De acordo com as sondagens, "serviço militar obrigatório e privatização da TAP são os temas que mais dividem os portugueses". As sondagens têm, como sempre, razão. Basta andar na rua, nos transportes, ir ao café, ao mercado, à missa ou à bola, e realmente não se fala de outra coisa: tropa e TAP.
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domingo, 20 de abril de 2025
terça-feira, 20 de junho de 2023
segunda-feira, 19 de junho de 2023
Relativamente a essa matéria
- Relativamente a essa matéria, senhor deputado, devo esclarecer que não tenho nada a acrescentar relativamente a essa matéria.
- E relativamente à outra matéria, senhor ex-ministro?
- Relativamente à outra matéria, senhor deputado, devo esclarecer que não tenho nada a acrescentar relativamente à outra matéria.
- Bem me parecia, senhor ex-ministro!
- Ainda bem que nos entendemos, senhor deputado!
(Quer-se dizer. A sessão inaugural da Assembleia Nacional Constituinte decorreu no dia 19 de Junho de 1911, faz hoje anos e é bem feito. A Assembleia Constituinte sancionou a República Portuguesa e a abolição da Monarquia, estabeleceu as cores e o desenho da Bandeira Nacional e adoptou "A Portuguesa" como Hino Nacional. A TAP veio depois. E está a dar-lhes imenso jeito. Embora eles não saibam ou façam de conta que não sabem que os portugueses do rés-do-chão querem que o assunto TAP se foda.)
- E relativamente à outra matéria, senhor ex-ministro?
- Relativamente à outra matéria, senhor deputado, devo esclarecer que não tenho nada a acrescentar relativamente à outra matéria.
- Bem me parecia, senhor ex-ministro!
- Ainda bem que nos entendemos, senhor deputado!
quarta-feira, 4 de novembro de 2020
Quando a ilha do Sal ficou sem Super Bock
Ouço Tiago Nacarato no rádio. Canta "A Dança". Diz: "Mesmo que se acabe o stock / Da tão bem-vinda Super Bock / A vida é boa / A vida é tão boa / A vida é mesmo boa de se levar."
E lembro-me do Verão de 1990, na ilha do Sal, Cabo Verde. Agosto
passava para Setembro, e a Super Bock esgotou sem remédio em toda a ilha. Fui
eu.
P.S. - A TAP realizou o seu primeiro voo regular entre Lisboa e a ilha cabo-verdiana do Sal no dia 4 de Novembro de 1964. Lembro-me praticamente, mas não fui nesse...
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sábado, 4 de julho de 2020
segunda-feira, 9 de março de 2020
segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016
domingo, 14 de junho de 2015
Um título a que nem o Governo bota defeito
Diz o Público, em manchete digital: "TAP abre inquérito a piloto que orquestrou greve de Maio". Orquestrou? Um piloto? A greve? Orquestrou? Palavra de honra? No Público? Só mais uma pergunta, e com esta me fico: alguém estava distraído quando "picou" o press-realese exclusivo e confidencial mandado pelo Ministério da Economia na costumeira sorrateirice dos sábados?
terça-feira, 19 de maio de 2015
Algo está a mudar na STCP, não sei se para melhor
| Foto Hernâni Von Doellinger |
O motorista do 500 era um três-em-um: conduzia, falava ao telemóvel e comia uma sandes - tudo ao mesmo tempo. O que é extraordinário. Eu, que até me tenho em boa conta, se como, não consigo falar ao telemóvel, e, se falo ao telemóvel, não consigo comer. Para além disso, não sei conduzir nem um carrinho de linhas, quanto mais um dúplex de três rodados. O 500 é, com efeito, o autocarro da STCP que faz bissextamente a ligação do Porto a Matosinhos (e vice-versa) pela marginal, e note-se que digo bissextamente porque, numa mesma manhã, um 500 passa pela tabela de Inverno, outro 500 passa pela tabela de Verão, e pelo meio há pelo menos dois ou três 500 que não passam por tabela nenhuma, pura e simplesmente não passam, o que significa mais de uma hora à espera e é para quem quer. Os horários da STCP afixados nas paragens e publicitados na Internet são uma anedota, e a boa disposição faz falta nos tempos que correm. Está certo.
Por definição, os motoristas da STCP conduzem e falam ao telemóvel. Ui, o que eles falam ao telemóvel! E quando raramente relapsam e não falam ao telemóvel, é porque estão à conversa com um estorvador profissional, amigo da corda, geralmente mirone de praia, que se lhes planta ao lado, atravancando a entrada dos passageiros e distraindo a condução. E blá blá, blá blá, blá blá, lá vão ambos todos contentes nos seus ofícios, gajas acima e gajas abaixo, como se não fosse nada com eles.
O meu motorista três-em-um conduzia, portanto, um 500 de rés-do-chão e 1.º andar - a bem dizer, um mil -, o que é ainda mais extraordinário. E, verdade seja dita, sem o estorvador da ordem, falava simplesmente ao telemóvel. E almoçava, o que até se compreende, uma vez que já eram quase duas da tarde.
Ora bem: os trabalhadores da STCP entram hoje em greve. E não vai haver 500 para ninguém. Quer-se dizer que vou ter de andar duas horas a pé, nada de grave e até me faz bem. Que fique registado, eu sou pelas greves. No meu tempo de grevar, grevei com reconhecida competência e indesmentível pertinácia - quem me conhece não me deixa mentir. Quantas vezes me disseram, uns e outros, mais outros do que uns: é pá, camarada, nunca vimos ninguém grevar com tanta categoria como tu! Eu, modesto, limitava-me a dar um jeito ao guarda-sol e a pedir mais um fininho, se faz favor. E ainda não tínhamos descoberto a comodidade das greves às segundas e sextas-feiras.
Confesso que tenho uma certa simpatia pelos motoristas da STCP e pela sua greve. O que eles querem, o que eles querem mesmo, é que os deixem ficar no quentinho do "serviço público", porque trabalhar para o privado fia mais fino. Mas, à boleia da única verdadeira "reivindicação", ficámos também a saber que, pelas contas da Comissão de Trabalhadores, a STCP precisa de mais 150 motoristas e não os mete, que há motoristas que trabalham catorze horas por dia (daí a sandes, depreendo eu) e que realmente os utentes andam a levar um grandessíssimo baile.
Por falar em baile. Outro assunto é a greve dos pilotos da TAP. Que podem ir à merda, os pilotos grevistas, mais a administração da alegada transportadora aérea nacional e mais o Governo que não soube ter mão no caso. À merda, todos! Mas um momento: antes de se sentaram à mesa, gostaria que algum dos comensais me explicasse como é que uma empresa que tem 35 milhões de euros de prejuízo por causa de dez dias de greve não consegue ter mil e duzentos e quarenta e dois milhões e meio de euros de lucro nos outros 355 dias do ano.
Voltando ao meu motorista três-em-um, o tal que conduzia, falava ao telemóvel e comia uma sandes - tudo ao mesmo tempo. Poderão dizer-me que é homem pouco cuidadoso, ainda por cima ao volante de uma bisarma daquele tamanho. Não é essa, porém, a minha opinião. Pelo contrário. Dei-me ao trabalho de reparar: a sandes era de pão integral e tinha folhinha de alface.
(Este texto foi escrito e publicado há uma semana, no dia 11 de Maio. Hoje vi que alguma coisa mudou. O 500 continua a andar no horário que lhe apetece, suprime-se sem aviso prévio nem dó nem piedade do utente antecipadamente pagante, desaparece para parte incerta sobretudo no sentido Porto-Matosinhos, e esta não é, portanto, a novidade. A notícia é que o motorista do 500 vinha guardado por dois robustos seguranças - empresa nova, pareceu-me -, que, honra lhes seja feita, para além de outros préstimos que sinceramente não catrapisquei, estorvavam a entrada dos passageiros com assinalável competência.)
segunda-feira, 11 de maio de 2015
A minha homenagem aos pilotos da STCP
| Foto Hernâni Von Doellinger |
Por definição, os motoristas da STCP conduzem e falam ao telemóvel. Ui, o que eles falam ao telemóvel! E quando raramente relapsam e não falam ao telemóvel, é porque estão à conversa com um estorvador profissional, amigo da corda, geralmente mirone de praia, que se lhes planta ao lado, atravancando a entrada dos passageiros e distraindo a condução. E blá blá, blá blá, blá blá, lá vão ambos todos contentes nos seus ofícios, gajas acima e gajas abaixo, como se não fosse nada com eles.
O meu motorista três-em-um conduzia, portanto, um 500 de rés-do-chão e 1.º andar - a bem dizer, um mil -, o que é ainda mais extraordinário. E, verdade seja dita, sem o estorvador da ordem, falava simplesmente ao telemóvel. E almoçava, o que até se compreende, uma vez que já eram quase duas da tarde.
Ora bem: os trabalhadores da STCP entram hoje em greve. E não vai haver 500 para ninguém. Quer-se dizer que vou ter de andar duas horas a pé, nada de grave e até me faz bem. Que fique registado, eu sou pelas greves. No meu tempo de grevar, grevei com reconhecida competência e indesmentível pertinácia - quem me conhece não me deixa mentir. Quantas vezes me disseram, uns e outros, mais outros do que uns: é pá, camarada, nunca vimos ninguém grevar com tanta categoria como tu! Eu, modesto, limitava-me a dar um jeito ao guarda-sol e a pedir mais um fininho, se faz favor. E ainda não tínhamos descoberto a comodidade das greves às segundas e sextas-feiras.
Confesso que tenho uma certa simpatia pelos motoristas da STCP e pela sua greve. O que eles querem, o que eles querem mesmo, é que os deixem ficar no quentinho do "serviço público", porque trabalhar para o privado fia mais fino. Mas, à boleia da única verdadeira "reivindicação", ficámos também a saber que, pelas contas da Comissão de Trabalhadores, a STCP precisa de mais 150 motoristas e não os mete, que há motoristas que trabalham catorze horas por dia (daí a sandes, depreendo eu) e que realmente os utentes andam a levar um grandessíssimo baile.
Por falar em baile. Outro assunto é a greve dos pilotos da TAP. Que podem ir à merda, os pilotos grevistas, mais a administração da alegada transportadora aérea nacional e mais o Governo que não soube ter mão no caso. À merda, todos! Mas um momento: antes de se sentaram à mesa, gostaria que algum dos comensais me explicasse como é que uma empresa que tem 35 milhões de euros de prejuízo por causa de dez dias de greve não consegue ter mil e duzentos e quarenta e dois milhões e meio de euros de lucro nos outros 355 dias do ano.
Voltando ao meu motorista três-em-um, o tal que conduzia, falava ao telemóvel e comia uma sandes - tudo ao mesmo tempo. Poderão dizer-me que é homem pouco cuidadoso, ainda por cima ao volante de uma bisarma daquele tamanho. Não é essa, porém, a minha opinião. Pelo contrário. Dei-me ao trabalho de reparar: a sandes era de pão integral e tinha folhinha de alface.
(O episódio do motorista, do telemóvel e da sandes é verdadeiro. Mas não se passou no autocarro da fotografia, nem naquele dia, nem naquele sítio, nem sequer naquele sentido.)
sexta-feira, 1 de maio de 2015
Vá lá ser enganador ao caralho!
"Não há direito, tanta falta de consideração pela economia do País, tanta falta de consideração pela vida dos clientes da empresa, tanta falta de consideração pelos passageiros, tanta falta de consideração pelo turismo". Eu, que só ando de autocarro e metro, quando há autocarro e metro, estou de acordíssimo com tão veementes críticas aos pilotos da greve na TAP e se calhar até seria ainda mais filho da puta no comentário. Porém: quem assim fala entre aspas é Paulo Portas. O irrevogável Portas, a criatura que tanta consideração tem pela economia do País, pelas economias dos portugueses, pelos pobres, órfãos e viúvas. E pelo turismo. Sobretudo pelo turismo subaquático. Não tem direito.
sábado, 15 de dezembro de 2012
A anedota do ano: Relvas fala de "transparência"
Lisboa tem um Governo que, para além de incompetente e sem-vergonha, também é tolo. Hoje o Governo de Lisboa deixou Miguel Relvas falar de "transparência". Deixar Miguel Relvas falar já é um perigo, como vem sucessivamente preopinando o confrade e preopinante-geral da república, Marcelo Rebelo de Sousa. Mas deixar Miguel Relvas falar de "transparência" só pode ser piada. Piada de mau gosto.
A propósito do forrobodó das privatizações da REN, da EDP, da TAP, da ANA e da joana, o doutor da mula ruça disse que "foram processos de uma transparência total", "processos imaculados”. Rematando: "A transparência é um lema que o Governo assume em relação a todos". Pois é. "Transparência". Foi o Relvas que disse? É para rir, não é? Mas eu não rio.
A propósito do forrobodó das privatizações da REN, da EDP, da TAP, da ANA e da joana, o doutor da mula ruça disse que "foram processos de uma transparência total", "processos imaculados”. Rematando: "A transparência é um lema que o Governo assume em relação a todos". Pois é. "Transparência". Foi o Relvas que disse? É para rir, não é? Mas eu não rio.
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