Belém tem alguma coisa a declarar sobre o assunto, que o faça já ou então que se cale para sempre.

P. S. - Lamento o desconsolo de quem contava que aqui me atirasse à faustosa embaixada que acompanha Cavaco Silva na visita à China: só empresários são mais de cem, um elefante, dois leopardos, uma pantera, perus raros e alguns papagaios - segundo as crónicas. Mas no Tarrenego! só falo de coisas sérias.

domingo, 19 de agosto de 2012

Mulher, anda ver Fafe na televisão

                                                                                        Foto Hernâni Von Doellinger

Isto ontem foi assim: a Volta chegava a Fafe e eu chamei a minha mulher para vermos a minha terra na televisão. O ciclismo ao vivo, à beira da estrada e do suor, comove-me, comove-nos, faz-me tanta impressão aquele poder, aquele esforço, ainda que vitaminados, que só me dá para tremer e chorar ao vê-los passar rasantes. E não vejo nada. Cuidam que estou a gozar? Não estou. Para já, não. Pegámos nas bandeirinhas e fomos, portanto, para o sofá. É mais seguro. E de homem.
A RTP anda a "filmar" a Volta a Portugal com telemóveis e um helicóptero com um telemóvel. A qualidade das imagens da corrida é uma merda e as informações gráficas são borrões. É a crise, e contra isso nada. Além disso, há o futebol. Mas o importante era Fafe e lá estávamos nós, eu e a minha mulher, de mãos dadas e corações alvoroçados à espera de nos revermos naquelas ruas, naqueles sítios que tão bem conhecemos e a que gostamos de chamar nossos. Havia um circuito à chegada, duas passagens pela meta. Um pitéu! Apesar do desfoque, o País inteiro ia ver como é bela a minha terra, como é única, e essa ideia não me saía da cabeça, entusiasmava-nos a ambos e às bandeirinhas.
Faltavam 17 quilómetros para o fim da etapa e a televisão informava que os corredores já estavam no circuito de Fafe. Eu expliquei à minha mulher que não podia ser, era engano, andei naquelas vidas, sei como estes desculpáveis lapsos acontecem, aquela via-rápida parecia-me mais a entrada em Sobral de Monte Agraço, quem vem de cima. "Vila Verde. Vila Verde, quem vem de baixo", contrariou-me ela, que me contraria sempre por uma questão de princípio. E, sim, de facto aquela estrada sem nada que a recomendasse nem bilhete de identidade podia muito bem ser nas bordas de Vila Verde. Ou de Sobral de Monte Agraço. Ou de Moimenta da Beira.
Os corredores umas vezes desciam não sei de onde e outras vezes subiam não sei para onde. Fafe era alcatrão e rails de protecção. Da minha terra, nada. No sofá discutíamos ipês e circulares e já íamos em Mértola, eu, e em Bragança, a minha mulher. A estrada impessoal e tão pau para toda a colher estava quase a acabar com o meu casamento quando finalmente dei fé da que já foi a Ponte de Golães. "Agora é que é", sobressaltei-me de alegria, "é mesmo Fafe, não é a Volta à Polónia". E os ciclistas pedalaram Santo Ovídio acima, deixaram a Cisterna para trás, passaram a Rua de Baixo e nós os dois a vermos aquilo na televisão todos vaidosos e a beliscarmo-nos, e nisto, às portas da Sacor, o programa da RTP avariou porque deu a chegada a uma meta em Vila Verde. Ou em Sobral de Monte Agraço. Ou em Moimenta da Beira. Ou em Mértola. Ou em Bragança, não sei bem. Sem o Largo, sem a Arcada e sem o Jardim do Calvário ao fundo, podia ser numa terra qualquer. Mas a televisão insistia que era Fafe.
E se calhar era. Porque apareceu o presidente da Câmara, que foi ao palco ser cumprimentado pelo vencedor da tirada. (Porque para isso é que estas coisas são feitas.) E era um palco de luxo: o presidente da Câmara, o João Baião e o Paulo Futre. Dinheiro bem gasto.

domingo, 9 de outubro de 2011

Futre

Farto-me de rir com este cromo. Havia um jogador de futebol parecido e com o mesmo nome, mas não sei o que é feito dele.

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

A "táctica Paulo Futre"

Jogada de mestre, ontem, a de António José Seguro. Farto de falar para o boneco, cansado de ser ignorado pelo País em geral e pelos portugueses em particular, o líder do PS resolveu finalmente deitar mão à arma que tem mais ao pé para ultrapassar a sua congénita invisibilidade: convocar uma conferência de imprensa e fazer figura de urso. Concentradíssimo no seu discurso, com papel e tudo, Seguro conseguiu embrulhar-se brilhantemente em gafes e contradições, umas atrás das outras, inaugurando em Portugal o uso da versão política da já famosa "táctica Paulo Futre". O resultado da esperta iniciativa? Um sucesso! Hoje não se fala de outra coisa.
Aparentemente de língua enrodilhada, António José Seguro "acusou" o Governo de Passos Coelho de total ausência de insensibilidade social e de exigir sacrifícios a quem mais tem e a quem mais ganha. Quê? Não faz sentido? Faz, sim senhor: estas é-assim-mas-ao-contrário são artimanhas que Seguro astutamente engendrou para focar as pessoas na proposta socialista, que lá meteu pelo meio, de uma taxa extra de 3,5 por cento sobre as empresas com lucros anuais acima dos dois milhões de euros.
É de génio! Quem assim mete os pés pelas mãos só pode ser de propósito. Não descortino razões sólidas para pensar de outra maneira. Só se forem razões líquidas. E então o melhor é o PS mudar as suas conferências de imprensa para de manhã.