| Foto Hernâni Von Doellinger |
Mostrar mensagens com a etiqueta Tui. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Tui. Mostrar todas as mensagens
segunda-feira, 8 de junho de 2026
quinta-feira, 29 de maio de 2025
domingo, 25 de julho de 2021
Viva Galiza!
Hoje é Dia da Galiza. Para mim foi ontem. Em Tui o litro de gasóleo está trinta cêntimos mais barato.
segunda-feira, 19 de julho de 2021
Um bobsleigh em segunda mão
No tempo dos sonhos eu tive um: comprar um bobsleigh em segunda mão, pegar na mulher, no filho e no futuro e mudarmo-nos os quatro para Santiago de Compostela,
que era o estrangeiro que me estava mais à mão e nós gostávamos
razoavelmente derivado às ruinhas, às tapas e às cañas e por a bem dizer
nem sequer ser estrangeiro. Melhor dito, gostamos muito. Mas hoje em dia: a Galiza anda
tão à rasca como a gente, já não é oficialmente estrangeiro e saraiva
por mais que saraive, ainda que em galego, não é neve nem embala. Ia
fazer o quê com o bobsleigh na Praça do Obradoiro?
Do Obradoiro, que nome extraordinário. Ainda por cima, os gandulos do
lado de cá cortaram-me as vazas, entesaram-me até ao cutão. Desisti
portanto do bobsleigh
e tirei o passe do metro para a Senhora da Hora. Segundo julgo saber,
na Senhora da Hora não neva há variados anos por uma questão de
princípio. Que se segue: de bolsos vazios e sonhos roubados, fico
olimpicamente em casa à espera do Verão de que não gosto. Sem bobsleigh, sem ruinhas, sem tapas e sem cañas. Uma seca que só visto.
Sou dado a invernos. Melhor que chova em Santiago. E que neve e que gele. Ou então nada disso, que ao ponto a que chegámos também não interessa, mas Santiago, sempre Santiago, mesmo sem bobsleigh e ainda que faça sol. Um dia destes lá iremos, eu, a mulher, o filho e o futuro - pobres e a pé, se Deus quiser, mas vamos. E tem de ser rápido, antes que uns certos e determinados bandalhos nos matem à fome em primeira mão.
Sou dado a invernos. Melhor que chova em Santiago. E que neve e que gele. Ou então nada disso, que ao ponto a que chegámos também não interessa, mas Santiago, sempre Santiago, mesmo sem bobsleigh e ainda que faça sol. Um dia destes lá iremos, eu, a mulher, o filho e o futuro - pobres e a pé, se Deus quiser, mas vamos. E tem de ser rápido, antes que uns certos e determinados bandalhos nos matem à fome em primeira mão.
P.S. - Publicado originalmente no dia 9 de Fevereiro de 2014. Entretanto comprei um carrinho de mão praticamente novo e temos dado as nossas voltas por aí.
Vá à Galiza e não pague
Os portugueses vão ser incentivados a deixarem de pagar as contas quando
visitarem a Galiza. Trata-se de uma iniciativa no âmbito de um
protocolo bilateral que está a ser ultimado pelo Eixo Atlântico,
associação transfronteiriça que congrega 34 municípios do noroeste
peninsular e que, como se sabe, até ontem não servia para absolutamente
nada.
Exactamente ontem, o galego Xóan Vasquez Mão, secretário-geral do Eixo, teve a peregrina ideia de desafiar todos os espanhóis a passarem pelas nossas ex-scut sem pagar portagens e sem medo de multas, dando a entender que o Governo português lhe prometeu que vai continuar a fechar os olhos a esse tipo de infracções quando praticadas por nuestros hermanos. E foi a partir daí que tudo se precipitou.
Numa corrida contra o tempo, uma intensa campanha publicitária está a ser preparada de ambos os lados da fronteira, para explicar às respectivas populações os exactos contornos desta inovadora operação de permuta. Foram imediatamente lançados dois slogans, embora o objectivo seja um só: para cima do rio Minho a campanha tem por título "Portugal é de rir", de Valença para baixo a campanha denomina-se "A Galiza é de graça".
Cá, os espanhóis têm à borla as auto-estradas que nós pagamos, mas lá, em contrapartida, os portugueses passarão a dispor de um interessante portefólio de fiados sem cobrança que inclui, entre outras notáveis instituições galegas, a Zara, o Corte Inglés, as bombas da Cepsa em Tui (logo a seguir à ponte velha), o Hostal de los Reyes Catolicos, o polbo á feira, o lacón con grelos, a empanada, os pementos de Padrón, o albariño e até missas de sétimo dia na Catedral de Santiago de Compostela.
É vestir, abastecer, dormir, comer, beber, rezar e vazar. Português não paga! É tudo para o tecto, para o calo. E, se houver galegos desinformados que não gostem, que vão receber ao BES! Ou, então, que façam o favor de passar pelo posto de turismo mais próximo. Está tudo previsto no protocolo.
Mas atenção, portugueses: as portagens nas auto-estradas espanholas são para continuar a pagar. O contrário seria uma ilegalidade. E uma imoralidade.
Exactamente ontem, o galego Xóan Vasquez Mão, secretário-geral do Eixo, teve a peregrina ideia de desafiar todos os espanhóis a passarem pelas nossas ex-scut sem pagar portagens e sem medo de multas, dando a entender que o Governo português lhe prometeu que vai continuar a fechar os olhos a esse tipo de infracções quando praticadas por nuestros hermanos. E foi a partir daí que tudo se precipitou.
Numa corrida contra o tempo, uma intensa campanha publicitária está a ser preparada de ambos os lados da fronteira, para explicar às respectivas populações os exactos contornos desta inovadora operação de permuta. Foram imediatamente lançados dois slogans, embora o objectivo seja um só: para cima do rio Minho a campanha tem por título "Portugal é de rir", de Valença para baixo a campanha denomina-se "A Galiza é de graça".
Cá, os espanhóis têm à borla as auto-estradas que nós pagamos, mas lá, em contrapartida, os portugueses passarão a dispor de um interessante portefólio de fiados sem cobrança que inclui, entre outras notáveis instituições galegas, a Zara, o Corte Inglés, as bombas da Cepsa em Tui (logo a seguir à ponte velha), o Hostal de los Reyes Catolicos, o polbo á feira, o lacón con grelos, a empanada, os pementos de Padrón, o albariño e até missas de sétimo dia na Catedral de Santiago de Compostela.
É vestir, abastecer, dormir, comer, beber, rezar e vazar. Português não paga! É tudo para o tecto, para o calo. E, se houver galegos desinformados que não gostem, que vão receber ao BES! Ou, então, que façam o favor de passar pelo posto de turismo mais próximo. Está tudo previsto no protocolo.
Mas atenção, portugueses: as portagens nas auto-estradas espanholas são para continuar a pagar. O contrário seria uma ilegalidade. E uma imoralidade.
P.S. - Publicado originalmente no dia 2 de Agosto de 2011.
Galiza de ida e volta
Fui despedir-me da Galiza. Não sei quando lá torno, não sei se lá
tornarei. Não há dinheiro, não há vícios, e a Galiza era um dos meus
mais queridos vícios. Estou, na verdade, a pôr em ordem a minha ausência
de futuro. Ando a despedir-me de todos os meus sítios.
Comecei por cortar no supérfluo, nos prazeres da vida, mas dei comigo
já a roer as unhas ao essencial, a questionar a própria subsistência. O
mais certo é nunca mais pôr os pés fora de casa, para poupar as solas
dos sapatos. Resta-me a varanda e a vista para o mar, se me puser de
lado, e a companhia da gaivota
cagona. O CRF vai ser substituído por água da torneira com duas gotas
de tintura de iodo, em balão previamente aquecido ao sol, e o cachimbo
passará ser a fumado com barbas de milho.
Almoço, às terças, quintas, sábados e domingos; jantar, às segundas, quartas e sextas. Entre mim e a minha mulher, quem almoçar não janta no dia seguinte e quem jantar não almoça no dia seguinte. Ementa única para almoço e jantar: meia malga de caldo de couves sem azeite e um papo-seco seco. Quem comer o caldo de couves sem azeite deixa o papo-seco seco para o outro, que fica automaticamente sem direito a caldo. Parece complicado, mas não é. É tudo uma questão de organização e fé. Creio que a coisa vai funcionar, assim nos deixem morrer em paz.
Portanto fui despedir-me da minha Galiza. E sabeis que mais? Paguei portagens. Paga-se portagens nas auto-estradas da Galiza e os portugueses também. Sempre pagaram. Não há excepções nem ofertas. Mas os meus irmãos galegos são uns pândegos e resolveram embirrar com as nossas ex-scut que nos entram a nós, portugueses, pelos bolsos dentro depois de nos terem sido prometidas e entregues como "sem custo para os utilizadores".
Primeiro foi Xóan Vasquez Mao, secretário-geral do Eixo Atlântico, a desafiar todos os espanhóis a passarem pelas nossas ex-scut sem pagarem portagens e sem medo de multas, dando a entender que tinha garantida a cumplicidade do Governo português. Agora são vários hotéis de Vigo a oferecerem aos clientes portugueses o valor das portagens na A28 nos programas especiais de passagem de ano para contrariar a quebra de negócio já sentida no Natal. E sugerem à hotelaria do Norte de Portugal que faça o mesmo com os seus clientes galegos.
Vamos lá ver em que param as modas. Já que ninguém nos dá nada do lado de cá, até pode ser que, por tabela, ainda acabemos por ganhar alguma coisa com os do lado de lá.
P.S. - Publicado originalmente no dia 29 de Dezembro de 2011, não sei como as coisas estão agora, dez anos passados. A Ponte Internacional Valença-Tui foi inaugurada no dia 19 de Julho de 1993.
Almoço, às terças, quintas, sábados e domingos; jantar, às segundas, quartas e sextas. Entre mim e a minha mulher, quem almoçar não janta no dia seguinte e quem jantar não almoça no dia seguinte. Ementa única para almoço e jantar: meia malga de caldo de couves sem azeite e um papo-seco seco. Quem comer o caldo de couves sem azeite deixa o papo-seco seco para o outro, que fica automaticamente sem direito a caldo. Parece complicado, mas não é. É tudo uma questão de organização e fé. Creio que a coisa vai funcionar, assim nos deixem morrer em paz.
Portanto fui despedir-me da minha Galiza. E sabeis que mais? Paguei portagens. Paga-se portagens nas auto-estradas da Galiza e os portugueses também. Sempre pagaram. Não há excepções nem ofertas. Mas os meus irmãos galegos são uns pândegos e resolveram embirrar com as nossas ex-scut que nos entram a nós, portugueses, pelos bolsos dentro depois de nos terem sido prometidas e entregues como "sem custo para os utilizadores".
Primeiro foi Xóan Vasquez Mao, secretário-geral do Eixo Atlântico, a desafiar todos os espanhóis a passarem pelas nossas ex-scut sem pagarem portagens e sem medo de multas, dando a entender que tinha garantida a cumplicidade do Governo português. Agora são vários hotéis de Vigo a oferecerem aos clientes portugueses o valor das portagens na A28 nos programas especiais de passagem de ano para contrariar a quebra de negócio já sentida no Natal. E sugerem à hotelaria do Norte de Portugal que faça o mesmo com os seus clientes galegos.
Vamos lá ver em que param as modas. Já que ninguém nos dá nada do lado de cá, até pode ser que, por tabela, ainda acabemos por ganhar alguma coisa com os do lado de lá.
P.S. - Publicado originalmente no dia 29 de Dezembro de 2011, não sei como as coisas estão agora, dez anos passados. A Ponte Internacional Valença-Tui foi inaugurada no dia 19 de Julho de 1993.
domingo, 27 de junho de 2021
terça-feira, 2 de fevereiro de 2021
sexta-feira, 3 de julho de 2020
Volta a Portugal em bicicleta
- Volta a Portugal em bicicleta! - recomendaram-lhe. E ele voltou. Estava sem gasolina e sem dinheiro. Em Tui. Foi um tirinho...
Etiquetas:
bicicleta,
ciclismo,
Espanha,
fronteira,
gasolina,
Portugal,
série I want to ride my bicycle,
Tui,
Valença,
Volta a Portugal
segunda-feira, 23 de dezembro de 2019
Há a ponte e há o debaixo da ponte
| Foto Hernâni Von Doellinger |
Moravam debaixo da ponte. Oficialmente, não é lugar onde se more, porém eles moravam. Ninguém lhes cobrava aluguel, imposto predial, taxa de condomínio: a ponte é de todos, na parte de cima; de ninguém, na parte de baixo. Não pagavam conta de luz e gás, porque luz e gás não consumiam. Não reclamavam contra falta dágua, raramente observada por baixo de pontes. Problema de lixo não tinham; podia ser atirado em qualquer parte, embora não conviesse atirá-lo em parte alguma, se dele vinham muitas vezes o vestuário, o alimento, objetos de casa. Viviam debaixo da ponte, podiam dar esse endereço a amigos, recebê-los, fazê-los desfrutar comodidades internas da ponte.
À tarde surgiu precisamente um amigo que morava nem ele mesmo sabia onde, mas certamente morava: nem só a ponte é lugar de moradia para quem não dispõe de outro rancho. Há bancos confortáveis nos jardins, muito disputados; a calçada, um pouco menos propícia; a cavidade na pedra, o mato. Até o ar é uma casa, se soubermos habitá-lo, principalmente o ar da rua. O que morava não se sabe onde vinha visitar os de debaixo da ponte e trazer-lhes uma grande posta de carne.
Nem todos os dias se pega uma posta de carne. Não basta procurá-la; é preciso que ela exista, o que costuma acontecer dentro de certas limitações de espaço e de lei. Aquela vinha até eles, debaixo da ponte, e não estavam sonhando, sentiam a presença física da ponte, o amigo rindo diante deles, a posta bem pegável, comível. Fora encontrada no vazadouro, supermercado para quem sabe frequentá-lo, e aqueles três o sabiam, de longa e olfativa ciência.
Comê-la crua ou sem tempero não teria o mesmo gosto. Um de debaixo da ponte saiu à caça de sal. E havia sal jogado a um canto de rua, dentro da lata. Também o sal existe sob determinadas regras, mas pode tornar-se acessível conforme as circunstâncias. E a lata foi trazida para debaixo da ponte.
Debaixo da ponte os três prepararam comida. Debaixo da ponte a comeram. Não sendo operação diária, cada um saboreava duas vezes: a carne e a sensação de raridade da carne. E iriam aproveitar o resto do dia dormindo (pois não há coisa melhor, depois de um prazer, do que o prazer complementar do esquecimento), quando começaram a sentir dores.
Dores que foram aumentando, mas podiam ser atribuídas ao espanto de alguma parte do organismo de cada um, vendo-se alimentado sem que lhe houvesse chegado notícia prévia de alimento. Dois morreram logo, o terceiro agoniza no hospital. Dizem uns que morreram da carne, dizem outros que do sal, pois era soda cáustica. Há duas vagas debaixo da ponte.
Carlos Drummond de Andrade
domingo, 3 de novembro de 2019
segunda-feira, 28 de outubro de 2019
segunda-feira, 5 de março de 2018
domingo, 4 de março de 2018
sábado, 24 de fevereiro de 2018
terça-feira, 17 de outubro de 2017
sábado, 14 de outubro de 2017
sábado, 7 de outubro de 2017
Perdi o Euromilhões por apenas 32 quilómetros...
Preenchi e registei o Euromilhões, quinta-feira, na vila de Caminha. Vejo hoje nos jornais que o megajackpot acumulado de 190 milhões de euros saiu em Espanha, a um único apostador. Que diabo, podia ter tratado do assunto quando depois fui a Tui meter gasóleo...
terça-feira, 25 de abril de 2017
Subscrever:
Mensagens (Atom)
