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domingo, 5 de agosto de 2018

Cyro Martins 3

E uma bruta saudade, grande como a lua, acendeu de supetão na alma do gaúcho. Uma gana de voltar pelos caminhos andados... De ser outro, de ser como contam que foram os gaúchos andarengos de antigamente. De ser o que decerto fora seu pai, um índio vago… O que era ele, Chiru, o mascate, o lambe-espora? Um sotreta!
E o que seria, se vivesse naquele outro tempo, no tempo das adagas grandes, das pilchas prateadas, das onças sonantes, das distâncias sem fim? Seria um campeiro guapo, um andarengo, um valente!


"Sem Rumo", Cyro Martins

(Cyro Martins nasceu no dia 5 de Agosto de 1908. Morreu em 1995.)

sábado, 22 de julho de 2017

Azevedo Cruz

Sem rumo


Nesta barquinha audaz e temerária,
que a fantasia nômade carrega
pelos mares em fora, entregue à vária
sorte, a minhalma célere navega.

Ferra o velame a viração contrária...
As brancas velas túmidas desprega;
e acompanhada pela procelária
foge, no azul, completamente cega.

Corta do mar a superfície vasta;
o vento agita o seu velame roto,
e em convulsões no pélago se arrasta.

Mas vai por diante a gôndola veleira...
e, enquanto o teu amor for meu piloto,
a melhor vida é a vida aventureira.

"Sonho", Azevedo Cruz

(Azevedo Cruz nasceu no dia 22 de Julho de 1870. Morreu em 1905.)