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sábado, 25 de novembro de 2023

Temos Montenegro, graças a Deus

Felizmente Portugal tem Luís Montenegro. A vida não é obrigatório ser só tristezas e às vezes o povo também precisa de rir. Foi um fartote esta manhã. Agora à tarde, depois de um copito, ainda pode ser melhor...

sábado, 31 de maio de 2014

O nojo do PS

Depois da cagada que fez no Governo, o PS devia guardar um longo período de nojo em relação ao País e só voltar a aparecer em público quando tudo estivesse completamente esquecido: isto é, daqui a três ou quatro gerações. A regeneração ou refundação do partido devia ser feita na intimidade socialista, longe dos holofotes e dos microfones, e até os congressos deviam ser à porta fechada, quanto mais não fosse por uma questão de saúde pública.
Mas eles não resistem, são vaidosos de mais e inteligentes de menos para nos largarem a braguilha. E têm à disposição três canais nacionais de telenotícias 24X24 que também precisam deles como de pão para a boca para enchouriçarem "apontamentos de reportagem" e "comentários em cima da hora" que fazem tanta falta ao nosso quotidiano como uma viola num enterro. Estão bem uns para os outros.
Este fim-de-semana deram-nos o espectáculo da entronização de António José Seguro. Um triste espectáculo. O escusado congresso do PS teve tanto sumo que, depois de exaustivamente espremido pelos especialistas de serviço, ficou reduzido a um tal episódio da cadeira, envolvendo Seguro e António Costa, o ponto alto de um evento que terá servido apenas para marcar a diferença fundamental e definitiva entre o actual líder socialista e o outro, o que foi embora: ao contrário de Sócrates, este agora parece que gosta dos jornalistas...
E o País sossegou.

(Texto escrito e publicado no dia 12 de Setembro de 2011. E querem dar-nos mais do mesmo.)

domingo, 4 de dezembro de 2011

O assobio democrático

Miguel Relvas foi ontem vaiado no encerramento do congresso da Associação Nacional de Freguesias. O indesculpável ministro de Pedro Passos Coelho, que lhe vem quase logo a seguir na hierarquia do Governo, viu metade dos 1.600 congressistas voltar-lhe as costas e abandonar a sala e ouviu a outra metade assobiá-lo e mandá-lo àquela parte, em protesto contra a proposta de extinção de freguesias defendida pela coligação PSD/CDS. No final, Relvas disse que o clima de contestação foi "gerado e estimulado" propositadamente contra si. É como um alho, não sei como é que ele percebeu.
O todo-poderoso ministro adjunto e dos Assuntos Parlamentares escusa, no entanto, de preocupar-se antes do tempo. Porque isto dos assobios é relativo. É como os penáltis por encontrão. Depende da intensidade, como muito bem explicaria o saudoso Pôncio Monteiro. E até pode ser que os assobios ao Relvas tenham sido afinal aplausos, consoante o lugar em que o assobiódromo oficial do INE o colocou na sequência do episódio de Portimão. Confesso que não tive tempo de consultar o histórico de assobios nos congressos da Anafre, nem pude ver a última actualização do ranking nacional de ministros assobiados.
Mas posso contar o seguinte: no ano de 2008, Manuel Pinho, o excelente ministro da Economia que se desgraçou por causa dos corninhos na Assembleia da República, foi ao Estádio Nacional entregar a taça ao vencedor do Estoril Open - Roger Federer, para que conste. E levou a vaia da ordem. É uma tradição do torneio: assobiar o vaidoso do Governo que lá vai botar figura. Mandaram-me ligar-lhe no dia seguinte, para saber como é que ele encaixou a humilhação. E apanhei-o.
Mas qual humilhação? Pinho estava todo contente, até parecia que tinha gostado. Explicou-me: "Toda e gente me disse que, de longe, fui o ministro menos assobiado dos últimos anos". Ao sinistro Relvas (a esquerda, se a há, que me desculpe) só lhe ficava bem deixar de se armar em vítima, logo ele!, e de inventar complôs. A democracia tem disto: assobios.