"Ai quem me dera ter outra vez vinte anos", cantava com sentimento o jovem fadista, estrela que haveria de ser. Tinha apenas sete aninhos, coitadinho, mas, quem o ouvisse, parecia que tinha oitenta...
P.S. - Hoje é Dia da Saudade. No Brasil.
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quinta-feira, 30 de janeiro de 2025
sábado, 2 de dezembro de 2017
Manuel Celso Garrido
¡Saúde, Irmáns!
Saúde, Irmáns, a carón da garimosa terra nosa,
Pol-a céltiga Galiza inmorrente,
non laiemos máis: ¡Bruemos bariles agora!
¡Pol-a nosa caste, por Ella, camiñemos avante!
Coa nosa aición e rexa vontade
O GALEGO a de ser avante lema d-estimazón,
I-a-nosa Patrea será nosa, queirámolo todos!
i-abafemos a quen se opoña a súa redención.
Irmáns: un berro antergo e sagro
(os acomplexados fuxan da nosa veira:
só nos interesa do mundo un anaco,
só Galiza):¡Viva nosa Terra meiga!
¿Queredes máis, homes e mulleres
das mariñas, do agro e da cibdade?
Eí vos vai o berro angurioso i-eterno:
¡Viva Galiza ceibe!
"Saudade", Manuel Celso Garrido
(Manuel Celso Garrido nascei no dia 2 de Dezembro de 1915. Morreu em 1960.)
Saúde, Irmáns, a carón da garimosa terra nosa,
Pol-a céltiga Galiza inmorrente,
non laiemos máis: ¡Bruemos bariles agora!
¡Pol-a nosa caste, por Ella, camiñemos avante!
Coa nosa aición e rexa vontade
O GALEGO a de ser avante lema d-estimazón,
I-a-nosa Patrea será nosa, queirámolo todos!
i-abafemos a quen se opoña a súa redención.
Irmáns: un berro antergo e sagro
(os acomplexados fuxan da nosa veira:
só nos interesa do mundo un anaco,
só Galiza):¡Viva nosa Terra meiga!
¿Queredes máis, homes e mulleres
das mariñas, do agro e da cibdade?
Eí vos vai o berro angurioso i-eterno:
¡Viva Galiza ceibe!
"Saudade", Manuel Celso Garrido
(Manuel Celso Garrido nascei no dia 2 de Dezembro de 1915. Morreu em 1960.)
sexta-feira, 26 de maio de 2017
Amélia Rodrigues
Saudade
Estou aqui
À sua espera
Como sempre, como antes,
Como amanhã...
Estou aqui
À sua espera
Como sempre, como antes,
Como amanhã...
Estou aqui,
Só,
Mas acompanhada
De tristeza, solidão,
Desesperança...
Estou aqui
E você não está...
Não tenho vida,
Falta-me ar,
Sinto-me perdida
Na lassitude dos meus
Pensamentos.
Estou aqui
E não me encontro,
Pois uma parte de mim
Dissolveu-se
Quando você partiu...
Estou aqui,
Sem alma,
Carente do seu amor...
De você!
Estou aqui
Entre quatro paredes
Perversas, solitárias
E frias...
Estou aqui
Com a sua lembrança,
Vivenciando a sua ausência
Que representa lágrimas
No meu coração...
Estou aqui,
Chorando,
Onde antes sorri...
Estou aqui,
Sofrendo,
Onde ontem fui feliz!
Estou aqui...
(Ah, estou aqui!)
À sua espera
Como antes, como sempre,
Como amanhã...
Estou aqui
Na ânsia de vê-lo chegar
Cantado, alegre,
Revoltado
(ou mesmo apaixonado!)
E ouvi-lo dizer:
- "Estou aqui!"
(Amélia Rodrigues nasceu no dia 26 de Maio de 1861. Morreu em 1926.)
sábado, 20 de maio de 2017
Corrêa da Silva
Saudade
De xale posto nos ombros,
toda vestida de preto, acurvada,
de cabelos de neve e de rosto enrugado,
Dona Maria Teresa Moniz e Vasconcelos
volta de assistir à sua missa de todo santo dia...
E miudinha, ligeira, qual uma cigarra,
parece até que está correndo... Fugindo...
Com medo do sol, que enche a cidade inteira,
- casas e ruas, ruas e casas - nesta manhã dominical,
com a sua luz gloriosa, fascinante e entontecedora...
Dona Maria Teresa Moniz e Vasconcelos
chega à porta do seu imponente sobradão colonial...
Entra. Sobe os dois lances da comprida escada
e rapidamente atravessa a varanda senhorial...
Agora está trancada, sozinha no seu quarto,
o aposento mais querido dentre todos,
cheirando muito a velhice e a mistério,
cheio de imagens de santos e de móveis antigos...
(Aposento que vive sempre fechado para toda a gente...)
Dona Maria Teresa Moniz e Vasconcelos
abre, bem devagarinho, bem devagarinho, a sua bolsa...
Tira de dentro uma pequenina chave de prata... Depois,
silenciosa, chega para perto da cômoda de jacarandá
e, curvada, quase de joelhos, puxa o último gavetão...
A suas mãos fidalgas, tão brancas e tão magras,
mãos leves e lindas, mãos longas e frias,
estão tremendo... Tremendo... Tremendo de emoção...
Ela guarda, já nem sabe há quanto tempo,
naquele pesado gavetão da cômoda de jacarandá,
as doces e puras e simples lembranças
de seu longínquo e inesquecível romance da mocidade...
Uma flor... Uma carta... Um retrato...
Corrêa da Silva
(Corrêa da Silva nasceu no dia 20 de Maio de 1917. Morreu em 1951.)
De xale posto nos ombros,
toda vestida de preto, acurvada,
de cabelos de neve e de rosto enrugado,
Dona Maria Teresa Moniz e Vasconcelos
volta de assistir à sua missa de todo santo dia...
E miudinha, ligeira, qual uma cigarra,
parece até que está correndo... Fugindo...
Com medo do sol, que enche a cidade inteira,
- casas e ruas, ruas e casas - nesta manhã dominical,
com a sua luz gloriosa, fascinante e entontecedora...
Dona Maria Teresa Moniz e Vasconcelos
chega à porta do seu imponente sobradão colonial...
Entra. Sobe os dois lances da comprida escada
e rapidamente atravessa a varanda senhorial...
Agora está trancada, sozinha no seu quarto,
o aposento mais querido dentre todos,
cheirando muito a velhice e a mistério,
cheio de imagens de santos e de móveis antigos...
(Aposento que vive sempre fechado para toda a gente...)
Dona Maria Teresa Moniz e Vasconcelos
abre, bem devagarinho, bem devagarinho, a sua bolsa...
Tira de dentro uma pequenina chave de prata... Depois,
silenciosa, chega para perto da cômoda de jacarandá
e, curvada, quase de joelhos, puxa o último gavetão...
A suas mãos fidalgas, tão brancas e tão magras,
mãos leves e lindas, mãos longas e frias,
estão tremendo... Tremendo... Tremendo de emoção...
Ela guarda, já nem sabe há quanto tempo,
naquele pesado gavetão da cômoda de jacarandá,
as doces e puras e simples lembranças
de seu longínquo e inesquecível romance da mocidade...
Uma flor... Uma carta... Um retrato...
Corrêa da Silva
(Corrêa da Silva nasceu no dia 20 de Maio de 1917. Morreu em 1951.)
quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017
Luiz Peixoto
Saudade
Sodade é uma dô que dá,
mas não é dô de doê.
É vontade de alembrá,
é vontade de esquecê.
É dô de dente,
machuca,
mas onde dói não se vê.
E a gene pega, catuca,
pra não deixá de doê...
"Poesia de Luiz Peixoto", Luiz Peixoto
(Luiz Peixoto nasceu no dia 2 de Fevereiro de 1889. Morreu em 1973.)
Sodade é uma dô que dá,
mas não é dô de doê.
É vontade de alembrá,
é vontade de esquecê.
É dô de dente,
machuca,
mas onde dói não se vê.
E a gene pega, catuca,
pra não deixá de doê...
"Poesia de Luiz Peixoto", Luiz Peixoto
(Luiz Peixoto nasceu no dia 2 de Fevereiro de 1889. Morreu em 1973.)
sábado, 10 de dezembro de 2016
Clarice Lispector 4
Saudade
Saudade é um pouco como fome.
Só passa quando se come a presença.
Mas às vezes a saudade é tão profunda
que a presença é pouco:
quer-se absorver a outra pessoa toda.
Essa vontade de um ser o outro
para uma unificação inteira
é um dos sentimentos mais urgentes
que se tem na vida.
Clarice Lispector
(Clarice Lispector nasceu no dia 10 de Dezembro de 1920. Morreu em 1977.)
Saudade é um pouco como fome.
Só passa quando se come a presença.
Mas às vezes a saudade é tão profunda
que a presença é pouco:
quer-se absorver a outra pessoa toda.
Essa vontade de um ser o outro
para uma unificação inteira
é um dos sentimentos mais urgentes
que se tem na vida.
Clarice Lispector
(Clarice Lispector nasceu no dia 10 de Dezembro de 1920. Morreu em 1977.)
terça-feira, 27 de setembro de 2016
Vinicius Meyer
Saudade
... e o canto dolente
da gente da terra,
monótono e longo,
findando-se em ais!
... e o canto dolente
da gente da terra,
monótono e longo,
findando-se em ais!
... e as noites tão longas,
cruzadas de luzes,
pejadas de gritos,
inçadas de cruzes!
cruzadas de luzes,
pejadas de gritos,
inçadas de cruzes!
... e o sol que requeima,
e a terra que arde,
e o eito escaldante
nas horas da tarde!
e a terra que arde,
e o eito escaldante
nas horas da tarde!
... e os olhos morenos,
nostálgicos, ternos,
que nele pousaram,
dormindo silentes!
nostálgicos, ternos,
que nele pousaram,
dormindo silentes!
Tudo acompanha o estrangeiro triste,
que, da popa do navio,
lança os olhos,
como mãos aflitas,
para a terra que some,
que some entre praias ardentes.
que, da popa do navio,
lança os olhos,
como mãos aflitas,
para a terra que some,
que some entre praias ardentes.
Saudade, por que acompanhas o
estrangeiro triste?
Por que o acompanhas aos países frios,
tu que moras nas terras tropicais?
Por que o acompanhas aos países frios,
tu que moras nas terras tropicais?
Saudade:
passageira da popa dos navios,
esperança que olha para trás...
passageira da popa dos navios,
esperança que olha para trás...
"Poemas Caboclos", Vinicius Meyer
(Vinicius Meyer nasceu no dia 27 de setembro de 1906. Morreu em 1954.)
terça-feira, 14 de junho de 2016
Maruja Pino
Saudade
Quero contarche meniña, baixiño, baixiño,
todo o que meu cor por ti latexa.
Non te separes de min, e escóitame ben
que o meu amor se crave no teu cor sin pena.
Quero beilar no serán, toda a noite contigo,
e que un bico me des, cando a lua se esconda
detrás dos verducidos e longos piñeiros,
e que teu peito se encha de tenrura pra min,
que eu sexa pra ti un amor verdadeiro.
No serán os dous, co calor do vran, a sombra da lúa
brincaremos o son do pandeiro,
e baixiño, baixiño, direnche a saudade
que eu sinto de ter un amor verdadeiro.
Maruja Pino
(Maruja Pino nasceu no dia 14 de Junho de 1918. Morreu em 2010.)
Quero contarche meniña, baixiño, baixiño,
todo o que meu cor por ti latexa.
Non te separes de min, e escóitame ben
que o meu amor se crave no teu cor sin pena.
Quero beilar no serán, toda a noite contigo,
e que un bico me des, cando a lua se esconda
detrás dos verducidos e longos piñeiros,
e que teu peito se encha de tenrura pra min,
que eu sexa pra ti un amor verdadeiro.
No serán os dous, co calor do vran, a sombra da lúa
brincaremos o son do pandeiro,
e baixiño, baixiño, direnche a saudade
que eu sinto de ter un amor verdadeiro.
Maruja Pino
(Maruja Pino nasceu no dia 14 de Junho de 1918. Morreu em 2010.)
sábado, 2 de maio de 2015
Luís Amado Carballo
Saudade
Meniña, pecha a fiestra,
non deixes á noite entrar;
para tebras ben abondan
estas que comigo van.
O vento anda espenuxado
oubeando como un can,
e na zanfona do bosque
salouca un tolo cantar.
Que arelas tan fondas sinto
de deixal-a alma vagar,
de perdel-o corazón
como unha dorna no mar.
Este fondo mal qu'eu teño
ninguien m'o pode sandar;
a miña alma no ensono
por vieiro iñorado vai.
É o herdo da nosa raza
esta mágoa de ideal;
sentir remotos degoiros,
chorar sin saber o mal.
Meniña... pecha a fiestra,
non deixes á noite entrar;
para tebras ben abondan
estas que comigo van.
"Proel", Luís Amado Carballo
(Luís Amado Carballo nasceu no dia 2 de Maio de 1901. Morreu em 1927.)
Meniña, pecha a fiestra,
non deixes á noite entrar;
para tebras ben abondan
estas que comigo van.
O vento anda espenuxado
oubeando como un can,
e na zanfona do bosque
salouca un tolo cantar.
Que arelas tan fondas sinto
de deixal-a alma vagar,
de perdel-o corazón
como unha dorna no mar.
Este fondo mal qu'eu teño
ninguien m'o pode sandar;
a miña alma no ensono
por vieiro iñorado vai.
É o herdo da nosa raza
esta mágoa de ideal;
sentir remotos degoiros,
chorar sin saber o mal.
Meniña... pecha a fiestra,
non deixes á noite entrar;
para tebras ben abondan
estas que comigo van.
"Proel", Luís Amado Carballo
(Luís Amado Carballo nasceu no dia 2 de Maio de 1901. Morreu em 1927.)
sexta-feira, 8 de novembro de 2013
Teixeira de Pascoaes 2
Que saudades eu sinto desta flor,
Que vai murchar!
E desta gota de água e de esplendor,
Um pequenino mundo que é só mar.
E desta imagem que por mim passou
Misteriosamente.
E desta folha pálida e tremente
Que tombou...
Da voz do vento que me deixa mudo,
E deste meu espanto de criança.
Que saudades de tudo eu sinto, porque tudo
É feito de lembrança...
"Versos Pobres", Teixeira de Pascoaes
(Teixeira de Pascoaes nasceu no dia 8 de Novembro de 1877. Morreu em 1952.)
Que vai murchar!
E desta gota de água e de esplendor,
Um pequenino mundo que é só mar.
E desta imagem que por mim passou
Misteriosamente.
E desta folha pálida e tremente
Que tombou...
Da voz do vento que me deixa mudo,
E deste meu espanto de criança.
Que saudades de tudo eu sinto, porque tudo
É feito de lembrança...
"Versos Pobres", Teixeira de Pascoaes
(Teixeira de Pascoaes nasceu no dia 8 de Novembro de 1877. Morreu em 1952.)
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